RETRATO DA SEMANA


Coluna Maragata de Honório Lemes, o Leão do Caverá (1923).

quinta-feira, 23 de julho de 2026



 FESTIVAL VIRADA - DEPOIS DAS ÁGUAS

O Festival Virada - Depois das Águas, que findou ontem (22) na Casa do Gaúcho, em Porto Alegre, após percorrer 5 cidades que foram atingidas pelas enchentes de 2024, com certeza foi o maior evento festivaleiro deste ano de 2026. Excelentes ajudas de custo pagas antecipadamente, hotéis e transportes a disposição dos que trabalharam no evento bem como aos organizadores, bons prêmios aos vencedores, enfim, um primor de organização. Falo isso numa forma de agradecimento por ter sido avaliador em uma das etapas (Gramado) e também como reconhecimento a Caminha Produções pelo trabalho desenvolvido. 

O resultado abaixo extraí do Blog do Jairo Reis, Ronda dos Festivais, o grande canal de comunicação voltado para a comunidade nativista do Rio Grande do Sul.  


integrantes da composição vencedora

O Festival da Virada - Depois da Águas, mostra competitiva de canções inéditas, que promoveu etapas classificatórias em cinco das tantas cidades gaúchas atingidas pela enchente de 2024, foi finalizado na noite de ontem, quarta-feira, 22 de julho, na Casa do Gaúcho, em Porto Alegre, com a apresentação de15 (quinze) musicas finalistas.  A comissão avaliadora da última etapa, formada por Adriana Sperandir, Fabrício Harden, João Bosco Ayala, Telmo Jaconi e Vaine Darde, definiu a seguinte premiação:

 

PRIMEIRO LUGAR: TAPERAS

Ritmo: Canção

Letra: Leonardo Quadros

Melodia: Guilherme Castilhos

Interpretação: Vinícius Brum

Violão: Leonardo Quadros

Violão: Guilherme Castilhos

Violão: Érlon Péricles

Flauta: Texo Cabral

Viola: Gustavo Brodinho

Contrabaixo: Cássio Castilhos 

 

SEGUNDO LUGAR:  MENINA DOS TEUS OLHOS

Ritmo: Toada Milonga

Letra: Sandro Souza

Melodia: Sandro Souza

Interpretação: Cairon Silva

Violão e Vocal: Sandro Souza

Violão Aço e Vocal: Gustavo Ortácio

Contrabaixo e Vocal: Gustavo Brodinho

Teclados: Calil Souza

  

MELHOR TEMA AMBIENTAL: A INSÔNIA DA AMAZÔNIA

Ritmo: Milonga

Letra: Dilan Camargo

Melodia: Everson Maré

Interpretação: Alex Moreira, Robledo Martins e Everson Maré.

Acordeon: Geovane Marques

Violão: Everson Maré

Contrabaixo: Ricardo Silva

Percussão: Matt Thofehrn

Flauta: Gil Soares 

 

MELHOR INTÉRPRETE: ARIANE WINK

Música: Desculpa. 

 

MELHOR INSTRUMENTISTA:

DANIEL ZANOTELLI

Instrumento: Sax

Música: Aquarela do Amanhã 

 

MELHOR LETRA: MENINA DOS TEUS OLHOS.

Autor: Sandro Souza 

 

MELHOR MELODIA: TAPERAS

Autor: Guilherme Castilhos 

 

Festival da Virada - Depois das Águas

Produção: Caminha Produções Artísticas e Pandorga Produtora Cultural

Patrocínio: Petrobras

Realização: Lei Rouanet e Ministério da Cultura



 


REPONTANDO DATAS / 23 DE JULHO



Num dia 23 de julho, do ano de 1901, morria em Montevidéu Gaspar da Silveira Martins, pai dos maragatos de 1893. Advogado, fazendeiro, político, conselheiro do Imperador D. Pedro II e excelente orador. 



