"TEU PRESTÍGIO É PROPORCIONAL A TUA CONDUTA"

Léo Ribeiro


RETRATO DA SEMANA

RETRATO DA SEMANA

quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

FILOSOFIAS GAUDÉRIAS (em trovas literárias)

  

 

Ando solito no más,

não tem fronteiras meu chão.

Gaudério, sem capataz,

só tenho o pingo...  e o violão.  


- Léo Ribeiro - 



Crédito: autor não identificado




MENINO DE 9 ANOS É UM DOS CAMPEÕES


DO RODEIO INTERESTADUAL DE BARRACÃO


Lucas Duarte e Cauan Boeno (9 anos)
Crédito: Canal TiroCerto

E impressionante como evoluiu, profissionalizou-se, o tiro de laço. Deixando de lado o debate se tal atividade é esporte ou é cultura, a verdade é que, dia-a-dia, seu número de participantes aumenta na mesma proporção em que diminui a idade dos laçadores e laçadoras (sim porque deixou de ser algo praticado apenas por homens). 

A turminha já começa a bolear seu laço em tenra idade na chamada "vaca parada", uma categoria que ganhou um belo espaço pelas festas campeiras Rio Grande a fora.

O tradicional rodeio crioulo da cidade de Barracão aconteceu neste fim de semana. Tal festividade é grandiosa e muito disputada pelos laçadores de toda aquela região do Rio Grande do Sul. 

Mas o grande momento se reservou para a final do tiro de laço quando Cauan Boeno de Tupanci do Sul ao lado de Lucas Duarte de Pinhal da Serra foram uma das duplas vencedoras do prêmio que era um carro zero quilômetro. O que chama mais atenção é que Cauan tem apenas 09 anos e se destaca como um laçador a nível de veterano, já sendo reconhecido em grande parte do Estado e considerado um fenômeno no domínio do cavalo e do laço.  

No total o carro foi dividido em 06 duplas vencedoras restando um valor de 08 mil reais pra cada dupla. 

É comum, nos dias atuais, os laçadores botarem mais de cem armadas sem errar nenhuma e terem de parar, dividindo os prêmios que, invariavelmente, são polpudos. Se foi o tempo de laçar apenas por um mero e trivial troféu. 

O bom disto tudo é que as nossas tradições, que muitos dizem estar acabando, se renovam em todos os sentidos.  

 

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

MOVIMENTO TRADICIONALISTA GAÚCHO


ESCOLHE O CENTENÁRIO DE LILIAM ARGENTINA 

COMO TEMA ANUAL  


Foto acima: Lilian no XII Congresso, em Tramandai, na criação do MTG (1966)

Abaixo: Ao lado de Osório Santana Figueiredo e na sua formatura

Divulgação / MTG 


Em janeiro de 1994, no 39º Congresso Tradicionalista realizado em Esteio foi aprovada a proposta de Ivo Benfatto, definindo um objetivo anual a ser perseguido, em âmbito estadual, por todas as entidades filiadas ao Movimento Tradicionalista Gaúcho do Rio Grande do Sul. Desde então, a temática serviu de norte para que as entidades debatessem e realizassem atividades voltadas ao assunto, provocando grande repercussão pelo estado.

Na noite de domingo, 23, o Conselho Diretor do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) do Rio Grande do Sul se reuniu de forma virtual e deliberou sobre a escolha do tema anual do tradicionalismo organizado: “Centenário de Lilian Argentina – O universo do folclore”.

Duas temáticas foram apresentadas; uma defendida pelos peões do estado, Andrei de Moura Caetano e Daniel Muller Forrati, abordando a influência da gaita na construção da identidade do gaúcho, e outra pelo presidente da Comissão Gaúcha de Folclore, Rogério Bastos, aprovada após os jovens retirarem a proposta, por compreenderem a importância da celebração do centenário da folclorista Lilian Argentina.

Bastos relembrou o relevante papel de Lilian Argentina Braga Marques para o tradicionalismo organizado e para o folclore gaúcho. “Lilian foi a primeira conselheira do MTG, logo após a sua criação, além de ser um destaque nas pesquisas pelo Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore (já extinto), Comissões Gaúcha e Nacional de Folclore” - destacou. Tema: “Centenário de Lilian Argentina. 

