A ORIGEM DA QUARTA-FEIRA DE CINZAS
SOBRE O DESFILE DA PORTELA
Por curiosidade, fiquei assistindo ao desfile da Portela. Como gaúcho só tenho que agradecer por uma escola de samba tão tradicional colocar a negritude de nosso Estado em tamanha evidência. Foi um momento maravilhoso. Uma pena que o último carro, que trazia a Velha Guarda teve problemas e comprometeu um pouco a harmonia ou evolução (não entendo muito tecnicamente falando).
Aprendi muita coisa como, por exemplo, que o Rio Grande do Sul é o Estado que acolhe o maior número de terreiros de batuque do Brasil. Sempre achei que fosse a Bahia ou o Rio de Janeiro.
A escola conseguiu seu objetivo de representar as particularidades da religião de matriz africana gaúcha, inclusive do Príncipe Custódio, que para muitos era um desconhecido além, é claro, da conhecida lenda do Negrinho do Pastoreio..
A escola homenageou, inclusive, nosso Mercado Público de Porto Alegre com o lindo e imponente carro com o orixá Bará. A agremiação abordou, também, o maçambique de Osório e não fugiu da "hipocrisia" da elite gaúcha em relação às religiões de matriz africana na ala Burguesia Macumbeira, onde a alta sociedade busca auxílio espiritual no batuque mas mantém a negação desta mesma cultura no espaço público. "De noite todo mundo bate tambor, de dia todo mundo nega que bateu".
Com inteligência o carnavalesco André Rodrigues em seu enredo fugiu de temas polêmicos e mal resolvidos como a Batalha dos Porongos e a letra do Hino Rio-grandense (para decepção de muitos aqui da terrinha).
PORTELA HOMENAGEIA
O NEGRO GAÚCHO
A Escola de Samba Portela, maior vencedora do carnaval carioca, homenageou, na noite de ontem, o negro gaúcho. através do tema: O Mistério do Príncipe Bará - A oração do negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”.
Sob o olhar do
carnavalesco André Rodrigues, a escola explora a ancestralidade e a influência
negra na formação cultural do Rio Grande do Sul.
Pontos centrais da
história:
• Príncipe Custódio:
Figura histórica do final do século XIX, Custódio Joaquim de Almeida,
originário da região do Benin, foi um líder religioso e articulador das
religiões de matriz africana em solo gaúcho.
• O Batuque: Religião
afro-brasileira nascida no RS, que integra o culto aos Orixás com elementos
locais, como vestimentas tradicionais e culinária adaptada. Vale notar que o
estado possui, proporcionalmente, o maior número de adeptos de religiões de
matriz africana no Brasil.
• O Bará do Mercado: O
assentamento religioso localizado no Mercado Público de Porto Alegre, atribuído
ao legado de Custódio, é um dos principais marcos dessa resistência cultural.
• Simbologia: A narrativa
une a lenda do Negrinho do Pastoreio à figura de Bará (Exu no Batuque),
traçando um paralelo entre fé, proteção e a memória de uma população que muitas
vezes é invisibilizada nos registros tradicionais da região Sul.
A historiadora Flávia
Trindade recomenda o documentário “Cavalo Santo”, de Mirna Britto, disponível
no Globoplay e YouTube, que aprofunda a discussão sobre o Batuque e a herança
negra gaúcha.
APÓS UMA DÉCADA
a família “renuída” novamente.
Meu filho Lucas, ali pelos seus 3 anos, não conseguia dizer
a palavra reunida. Ele cantava na escolinha: “....a gauchada renuída no galpão”.
Pois ontem, após dez anos entre pandemias, enchentes, trabalhos,
vivências do outro lado do mundo, a família se juntou novamente. Tem um verso que gosto muito e que diz assim:
Quando vos falo de vir / que cansei de bater asas / não falo em desistir / mas
de saudades de casa.
Dentre tantos mimos valorosos que recebi nestas comemorações
que se prolongam dos meus 70 anos, ver a família “renuída” foi o maior presente.
CONCENTRAÇÃO TOTAL
REPONTANDO DATAS / 13 DE FEVEREIRO
NASCIA TELMO DE LIMA FREITAS
TEMA DOS FESTEJOS FARROUPILHAS
2026
Os 400 Anos das Missões
Jesuíticas Guaranis serão homenageados nas festividades tradicionalistas.
