A INTENÇÃO FOI BOA
A INTENÇÃO FOI BOA
EXCELENTE
NOTÍCIA
Por pura coincidência com a imagem que postamos em nosso quadro RETRATO DA SEMANA (acima), a estátua de Bento
Gonçalves, um dos monumentos mais emblemáticos da história gaúcha começou a
receber trabalhos de restauração em Porto Alegre.
Localizada no encontro das avenidas João Pessoa e Azenha, a estrutura faz parte da paisagem tradicional da Capital. A intervenção no Monumento Equestre teve início nesta terça-feira, 3 de novembro numa iniciativa que busca recuperar e preservar uma importante referência histórica e cultural do Rio Grande do Sul. O projeto prevê aproximadamente 90 dias de atividades dedicadas à revitalização do espaço.
A escultura foi criada
pelo artista Antônio Caringi e inaugurada em 1936, durante as celebrações do
centenário do movimento e, ao longo das décadas, o monumento se consolidou como
um símbolo da memória histórica rio-grandense. Sua presença representa uma
ligação entre o passado e as novas gerações e a sua recuperação busca
justamente preservar esse legado para o futuro.
Os trabalhos incluem a
conservação da escultura de bronze e a recuperação do pedestal de granito
estando prevista a recomposição de dois painéis escultóricos que desapareceram
em 2017.
Além da recuperação da
estrutura, o projeto contempla melhorias no entorno do monumento como serviços
de paisagismo e a implantação de um novo sistema de iluminação. As mudanças
deverão contribuir para valorizar a presença da obra no espaço urbano
proporcionando uma experiência renovada para moradores e visitantes.
A iniciativa integra o
Projeto Construção Cultural – Resgate do Patrimônio Histórico - e a realização
envolve o Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Rio Grande do Sul e a
Associação Sul-Riograndense da Construção Civil. A união entre diferentes
entidades viabiliza a preservação de referências históricas da cidade.
A coordenação técnica é
da restauradora Verônica Di Benedetti, que também participou da recuperação do
Monumento ao Laçador aonde a experiência anterior contribui para o planejamento
das etapas e dos procedimentos de conservação aonde cada fase será desenvolvida
com atenção às características artísticas e históricas da obra. O cuidado
técnico é fundamental para preservar a identidade original do monumento.
Parabéns a todos. Já não era sem tempo. A preservação desses espaços contribui para fortalecer o patrimônio coletivo. A recuperação de obras históricas permite que elas continuem presentes no cotidiano da comunidade reforçando a importância de manter viva a memória do Rio Grande do Sul.
REPONTANDO DATAS - 04 NOV
No dia 04 de nov de 1959 morria em Porto Alegre
Flores da Cunha
Jamais o tipo clássico do gaúcho superior esteve tão bem representado na chefia do executivo do Rio Grande do Sul como no período de 1930 a 1937, quando José Antonio Flores da Cunha foi sucessivamente interventor federal e governador. Filho de Sant'Ana do Livramento, do sangue castelhano herdou a valentia, a eloquência, o gosto por emoções fortes, a generosidade, a rebeldia, o espírito alegre, apaixonado e sedutor. Se acrescentarmos outros atributos pessoais como a razoável cultura, inteligência aguda, capacidade de liderança, teremos os ingredientes para compreender o fascínio que exerceu sobre todos com quem conviveu.
A margem dos acontecimentos históricos relacionados com ele, há fatos engraçados e pitorescos, bastante ilustrativos e caracterizadores da época. Alguns destes causos retiramos do livro Anedotário da Rua da Praia, Vol. 2, de Renato Maciel de Sá Junior, Editora Globo, e vamos repassar, paulatinamente, aos nossos leitores:
1 - As divergências entre Getúlio Vargas e Flores da Cunha acentuavam-se rapidamente naquele segundo semestre de 1937. Flores, governador desde 1935, vivia em permanente exasperação, e quem sofria eram os subalternos do palácio. Certo fim de manhã, apareceu para visitá-lo seu amigo e deputado federal João Carlos Machado, figura espirituosa e simpática, a quem os assessores pediram para alegrar o chefe. Quando Machado entrou Flores foi direto ao assunto:
- Quais são as novidades?
