RETRATO DA SEMANA


Obs: Se o curso objetiva regrar comportamentos, tempo perdido pois isto se traz de berço. Ilustração: Léo Ribeiro

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

 


REPONTANDO DATAS / 27 FEV


Num dia 27 de fevereiro do ano de 2011. morria o poeta serrano Zeno Cardoso Nunes, ex-presidente da Estância da Poesia Crioula. Um de seus mais belos poemas chama-se Briga de Touros.

A chuva de verão passou. Veio a estiada.
O sol, a pino. A terra, inda molhada. 

Um Zebu está esperando no rodeio
outro touro, um crioulo guapo e feio
que sempre fora o dono da invernada,
e a passo largo vem se aproximando,
e vem cavando terra, e vem berrando
tão grosso que parece trovoada! 

Encontram-se e pelejam com denodo,
pondo em agitação o gado todo.
As aspas do Zebu, velozes como raio,
riscam do contendor o pelo baio
que ao sol reluz e brilha,
enquanto os cascos de ambos, como arados,
sulcam os pelos verdes e molhados
do lombo da coxilha! 

Também num dia 27 de fevereiro, mas o ano de 1894, os Maragatos vencem os Pica-paus no combate de Tarumã, em Passo Fundo. 

E no dia 27 de fevereiro, de 1844, durante a Guerra dos Farrapos, ocorre o famoso Duelo Farroupilha entre Bento Gonçalves e seu primo Onofre Pires. O duelo aconteceu as margens do Arroio Sarandi (Alegrete) sem a presença de testemunhas. Bento fere Onofre no ombro e na mão depois, com seu próprio lenço, faz um torniquete em Onofre e volta a cidade. Onofre Pires veio a morrer três dias após, de gangrena. 


Duelo Farroupilha - Ilustração para o livro Os Farrapos e a Maçonaria
- Léo Ribeiro -




quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

 


Charge: Léo Ribeiro




quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

 


MAIS UMA GRANDE POLÊMICA 


Certificado de cavaleiro kkkk

Não iria manifestar-me sobre esse tema que vem tomando conta das redes sociais focadas no tradicionalismo que é o Curso de Formação de Cavaleiros, ou seja, para você participar de uma cavalgada teria que ter um certificado. É um curso de "apenas" 2 anos.  Pessoalmente acho sem fundamento pois comportamento não se ensina em cursos. Basta colocar regras na cavalgada e quem não as cumprir não participa mais. 

Tal decisão tem origem na 12ª Região Tradicionalista (Canoas, Esteio, Sapucaia do Sul, São Leopoldo e Nova Santa Rita). 

Um organizador de uma das maiores, bem organizadas e mais lindas cavalgadas, a da Costa Doce, Carlos Souza Gonçalves, disse algumas verdades que resolvi compartilhar. 

Curso de Formação de Cavaleiros é mais uma tentativa de engessar as manifestações da Cultura Gaúcha, ou seja, criar amarras artificiais, dando poderes a entidades, que já estão tão poderosas que constrangem através de legislações, Municipais, Estaduais e Federais, que foram buscadas através dos políticos caça votos. Enfim inviabilizam a participação das pessoas de menor poder financeiro, elitizando a CULTURA E AS TRADIÇÕES.

Agora começa uma nova tentativa de amarrar com detalhes de certificação o “andar de a cavalo”, mas é apenas uma ponta do iceberg, um teste para aumentar a “cadeia de faturamento”, pois em seguida vem os instrutores, os palestrantes, e tudo seguido de uma “carteirinha com foto”, a um custo módico, ou seja “pequenas taxas” justificadas como ressarcimento de despesas, e coisa e tal...

Como acima expresso uma opinião critica, me sinto obrigado a tentar contribuir de forma efetiva para melhorar o posicionamento das entidades tradicionalistas “que se colocam como guardiãs da cultura dos gaúchos e suas tradições”: quem sabe seguir o exemplo do CTG Cruzeiro do Sul de Guaíba, onde as crianças do Bairro Colina não acolhidas em suas instalações, recebem instruções de danças, cultura campeira, e as refeições sem qualquer custo, fruto de uma Patronagem obreira, trabalho de equipe. Outro exemplo é a realização de “Oficinas” reunindo os mais experientes da entidade, ou da comunidade, em cada área da cultura campeira, ensinando crianças e adultos que se disponham a aprender, sobre a lida de campo, como tratar e respeitar os animais, as pessoas, a propriedade alheia, na área histórica também dentro de seus quadros, falar da nossa formação como povo habitante deste território, dizer dos por que da nossa geografia e localização, continente Sul Americano, o que moldou a personalidade da nossa gente.