Fragmentos do texto de Walter Spalding sobre Gaspar Silveira Martins, líder Maragato da Revolução de 1893, que morreu num dia 23 de julho, do ano de 1901

Gaspar Silveira Martins nasceu em Cerro Largo, República Oriental do Uruguai, a 5 de agosto de 1834, na estância avoenga, sendo batizado a 5 de março de 1835.

O Correio do Povo de 25 de julho de 1901 estampava, em destaque a seguinte notícia: -"Tivemos ontem, pelo telégrafo, a triste notícia do falecimento, em Montevidéu, do Dr. Gaspar Silveira Martins. O patrício ilustre, cuja morte o Rio Grande deplora, tem o seu nome vinculado de modo imperecível à história do nosso Estado, que ele muito amou e por cujo progresso moral e material, muito se esforçou. O Rio Grande do Sul chora a morte de Silveira Martins que, com justa razão, figurará na galeria dos nossos varões ilustres como um grande patriota. A notícia da sua morte, espalhou-se ontem rapidamente pela Capital e, desde logo, os escritórios dos jornais foram procurados por grande número de pessoas que, pesarosas, pediam informações a respeito. O Dr. Gaspar Silveira Martins devia completar no dia 5 de agosto próximo, 66 anos de idade".

Silveira Martins estava, ainda, no exílio em Montevidéu, apesar da paz de 1895, assinada em Pelotas, pondo fim à Revolução Federalista de que fora o chefe civil. Sua morte, ocorrida a 23 de Julho, treze dias antes de completar 66 anos de idade, em verdade muito abalou o mundo político brasileiro, principalmente o ligado ao federalismo, e sobremodo escandalizou a sociedade em virtude da situação em que se dera o falecimento do grande tribuno.

Só, longe do lar, vivendo em hotel na capital uruguaia, homem fogoso, bastante dado a mulheres, jamais se negou aos prazeres da carne de que ele usava e abusava e foi por isso que sua morte, ao lado de uma dessas vivandeiras, à meia tarde, escandalizou, lamentando-se, porém, tenha sido esse o fim do grande orador que fazia temer o adversário desde a sua juventude, quando subiu pela primeira vez à tribuna parlamentar, ou quando, em 1869, proferiu aquela sua conferência clássica sobre o Radicalismo, abalando consciências e arrastando multidões.

Era, na realidade, um fim muito triste, esse do ex-Ministro da Fazenda do Gabinete de 5 de janeiro de 1878, que havia proposto o voto aos católicos, exigindo reforma da Constituição, e que por não ser atendido, rompeu, não apenas com o Presidente do Conselho Cansanção de Sinimbu (gabinete formado pelo Partido Liberal), mas com seu próprio companheiro Ministro da Guerra, senador Marquês do Erval.

Entretanto, esse final melancólico da grande vida em nada afetaria as suas ideias, as suas atividades de patriota e progressista que jamais recuou. Foi um homem de pensamento, como poucos tem tido o Brasil nestes seus mais de quinhentos anos de História, no terreno político principalmente. E nem mesmo atingiu a integridade do homem que foi, durante sua vida, exemplo de dignidade, de dedicação, de honradez de homem público, líder inconteste do liberalismo brasileiro a partir do dia em que se apresentou na vida política da Nação. Iniciando-se na política, logo após sua formatura na Faculdade de Direito de São Paulo, em 1855, contando, pois, 21 anos de idade Gaspar Silveira Martins foi subindo, à custa de sua inteligência, de seu talento, de sua cultura. Degrau por degrau, chegou a Ministro, em 1878, com apenas 44 anos.

Era Silveira Martins o tribuno máximo do Brasil Império, que entraria pela República, coerente com seus princípios, combatendo oligarquias e ditaduras, exigindo liberdades e direitos que se vinham conculcando, no Rio Grande do Sul, através de leis, de conchaves e de ordens subterrâneas, num desrespeito integral à dignidade humana do adversário. Nasceu dai a Revolução, revolução que ele, Gaspar Martins, não queria, mas teve que aceitar porque o povo, aquele mesmo povo que ele conduziu e educou nos princípios da liberdade que sempre pregou, o quis e o obrigou a presidir, como chefe civil.