- Novidades, general? Pois olha, acabo de assistir um fato muito contristador. Não é que, justamente quando o gringo jardineiro do palácio estava urinando lá nos fundos, apareceu um marimbondo e picou o membro do coitado? Levaram-no berrando de dor para o pronto-socorro, junto com sua mulher. Antes de atendê-lo o médico procurou acalmar a esposa: "A senhora não se preocupe, com uma injeção a dor passa logo". Quando o doutor ia saindo a italiana segurou-o pelo braço e pediu com os olhos brilhando: "doutore, vou lhe fazer um pedido; tire a dor mas, per favore, no tire o inchume!".
REPONTANDO DATAS - 03 DE NOV
No ano de 1891 ocorreu o Golpe
de Três de Novembro (1891) quando o marechal Deodoro da Fonseca que havia proclamado a república em 15 de novembro de 1889, dissolveu o Congresso Nacional e decretou Estado de Sítio, um dos episódios mais tensos da Primeira República que
culminaria mais tarde na sua renúncia e na Revolução Federalista.
Deodoro
da Fonseca era maçom iniciado em 20 de setembro de 1873, na Loja Maçônica Rocha Negra Nº 1, na
cidade de São Gabriel, no Rio Grande do Sul.
A própria Proclamação
da República teve forte articulação política da maçonaria que contou com outros líderes maçons como Benjamin Constant e
Quintino Bocaiúva.
SÓ COM O CABO DA FACA
Não sou contra a Inteligência Artificial e admiro quem sabe manejar com desvelo tal ferramenta, como o meu amigo Paulinho. É o progresso tecnológico chegando e a gente não pode nadar contra a corrente. Contudo, eu sou da moda antiga. Gosto da ilustração feita por mãos de artistas como esse desenho realista feito pelo nigeriano Dreharr's apenas com lápis de cor.
A IA chegou nos cartazes de rodeios, festivais, bailes, por vezes cometendo erros incríveis e retirando o ganha pão de muitos artistas gráficos. Por tais motivos sempre procuro ilustrar algum texto deste blog com este pessoal autêntico e vou peleando só com o cabo da faca enquanto puder valorizar os seus trabalhos.
FINADOS
PREMIADOS DA
11ª TERTÚLIA MAÇÔNICA
Autora: Tatiane da Rosa Crestani (Tapejara)
Declamadora: Sofia da Rosa Crestani (Tapejara)
Amadrinhador: Kayke Mello (Júlio de Castilhos)
Autor: Rodrigo Bauer (São Borja)
Declamador: Pedro Junior da Fontoura (Bento Gonçalves)
Amadrinhador: Raul Quiroga (São Leopoldo)
Autor: Kayke Mello - Loja Aurora da Serra (Júlio de Castilhos)
Declamador: Keyke Mello – Loja Aurora da Serra (Júlio de Castilhos)
Amadrinhador: Felipe Leal – Loja Triunpho do Direito (Triunfo)
Autor: Moisés Silveira de Menezes - Loja Remanso (São Pedro do Sul)
Declamador: Romeu Weber - Loja Renascer (Capão da Canoa)
Amadrinhador: João Rodolfo Bayer – Loja Remanso (São Pedro do Sul)
Autor: Alberto Salles - Loja Fraternidade Quarta (Caxias do Sul)
Autores: Rafael Vieira de Mello Lopes e Fernando Martins Ferreira - Loja Liberdade e Fraternidade e Loja Antares (Cruz Alta)
Declamador: Fernando Martins Ferreira – Loja Antares (Cruz Alta)
Amadrinhador: Tiago Borges – Loja Nascente das Virtudes Cruz Alta
É HOJE
11ª
TERTÚLIA MAÇÔNICA DA POESIA CRIOULA
POEMAS
CLASSIFICADOS
LINHA
NÃO MAÇÔNICA
PORTO SEGURO
Autor: Juliano Costa dos
Santos (Júlio de Castilhos)
Declamador: Juliano Costa