Enfim o que propus é trabalho das comunidades que os CTGs, teoricamente deveriam representar, e acolherem para serem acolhidos.

No meu ponto de vista já temos muitos mestres remunerados, vivendo de legislações cartoriais e gordas taxas, sou do tempo em que havia narrador criado narrando Rodeio, porque era laçador, ou tinha sido eu mesmo cheguei a narrar prova de 21 dias e comentar, hoje teria que ter carteirinha...para participar em uma busca de Chama Crioula, porque os gaúchos passaram a ser reconhecidos pelo tamanho do Lenço, e não pelo proceder de ser respeitador, e homem honesto. Que lastima!!!

Assina: Carlos Souza Gonçalves



terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

 


REPONTANDO DATAS - 24 FEV


Em 24 de fevereiro de 1843 era criada uma Capela Curada denominada "Capela do Uruguai", conforme uma resolução que foi sancionada pela Assembleia Constituinte e Legislativa de Alegrete. Por essa iniciativa e empenho, agindo em nome do líder farroupilha general Bento Gonçalves da Silva, o mineiro Domingos José de Almeida, ministro das finanças da Revolução, é considerado o fundador oficial da cidade de Uruguaiana.



 

O GUARDIÃO DO OBELISCO DA PAZ


João Pedro Souza Rodrigues

Um obelisco de granito de sete metros de altura, cujo topo abriga um ninho de joão-de-barro, desponta nos campos de Ponche Verde como garantidor da paz entre farroupilhas e imperiais, depois de quase 10 anos de guerra civil. Erguido em 1945, no centenário da pacificação, também é o testemunho de como o Rio Grande do Sul desejou voltar a fazer parte do Império do Brasil, assegurando a unidade nacional.

Curiosidades cercam o monumento. Historiadores conceituados informam que a concórdia ocorreu em 28 de fevereiro de 1845, quando o general farrapo David Canabarro assinou o tratado confiando na "palavra sagrada" e no "magnânimo coração" de dom Pedro II. Outros preferem o 1º de março de 1845, como está gravado na pedra do obelisco, quando o marechal Luís Alves de Lima e Silva, o Caxias, confirmou o acerto. A declaração do pacificador:

- Rio-grandenses! É sem dúvida para mim de inexplicável prazer o ter de anunciar-vos que a guerra civil, que por mais de nove anos devastou esta bela província, está terminada.

Possíveis imprecisões não se limitam a datas. O diretor do Museu Paulo Firpo (Dom Pedrito), Adilson Nunes de Oliveira, 65 anos, observa que o obelisco não teria sido construído no exato lugar da pacificação, que era numa baixada. Foi deslocado para um terreno mais alto, perto da estrada, para que ficasse mais visível e assomasse na vertiginosa horizontalidade do pampa.

- De qualquer forma, é um motivo de honra para Dom Pedrito, que ficou conhecida como a capital da paz - destaca Adilson.

Além da vigilância do operoso joão-de-barro, o obelisco tem um guardião: João Pedro Souza Rodrigues, dono de um bolicho perto do monumento. É uma vendinha humilde, com paredes feitas de leivas e cobertura de capim santa-fé, mas acolhedora. O que a identifica é uma antiga placa de propaganda - "Beba Fanta" - descolorida e com amassados.

Quem vê as prateleiras meio desfalcadas, não imagina as surpresas que o bolicho pode oferecer. Se gostar das maneiras do cliente, João Pedro tira um majestoso bandônion do baú e abre os foles para executar tangos e canções do gaúcho Luiz Menezes. Nesse momento, dizem, até os cavalos atados no palanque à espera dos donos que bebem um trago de cachaça escutam as músicas.

João Pedro ganhou o bandônion (fabricado na Alemanha), do pai, Teodoro Souza, que era estancieiro apoderado mas perdeu tudo apostando em corridas de cavalo. Antes de falir, ordenou-lhe que jamais vendesse o precioso instrumento, comprado de segunda mão - teria circulado pelos cafés tangueiros de Buenos Aires.

- Depois que ficou pobre, meu pai teve de tirar mel do oco das árvores para alimentar os filhos - conta.