Mas não foi possível evitar a luta. As provocações foram excessivas e Joca Tavares com Gumercindo Saraiva, invadiram o Rio Grande do Sul pensando calarem de imediato as diatribes e arbitrariedades que campeavam pelo Estado, ordenadas, provocadas, consentidas pelo governo de Júlio de Castilhos. Paulo José Pires Brandão, neto materno e afilhado do Conselheiro Antonio Ferreira Viana, conheceu Silveira Martins em casa do avô. Em seu livro Vultos do Meu Caminho, assim descreve o imortal conselheiro: "Alto, corpulento, grandes óculos, barba toda aberta e branca, pele muito vermelha. Voz de trovão, gesto largo, não sabia falar baixo, e mesmo quando palestrava era em tom de discurso, e a sua voz clara, sonora e forte invadia a sala onde estava, os corredores, o hall, a casa inteira, atravessando a rua. Não falava ao ouvido de ninguém, não dizia segredos, nem os tinha, mesmo porque a sua voz não dava diapasão para sussurros, não murmurava: tonitroava".

Com a Proclamação da República, estando Gaspar Martins na Presidência do Rio Grande do Sul, foi preso e deportado.

Pouco antes do 15 de novembro de 1889, fora Gaspar chamado à Corte para formar novo Ministério, com intenções de evitar a queda fatal. Foi tarde, porém. Ao chegar no porto de Desterro (depois Florianópolis), já a República havia sido proclamada e Gaspar Martins aprisionado. Seguiu para a Europa.

Lá o encontrou Pires Brandão, que viajava com o avô, também deportado. E conta que, ao atravessar o Canal da Mancha, encontra a bordo o diplomata e jornalista francês Tachard, a quem foi apresentado. Diz Pires Brandão: "Falou Silveira Martins toda a travessia. Ao desembarcar na Inglaterra, disse Tachard a meu avô: Não há no mundo governo e instituições que possam resistir a um homem como este, que atravessa a Mancha discutindo Renan! Um país que deporta um homem desses, ou é um país de sábios ou de ignorantes". 


quarta-feira, 22 de julho de 2026

 


RECURSOS IMPRESSIONANTES


Essa tal de Inteligência Artificial, para quem sabe lidar com ela, é algo impressionante. 

Quando falo em "saber lidar" me refiro não somente a tecnologia bem como ao uso adequado da mesma, ou seja, para o bem ou para o mal.

Tenho pouquíssimas fotos de meus pais. Naqueles tempos, lá na Aratinga, quando aparecia algum retratista, era motivo de festa. 

Duas fotos deles que trago comigo são estas em preto e branco, sendo que a do meu pai já com as marcas do tempo. 

Pois um amigo (Paulinho Gomes) que entende do riscado de IA, coloriu e ainda juntou os dois em uma mesma chapa. Sensacional. 

Mil Gracias, Paulinho Gomes, por colorir lembranças e renovar minhas saudades. 


Foto original de meu pai Bernardino Souza


Foto colorizada por IA


Foto original de minha mãe Doralice Ribeiro de Souza


Foto colorizada por IA


Os dois juntos em uma montagem produzida pela Inteligência Artificial 


 

     

terça-feira, 21 de julho de 2026

 

DECLARADA A GUERRA DE BUGIOS 


Ontem (20) começou oficialmente as eleições de 2026 ao se abrir o prazo para as convenções partidárias. A jornalista Rosane de Oliveira postou em sua coluna de Zero Hora uma instrutiva matéria sobre como o eleitor deve preencher seu voto de maneira correta sob a seguinte chamada: Já tem sua "colinha"? Veja a ordem de votação na urna para as eleições

A jornalista adianta o passo a passo e a posição correta dos cargos na urna eletrônica para evitar anulações mostrando o que digitar e em qual sequência. Isso é muito importante para milhares de pessoas. 