Lilian Argentina Braga Marques foi uma importante folclorista do Rio Grande do Sul, destacada pesquisadora do IGTF e da Comissão Gaúcha de Folclore, sempre muito preocupada com o rigor científico de suas pesquisas. Membro da Comissão Nacional de Folclore, presidente de honra da Comissão Gaúcha e Conselheira Benemérita do MTG. Professora, pesquisadora de folclore, tradicionalista, profunda conhecedora da cultura sul-rio-grandense. Seu conhecimento incontestável e atuação como pesquisadora e docente foi motivo de admiração e respeito por todos que a conheceram e tiveram o privilégio de com ela conviver.

Conheceu a região litorânea palmo a palmo e, nesta época, por intuição e vocação, iniciou-se como pesquisadora das manifestações de cultura popular. A partir de suas observações, escreveu O pescador artesanal do Sul, livro com o qual recebeu, em 1973, o Prêmio Silvio Romero de monografias de Folclore, concurso promovido pelo Ministério da Educação no Rio de Janeiro.

A professora Lilian Argentina foi pioneira nas pesquisas do folclorismo gaúcho. Em Tramandaí, no ano de 1945, já registrava danças populares, quando recolheu "A Jardineira", que remontou na escola com seus alunos. Na área de estudos de folclore, cursou a Escola Gaúcha de Folclore da Secretaria de Educação, coordenada pelo Professor Carlos Galvão Krebs. Cursou "Folclore e Turismo" e "Folclore e Educação".

Na releitura da Carta do Folclore Brasileiro, no ano de 1995, realizada durante o 8º Congresso Brasileiro de Folclore, em Salvador, juntamente com a professora Rose Marie dos Reis Garcia, liderou a equipe gaúcha. Em 1991, participou do Curso de Animadores de Folclore nos Açores, quando ministrou disciplinas relacionadas à cultura açoriana no Rio Grande do Sul.

Como tradicionalista, destacou-se como posteira artística do 35 CTG, e da Academia de Polícia da Brigada Militar. Colaborou sempre com o Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), no qual foi conselheira, participando dos congressos, convenções, reuniões de patrões e outros, contribuindo com relevantes trabalhos.


Fonte: Site MTG




O BIOMA PAMPA....


....VAI DE ONDE ATÉ ONDE? 


Cantado e decantado pelo cancioneiro gaúcho, no Sul do Brasil está o único bioma brasileiro restrito a apenas um Estado. Cerca de dois terços da área do Rio Grande do Sul são ocupados pelo Pampa: uma extensa área de campo natural. Nesta região forjou-se o "gaúcho gaudério".

O clima temperado, com temperaturas médias entre 13 °C e 17 °C, garante ao bioma características únicas. Uma delas é a presença de grandes campos de gramíneas (também conhecidas como capins, gramas ou relvas), com 450 espécies dessas plantas espalhadas pela região.

Esse cenário foi encontrado pelos primeiros seres humanos que habitaram a região Sul do Brasil, há cerca de 12 mil anos, e continua sendo a cara do Pampa atual. Mas, por ser tão antigo, o bioma possui grande variedade de espécies e paisagens. Embora seja famoso pelos campos, o Pampa abriga também florestas nas margens dos rios, arbustos, leguminosas, bromélias e até cactos. Na vegetação diversificada, vivem, é claro, centenas de espécies animais.




Toda essa geografia acaba tendo reflexos na alma do habitante dessa região. É o que Yupanqui trata no poema Tiempo del Hombre. “Esse é o homem do Pampa, assombrado pela sua magnitude. Ele não tem terra, até porque não era sua a propriedade, e diz que sua terra é o pampa por onde se desloca”.

Em suma. Para o gaúcho, ou o gaucho, o Pampa não tem fronteiras. É do tamanho da sua alma.  


REPONTANDO DATAS / 25 DE JANEIRO

 

Num dia 25 de janeiro, do ano de 1898 assume a presidência do Estado do Rio grande do Sul o caçapavano Borges de Medeiros, o “Antônio Chimango” sucedendo seu padrinho político Dr. Júlio Prates de Castilhos.

Também na data de 25 de janeiro, mas no ano de 1923 o mesmo Borges de Medeiros frauda as eleições e assume pela terceira vez a presidência do Estado. Desta feita os gaúchos inconformados, pegam em armas contra o ato. Inicia-se a revolução Maragatos x Chimangos.