O filho quase seguiu a perigosa paixão de carreirista de cavalos do pai. Era jóquei - franzino, pesa 50 quilos -, mas acabou se encantando pelo bandônion. Aprendeu a tocar sozinho, ouvindo emissoras de rádio, as brasileiras e as castelhanas, pois o Ponche Verde está próximo ao Uruguai. Turistas e pesquisadores que visitam o obelisco compram refrigerantes e bolachas no bolicho, mas desconhecem o talento do comerciante.

- De tudo que é lado vem gente, até do estrangeiro - diz João Pedro.

Em setembro, nas comemorações pela Semana Farroupilha, aparecem romarias de cavaleiros. Grupos fazem tertúlias no lugar, cantando, bebendo e churrasqueando em honra aos farrapos.



segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

 


UM OUTRO LAÇADOR 



Por: José Francisco Alves

Em 1936, Francisco Bellanca (1895-1974) pensou em fazer em Porto Alegre uma estátua de Laçador. Ele que foi o criador do Brasão de Porto Alegre, projetista, desenhista, ilustrador e pintor. O primeiro formado pela Escola de Artes do Instituto de Balas Artes do RS em 1919, e o seu primeiro professor ex-aluno. Em breve, a Casa da Memória Unimed Federação RS vai promover a primeira mostra desde sempre do artista, com dezenas de originais,. Aguardem!





domingo, 22 de fevereiro de 2026

 


TRADICIONALISMO COM EMOÇÃO

projeto leva técnicas teatrais a grupos de dança


Projeto Aquecimento Cênico / Divulgação


Jornalista: André Malinoski

Há 20 anos, o Projeto Aquecimento Cênico prepara grupos de dança tradicionalista para competições em cidades do Rio Grande do Sul e de outros estados do país. Ao longo desse período, cerca de 20 mil pessoas – de grupos mirins a veteranos – já participaram das aulas, que somam 572 encontros realizados.

A iniciativa surgiu em Canoas, na Região Metropolitana. Embora não tenha sede própria, as atividades ocorrem em salões ou galpões onde os grupos costumam ensaiar — entre eles, diversos vencedores de torneios. Com duração de seis horas consecutivas, as oficinas trabalham a expressão corporal e facial por meio de técnicas teatrais.

Idealizado pelo professor de Português, Literatura e Redação Leandro de Araújo, 51 anos, em parceria com a esposa, Fabi Araújo, 46, o projeto começou por acaso, em 2006, quando o casal foi convidado a auxiliar um grupo de amigos que dançava, em razão da experiência deles com o teatro.

— Fizemos o trabalho e, no fim de semana seguinte, outro grupo chamou. Quando nos demos conta, perdemos o controle dos nossos finais de semana. Havia uma necessidade muito grande de os grupos de dança entenderem a parte cênica e artística e fazerem a relação das danças com a história. A oficina foi se transformando em algo praticamente obrigatório para os grupos de dança — recorda o declamador. 

Com o interesse crescente do público pelas oficinas, a dupla paralisou o projeto por cerca de um ano para estudar e se especializar no tema. Na sequência, os dois voltaram a oferecer as atividades. Nessas duas décadas, 115 cidades em cinco estados do país já foram visitadas, assim como o Uruguai, em duas oportunidades.

— De certa forma, a gente revolucionou a forma como a dança tradicional gaúcha é ensinada dentro dos galpões, trocando aquela rigidez que havia por algo bem mais humanizado e, principalmente, pelo aspecto de entender a história da dança e o caráter da expressão corporal e facial, em detrimento dessa rigidez de disciplina que a gente tinha — afirma Araújo.  

Quebrando paradigmas

O circuito de danças do Estado é conhecido por sua extrema competitividade. Os grupos procuram as oficinas para melhorar suas performances. Dançarinos que desejam aprimorar suas apresentações, inclusive de outras regiões do Brasil, também buscam ampliar seus conhecimentos no Projeto Aquecimento Cênico.

— Hoje, a nota na interpretação da dança é o elemento mais importante das competições. Se dois grupos, por exemplo, empatam na nota geral, será essa nota que acabará definindo quem fica na frente — explica.

Araújo compartilha que, no começo das oficinas, foi difícil quebrar alguns paradigmas e trabalhar técnicas de teatro, que movimentam o corpo com músicas que não são tradicionalistas. Segundo o idealizador, os grupos saem das aulas muito diferentes de como entraram.

— É um trabalho que mexe muito na questão emocional. Tanto que já foi publicado em revistas científicas de universidades federais, na Faculdade de Dança. Algumas oficinas que criamos estão publicadas. Isso, para nós, é motivo de muito orgulho — observa.