Como brincadeira ilustrativa eu diria que serviria muito bem ao Macanudo Taurino, personagem do cartunista Santiago, como mostra a charge abaixo:


Santiago






segunda-feira, 20 de julho de 2026

 


UMA PROSA A NÍVEL NACIONAL


A internet nos proporciona momentos entusiasmantes. Ontem a noite (19), proferimos um bate papo que, de inicio, era para a Grande Loja Maçônica do Estado de Rondônia. Ao cabo, foi aberta para todos os maçons brasileiros. Tinha Irmãos dos mais longínquos rincões. 

Minha prosa foi sobre a influência da maçonaria na revolução farroupilha, tema sobre o qual tenho um livro editado. A duração seria de 2h mas foi para 2h e 30min. Quando findou as gravações a "palestra" continuou em of por mais 40min com mais de 80 pessoas presentes. 

É impressionante como todos gostam de saber da nossa história.

 

🌎 CONVITE • LUX IN TENEBRIS • GLOMARON 

O Venerável Mestre da ARLS Virtual Lux in Tenebris nº 47, Ir. Lucas do Couto Santana, convida os Irmãos de Potências Regulares e Reconhecidas para mais uma Sessão Virtual de Estudos , com uma palestra de grande relevância histórica e maçônica. 

🔨 Ordem do Dia : Os Farrapos e a Maçonaria

🎙️ Palestrante : Ir. Léo Ribeiro

🗓️Data:19 de julho de 2026 (domingo)

🕢 Horario : 19h30 (Brasília) | 🕡 18h30 (Rondônia)




 


A SOBERBA CASTIGADA




A conta um dia chega!

A soberba, a falta de humildade, a arrogância, o deboche quando vence e a violência quando perde, não duram para sempre. A vida é um bumerangue, ou seja, vai e volta. 

Estas imagens do goleiro argentino Emiliano "Dibu" Martinez são um exemplo claro de que a atitude de se julgar superior deveria ser evitada pelo ser humano para que, na primeira curva da estrada, não tenha um revés.  

Entre ganhas e perdidas sempre me lembro do meu saudoso amigo Porca Véia que dizia: Todos falam dos tragos que bebem mas ninguém lembra dos tombos que caem. Pois é....    






domingo, 19 de julho de 2026

 


É APENAS FUTEBOL



Esta imagem ao final da partida de ontem entre França (4) x (6) Inglaterra na decisão do terceiro e quarto lugar (para mim o melhor jogo desta que foi a maior copa do mundo de todos os tempos) é marcante. Nela não existem fronteiras, camisas ou peso de uma rivalidade. O que vemos é um círculo de respeito, gratidão e humanidade. É abraço coletivo entre rivais apenas no campo de jogo agradecendo cada um ao seu Deus por estarem ali naquele momento tão importante de suas vidas. Isto vale mais do que qualquer medalha no peito. 

Mas e hoje? Torcer para quem já que nosso Brasil, ao perder para a Noruega,  se livrou de um fiasco maior e nossos "voluntariosos" atletas e "competentes" diretores de futebol estão de férias pelos melhores recantos do mundo?

Que dúvida atroz. 

A Espanha tem o melhor futebol, a Argentina tem Messi. E Messi come churrasco e toma chimarrão... 

Os gaúchos brasileiros possuem uma forte identidade com os gauchos argentinos. Todos tem a mesma história, a mesma origem de filhos de índias com brancos que foram rejeitados pelas tribos e se criaram livres, sem patrão, soltos ao vento pelo bioma Pampa que vai da metade Sul do nosso Estado até a Patagônia, passando pelos hermanos uruguaios.