Já no dia 25 de janeiro de 1928, portanto há exatos 30 anos após ter ingressado na presidência do Estado sendo o governante mais longevo da história gaúcha, Antônio Augusto Borges de Medeiros é substituído por Getúlio Dornelles Vargas. 


Antônio Augusto Borges de Medeiros





segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

FILOSOFIAS GAUDÉRIAS (em trovas literárias)

 

É lindo ser gauchão

mas boi criado na estrada

sem nunca ter um rincão

é magro e não tem papada. 

- Léo Ribeiro -  








MIL GRACIAS, COMPANHEIRADA.

 

Venho nesta vasa agradecer o carinho de centenas de amigos e amigas que se manifestaram via telefonemas e pelas redes sociais em função de meu aniversário ocorrido no dia de ontem. São estas formas de apreço, do mais simples Parabéns até pajadas em minha homenagem, que nos reconfortam nestes tempos de apreensão. Amigos que há tempos não vejo, outros que não conheço pessoalmente e, até, uma grade musical especial com trabalhos de minha marca no programa Som do Sul, da Rádio 96 Uruguaiana, do comunicador Jaime Ribeiro, alegraram ainda mais o meu dia. Um serrano sendo lembrado e referenciado lá na fronteira gaúcha.  

Vou tentar responder uma a uma estas lindas mensagens. 

Mil gracias, companheirada.   


   


JAIME RIBEIRO

 

20 anos de nativismo no rádio




Jaime Ribeiro, 62 anos, há um longo tempo (46 anos) vem nos brindando com seu vasto conhecimento musical.  

Serviu a pátria como 2º Sargento do Exército e formou-se como técnico contábil. Foi gerente de empresas, funcionário público municipal, mas foi através da música que realizou-se atuando em mais de cinco conjuntos de bailes. Nos festivais desde as primeiras Califórnias,  com o Grupo Parceria foi premiado com a Calhandra de Ouro e, com a canção Guria (letra de Maxsoel Bastos) recebeu a Calhandra de Prata.

Na Argentina gravou vários trabalhos com Gicela Mendez Ribeiro e atuou em vários eventos de chamamé. Com Gaúcho da Fronteira, percorreu  o Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina, e teve algumas parcerias musicais como o “Segura o Tchê”.

Filho do radialista Jairo Ribeiro, da Radio São Miguel, Jaime teve diversas experiências neste meio de comunicação e, em 20 de março de 2002, ingressou na Rádio 96 Uruguaiana para substituir o programa A Voz do Brasil, através de uma liminar.

A rádio tem 40 anos e carrega um compromisso com a cultura, abrangendo mais de 300 km em 24 cidades do Mercosul.  Em 2006 chegou a Internet e o site, redes sociais, app e jogou a programação sem limite para audiência de gaúchos sequiosos de música nativista. Naquele tempo, as rádios só tocavam músicas de bailes, “tchê-music” e Jaime apresentou uma proposta diferente, valorizando a Califórnia da Canção Nativa. 

Hoje Jaime Ribeiro comanda os programas a Voz do Pampa, 19 às 21h segunda as sextas e o Som do Sul  das 9 as 14 h domingo, também pelas plataformas digitais.  São 20 anos de muito trabalho em prol de uma cultura autêntica que deu a Jaime Ribeiro e aos seus milhares de ouvintes muitas alegrias como uma distinção com um Troféu através de César Oliveira e Rogério Melo e, mais recentemente, o Troféu José Mendes através da Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul.  

Os poetas, compositores, músicos, enfim a classe artística do Estado, sente-se agradecida a Jaime Ribeiro por sua dedicação em valorizar através de seu trabalho de divulgação incansável e competente, a nossa arte, cultura e os nossos costumes tradicionais, fortalecendo a quem labuta na cadeia musical, um produto que é nosso de Raiz.

 


domingo, 23 de janeiro de 2022

TÁ NA MÃO

 


Na data de hoje completo 66 janeiros. Segundo a numerologia este algarismo é um sinal de que devemos dar atenção àquelas pessoas mais próximas e que tal número pode ser tanto um aviso de que algo não vai bem quanto um lembrete de que temos sempre com quem contar. Sendo assim, pensei em brindar meus amigos com um novo CD. 