Em reunião realizada nesta terça-feira (10/2), a Comissão Estadual dos Festejos Farroupilhas 2026 deu início aos preparativos para as festividades tradicionalistas do ano. O grupo definiu o tema “Herança Jesuítica e Guarani no Rio Grande do Sul: 400 anos de cultura e tradição”, em homenagem ao quadricentenário das Missões.
Com
a participação do secretário da Cultura, Eduardo Loureiro, a coordenadora de Tradicionalismo
Gaúcho da Secretaria da Cultura (Sedac), Denise Gress, foi reconduzida ao posto
de presidente da Comissão, e Ivana Maria Genro Flores foi eleita
vice-presidente, com Aquiles Barboza como secretário.
O FOCO É OUTRO
Algumas pessoas que acompanham nosso blog se queixam que noticiamos pouco sobre o estado de saúde de muitos artistas e que, como fãs, gostariam de saber.
Ocorre que nosso site é mais voltado para cultura geral de nosso Estado e não é prioridade, até por uma questão de privacidade, não adentrar na seara particular dos artistas a não ser quando contatados por familiares ou amigos solicitando divulgação na busca de auxílio financeiro para alguma enfermidade.
Como a família manda notícias periódicas sobre esse grande ídolo, informamos que o Tronco Missioneiro Pedro Ortaça está pelo rancho e se recuperando bem de alguns contratempos.
A PEDIDO
Muitos leitores estavam pedindo que postasse a imagem que fiz sobre o que, na minha opinião, seria o Gaiteiro Completo dentre aqueles que já nos deixaram indo animar fandangos no CTG Querência da Eternidade.
Então...
Buenas.
Ontem falamos, ao despacito, sobre a confusão que fazem em relação ao lenço vermelho e sua identidade ao longo da historicidade gaúcha.
Hoje vimos este cartaz do MTG do Paraná que aborda sobre as cores dos lenços e sua significação embora se saiba, por aqui, dentro de nossa rigidez nas diretrizes das pilchas, que alguns não são permitidos.
ESCARAPELA - A IDENTIDADE FARRAPA
Seguidamente observamos erros históricos em muitos sites ao postarem,
sem maiores estudos, que o lenço vermelho identificava os soldados republicanos
(farroupilhas) durante a revolução de 1835.
A Revolução Farroupilha, ou Guerra dos Farrapos a partir de 1836, foi um
cenário com exércitos improvisados e sem uniformes definidos. Os lenços surgiam
de uma forma irregular e sem vinculação a Imperiais ou Republicanos. Os
farroupilhas até criaram um lenço próprio que pouco foi usado devido a
apreensão de um navio com carga de tal material.
Portanto vincular a cor do lenço vermelho aos farrapos está errado. O
lenço maragato passou a ser símbolo a partir de 1893, na Revolução
Federalista.
O que, por vezes, identificava os soldados farrapos era a escarapela
muito usada, principalmente, pelos argentinos e uruguaios nas guerras de
fronteiras.
A escarapela é um adorno, geralmente em forma de roseta, feito com
fitas de cetim ou tecido plissado, que se assemelha a uma flor. Ela é
amplamente conhecida por dois contextos principais:
No Hipismo (Premiação): É um prêmio
dado aos cavalos vencedores em competições de salto ou outras provas hípicas,
funcionando como uma medalha para o animal. Elas costumam ter fitas penduradas
e cores que indicam o lugar no pódio (ex: verde e amarelo para 1º lugar).
Símbolo Nacional/Histórico: Também
conhecida como cocarda, é um emblema utilizado em chapéus ou
roupas, composto por fitas nas cores de uma bandeira nacional (como a tricolor
francesa na Revolução Francesa ou escarapelas patrióticas em outros países).
Em resumo, é um ornamento distintivo,
frequentemente usado como símbolo de honra, vitória ou patriotismo.
Observem o que diz o decreto de 20 de
fevereiro de 1839 da constituição Republicana Rio-grandenses sobre o uso do
Laço Nacional como Distintivo (Escarapela): "Todos os cidadãos e
os súditos da República, com exclusão dos escravos, serão obrigados a trazer em
seus chapéus o Laço Nacional consagrado pelo Decreto de 12 de novembro de
1836".
Os reincidentes no não uso do
distintivo estavam sujeitos a 15 dias de prisão além de multa. "O
Laço Nacional pelo decreto citado seria formado de três círculos: O externo
verde, o do meio escarlate e o central ou núcleo, ouro".