Mas os espanhóis tem aquele senso libertário, de busca de reconhecimento de províncias como Catalunha e o País Basco, ideais que alimentaram a Revolução Farroupilha. 

Muitos falam do racismo argentino, o que é um fato deplorável, mas e a exterminação dos nativos de toda a América Central e México promovida pelos espanhóis, inclusive dos nossos índios Guaranis aqui do Rio Grande do Sul?

E a ditadura dos militares argentinos que, sem estrutura alguma, levaram a morte milhares de jovens sob o pretexto de recuperar as Malvinas? 

E a ditadura de Franco que também exterminou quem pensasse diferente na Espanha? 

Então, como falei no titulo desta postagem, é apenas futebol. Não podemos levar para o campo do caráter e da história bélica de cada povo  

Como não sou de ficar em cima do muro eu já escolhi meu lado. Embora respeitando e tendo uma certa inveja da raça argentina  (mesmo não gostando da falta de humildade) vou torcer por aquele time que apresentou o melhor futebol até aqui. Arriba, Espanha!

     

sábado, 18 de julho de 2026

 

QUEM TEM, TEM MEDO!


Nestas noites de puro breu aqui pela praia, em virtude dos roubos de fios da minha rua, na madrugada de sexta para sábado ouvi gritos estranhos. Te juro que não eram uivos do vento ou barulhos do mar.   

Estou sozinho por aqui pois a patroa está em São Paulo e lhes digo: Foi de arrepiar o sabugo. 

Agora que voltou a energia e o cagaço passou me lembrei desta matéria que postei recentemente mas que sempre desperta curiosidades.  


O LOBISOMEM NO FOLCLORE GAÚCHO

 



Viramos o século XXI e aqui pelo Rio Grande do Sul se acredita em Lobisomem. Tal mito é basicamente a crença que determinados homens podem se transformar em um monstro meio lobo meio homem.

Já na Grécia clássica se conhecia o Licantropo, literalmente lobo-homem. Deve-se aos gregos a expressão licantropia, usada para designar o fenômeno. Na Roma dos Césares, era o Versipélio, o Lobisomem latino.

O mito no Rio Grande do Sul sustenta que o sétimo filho homem de uma família será fatalmente Lobisomem -  a menos que seja batizado pelo irmão mais velho. Há, também, uma forma folclórica de se transmitir o fado: quando um velho que é Lobisomem sente que ai morrer, ele fica sofrendo muito a alguém mais moço. E não consegue morrer antes disso. Se tem algum guri ou moço por perto ele simplesmente pergunta: "Tu queres?". O ingênuo normalmente acredita tratar-se de algum presente e responde: "Sim". Aí o velho morre feliz porque transmitiu o fado.

O homem que tem o fado de Lobisomem é sempre de raça branca, pelo duro (ou seja, não há Lobisomem negro, alemão ou gringo), magro, de olhos no fundo, dentes salientes e cara de cor amarelada, muito pálido. Quase sempre mora sozinho. Mais raramente vive com a mãe, uma velha muito estranha. Mais raramente ainda é casado e a mulher ignora o fato.

Mora sempre em um rancho o mais isolado possível, obrigatoriamente com um galinheiro nos fundos.

O fado do Lobisomem é uma cruz que ele carrega. Não fazendo mal a ninguém, ele é mais uma vítima do que um carrasco. Se é atacado, reage. E morde cachorros e até pessoas, mas se puder evitar isso ele evita. O lobisomem tem que cumprir o seu fado , que é correr nas sextas-feiras de lua cheia, da meia noite ao clarear do dia.

À meia-noite ele se rebolca no sujo das galinhas, rolando no chão e se transforma. Quando vai amanhecer ele retorna ao galinheiro, se rebolca novamente e volta a ser gente.

Durante sua ronda fatídica, se ele é ferido por arma branca, transforma-se e aí, já como homem, mostra o mesmo ferimento no mesmo lugar em que, como monstro, foi ferido. Se alguém atira sal nele enquanto Lobisomem, no outro dia, como homem, ele virá a casa da pessoa que atirou o sal, devolvendo um punhado, como se tivesse recebido por empréstimo.

