RETRATO DA SEMANA


Vamos escolher com muita consciência quem vai comandar nossa nação pelos próximos quatro anos. Estaremos todos no mesmo barco.
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quarta-feira, 29 de maio de 2013

DON JAYME! O QUE É LA PULPERIA?



PULPERIA - armazém xucro
é o bolicho - a mesma venda.
Uma áurea de legenda
cerca esta tenda bravia;
um marco na geografia
nos espaços dilatados.
O templo dos desgarrados
no altar da PULPERIA!

Quem cuida dela é o PULPERO
quer atende a venda e proseia
e - se preciso - peleia,
é o mesmo que BOLICHEIRO.

Nos disse Evaristo Barrios
que de mui lejos venia:
"por eso la PULPERIA
estaba como de fiesta
y la gente en cada apuesta
mostraba su simpatia"


sexta-feira, 24 de maio de 2013

DON JAYME. O QUE É UMA BOTA-DE-GARRÃO?



É uma relíquia campeira
do couro da perna inteira
do bagual - morto na hora.
Garrão onde vai a espora
sem curtir e desparelho,
o cano atado no joelho
e os dedos meio de fora...

Muito usada antigamente
por peões e domadores
hoje só calçam os cultores
da campeira tradição.
A levam com devoção, 
como se fosse uma prenda...
Há fiapos de legenda
numa bota-de-garrão!

quarta-feira, 10 de abril de 2013

VOCABULÁRIO PAMPEANO - TIRADOR


TIRADOR – avental xucro
de capivara ou de pardo,
todo franjado – é um resguardo
inteiriço e sem costura,
que nos livra a queimadura
do laço quando golpeia.
Tem índio até que passeia
com ele atado a cintura.

Às vezes traz cinto junto
com guaiaca e com bocó,
mas, no mais – é um couro só,
capincho, pardo ou virá,
com enfeites de tafetá
é o Simões Lopes quem diz,
naquele xucro matiz
melhor “bombacha” não há!

Jayme Caetano Braun

Nas carreteadas mais brutas,
TIRADOR couro de pardo,
tivemos festas e lutas,
tristeza, paixão, sorriso,
boleando o ferrão de guizo
do  Itaroquém ao Rio Pardo.

Sempre fui meio capeta
bem pachola e agarrador,
se o quebra corcoveador
cavocava campo a fora
de garrão limpo e de espora
eu jogava o mango fora
pra florear com o TIRADOR.

Ainda resta um destino!
- quando aplastar o meu flete,
bandeando o último vau...
Meu TIRADOR é o que penso
serás o piedoso lenço
pro rosto do velho Blau

Zeca Blau Missioneiro
  

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

TCHÊ. O QUE É UM "TROTE CHASQUEIRO"?


Trote Chasqueiro é o andar do animal do peão que levava um chasque, isto é, um recado para alguém, de fazenda em fazenda. Não podia ser só no passo do animal pois havia certa urgência, e nem a galope para não cansá-lo devido á distância. Daí, então, o meio termo, ou seja, o trote. O Trote Chasqueiro.  



quinta-feira, 5 de julho de 2012

VOCABULÁRIO REGIONALISTA

MATE DO ESTRIBO: Mate do Estribo significa o último chimarrão antes de partir; quando a pessoa já está de acavalo para sua jornada e a prenda vem e lhe oferece um mate. Na linguagem popular seria a "saideira"  


Meus amigos leitores do blog. Aproveitando a postagem acima, e usando o vocabulário regionalista, quero lhes dizer que hoje, quinta-feira, ando "da sala pra cozinha", ou seja, apurado uma coisa por demais. Por esse motivo, pelo menos na parte da manhã, ao invés de preparar um crioulito, um palheiro (cigarro de palha) com toda a calma, picando o fumo, sovando-o, "apreparando" a palha, retovando-a, vou lhes oferecer um pito-feito (cigarro comprado), isto é, vou reeditar uma postagem que fizemos no dia 17 de abril de 2011 sob o título Pisaram no Pala - Carta de Protesto, tendo a ver com um e-mail muito difundido na época, escrito por alguém que parecia dar o "grito de liberdade dos gaúchos", esbravejando contra tudo e contra todos. Nosso blog nunca publicou tal e-mail por achá-lo muito agressivo e fomos muito cobrados por isso. Pois agora, um ano e alguns meses depois, a citada Carta de Protesto, sem autor definido, volta a circular e antes que nos cobrem novamente, a resposta é a mesma da época.

NÃO POSTAMOS PORQUE NÃO GOSTAMOS (postagem publicada em abril de 2011)

Caros leitores.

Não sei se vocês já viram, mas eu já recebi seis mensagens com o mesmo teor. É um e-mail que circula por aí intitulado Pisaram no Pala (Carta de Protesto).

Não se sabe bem a autoria da citada "Carta de Protesto". O primeiro e-mail que recebi me veio endereçado de Caxias e dava conta que seu autor era um declamador, que conheço bem. Não vou citar seu nome pois não temos a certeza da autoria mas não acredito que seja esta pessoa.

As outras cinco mensagens, todas através de e-mail, davam a autoria para um professor da Universidade de Pelotas, do Departamento de Fisiologia. Também preservaremos seu nome.

Muitos amigos que me remeteram o citado e-mail me questionaram o porque de não postarmos em nosso blog tão "relevante documento" que vem em defesa do tradicionalismo, se parando mais importante até que a Carta Testamento de Getúlio Vargas (brincadeira nossa).

E o blog responde: Não postamos porque não gostamos.

Até concordamos, em parte, com o teor do escrito que fala do pouco espaço dado aos artistas gaúchos por nossos meios de comunicação. O que não afinamos e não gostamos se relaciona a forma de expor estes pensamentos.