dos Santos (Júlio de Castilhos)
Amadrinhador: Felipe Leal
(Triunfo)
A ALMA DA CASA GRANDE É
UM ARMÁRIO DE LIVROS
Autor: Gujo Teixeira
(Lavras do Sul)
Declamador: Luciano
Salerno (Porto Alegre)
Amadrinhador: Willian
Andrade (Passo Fundo)
A CASA QUE NÃO TINHA
PORTAS
Autora: Tatiane da Rosa
Crestani (Tapejara)
Declamadora: Sofia da
Rosa Crestani (Tapejara)
Amadrinhador: Kayke Mello
(Júlio de Castilhos)
TESTEMUNHAS
Autor: Lucas Costa
Ferreira (Arroio Grande)
Declamador: Pablo da Rosa (Chapecó)
Amadrinhadores: César
Augusto Furtado (Xanxerê) e Luciano Salerno (Porto Alegre)
DE CAUSA DESCONHECIDA
Autor: Rodrigo Bauer (São
Borja)
Declamador: Pedro Junior
da Fontoura (Bento Gonçalves)
Amadrinhador: Raul
Quiroga (São Leopoldo)
LINHA
MAÇÔNICA
O GALPÃO
Autor: Cleber Soares - Loja Jayme Tarragó (Uruguaiana)
Declamador: Paulo
Henrique Inda – Loja Cruzeiro do Sul (Uruguaiana)
Amadrinhador:
Cleber Soares – Loja Jayme Tarragô (Uruguaiana)
O CINZEL DA TOLERÂNCIA
Autores: Rafael Vieira de
Mello Lopes e Fernando Martins Ferreira - Loja Liberdade e Fraternidade e Loja Antares
(Cruz Alta)
Declamador: Fernando
Martins Ferreira – Loja Antares (Cruz Alta)
Amadrinhador: Tiago Borges – Loja Nascente das Virtudes Cruz Alta
NO CICLO DO MALHETE
Autor: Alberto Salles - Loja
Fraternidade Quarta (Caxias do Sul)
Declamador: Luiz Eduardo
Lima – Loja Estrela Polar (Santa Maria)
Amadrinhador: Valdir
Verona – Loja Fraternidade Terceira (Caxias do Sul)
RETRATO – POEMA A LUZ DE
QUEM VÊ
Autor: Kayke Mello - Loja
Aurora da Serra (Júlio de Castilhos)
Declamador: Keyke Mello –
Loja Aurora da Serra (Júlio de Castilhos)
Amadrinhador: Felipe Leal
– Loja Triunpho do Direito (Triunfo)
A ORDEM DO TEMPLO
Autor: Moisés Silveira de
Menezes - Loja Remanso (São Pedro do Sul)
Declamador: Romeu Weber -
Loja Renascer (Capão da Canoa)
Amadrinhador: João
Rodolfo Bayer – Loja Remanso (São Pedro do Sul)
A PESSOA CERTA NO LUGAR CERTO
O governador eleito do Rio Grande do Sul, Luciano Zucco, anunciou recentemente o nome de Liliana Cardoso Duarte para assumir a futura Secretaria Estadual da Cultura. Atualmente, é Secretária Municipal da Cultura de Porto Alegre, cargo que assumiu em junho de 2024, após atuar como secretária-adjunta.
Liliana é oriunda dos
Centros de Tradições aonde, guiada por seu pai José Luiz Rodrigues dos Santos, começou a recitar
poemas regionalistas saindo-se multicampeã em dezenas de rodeios e festivais do
gênero. Contudo a criadora do jargão “Mas Que Botada” andeja com a mesma naturalidade
pelos costumes afros orgulhando-se de ser mulher, negra e periférica.
Liliana Cardoso Duarte
foi minha companheira de embates em defesa de projetos voltados para as
tradições gaúchas quando integrantes do Conselho Estadual de Cultura. Era
aguerrida sem ser arrogante, tenaz sem desrespeitar a opinião contrária, determinada mas sabendo a hora de sofrenar as rédeas do pensamento.
Além de suas virtudes ne
arte declamatória Liliana é excelente mestre de cerimônias, atividade que
labuta com conhecimento, discrição e virtuosismo.
Desejamos que sua gestão a frente
da pasta da Cultura seja profícua e que jamais esqueça de suas origens.
Parabéns e sucesso.