Em cada cidade gaúcha correm histórias envolvendo o velho mito do Lobisomem. Cuidem-se, portanto. 

Do livro: Mitos e Lendas do Rio Grande do Sul / Antonio Augusto Fagundes




sexta-feira, 17 de julho de 2026

 


TÁ FEIA A PEGADA


Gravura: Léo Ribeiro

Peço perdão aos leitores deste periódico gaudério que estão acostumados a bombear desde cedo as nossas matérias pelo atraso da postagem de hoje (agora são 18:34).

Ocorre que ontem fui chamado pela vigilância que cuida do meu rancho na praia dizendo que a casa estava sem luz e, provavelmente, a reserva técnica do alarme não iria durar muito tempo. Então, peguei a condução e enveredei para o litoral.

Pois não é que os graxains, os mãos-peladas, os amigos do alheio roubaram todos os fios da rua para extrair o cobre e passar nos cobres? 

Cheguei aqui e, para o mal dos pecados, estava (e estou) até sem internet. O que me salvou foi uma bodega aqui perto. 

Aproveitando a vasa do bodegueiro, entre um trago e outro, estou fazendo esta postagem para não passarmos em branco. 


REPONTANDO DATAS /  17 DE JULHO


Num dia 17 de julho, do ano de 1983 morria em Porto Alegre um dos mais notáveis tradicionalistas, ou seja, Glaucus Saraiva.


Glaucus Saraiva (de óculos) numa reunião do MTG em Cruz Alta.
 
Glaucus Saraiva da Fonseca nasceu em São Jerônimo, em 24 de dezembro de 1921, e morreu em Porto Alegre, num 17 de julho de 1983, Glaucus Saraiva, também conhecido como Glauco Saraiva, foi um poeta crioulo, tradicionalista, folclorista, historiador, professor, pesquisador, escritor, conferencista, músico, e compositor. 

Era filho mais novo de Álvaro Saraiva da Fonseca e Maria Luiza Saraiva da Fonseca. Teve 07 (sete) irmãos. Deixou uma filha: Maria Luiza Saraiva Soares.

Foi sócio fundador da Estância da Poesia Crioula e do 35 Centro de Tradições Gaúchas, do qual foi o primeiro patrão. Idealizou e tornou realidade o IGTF - Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore, órgão vinculado a Secretária de Estado da Cultura, instituído pelo Decreto n.º 23.613, de 27 de dezembro de 1974, tendo sido seu primeiro diretor técnico, o Parque Histórico General Bento Gonçalves da Silva, na Estância do Cristal e o Galpão Crioulo do Palácio Piratini, que pelo Decreto Estadual nº 31.204, de 1º de agosto de 1983, passou a chamar-se Galpão Gaúcho Glaucus Saraiva

Foi professor de folclore do curso de Pós-Graduação da Faculdade de Música Palestrina, professor no Curso de Extensão Universitária da PUC (Folclore na Educação) e no SENAC (Culinária Gauchesca e Usos e Costumes do Sul), e conferencista internacional sobre folclore. Presidiu três congressos tradicionalistas: em Santa Vitória do Palmar (1973), Pelotas (1975) e Passo Fundo (1977). Desenvolveu, também, profunda pesquisa sobre os brinquedos tradicionais das crianças gaúchas, promovendo exposições e publicações a este respeito. Formulou a Carta de Princípios do MTG - Movimento Tradicionalista Gaúcho, o mais importante documento para a fixação da ideologia e dos compromissos tradicionalistas, aprovada no 8º Congresso Tradicionalista, em julho de 1961 em Taquara - RS. Autor da nomenclatura simbólica do tradicionalismo.