Conforme Araújo, é comum os participantes chorarem durante as intensas oficinas. Ele explica o porquê:

— Esse chorar que a gente promove é um chorar no sentido do desenvolvimento da inteligência emocional. Eles entendem que a emoção faz parte da arte e da dança. A gente não dança para ganhar ponto, mas para se desenvolver emocionalmente como pessoa.

De certa forma, a gente revolucionou a forma como a dança tradicional gaúcha é ensinada dentro dos galpões, trocando aquela rigidez que havia por algo bem mais humanizado.

O professor enumera outro motivo de gratificação. Segundo relata, dos 10 melhores grupos juvenis de dança do Estado, oito passaram pela oficina. E, dos sete melhores mirins, todos trabalharam no projeto. Além disso, acrescenta, entre os 10 melhores adultos do Encontro de Artes e Tradição Gaúcha (Enart), praticamente todos os dançarinos já estiveram nas oficinas. 

Para a professora Fabi Araújo, o projeto fortaleceu vínculos e evidencia a importância de humanizar os ensinamentos nas oficinas.

— O projeto mudou a nossa vida. Saber que humanizamos os ensaios, trocando aquela disciplina quase militar que havia quando eu ensaiava por sensibilidade e cenicidade, é maravilhoso. Hoje, há intencionalidade em cada movimento da dança, e isso se deve ao fato de ensinarmos os motivos desses movimentos, e não apenas fazê-los para somar pontos ou agradar jurados.

Como participar 

Informações sobre como participar das oficinas podem ser feitas pelo telefone (51) 99729-7816, com Leandro de Araújo, ou pelas redes sociais do projeto: no Instagram, pelo perfil @aquecimentocenico



sábado, 21 de fevereiro de 2026

 

ESTAMOS NAS MÃOS DE LOUCOS

 

Cada vez que bombeio os noticiosos fico pensando o que será do futuro de nossos filhos e netos pois os destinos da humanidade se concentram nas vontades de meia dúzia de dementes. 

Aproximadamente 8,3 bilhões de pessoas do mundo todo dependem da sanidade mental de alguns governantes que detém o poder. 

E nós aqui preocupados com raias miúdas, com picuinhas, com disque-me-disque, quando uma guerra bélica está prestes a eclodir por vaidades de mandatários que pensam ser os donos do planeta.  

Falando em guerra uma das melhores frases sobre o tema é atribuída ao físico alemão Albert Einstein ao receber o seguinte questionamento: 

- Como será a terceira guerra mundial?

No que o gênio que desenvolveu a teoria da relatividade respondeu:

- Não sei como será a terceira guerra mundial mas sei como será a quarta. Com pedras e paus. 






sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

 


REPONTANDO DATAS - 20 DE FEV

Nasce Honeyde Bertussi


Livro bibliográfico sobre a vida artística de Honeyde Bertussi

Honeyde Bertussi nasceu em 20 de Fevereiro de 1923 na localidade de São Jorge da Mulada, distrito de Criúva, município, na época, de São Francisco de Paula e faleceu em 4 de Janeiro de 1996 em Caxias do Sul.

Conhecido como o Cancioneiro das Coxilhas, aos quatro anos ganhou de presente de seu pai, Fioravante Bertussi, uma gaita de quatro baixos. Com o tempo, aprendeu a tocar violão e gaita de boca. Após a realização de seus estudos na cidade de Vacaria, onde concluiu o 2º Grau, Honeyde retornou para o campo casando-se no mês de março de 1941 com Haydee Vacchi.

Em 1942 adquiriu o seu primeiro acordeon uma Todeschini de oitenta baixos. Aos oito de maio de 1942, graças a uma cheia do rio Mulada a orquestra não consegue chegar a tempo de tocar um baile de casamento na localidade onde nasceu, Honeyde foi chamado e tocou o seu primeiro baile. Em 1943 compôs a canção Cancioneiro das Coxilhas, sua música predileta. Na década de 50, junto com seu irmão Adelar, 10 nos mais novo, formou a primeira dupla de gaiteiros do Rio Grande dando início a uma saga galponeira que floresceu e dá frutos até hoje. Em 1955 lançaram o primeiro LP "Coração Gaúcho" consagrando Os Irmãos Bertussi. Daí para frente, foi um sucesso atrás do outro sendo aclamados como a melhor dupla de acordeonistas de todos os tempos.