PANO PRA MANGA
Um dia após o aniversário do MTG o advogado Maxsoel Bastos de Freitas, especialista em licitações e contratos públicos, faz um importante questionamento em suas redes sociais a respeito da destinação de recursos do projeto Vivências de Galpão.
Abaixo, na íntegra, reproduzimos a reflexão sobre os destinos desta verba tão importante para as entidades que vivem em uma penúria sem fim.
VIVÊNCIAS DE GALPÃO: DOS R$ 3,4 MILHÕES DESTINADOS AO TRADICIONALISMO, QUANTO REALMENTE CHEGARÁ AOS CTGs?
Uma reflexão sobre a
aplicação dos recursos públicos, a contratação de serviços terceirizados e a
necessidade de transparência do MTG.
Nos últimos dias, fui
questionado por dirigentes e integrantes de diversos Centros de Tradições
Gaúchas sobre o projeto Vivências de Galpão, desenvolvido pelo Movimento
Tradicionalista Gaúcho (MTG), com recursos públicos do Governo do Estado do Rio
Grande do Sul, por intermédio da Secretaria Estadual de Turismo.
A pergunta que me fizeram
foi simples e objetiva: se o projeto envolve R$ 3.465.520,00, por que apenas R$
1.600.000,00 serão destinados diretamente às 32 entidades tradicionalistas? Para
onde irão os outros R$ 1.865.520,00? QUAL O CRONOGRAMA DE ETAPAS COM AS DATAS
DEFINIDAS A SEREM CUMPRIDAS?
Resolvi examinar a
documentação disponibilizada, especialmente o Plano de Trabalho, o Edital MTG
nº 001/2026, seus aditivos, o Parecer Técnico da Secretaria Estadual de Turismo
e o Termo de Fomento FPE nº 4144/2025, vinculado ao processo administrativo
PROA nº 25/2301-0001035-1.
Antes de qualquer
consideração, quero deixar claro que sou favorável a projetos que fortaleçam o
tradicionalismo, valorizem nossa cultura e proporcionem melhores condições de
funcionamento aos CTGs.
Entretanto, não podemos
confundir a importância de uma proposta com a obrigação e clareza de elementos
que nos possam dar a possibilidade de fiscalizar a aplicação dos recursos
públicos.
O QUE É O PROJETO
VIVÊNCIAS DE GALPÃO?
O projeto pretende
qualificar 32 entidades tradicionalistas para o desenvolvimento do turismo de
experiência, oferecendo aos visitantes atividades relacionadas à gastronomia,
música, dança, hospitalidade e demais manifestações da cultura gaúcha.
A proposta está dividida
em duas etapas principais.
A primeira compreende
planejamento estratégico, consultorias especializadas, capacitação de mão de
obra, qualificação em gastronomia, elaboração de projetos e ações de marketing.
A segunda prevê o repasse
de R$ 50.000,00 para cada um dos 32 CTGs selecionados, destinados à realização
de melhorias estruturais, obras e aquisição de equipamentos permanentes.
Ocorre que a liberação
desses valores está condicionada ao cumprimento satisfatório das atividades da
primeira etapa.
Portanto, os recursos
destinados às entidades não representam um repasse imediato e incondicional.
A DISTRIBUIÇÃO DOS R$
3.465.520,00
O valor total do projeto
é de R$ 3.465.520,00, integralmente financiado pelo Governo do Estado.
A distribuição financeira
apresenta a seguinte realidade:
Investimentos diretos nos
32 CTGs R$ 1.600.000,00 46,17%
Demais despesas do
projeto R$ 1.865.520,00 53,83%
Total R$
3.465.520,00 100%
Ou seja, mais da metade
dos recursos públicos previstos será utilizada fora dos repasses estruturais
diretos aos CTGs.
Isso significa que, para
cada R$ 100,00 previstos no projeto, aproximadamente R$ 46,17 serão destinados
às melhorias estruturais das entidades, enquanto R$ 53,83 financiarão
consultorias, serviços, deslocamentos, alimentação e demais despesas
operacionais.
E aqui começa meu
questionamento.
É razoável que um projeto
destinado a fortalecer os galpões tenha despesas de execução superiores ao
valor reservado para os investimentos diretos nas entidades tradicionalistas?