Deste contexto histórico nosso blog
pode observar duas situações:
A primeira é que a maioria dos Republicanos
Farroupilhas não eram abolicionista.
A segunda é a confirmação de que
definir os farroupilhas pela cor do lenço vermelho não é uma afirmação
correta.
PREMIADOS NA DECLAMAÇÃO
Categoria Adulta - Vacaria
A categoria artística com maior número de inscritos no Rodeio de Vacaria, considerado a "Copa do Mundo dos Rodeios" foi a declamação, com mais de 400 participantes entre mirins, juvenis, adultos e veteranos masculino e feminino. Os vencedores estufam o peito e levam para a vida inteira no currículo e na memória a seguinte frase: Fui Campeão/Campeã do Rodeio de Vacaria.
Os 10 primeiros colocados na principal categoria (adultos) em 2026 e os respectivos premiados (primeiro ao terceiro lugar) foram os seguintes:
- para melhor visualização clique na imagem -
ATÉ QUE ENFIM !
O Monumento ao General
Bento Gonçalves, localizado na Avenida João Pessoa, em Porto Alegre, passará
por restauração, com previsão de conclusão em 90 dias. A obra de Antônio
Caringi, vandalizada com pichações e furto de painéis de bronze em 2017,
receberá investimento de R$ 1,3 milhão. A iniciativa busca recuperar o
patrimônio histórico que celebra o líder da Revolução Farroupilha.
Nós que viemos peleando
pela restauração deste monumento há muitos anos esperamos que tudo não fique
somente nas promessas.
FALSO OU VERDADEIRO ?
32º RODEIO DE POESIAS
Chegando agora (são 13h) da legendária Vacaria aonde, ontem, trabalhamos como avaliador no Rodeio de Poesias, uma promoção da Câmara de Vereadores do município.
O nível dos poemas, recitadores e amadrinhadores esteve altíssimo, dificultando o trabalho da Comissão. Aproveito a postagem do amigo Jairo Reis para expor os premiados e parabenizar a todos os participantes.
O declamador Pablo da Rosa e o amadrinhador Willian Andrade
atuando no poema vencedor
Por Jairo Reis com a colaboração de Idalcir Peruchin
O 32º Rodeio de Poesias Inéditas foi realizado na noite de terça-feira, 03 de
fevereiro, durante o 36º Rodeio Internacional de Vacaria. Dentre os 10 (dez) poemas concorrentes, a
comissão avaliadora, formada por Érico Padilha, Joseti Gomes, Leo Ribeiro de
Souza, Luiz Cesar Soares e Paula Stringhi definiu o seguinte resultado:
Categoria Poesia:
Primeiro Lugar: O INVENTOR DE MEMÓRIAS
Autor: Rafael Ferreira
Declamador: Pablo da Rosa
Amadrinhador: Willian Andrade
Segundo Lugar:
BEBEDOURO DE CISMAS
Autor: Matheus Costa
Declamador: Douglas Diehl Dias
Amadrinhador: Kaike Mello
Terceiro Lugar:
DE APORFIA
Autor: Jaime Brum Carlos
Declamadora: Silvana Andrade
Amadrinhado: Fernando Graciola
Categoria Intérprete:
Primeiro Lugar:
SILVANA ANDRADE
Poesia: De Aporfia
Segundo Lugar: NEITON PERUFFO
Poesia: O Verso
Terceiro Lugar:
JOILSON RAMOS DE OLIVEIRA
Poesia: No Simples Fato da Cruz
Categoria Amadrinhador:
Primeiro Lugar: MAYKEL PAIVA
Poesia: O Verso
Instrumento: Violão
Segundo Lugar: FERNANDO GRACIOLA
Poesia: De Aporfia
Instrumento: Violão
Terceiro Lugar: WILLIAN ANDRADE
Poesia: O Inventor de Memorias
Instrumento: Violão
NA CASA DO VACARIANO
Como diz a gurizada, partiu Vacaria. E faço uso da música Na Casa do Vacariano (adaptada) do meu amigo saudoso Honeyde Bertussi para dizer da minha satisfação em participar deste grandioso evento, o Rodeio da Vacaria.
Arreei o mouro velho
pingo que eu mesmo domei
botei o arreio prateado
que muito caro paguei
badana e pelego grande
que de presente eu ganhei
e no meu traje gaúcho
no meu pingo eu montei.