Na verdade não tinha intenção de editar tal obra mas nesta pandemia, aonde tudo ficou meio parado, diversos parceiros gravaram letras de minha marca. Então resolvi reculutar e compilar tais músicas. Total, embora sem aquele ânimo antigo de mudar o mundo, continuamos na caminhada mesmo que rengueando das duas pernas.   

O disco não é de venda mas para presentear a companheirada quando eu puder dar um chinchado abraço. 

Quanto ao meu dia? Vai ser de relembranças e agradecimentos a Deus por tudo que me ofertou.  


Fotos da Capa e do CD: Vana VM



sábado, 22 de janeiro de 2022

REPONTANDO DATAS / 22 DE JANEIRO

 

Num dia 22 de janeiro, do ano de 1807, nascia em Rio Pardo-RS, José Joaquim de Andrade Neves, o Barão do Triunfo.



 
Filho de José Joaquim de Figueiredo Neves e Francisca Ermelinda de Andrade, aos 19 anos de idade sentou praça no 5° regimento de cavalaria. Pouco depois abandonou a carreira para ajudar o pai na fazenda da família. Casou-se com Ana Carolina de Andrade Neves com quem teve três filhos: Maria Adelaide de Andrade Neves, José Joaquim de Andrade Neves Filho e Luiz Carlos de Andrade Neves. Era avô de José Joaquim de Andrade Neves Neto.
Em 1835, quando rebentou a Revolução Farroupilha, Andrade Neves, deixou a agricultura, alistou-se, voluntariamente, no lado imperial.  Tomou parte ativa em um grande número de combates como membro da Guarda Nacional tendo se distinguido no ataque à ilha do Fanfa (no rio Jacuí), onde Bento Gonçalves da Silva foi feito prisioneiro. No combate de Taquari Andrade Neves recebeu dois ferimentos de bala, entretanto permaneceu no campo de batalha até o término da luta. Sempre com a lança em punho, à frente de seus esquadrões, serviu à causa da legalidade com inexcedível bravura, até o Tratado de Poncho Verde.
Elevado a major da Guarda Nacional em 1840 e a tenente-coronel em 1841. De alferes a tenente-coronel, conquistou todos os postos no campo de batalha, por ato de bravura. 
Após um breve período de vida, em paz, no campo, retorna às armas para lutar na Guerra contra Rosas, em 1851, reunindo um grupo de voluntários, destacando-se na batalha de Moron.
Em 1864, quando da invasão brasileira à República Oriental do Uruguai, para defender a vida e os interesses brasileiros, o já General Andrade Neves ia à frente da 3ª Brigada de Cavalaria. Por ocasião do Sítio de Montevidéu, foi ele designado para atacar a fortaleza do Cerro. A 3ª Brigada avança e a guarnição iça a bandeira branca nas ameias da muralha. Terminada a campanha no Uruguai, pelo tratado de 20 de fevereiro de 1865, o exército imperial marcha a caminho do Paraguai. Penetrou no território do Paraguai em 1867. Na batalha de Tuiucué, em 16 de julho de 1867, suas divisões tomam a trincheira de Punta Carapá, arrastando os paraguaios em derrota até Humaitá. Em 3 de agosto derrota setecentos cavaleiros em Arroio Hondo.
Em 20 de setembro toma a vila de Pilar, em 3 de outubro defende a posição de São Solano, em 21 de outubro ataca quatro regimentos de cavalaria paraguaias e os derrota. Sua divisão era apelidada pelos paraguaios de caballeria loca de cuenta (cavalaria louca varrida). Por causa desta vitória foi nomeado barão do Triunfo, em 19 de outubro de 1867.
A partir de 1868 fez diversos reconhecimentos para ajudar na Passagem de Humaitá, ao mesmo tempo tomava Estabelecimiento da fortaleza, defendida por quinze canhões, apoiada por dois navios com artilharia, além de dois fossos e bocas de lobo. Sob pesadas perdas, foi ferido e teve seu cavalo morto, mandou desmontar sua tropa de cavalaria e atacou a fortaleza até tomá-la. Participou da Batalha de Avaí. Comandou as tropas que atacaram Lomas Valentinas pela esquerda, conseguindo levá-las ao interior da posição fortificada, porém em meio da posição, uma bala veio produzir-lhe grave ferimento no pé. Levado à Assunção foi recolhido ao palácio tomado de Solano López. Nos delírios da febre que o devorava, sob aquele clima de fogo, conta a lenda que o bravo general, como se naquele trágico momento o animasse uma alma espartana, julgava-se ainda à frente dos seus esquadrões e atirando as cobertas, bradava: "Camaradas!... mais uma carga!" José Joaquim de Andrade Neves faleceu no palácio em 6 de janeiro de 1869. 