Na Rádio Caxias todas as quintas-feiras Honeyde apresentava o programa Cancionero das Coxilhas, foi um dos pioneiros dos programas radiofônicos ao vivo. Cantava e tocava músicas regionais, sempre mostrando a rica história do Rio Grande do Sul. Incentivando o culto tradicionalista gaúcho, Honeyde Bertussi brilhantemente conduziu a história musical rio grandense, conservando, junto aos Centros de Tradições Gaúchas, o gosto pela música e pelo regionalismo.

Honeyde Bertussi foi um dos artistas mais completos do Rio Grande do Sul pois tocava bem seu acordeom, era excelente letrista e cantava com uma voz de trovão inigualável. Tive a honra de ser seu amigo pessoal e de escrever um livro autobiográfico sobre sua vida artística. Tal obra encontra-se esgotada (Léo Ribeiro). 



MÚSICA BERTUSSI É PATRIMÔNIO 

CULTURAL E IMATERIAL DE CAXIAS DO SUL  


Paulo e Gilnei Bertussi recebem certificado 
Foto: Alice Corrêa 

Durante evento realizado no Parque Mário Bernardino Ramos, antecedendo o show comemorativo do centenário de Honeyde Bertussi a obra musical dos Irmãos Bertussi foi reconhecida como Patrimônio Cultural e Imaterial do Município de Caxias do Sul. Os certificados foram entregues aos familiares, Paulo Bertussi, filho de Honeyde Bertussi, e Gilney Bertussi, filho de Adelar Bertussi.

Os Irmãos Bertussi foram os primeiros a gravar um "bugio" no disco Coração Gaúcho", ritmo que hoje também ganhou o status de Patrimônio Cultural Imaterial do Rio Grande do Sul. 


 



quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

 


Foram definidas a MÚSICA DO ANO, a POESIA DO ANO e a MÚSICA INSTRUMENTAL DO ANO, dentre as obras vencedoras dos festivais realizados no ano de 2025.  Seus autores receberão o TROFÉU RONDA DOS FESTIVAIS no dia 20 de março, as 19h30, no CTG Estância da Azenha, em Porto Alegre. A tradicional promoção e realização é do blog Ronda dos Festivais de propriedade do radialista Jairo Reis.

A definição das laureadas coube à uma Comissão Avaliadora constituída para esta finalidade, composta por vinte pessoas dotadas de conhecimentos sobre o universo poético-musical do sul do Brasil, todos profissionais respeitados e com notória credibilidade nos ambientes do nativismo e da comunicação.

Até o dia 15 de fevereiro, este capacitado elenco de jurados e juradas assumiu a tarefa de escutar e analisar criteriosamente os áudios e as letras das 58 canções, das 10 poesias e os áudios das 4 músicas instrumentais que conquistaram Primeiro Lugar nos festivais realizados durante o ano de 2025.

Ao final da missão, cada avaliador listou as suas 05 (cinco) primeiras colocadas nas três categorias: Música do Ano, Poesia do Ano e Música Instrumental do Ano.  

A partir do ranqueamento elaborado pelos jurados, a comissão organizadora do Troféu Ronda dos Festivais atribuiu conceitos numéricos (pontos) para cada uma das obras destacadas pelos avaliadores:

1º Lugar:  5 pontos

2º Lugar:  4 pontos

3º Lugar:  3 pontos

4º Lugar:  2 pontos

5º Lugar:  1 ponto

Os vencedores foram os seguintes:

 

MELHOR MÚSICA INSTRUMENTAL DE 2025

 

UM TEMA PARA IOLANDA

Ritmo: Rasguido

Autor: Desidério Souza

Acordeon Cromático: Desidério Souza

Contrabaixo: Cássio Castilhos

Violino: Gesiel Carvalho

Violão: Marcos Nunes

Festival: 30º Musicanto Instrumental

Cidade: Santa Rosa/RS

 

MELHOR POESIA DO ANO DE 2025


O ÚLTIMO MUURIPÁ

Autor: Cândido Brasil

Declamador: Cândido Brasil

Amadrinhadores: Marcello Caminha: Violão - Magno Charrua: Bombo Leguero e Vocalize

Festival: 10ª Tertúlia Maçônica da Poesia Crioula - Linha Maçônica

Cidade: Porto Alegre/RS

 