Não acreditamos que um declamador, pessoa sensível, ou um professor universitário tenham escrito tal documento utilizando-se de terminologias tão chulas.

Abaixo, em letras grifadas, apenas alguns fragmentos da extensa carta e, em seguida, a nossa opinião sobre cada frase extraída do texto (sem prejudicar o contexto), achando que não é desta maneira que conseguiremos o que, realmente, nos falta.

e-mail: ...Tá bem que o Neto Fagundes não tem o mínimo carisma e aínda mais com aquele rabinho de cavalo ridículo...

blog: não concordamos que o Neto não tenha carisma. Ao contrário. Quanto ao seu estilo, cada qual é dono de si e temos que respeitar, até porque nosso gaúcho primitivo sempre foi barbudo e melenudo, não é verdade meu amigo Glênio Fagundes?

e-mail: ...Porquê será que pra promover o Planeta Atlântida com seus freqüentadores maconheiros, bêbados e viciados de todo tipo tem espaço?...

blog: Nem todos os freqüentadores do Planeta Atlântida são maconheiros, bêbados e viciados, e tais predicados existem, também, no tradicionalismo.

e-mail: ...Mesmo o pessoal dos CTGs, nosso último reduto cultural, hoje em dia só ouve atualmente música gaúcha de baile e que... convenhamos, é péssima...

blog: Que música você queria ouvir em um CTG?

e-mail: ...Me enoja aquelas materiazinhas da RBS na Semana Farroupilha (daí eles lembram e fazem um circo!!!), mandam aquelas apresentadoras bunda mole...

blog: Apresentadoras bunda mole? Com linguagem assim não tem debate!

e-mail: ...Não conhecem nada, não entendem porra nenhuma e não ficam nem envergonhados de se dizerem gaúchos...

blog: Não entendem porra nenhuma? Idem a resposta anterior!
          

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

VOCABULÁRIO CHUCRO - PARELHEIRO

PARELHEIRO é o cavalo
tratado para carreira.
a cancha reta ou cuadreira,
quem cuida é o compositor.
O que corre é o corredor,
no pago meridional.
E o jogo é franco e legal,
se respeita o julgador.

Nos versos do Dezidério
a poesia se desmancha:
"Os PARELHEIROS na cancha
foi só o tempo de virar,
ouviu-se o povo gritar
e a polvadeira subiu
e, amigos, o que se viu
foi coisa de admirar."

E o Colmar Duarte, acostumado,
com carreiras, diz, pensando:
"Parece, mal comparando,
PARELHEIRO é como homem
que depois de fazer nome
logo fica respeitado!"

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

VOCABULÁRIO CHUCRO - CAPÃO

Capão – é porção de mato
Em meio ao campo, sozinho,
Morada de passarinho
E abrigo certo pro gado;
É animal beneficiado
Porco, cusco ou garanhão.
Emprega-se, também, capão
Para o terneiro castrado.

“... me sentei no cabeçalho
Que estava arriado ao chão,
Chichurriei um chimarrão
Enquanto que um pardavasco
Dava voltas no churrasco,
Um costilhar de capão.”

Versos: Jayme Caetano Braun
Foto: Neco Varella


quarta-feira, 11 de agosto de 2010

VOCABULÁRIO CHUCRO

Calaveira é o jogador,
de cartas, principalmente,
andarengo geralmente
pois tem sempre o tempo vago
e cruza, de pago em pago,
ponta a ponta, sul a norte,
buscando o lado da sorte,
peleando até por um trago.....

Verso: Jayme Caetano Braun
Gravura: Vasco Machado

domingo, 18 de julho de 2010

VOCABULÁRIO CHUCRO

Queimar Campo - Na linguagem dos índios criados em galpão, Queimar Campo significa vangloriar-se, aumentar as proporções de um fato, mentir.

Ex: se eu digo que o flagrante desta churrascada da foto é no meu rancho; que é só para uma parte dos meus empregados (a maior está em outro galpão); que estou fazendo este pequeno assado para este domingo ao meio-dia e que vou convidar vocês, estou Queimando Campo.

sábado, 10 de julho de 2010

A PAMPA GAÚCHA

Reculuta – uma volteada,
reunião, arrebanhamento;
na lida, a todo o momento,
usada no continente:
Reculutar, voz corrente
ouvido pra todo o lado:
as Reculutas de gado,
As Reculutas de gente!

sexta-feira, 12 de março de 2010

DON JAYME. EXPLIQUE PRA NÓS EM VERSOS...

... O QUE É FIADOR?

É a parte do buçal
sob o queixo do cavalo,
ali bem junto ao gargalo
do pingo ou do redomão.
É onde se leva a mão
e firma ao montar, prudente,
flete novo, geralmente,
exige essa precaução.

... O QUE É MOURO?

Mouro é pêlo de animal
do cinza pro azulado,
preto no branco, mesclado,
predominando o escuro.
Dá muito no pêlo-duro
nos cavalos, vaca e touro.
Muitos preferem o Mouro
pingaço bueno no apuro.

... O QUE É GUACHO?

É tudo que é sozinho,
gente, animal, objeto,
o pária que não tem teto,
o terneirinho, o potrilho,
o palanque, o pé-de-milho
em meio a roça, solito,
até a D’Alva no infinito
é Guacha esparzindo brilho.


... O QUE É CRIOULO?

Crioulo, pra nós gaúchos,
quer dizer originário
“É crioulo de Rosário,
de São Borja ou Viamão".
Crioulo deste Rincão,
das Missões, Fronteira ou Serra.
Crioulo é o filho da terra
e crioula é a Tradição.