VELHAS (E BOAS) LEMBRANÇAS

 

Quando eu morava lá fora, 
naqueles tempos de peão, 
coisa que eu mais gostava
era de um fogo-de-chão
quando abria minha gaita
no costeio de um violão. 

Léo Ribeiro


Do livro Gauderiadas - Cartuns Gauchescos / Léo Ribeiro / 1993


sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

QUEM VAI CUSPIR...

  

....OU ULTRAPASSAR  A "LINHA" PRIMEIRO ?


Presidentes americano e russo
Crédito: Correio Brasiliense

Quando eu ainda era guri lá para as bandas da legendária Aratinga, ao se armar uma peleia de piá, havia duas maneiras de começar a briga (ou de testar a valentia de seu adversário). 

1ª - Um dos contendores dizia: - Cospe no chão, se tu é bem macho! Se nosso oponente vacilasse tu ficava de dono da situação. Entretanto, se ele buscasse um cuspe lá do fundo da garganta e "apinchasse" tal gosma aos teus pés, ou tu enfrentava ou corria o quanto as pernas permitissem. 

2ª - A segunda maneira de provocação era fazer um risco no chão é sentenciar. - Passa se tu é homem! Da mesma forma que a citação anterior, a reação do adversário era nosso termômetro. 

Pois agora uma situação parecida, em escala infinitamente superior, está me preocupando, ou seja, a tensão entre as potências Rússia e Estados Unidos em função da Ucrânia. 

Quem vai cuspir primeiro? Quem vai passar essa linha que leva a uma guerra sem precedentes e não, simplesmente, a uma briga de guri? 


O mundo está em tensão
Crédito: Arte 6.png

       

FOTOS & POEMAS

 


Resenha da poesia O Sonho do Carreteiro, de Luiz Menezes.

 

Carreteou anos a fio.

Conhecia palmo a palmo

as estradas da querência;

Sabia onde dava passo

- no tempo das enxurradas -

aquele arroio sotreta

cemitério de carreta

disfarçado em água mansa

Vira nascer muitos ranchos

nesse corredor sem fim.

 

Sabia que na picada

logo depois do lagoão,

o umbu do enforcado

dera lenda prás estórias

dos bolichos, das ramadas.



Resenha da poesia La Pulperia de Serafim J. Garcia

 

Reyenaste las brocas que cavara l'ausencia;

ensiyaste memorias pa volver al ayer;

y mochaste'l abrojo de las almas machorras

que no jueron capaces de parir un querer...

 

Los domingos, tu reja floreció de truquiadas;

espinao de rodajas, tu silencio juyó;

y entre música'e copas y latir de vigüelas,

desnudó el pago bravo su cerrao corasón.



quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

CHAMAMECEROS

 

Desiderio Souza, Yuri Menezes e Luis Carlos Borges

Na semana passada, por ocasião da abertura do Festival do Chamamé em Corrientes, Argentina, repassamos uma informação incorreta de que, talvez em função da pandemia, não haveria artistas brasileiros na grade de programação do evento. Na verdade, embora em menor número, temos representantes, sim, neste que é um dos maiores encontros musicais da América do Sul. Ontem foi a noite de apresentação de Luis Carlos Borges, Desiderio Souza e Yuri Menezes aonde o trio proporcionou um verdadeiro espetáculo no sagrado palco Sosa Cordero do Anfiteatro Mario del Transito Cocomarola. Assistimos todo o show pela TV Assembleia e, como diz a gurizada, "mataram a pau". 