Publicou ainda os ensaios “Manual do Tradicionalista” e “Catálogo da Mostra de Folclore Juvenil”. Foi vocalista dos conjuntos “Os Gaudérios” e “Quitandinha Serenaders” entre 1950 e 1955, além de atuar na Rádio Farroupilha e Rádio Nacional do Rio de Janeiro, de 1948 a 1955. Mas sua ligação com a música foi ainda mais profunda deixando registrado grandes clássicos como: Cigarro de Palha, Porongo Velho, Tropereada, O Rum é a Gente que Abre, Casa Grande de Estância (com Luiz Telles), entre outras. Seu poema mais conhecido é chimarrão.
 
 
Glaucus Saraiva, de roupa "Safari"
 
Esta foto acima me faz recordar que certa feita eu estava num congresso tradicionalista em Bagé e Glaucus Saraiva ministrava uma palestra sobre indumentária gaúcha. O palestrante (Glaucus Saraiva) estava vestido com uma roupa "Safari", que era moda na época. Era um conjunto de casaco sem manga da mesma cor da calça. Em dado momento um participante levantou no meio da plateia e questionou: - Como pode alguém vestido desta forma vir falar de traje gaúcho?
 
Era a deixa que Glaucus Saraiva esperava. Parecia proposital. Então ele deu novo rumo a sua prosa dizendo que a verdadeira pilcha gauchesca não deve estar no corpo e sim na alma, coisa e loisa, loisa e tal..... Resumo da ópera. Saiu aplaudido.


quinta-feira, 16 de julho de 2026

 




AVALIADORES DO RONCO DO BUGIO

Neusa Regina 



Edson Dutra



Oscar dos Reis 



Angelo Marques



Léo Ribeiro



quarta-feira, 15 de julho de 2026

 


 A QUEDA DA MONARQUIA FRANCESA


Tomada da Bastilha

Ontem, 14 de julho, foi a data em que se festeja a queda da monarquia francesa.

Não. Não estou falando da derrota da seleção francesa (que já se consideravam os Reis do Futebol) para o escrete espanhol na tarde de ontem. 

Me refiro a Tomada da Bastilha, ocorrida em 14 de julho de 1789, evento histórico que marcou o início da Revolução Francesa. Neste dia a multidão parisiense invadiu a famosa fortaleza e prisão real para obter pólvora e armas, derrubando um dos maiores símbolos do absolutismo e da opressão do rei Luis XVI.  

Os leitores deste periódico gaudério poderão perguntar o que tem a ver a Revolução Francesa com a temática regionalista do blog.

Tudo. Foram os ideais iluministas de liberdade, igualdade e fraternidade (vejam os dizeres de nosso brasão rio-grandense) da revolução francesa que chegaram até nós via lojas maçônicas do Uruguai (que recém tinha conquistado sua independência - 1828), que fizeram os republicanos rio-grandenses pensarem na possibilidade da revolução farroupilha.   

Os maçons Juan Antonio Lavalleja, caudilho uruguaio, e Bento Gonçalves da Silva, que era guarda de fronteira em Jaguarão, tornaram-se grandes amigos em função de seus ideais e, baseados no que aconteceu na França e no próprio Uruguai, abriu-se a possibilidade de, através das armas, sermos ouvidos aqui nesta província esquecida pela corte portuguesa.  



    

terça-feira, 14 de julho de 2026

 


QUE BELO TRABALHO !



Três Léguas de Solidão 

1º Lugar / Melhor Letra / Melhor Melodia  

32ª Sapecada da Canção Nativa - Lages / SC 

31 / 05 / 2026

Letra: Sérgio Carvalho Pereira

Melodia: Ricardo Comassetto e Juliano Gomes

Interpretação: Luiz Marenco




 

segunda-feira, 13 de julho de 2026

 


33º RONCO DO BUGIO

MÚSICAS CLASSIFICADAS

(Já na ordem de apresentação)


Ilustração: Léo Ribeiro

 

Categoria Instrumental

 

Dia 13 de Agosto - Quinta-feira 

Título da Composição: Bugio Arteiro / Instrumentista – Roberson Paquito 

Título da Composição: Caborteiro / Instrumentista – Emílio Fogaça 

 

Categoria Vocal

 

Dia 13 de Agosto - Quinta-feira 

Título da Composição: As Coisas De Antigamente; 

Letra: Luis Fernando da Silva; 

Melodia: Luis Fernando da Silva, Alison Machado e Yuri Duarte. 