Não afirmo que essas
despesas sejam ilegais. Questiono sua proporcionalidade, necessidade,
economicidade e efetivo retorno para as entidades beneficiadas.
QUANTO SERÁ GASTO EM
SERVIÇOS E OUTRAS DESPESAS?
Ao examinar o Plano de
Trabalho, encontramos uma previsão de gastos que merece atenção especial.
Entre os valores orçados
estão:
Descrição Valor previsto
Consultoria de turismo
(Turismóloga) R$ 440.000,00
Planejamento estratégico
e marketing — SENAC R$ 259.608,00
Consultoria para
elaboração de projetos R$ 105.600,00
Jardinagem R$ 111.000,00
Transporte — previsão de
320 mil quilômetros R$ 400.000,00
Hospedagem R$ 57.600,00
Alimentação em
deslocamentos R$ 48.000,00
Apoio administrativo R$
74.880,00
Subtotal desses oito
itens R$ 1.496.688,00
O plano ainda prevê
outras despesas relacionadas à execução do projeto.
Especificamente, a
rubrica de serviços de terceiros alcança R$ 1.262.720,00. Há também R$
505.600,00 previstos para viagens, transporte e deslocamentos, R$ 96.000,00
para alimentação vinculada às experiências turísticas e R$ 1.200,00 em custos
indiretos.
Esses valores integram o
orçamento global e não devem ser somados novamente ao total da parceria.
Chama atenção, por exemplo,
a previsão de R$ 400 mil para transporte, considerando 320 mil quilômetros, e
de R$ 440 mil para consultoria de turismo.
Quais empresas executarão
esses serviços? Como foram formados esses preços? Quais profissionais serão
contratados? Qual será a entrega concreta para cada CTG?
A mesma cautela deve ser
aplicada às demais despesas.
O que precisamos conhecer
não é apenas o orçamento, mas a execução financeira e os resultados produzidos.
O PROJETO JÁ RECEBEU R$
621.840,00. QUEM RECEBEU ESSE DINHEIRO?
Outro questionamento que
me fizeram diz respeito à primeira parcela do projeto.
Conforme a consulta de
repasses apresentada, consta o valor de R$ 621.840,00 como primeira liberação
de recursos.
O cronograma financeiro
estabelece quatro parcelas:
Parcela Valor
Primeira R$ 621.840,00
Segunda R$ 743.680,00
Terceira R$ 500.000,00
Quarta R$ 1.600.000,00
Total R$ 3.465.520,00
A primeira questão é
esclarecer quanto dos R$ 621.840,00 já foi efetivamente utilizado.
É importante distinguir
duas situações: o dinheiro transferido pelo Estado ao MTG e o dinheiro
efetivamente pago pelo MTG a fornecedores ou prestadores de serviços.
Receber recursos públicos
não significa necessariamente que eles já tenham sido gastos.
Por isso, pela
transparência dos recursos públicos empregados é que precisamos saber:
• Quais empresas ou
profissionais já receberam pagamentos?
• Quais os respectivos
CNPJs e valores?
• Quais contratos foram
celebrados?
• Quais notas fiscais
foram emitidas?
• Quais serviços já foram
efetivamente executados?
• Quanto permanece
depositado na conta bancária específica do projeto?
A documentação examinada
não apresenta uma relação completa dos beneficiários dos pagamentos realizados
com a primeira parcela.
Portanto, não há
elementos suficientes para afirmar quais empresas efetivamente receberam esses
valores, tampouco para concluir que toda a primeira parcela já tenha sido
utilizada.
Mas há elementos
suficientes para exigir que essas informações sejam apresentadas.
QUANTO DESSE DINHEIRO
FICA PARA O MTG?
Esta talvez seja uma das
perguntas mais importantes feitas pelos tradicionalistas.
O Movimento
Tradicionalista Gaúcho figura como entidade proponente e responsável pelo
gerenciamento administrativo e financeiro dos recursos recebidos.
Isso significa que os
valores são administrados pelo MTG para execução das despesas autorizadas no
Plano de Trabalho.