MELHOR MÚSICA DO ANO DE 2025


PONCHO MILIQUERO

Ritmo: Milonga

Letra: Evair Gomez

Melodia: Juliano Gomes

Interpretação: Pirisca Grecco

Violão: João Gabriel Rosa

Violão e Vocal: Marlus Pereira

Flauta: Daniel Zanotelli

Teclado: Eduardo Varela

Contrabaixo e Vocal: Juliano Gomes

Recitado: Evair Gomez

Festival:  31º Sapecada da Canção Nativa

Cidade: Lages/SC

 

  


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

 


A ORIGEM DA QUARTA-FEIRA DE CINZAS


 


A quarta-feira de cinzas é o primeiro dia da Quaresma no calendário cristão ocidental. As cinzas que os cristãos católicos recebem neste dia é um símbolo para a reflexão sobre o dever da conversão, da mudança de vida, recordando a passageira, transitória, efêmera fragilidade da vida humana, sujeita à morte.
 
Ela ocorre quarenta dias antes da Páscoa sem contar os domingos (que não são incluídos na Quaresma) ou quarenta e seis dias contando os domingos. Seu posicionamento varia a cada ano, dependendo da data da Páscoa. A data pode variar do começo de fevereiro até à segunda semana de março.
 
Alguns cristãos tratam a quarta-feira de cinzas como um dia para se lembrar da própria mortalidade. Tradicionalmente, missas são realizadas nesse dia, nas quais os participantes são abençoados com cinzas pelo padre que preside à cerimônia. O sacerdote marca a testa de cada celebrante com cinzas, ficando uma marca que o cristão normalmente deixa até o pôr do sol, antes de lavá-la. Esse simbolismo relembra a antiga tradição do Médio Oriente de jogar cinzas sobre a cabeça como sinal de arrependimento perante Deus (como relatado diversas vezes na Bíblia).
 
No Catolicismo Romano, a quarta-feira de cinzas é um dia de jejum e abstinência. Como é o primeiro dia da Quaresma, ele ocorre um dia após o carnaval. A Igreja Ortodoxa não observa a quarta-feira de cinzas, começando a quaresma já na segunda-feira anterior a ela.


terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

 


SOBRE O DESFILE DA PORTELA


Por curiosidade, fiquei assistindo ao desfile da Portela. Como gaúcho só tenho que agradecer por uma escola de samba tão tradicional colocar a negritude de nosso Estado em tamanha evidência. Foi um momento maravilhoso. Uma pena que o último carro, que trazia a Velha Guarda teve problemas e comprometeu um pouco a harmonia ou evolução (não entendo muito tecnicamente falando).

Aprendi muita coisa como, por exemplo, que o Rio Grande do Sul é o Estado que acolhe o maior número de terreiros de batuque do Brasil. Sempre achei que fosse a Bahia ou o Rio de Janeiro. 

A escola conseguiu seu objetivo de representar as particularidades da religião de matriz africana gaúcha, inclusive do Príncipe Custódio, que para muitos era um desconhecido além, é claro, da conhecida lenda do Negrinho do Pastoreio.. 

A escola homenageou, inclusive, nosso Mercado Público de Porto Alegre com o lindo e imponente carro com o orixá Bará. A agremiação abordou, também, o maçambique de Osório e não fugiu da "hipocrisia" da elite gaúcha em relação às religiões de matriz africana na ala Burguesia Macumbeira, onde a alta sociedade busca auxílio espiritual no batuque mas mantém a negação desta mesma cultura no espaço público. "De noite todo mundo bate tambor, de dia todo mundo nega que bateu".

Com inteligência o carnavalesco André Rodrigues em seu enredo fugiu de temas polêmicos e mal resolvidos como a Batalha dos Porongos e a letra do Hino Rio-grandense (para decepção de muitos aqui da terrinha)




       

     

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

 


PORTELA HOMENAGEIA 

O NEGRO GAÚCHO

Foto: Ricardo Moraes

A Escola de Samba Portela, maior vencedora do carnaval carioca, homenageou, na noite de ontem, o negro gaúcho. através do tema: O Mistério do Príncipe Bará - A oração do negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”.

Sob o olhar do carnavalesco André Rodrigues, a escola explora a ancestralidade e a influência negra na formação cultural do Rio Grande do Sul.

Pontos centrais da história:

• Príncipe Custódio: Figura histórica do final do século XIX, Custódio Joaquim de Almeida, originário da região do Benin, foi um líder religioso e articulador das religiões de matriz africana em solo gaúcho.