     


REPONTANDO DATAS / 20 DE JANEIRO

 

Dimas Costa, o Xiru Divertido 

 
No dia 20 de janeiro, de 1926, portanto a 96 anos, nascia em Bagé o poeta e radialista, apresentador do programa Grande Rodeio Coringa, Dimas Nogues Costa. O Xiru Divertido, como era conhecido, comandou, na Rádio Farroupilha de Porto Alegre, nos anos 50, os programas Festança na Querência, Céu e Campo, Entardecer na Querência, Pelos Caminhos do Pago e Alma do Rio Grande.

Foi poeta com 12 obras editadas e, mais ao final de sua carreira literária, dedicou-se a criar poemas para mulheres e crianças declamarem.

Como compositor foi autor do conhecido Parabéns Crioulo, em parceria com Eleu Salvador. Teve atuação no cinema voltado também a temas regionalistas, onde trabalhou como ator em oito longas metragens.

O seu poema mais conhecido tem por título A Morte do Brigadiano e começa desta maneira:

Houve o tempo em que a "folha"
era a arma respeitada,
pois assim era chamada
a espada do brigadiano.
E nas pendengas do pago,
quando a indiada se atracava,
muitas vezes ela cantava
no lombo de algum paisano.


quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

LANÇAMENTO DO 7º ESTEIO DA POESIA

 

SERÁ TRANSMITIDO PELA TV TRADIÇÃO 



Depois de um ano em que não pôde ser realizado em virtude da pandemia de covid-19, um dos maiores eventos de poesias do Rio Grande do Sul está de volta ao cenário do verso regional gaúcho.

No próximo dia 1º, às 20h, em uma live a ser transmitida pela TV Tradição em seu canal no Youbube, será feito o lançamento oficial do 7º Esteio da Poesia Gaúcha, festival de poemas inéditos, e 3º Esteio do Amanhã, festival de declamação para crianças e adolescentes de oito a 16 anos, realizados em paralelo pela Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Lazer (SMCEL) em parceria com a Diretoria de Comunicação Social e Eventos da Prefeitura Municipal.

A cerimônia terá a participação do declamador Romeu Weber, campeão da terceira edição do Esteio da Poesia e que será o personagem das artes utilizadas em todo o material gráfico do festival, e da declamadora Júlia da Rosa Severo, campeã da modalidade Juvenil do 1º Esteio do Amanhã e vice-campeã da segunda edição do evento. Romeu e Júlia serão amadrinhados pelo violonista Jorge Araujo.

No dia seguinte ao lançamento, será aberto o prazo de inscrições. Poetas de todo o Brasil terão até o dia 8 de abril para mandar trabalhos para o 7º Esteio da Poesia Gaúcha, preferencialmente através do e-mail:

 esteiodapoesia@gmail.com.

Os poemas poderão ser enviados também pelos Correios para a Casa de Cultura Lufredina Araújo Gaya ou serem entregues presencialmente no mesmo endereço (Rua Padre Felipe, 900 - Centro - Esteio/RS - CEP: 93.265-011).

Até a mesma data e exclusivamente pelo e-mail, estarão abertas as inscrições do 3º Esteio do Amanhã. Para participar, o concorrente deverá encaminhar a gravação, em vídeo, de até duas poesias que tenham sido finalistas do Esteio da Poesia Gaúcha ou de outros festivais do gênero.

Os regulamentos completos e fichas de inscrição estarão disponíveis no site da Prefeitura e na página e no perfil do evento no Facebook.

Mais detalhes como local, data, valores de premiação, nomes dos integrantes da Comissão Avaliadora e de quem fará a apresentação serão divulgados no lançamento.

Lançamento do 7º Esteio da Poesia Gaúcha e 3º Esteio do Amanhã

Quando: 1º de fevereiro, às 20h

Local: Live transmitida pelo canal da TV Tradição no youtube

Regulamento e início das inscrições: Dia 2 de fevereiro no site da Prefeitura e na página e perfil do festival no Facebook

Atenciosamente,


Djalma Corrêa Pacheco

Jornalista - Organizador do Esteio da Poesia Gaúcha

(51) 9151-3893



terça-feira, 18 de janeiro de 2022

VENDAVAL EM GUAIBA

 

DESTRÓI DOIS CENTROS DE TRADIÇÕES

O forte vendaval que assolou a cidade de Guaíba na tarde de ontem destruiu em torno de duas mil casas, igrejas, derrubou postes e árvores, inclusive tombando caminhões que trafegavam na BR 116. O vento também causou estragos em dois centros de tradições da cidade. O República Rio-grandense e o Caudilho Guaibense (fotos).