 

Título da Composição: Tropeada Serrana; 

Letra: Pietro Geordano Alves Parmegiani e Emílio Libardi Fogaça; 

Melodia: Pietro Geordano Alves Parmegiani e Emílio Libardi Fogaça. 

 

Título da Composição: Sou Serrano De Verdade; 

Letra: Ariel Reis e Ubiratã Reis; 

Melodia: Ubiratã Reis e Filipe Pessoa. 

 

Título da Composição: Retrato e Saudade; 

Letra: Jonas Silveira (Jonas Bolinho) e Ytamar Gomes; 

Melodia: Ytamar Gomes e Willian Hengen.   

 

Título da Composição: A Varanda Dos Mates; 

Letra: Dionísio Costa e Du Antunes; 

Melodia: Du Antunes e Dionísio Costa. 

 

Título da Composição: Um Certo Zé Do Rio Grande; 

Letra: Cristiano Behling, João Quintana Vieira e Fabio Daniel Costa; 

Melodia: Vane Vieira. 

 

Título da Composição: Jeito Serrano; 

Letra: Willian de Campos Hengen; 

Melodia: Willian de Campos Hengen. 

 

Título da Composição: Sementes De Vida; 

Letra: Paulo Ricardo Costa; 

Melodia:  Arison Martins. 

 

Categoria Instrumental

 

Dia 14 de Agosto - Sexta-feira 

Título da Composição: Do Lajeado ao Juá / Instrumentista – André Luiz Alano Alves. 

Título da Composição: Que Ronque o Bugio / Instrumentista – Jones Andrei Vieira. 

 

Categoria Vocal

 

Dia 14 de Agosto - Sexta-feira 

Título da Composição: O Bugio Levantou; 

Letra: Lilian Córdova Alves; 

Melodia: Cleiton Marciel Bohrer. 

 

Título da Composição: Tropas De Saudade; 

Letra: Paulo Moraes Trentin; 

Melodia: Rodrigo Pires e Carlos Müller. 

 

Título da Composição: No Rio Grande Velho; 

Letra: Eduardo Gomes; 

Melodia: Eduardo Gomes. 

 

Título da Composição: Da Criúva Para a História; 

Letra: Pedro Junior Lemos da Fontoura; 

Melodia: Jones Andrei Vieira. 

 

Título da Composição: Um Bugio Bem Gaúcho; 

Letra: Nenito Sarturi; 

Melodia: Nenito Sarturi.  

 

Título da Composição: Pra Quem Pega em Qualquer Ponta; 

Letra: Marco Antonio Nunes; 

Melodia: Matheus Pimentel Nunes e Halber Lopes.  

 

Título da Composição: A Memória das Cavalhadas; 

Letra: André Luiz Alano Alves; 

Melodia: André Luiz Alano Alves. 

 

Título da Composição: Contando os Dias; 

Letra: Paulo da Silva Garcia; 

Melodia: Paulo da Silva Garcia.  

 

Suplente Instrumental

 

 Título da Composição: Bugio da Serra Fria / Instrumentista – Leonardo Ferreira. 


Suplentes Vocal 

 

Título da Composição: Bugio Da Vertente; 

Letra: Renan Pedroso; 

Melodia: Renan Pedroso, Aldacir da Silva Júnior e Emílio Fogaça.   

 

Título da Composição: No Lombo Do Tempo; 

Letra: Mateus Brum Huppes e Paulo Righi; 

Melodia: Eri Côrtes.