Entretanto, não significa
que a diferença de R$ 1.865.520,00 represente receita livre, lucro ou
remuneração institucional do Movimento.
A pergunta correta é:
Dentro dos R$
1.865.520,00 destinados às demais despesas, quanto será utilizado para custear
atividades executadas diretamente pelo MTG, quanto será pago a terceiros e
quanto corresponde à eventual remuneração administrativa autorizada?
Também é necessário
esclarecer se existem contratos com dirigentes, colaboradores, empresas ou
profissionais que mantenham algum vínculo com a administração da entidade.
Não estou afirmando que
existam irregularidades ou favorecimentos. Estou defendendo que os vínculos, os
critérios de escolha e os pagamentos sejam transparentes.
Afinal, quando uma
entidade privada administra recursos públicos, deve prestar contas da aplicação
de cada valor recebido.
O QUE MAIS ME PREOCUPA
NESSE MODELO?
O tradicionalismo gaúcho
não nasceu de consultorias milionárias, planejamentos empresariais ou contratos
administrativos.
Nasceu dentro dos
galpões, sustentado pelo trabalho voluntário de homens e mulheres que dedicaram
parte de suas vidas à preservação dos costumes, da história e da identidade do
nosso povo.
Muitos CTGs enfrentam
dificuldades para manter suas atividades. Dependem de promoções, almoços,
bailes, rodeios e contribuições de associados para pagar despesas básicas.
Por isso, considero
necessário refletir sobre um projeto em que cada entidade poderá receber R$ 50
mil para melhorias estruturais, enquanto o orçamento prevê R$ 440 mil para
consultoria de turismo, R$ 400 mil para transporte e R$ 259.608,00 para
planejamento estratégico e marketing.
Não questiono a
importância de capacitar pessoas, organizar atividades turísticas ou
desenvolver estratégias de divulgação.
Questiono se todos esses
custos são indispensáveis, se foram dimensionados de maneira econômica e se o benefício
produzido será proporcional ao dinheiro investido.
O CTG precisa ser o
protagonista do projeto, não apenas a justificativa para a contratação de
serviços.
Também precisamos saber
se as entidades foram ouvidas na definição das suas necessidades reais.
Será que todas precisam
das mesmas consultorias? Será que não seria mais proveitoso ampliar os
investimentos em infraestrutura? Será que parte das capacitações não poderia
ser realizada por instituições públicas, universidades ou profissionais do
próprio movimento tradicionalista, mediante alternativas de menor custo?
São questionamentos
legítimos que merecem respostas técnicas.
AS INFORMAÇÕES QUE O MTG
E A SECRETARIA DE TURISMO DEVEM APRESENTAR
Entendo que a
transparência do projeto exige a divulgação pública e acessível de informações
fundamentais:
1. Relação completa dos
fornecedores e prestadores de serviços. Identificação das empresas e
profissionais contratados, com CNPJ ou identificação profissional, objeto
contratual, valor, critérios de seleção e documentação correspondente.
2. Prestação de contas da
primeira parcela de R$ 621.840,00. Discriminação dos valores efetivamente
pagos, notas fiscais, comprovantes bancários e serviços entregues, além da
identificação do saldo ainda disponível.
3. Saldo atualizado da
conta específica do projeto. Apresentação dos recursos recebidos, rendimentos
financeiros, despesas realizadas e saldo bancário.
4. Despesas
administrativas do MTG. Esclarecimento sobre os valores destinados à
administração, ao apoio operacional, à estrutura interna e à eventual
remuneração institucional autorizada.
5. Comprovação dos
serviços já executados. Relatórios de consultorias, capacitações, atividades
realizadas, profissionais responsáveis, listas de presença e resultados
alcançados.
6. Identificação de quem
das 32 entidades contempladas já cumpriu as etapas para receber os valores.
7. Justificativa dos
valores orçados. Demonstração da economicidade das despesas, especialmente
consultorias, transporte, hospedagem, alimentação, jardinagem e serviços
administrativos.
8. Informação sobre
vínculos entre contratados e dirigentes. Esclarecimento quanto à existência de
eventuais vínculos entre fornecedores, prestadores de serviços, dirigentes e
integrantes da estrutura administrativa do MTG, com indicação das medidas
adotadas para prevenir conflitos de interesses.