• O Batuque: Religião afro-brasileira nascida no RS, que integra o culto aos Orixás com elementos locais, como vestimentas tradicionais e culinária adaptada. Vale notar que o estado possui, proporcionalmente, o maior número de adeptos de religiões de matriz africana no Brasil.

• O Bará do Mercado: O assentamento religioso localizado no Mercado Público de Porto Alegre, atribuído ao legado de Custódio, é um dos principais marcos dessa resistência cultural.

• Simbologia: A narrativa une a lenda do Negrinho do Pastoreio à figura de Bará (Exu no Batuque), traçando um paralelo entre fé, proteção e a memória de uma população que muitas vezes é invisibilizada nos registros tradicionais da região Sul.

A historiadora Flávia Trindade recomenda o documentário “Cavalo Santo”, de Mirna Britto, disponível no Globoplay e YouTube, que aprofunda a discussão sobre o Batuque e a herança negra gaúcha.


 


APÓS UMA DÉCADA 

a família “renuída” novamente.



Meu filho Lucas, ali pelos seus 3 anos, não conseguia dizer a palavra reunida. Ele cantava na escolinha: “....a gauchada renuída no galpão”.

Pois ontem, após dez anos entre pandemias, enchentes, trabalhos, vivências do outro lado do mundo, a família se juntou novamente.  Tem um verso que gosto muito e que diz assim: Quando vos falo de vir / que cansei de bater asas / não falo em desistir / mas de saudades de casa.

Dentre tantos mimos valorosos que recebi nestas comemorações que se prolongam dos meus 70 anos, ver a família “renuída” foi o maior presente.


domingo, 15 de fevereiro de 2026

 


REPONTANDO DATAS / 15 FEVEREIRO





Num dia 15 de fevereiro, no ano de 1894 Nasce no Alegrete Oswaldo Euclides de Souza Aranha estadista e diplomata, braço direito de Getúlio Vargas. Sob sua presidência na ONU o Estado de Israel foi criado.

Filho de Luísa de Freitas Vale Aranha, por quem foi alfabetizado, e do coronel da Guarda Nacional e fazendeiro Euclides Egídio de Sousa Aranha (1864-1929), dono da estância Alto Uruguai, em Itaqui (interior do Rio Grande do Sul). Passou a infância em Alegrete, cidade que seu avô teria fundado.
Cursou, no Rio de Janeiro, o Colégio Militar e a Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais, atual Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Também estudou em Paris antes de advogar em seu estado natal e de ingressar na política.
Em 1923, quando explodiu a luta fratricida entre "chimangos" (aliados de Borges de Medeiros — presidente da província) e "maragatos" (opositores à sua quinta reeleição), chegou a pegar em armas e lutou a favor do sistema republicano de Borges de Medeiros.
Em 1925 foi intendente de Alegrete. Então, introduziu muitas modernizações, como por exemplo a excelente rede de esgotos da cidade. Com sua peculiar diplomacia, conseguiu a paz entre as famílias separadas pelos conflitos políticos de 1923.
Dois anos mais tarde foi eleito deputado federal. Em 1928 tornou-se secretário do Interior, onde dedicou grande esforço para obras educacionais.
Amigo e aliado de Getúlio Vargas, foi o grande articulador da campanha da Aliança Liberal nas eleições, agindo nos bastidores para organizar o levante armado que depôs Washington Luís e tornou realidade a Revolução de 1930.
Em vista da vitória do movimento, Osvaldo Aranha negocia com a Junta Governativa Provisória de 1930, no Rio de Janeiro, a entrega do governo a Vargas. Posteriormente, foi nomeado ministro da Justiça e, em 1931, ministro da Fazenda. Neste cargo, promoveu o levantamento de empréstimos que os estados e municípios haviam contraído no estrangeiro, no período anterior a 1930, tendo em vista a consolidação global da dívida externa brasileira.
Alijado do processo político para a escolha do interventor em Minas Gerais, Osvaldo Aranha pediu demissão do cargo em 1934. No mesmo ano, aceitou o cargo de embaixador em Washington.
Nesse período como embaixador, se impressionou com a democracia estadunidense. Atuou sempre em defesa das relações brasileiras com os Estados Unidos e se tornou amigo pessoal do presidente Franklin Delano Roosevelt. Prestigiado no cargo, foi convidado para palestras em todo o país.
Demitiu-se do cargo de embaixador por não aceitar os caminhos que o Brasil traçara com a declaração do Estado Novo, em 1937. Em março de 1938 foi convencido por seu amigo Vargas a assumir o ministério das Relações Exteriores e, no cargo, lutou contra elementos germanófilos dentro do Estado Novo, em busca de maior aproximação com os Estados Unidos, no conturbado período que antecedeu a Segunda Guerra Mundial. Sob sua direção, o Itamaraty passou por grandes reformas administrativas.