Eu saí de São Francisco
bem antes de clarear o dia
me atirei no Rio das Antas
e passei pra Vacaria
quando me vi do outro lado
me senti com alegria
ia ver os vacarianos
que há muito tempo eu não via.
DE VOLTA AS RAÍZES ?
O festival Cante uma Canção em Vacaria era um dos poucos palcos que dava oportunidade a música galponeira, com variações de ritmos que fugia da grande maioria dos demais aonde a milonga dá as cartas. De uns anos para cá o evento havia caído no lugar comum mas, ao que parece, mesmo que aos poucos, está voltando as raízes.
Claro que a melodia tem que vir acompanhada de uma boa letra e igual interpretação pois não é qualquer trabalho mais despojado que merece prêmio.
Então, parabéns aos organizadores.
Eis os trabalhos premiados numa bela matéria (como sempre) do meu amigo Jairo Reis e seu Blog Ronda dos Festivais.
A Concha Acústica do
Parque Nicanor Kramer da Luz, em Vacaria, permaneceu tomada pelo público
durante os dois dias do 15º Cante uma Canção em Vacaria, festival de músicas
inéditas que ocorreu durante o 36º Rodeio Crioulo Internacional de Vacaria.
Após a apresentação de 10 (dez) composições finalistas, a comissão avaliadora, formada por Edilberto Bérgamo, Evair Gomez, Fábio Maciel, Gustavo Teixeira e Ricardo Bergha, reuniu-se para eleger os destaques do festival. Enquanto isso, o palco foi ocupado pelo espetáculo do Projeto Taureando.
Primeiro Lugar: SINUELOS
Ritmo: Valsa
Letra: José Maurício
Rigon/Gujo Teixeira
Melodia: Gabriel Jardim
Violão: Matheus
Krumennauer
Violão: Gustavo
Otesbelgue
Violão: Gabriel Jardim
Contrabaixo Acústico:
Carlos de Césaro
Bandoneon: Gabriel
Maculan
Interpretação: Gabriel
Jardim
Segundo Lugar: POTREIRO
DA FRENTE
Ritmo: Chamarra
Letra: Matheus Bauer
Melodia: Felipe Goulart
Violão: Yuri Menezes
Violão: Felipe Goulart
Flauta: Charlise Bandeira
Contrabaixo: Carlos de
Césaro
Gaita: Tiago Camargo
Interpretação: Joca Martins
Terceiro Lugar: O SAL DO
SUOR
Ritmo: Milonga
Letra: Zeca Alves
Melodia: Juliano Gomes
Teclado: Eduardo Varela
Flauta Transversal:
Daniel Zanotelli
Violão e Vocal: Quinto
Oliveira
Gaita de Botão: Ricardo
Comassetto
Contrabaixo e Vocal: Juliano
Gomes
Interpretação: Fabiano Bacchieri
Música Mais Popular:
ORIUNDOS
Ritmo: Xote
Letra: Cássio Ferreira
Melodia: Cássio Ferreira
Acordeon e Vocal: Bruno
Amaral
Contrabaixo: Robson
Siqueira
Violão e Vocal: Nori
Bossardi
Bandoneon: Cássio
Ferreira
Cajon: Bernardo Siqueira
Recitado: Dudu Peroni
Interpretação: Cássio
Ferreira
Melhor Instrumentista:
Leonardo Schneider
Música: Partilha de Sonho
e Vida
Instrumento: Acordeon
Melhor Intérprete: Joca
Martins
Música: Potreiro da
Frente
Melhor Letra: O Sal do
Suor
Autor: Zeca Alves
Melhor Melodia: Sinuelos
Autor: Gabriel Jardim
Melhor Tema Campeiro:
CONTANDO VACA
Ritmo: Chamarra
Letra: Francisco Brasil
Melodia: André Teixeira
Violão e Vocal: Gabriel
Jardim
Violão: Matheus Alves
Violão: André Teixeira
Gaita de Botão: Ricardo
Comassetto
Gaita de Botão: João
Vitor Nunes
Percussão: Bruno Coelho
Contrabaixo e Vocal:
Pedro Terra
Interpretação: André
Teixeira
Melhor Arranjo: Sinuelos
Melhor Conjunto Vocal:
Romanceiro do Jasmim
Interpretação: Marcelo
Oliveira e Grupo
Melhor Indumentária: Dudu
Peroni
Música: Oriundos
Fonte: Blog Ronda dos Festivais - Jairo Reis