Longas filas se formaram diante das lojas de materiais de construção na procura de telhas. A prefeitura e a Defesa Civil do município estão recolhendo todos os tipos que donativos que possam amenizar um pouco este sofrimento.    




Crédito: Facebook do Repórter Giovani Grizotti

  

"TIRADAS" DO POETINHA DO ALEGRETE ...


...Mário Quintana que, por não ter as costas quentes ou a fama dos artistas nacionais, nunca teve seu nome aceito pela magnânima, insuperável, briosa, Academia Brasileira de Letras.





 

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

CACO VELHO

 

Com estes versos do Padre Pedro Luis, o Gênio do Pampa, desejo a toda parceirada que acompanha este blog uma bela semana, tapada de paz e luz.  





Eu sou filho da era antiga,

pura cepa e guasca honrado

se ofendido armava briga,

pros meus pais dava louvado.

Não aceitava baderna

de algum filho malcriado

educado à la moderna.

 

Caco velho? Eu sou tronco

rijo e são de guajuvira.

Me respeitam quando ronco

no bochincho que regira

pois eu sou da velha estampa

e o tourito que se atira

eu derrubo pela guampa.

 

Moço de hoje é sem retovo,

usa cincha na virilha,

laça só terneiro novo,

na rodada tastavilha.

Acha o prato sempre feito,

não caminha mais que milha,

pro trabalho não tem jeito.

 

Pingo bravo o descogota,

na peleia é mau parceiro,

se é feijão, peru arrota.

Quando ingere algum tempero

em seguida sempre rosna:

- Vó, me atende, vem ligeiro!

- Mãe, me traz um chá de losna!


Toma mate em pau torneado,

ri até do bom porongo,

usa creme e vive ansiado

quando zune pernilongo. 

Pra tomar um gole é esquivo

de cachaça - trago longo - 

só licor de aperitivo.  

 

Sim. Me acham, nestes dias,

Caco Velho pasmacento

mas eu trago fidalguia

e me sobram fundamentos.

Sim. Eu sou um Caco Velho,

minha barba é um documento

e o meu verso, um evangelho.  





domingo, 16 de janeiro de 2022

BRASIL É TRICAMPEÃO NA ARGENTINA

 


Nesta madrugada de sábado para domingo o ginete Romário Ferreira, gaúcho de Bagé, ergueu o mais disputado prêmio, categoria Crina Limpia, no maior evento de domas da América. Pelo terceiro ano consecutivo a delegação brasileira sai do Festival de Doma y Folclore Jesus Maria, em Córdoba, Argentina, como grande campeão. Parabéns aos ginetes desta querência chamada Rio Grande do Sul. 

    


O CONSTRANGIMENTO DO CHIMARRÃO

 


O chimarrão é a bebida símbolo do Rio Grande do Sul. Em qualquer rancho desta querência, por mais humilde que seja, pode faltar o luxo nas iguarias mas não faltará um "topetudo" espumante com erva buena, cevado a capricho. É o nosso gesto fraterno de mostrar que estamos felizes com a presença de quem nos dá "hô de casa".   

Pois o tal "seio moreno" tapado com o verde das coxilhas deste pago tem me causado algum constrangimento.

Com o advento da pandemia e seus cruéis efeitos, se recomenda os cuidados básicos de lavar as mãos, usar máscaras, cumprimentar-se a distância e... não compartilhar o mate.

Ocorre que nem todos entendem tal ação como uma precaução.

Ao contrário dos hermanos argentinos e uruguaios que tem seus avios de mate de forma individual, o gaúcho brasileiro vê nas rodas de chimarrão, no passar de mão-em-mão, uma forma de comunhão.

Eu tenho em minha morada dois aparelhos completos mas, sinceramente, me sinto constrangido ao oferecer a seiva amarga dos gaúchos em cuias separadas a quem me visita. Soa como se eu desconfiasse da saúde dos meus convidados.

Da mesma forma, já ocorreu-me de ir na casa de amigos e, ao receber o chimarrão, eu dar uma desculpa para não sorver "a velha hospitalidade da gente do meu rincão".