 
Também num dia 15 de fevereiro, do ano de 1933, nascia em São Jorge da Mulada, na localidade de Criúva, à época interior do município de São Francisco de Paula, hoje distrito de Caxias do Sul, o acordeonista, cantor e compositor Adelar Bertussi.
Juntamente com seu irmão Honeyde, dez anos mais velho, formou, a partir de 1955, a dupla Irmãos Bertussi, responsável pelo surgimento da autêntica música de baile no Rio Grande do Sul.  Foram precursores também na prática de animar bailes com dueto de cordeonas e pela introdução da bateria como instrumento musical, novidades para uma época em que os fandangos eram animados por trios formados somente por gaita, violão e pandeiro.
Em 1966, Adelar separou-se artisticamente de Honeyde, iniciando carreira solo.  Em 1972, Adelar e Honeyde se reconciliam e gravam o LP “Sangue de Gaúcho”, mais um sucesso na já exitosa carreira dos Irmãos Bertussi.   A dupla separa-se novamente. 
Em 1974, Adelar foi eleito vereador de Caxias do Sul. Mais tarde, criou e participou do conjunto Os Cobras do Teclado, tendo como principal parceiro o também acordeonista Itajaíba Matanna.  Após a morte do irmão Honeyde, ocorrida em 1996, Adelar deu segmento a tradição musical da família através do Conjunto Os Bertussi, na companhia de seu filho, e também acordeonista, Gilney Bertussi.
Adelar morreu no dia 15 de setembro de 2017.


Também num dia 15 de fevereiro, do ano de 1974, morria o cantor e compositor José Mendes, o popular “Para Pedro”.    Ele gravou oito discos, sendo o de maior sucesso o compacto simples lançado em 1967, no qual estavam registradas as músicas "Pára Pedro" e "Mensagem de Saudade". O disco, com apenas estas duas faixas, vendeu mais de um milhão de cópias. Sucesso total.
Em sua breve e bem sucedida carreira, José Mendes deixou sua obra registrada nos seguintes Long Plays:
Passeando de Pago em Pago – 1962, quando ainda usava o nome artístico de “Gaúcho Seresteiro”; 
Pá... ra Pedro – 1967; 
Não Aperta, Aparício -1968;
Andarengo – 1969;
Mocinho do Cinema Gaúcho – 1970;
Gauchadas – 1971;
Isto é Integração – 1973; 
Adeus Pampa Querido (póstumo)  - 1974 
Além de cantor e compositor, foi ator de cinema, tendo produzido e estrelado três filmes:   Pára Pedro,  Não Aperta Aparício, A Morte Não Marca Tempo.
José Mendes faleceu em decorrência de um acidente de trânsito na BR-471, município de Rio Grande.  Em 2004, seus restos mortais foram transladados de Porto Alegre para o Memorial José Mendes, instalado junto a Capela Santa Terezinha, localizada entre os municípios de Esmeralda e Pinhal da Serra, na região serrana do Rio Grande do Sul.
José Mendes Guimarães nasceu no dia 20 de abril de 1939, em Esmeralda, então distrito de Lagoa Vermelha.  Completaria 77 anos de idade em 2016.


sábado, 14 de fevereiro de 2026

 


CONCENTRAÇÃO TOTAL 


Joseti Gomes, Léo Ribeiro, Erico Padilha, Cesar Soares e Paula Stringhi  
no Rodeio de Poesias de Vacaria
Foto: Divulgação Câmara de Vereadores de Vacaria


Já fui avaliador de festivais em que um dos jurados falava o tempo inteiro no celular enquanto a pessoa declamava, outro que dava autógrafos, outro que dormiu de roncar em meio ao recital, outro que... Isto tudo desestabiliza o concorrente. Ele olha para a comissão, percebe que fazem pouco caso do seu trabalho e, automaticamente, perde o foco. 

Não é um trabalho fácil pois o avaliador deve prestar atenção na letra (ver se o declamador não engoliu algum verso), se ligar na gestualidade, no emprego da voz... É um olho no gato e outro no peixe. Contudo a pessoa que assume o compromisso de julgar, de comparar arte, no mínimo deve respeitar quem se apresenta, por mais fraco que seja. 

É uma questão de consideração.