9. Divulgação dos
critérios de contratação. Apresentação das pesquisas de preços, propostas
comerciais e critérios utilizados na escolha dos fornecedores.
10. Relatórios de
fiscalização da Secretaria Estadual de Turismo. Divulgação dos documentos de
acompanhamento, avaliação de metas e análise das prestações de contas parciais.
A PRESTAÇÃO DE CONTAS NÃO
É UMA FACULDADE
O próprio Termo de
Fomento nº 4144/2025 estabelece obrigações de controle, acompanhamento e
fiscalização.
O MTG deve manter os
recursos em conta bancária específica, comprovar sua aplicação e prestar
informações sobre a execução financeira e física do projeto.
A Secretaria Estadual de
Turismo, por sua vez, possui atribuições de monitoramento e fiscalização,
inclusive mediante análise de documentos fiscais e relatórios de execução.
A Lei Federal nº
13.019/2014, que disciplina as parcerias entre a Administração Pública e as
organizações da sociedade civil, estabelece deveres de transparência,
acompanhamento e prestação de contas.
Portanto, solicitar
contratos, comprovantes, notas fiscais e relatórios de execução não representa
qualquer ataque ao Movimento Tradicionalista Gaúcho.
Representa o exercício
legítimo do controle social sobre a aplicação de dinheiro público.
MINHA POSIÇÃO FINAL
Quero que o projeto
Vivências de Galpão dê certo.
Quero ver os CTGs
recebendo turistas, melhorando suas instalações, criando oportunidades de
trabalho e preservando as manifestações culturais que fazem do Rio Grande do
Sul uma terra de identidade própria.
Mas não posso deixar de
manifestar minha preocupação quando verifico que, de um orçamento de R$
3.465.520,00, apenas R$ 1.600.000,00 estão reservados aos investimentos
estruturais diretos nas 32 entidades.
São R$ 1.865.520,00
destinados às demais despesas do projeto.
É mais dinheiro para
executar e operacionalizar a proposta do que para investir diretamente na
estrutura dos galpões.
Isso, por si só, não
caracteriza irregularidade. Mas exige uma justificativa consistente de
economicidade, eficiência e resultados.
Também não podemos
ignorar a informação de que a primeira parcela, no valor de R$ 621.840,00, já
consta como repassada.
Precisamos saber quanto
foi gasto, quem recebeu, quais empresas foram contratadas e quais serviços
foram entregues.
Da mesma forma, é
indispensável esclarecer quanto dos recursos será efetivamente utilizado na
estrutura administrativa do MTG e quanto será destinado à contratação de
terceiros.
Não faço essas perguntas
para condenar antecipadamente qualquer dirigente, empresa ou instituição.
Faço porque acredito que
a transparência fortalece as entidades e protege o próprio movimento
tradicionalista.
O dinheiro público não
pertence ao Governo, ao MTG ou aos dirigentes dos CTGs. Pertence à sociedade.
E quando esse dinheiro é
destinado à cultura gaúcha, temos o dever de garantir que sua aplicação produza
benefícios reais para aqueles que mantêm viva a nossa tradição.
O tradicionalismo não
pode servir apenas de cenário para projetos de grande orçamento. Precisa ser o
verdadeiro beneficiário dos investimentos realizados em seu nome.
Por isso, aos dirigentes
dos CTGs que me perguntaram onde estão os recursos, respondo:
Sabemos quanto o Estado
destinou ao projeto. Sabemos quanto está previsto para as 32 entidades. Sabemos
quanto foi orçado para consultorias, transporte e outras despesas.
O que ainda precisamos
conhecer, de forma documentada, é quem já recebeu, quanto recebeu, pelo que
recebeu e quanto efetivamente ficará na estrutura administrativa do MTG.
Essas respostas devem ser
públicas, claras e acompanhadas dos respectivos comprovantes.
Porque tradição também se
preserva com responsabilidade, respeito e transparência.
E quem administra
recursos em nome dos galpões precisa prestar contas aos homens e mulheres que
mantêm aceso o fogo da tradição.
Maxsoel Bastos de Freitas
Advogado em licitações e
contratos públicos.