Ai vem a tona aquela velha encruzilhada: Razão ou coração?

Penso que só o tempo resolverá estes senões impostos pelo vírus. Até lá temos que ser práticos e racionais e não ver na negativa do mate um sinal de desconfiança mas sim um gesto de apreço pela saúde de quem chimarreia com a gente.

 

FALANDO EM CHIMARRÃO...

... esta semana, como Conselheiro do Conselho Estadual de Cultura, relatei o projeto que propõe a realização do 35º Carijo da Canção Gaúcha de Palmeira das Missões. Um festival aonde já fui avaliador em duas ocasiões e posso testemunhar a grandeza do evento bem como o envolvimento da comunidade com tal acontecimento, pois Palmeira, simplesmente, se muda de mala e cuia para o Parque de Exposições aonde acontece o festival.

Depois de minha relatoria muitos me perguntaram o significado de Carijo. Pois bueno:

Carijo é o procedimento de secagem das folhas da erva-mate, fato que exige dedicação e atenção constante. Para tanto é feito um fogo grande e uma armação em forma de grade, geralmente de varas descascadas e amarradas com cipó, onde se coloca as folhas verdes para serem crestadas (secadas). Carijada é o nome que se dá a esta forma artesanal e rudimentar de produção de erva-mate. Durante este processo que pode levar longos dias, para aproveitamento do fogo e a sua temperatura ideal, as pessoas “rondavam” o carijó, cantando, dançando e tomando muito chimarrão. Daí, originou-se o nome do festival.

    


   


sábado, 15 de janeiro de 2022

PODE ISSO, ARNALDO?



Na foto, show de Gustavo Lima na praia de Xangrilá. Aglomeração, pessoas sem máscaras... O litoral norte batendo recordes de contaminações. Enquanto isso bailes, rodeios, atividades da cultura gaúcha sendo canceladas. Falta harmonia nas decisões. Não temos um órgão centralizador que determine. É cada um por si e Deus por todos. 

  
 

O IMPERADOR NO RS


Elenco da novela Nos Tempos do Imperador


Tenho acompanhado, mesmo que superficialmente, a novela da Globo Nos Tempos do Imperador. Gosto destas temáticas de época mesmo que recheadas de ficções. A gente sempre aprende algo ou busca se inteirar melhor daquilo que se passou nestes idos anos do Brasil colônia, talvez o período mais triste de nossa história em virtude da escravidão. 

Pois nesta faze da novela está acontecendo a Guerra do Paraguai e procurei saber mais a fundo sobre o assunto. A gente tem uma falsa ideia de que a Tríplice Aliança foi algo tipo "prevalecimento" de três contra um (Brasil, Uruguai e Argentina X Paraguai). Na verdade, nos contam os historiadores, que Solano Lopes, ditador paraguaio, provocou o conflito para desviar a atenção de sua péssima "administração" e, para tanto, direcionou todos os recursos do país para fortalecer um exército que se tornou poderoso. No pensamento deste mandatário, vencendo o conflito os demais problemas de sua nação seriam superados. Não imaginava que a derrota bélica levaria seu povo a quase ser exterminado causando um atraso econômico que levou anos para ser recuperado. 

Mas voltemos a novela. 

Em uma certa ocasião do conflito (1865) os revolucionários paraguaios invadiram a Vila de Uruguaiana e, por ali, centralizou-se a guerra. Dom Pedro II, para dar ânimo a seus soldados veio da Corte, passando por Porto Alegre, e direcionou-se a cidade fronteiriça. Dois meses após Uruguaiana foi retomada pelo império. 

Este episódio será mostrado nos próximos capítulos e, para dar um ar de gauchismo, haverá danças, gastronomia e outras atividades relacionadas a nossa cultura. 

Quem nos conta esses detalhes é o meu amigo José Tadeu Maciel, vacariano de quatro costados a quem eu chamo de Embaixador da Cultura Gaúcha no Rio de Janeiro, pois há muito tempo vem divulgando nossos costumes na Cidade Maravilhosa. Ele aparecerá dançando chula no dia 18, terça-feira.

Vamos assistir.                  


José Tadeu Maciel está a direita da chapa


Dom Pedro II, com trajes de gaúcho, em sua passagem pelo RS