RETRATO DA SEMANA


Monumento a Bento Gonçalves (Antônio Caringi) no Parque Farroupilha -1936 - Tempo em que era respeitada pelos vândalos da capital.

quarta-feira, 4 de novembro de 2026

 

REPONTANDO DATAS - 04 NOV

No dia 04 de nov de 1959 morria em Porto Alegre 

Flores da Cunha


ALGUMAS DO GENERAL FLORES DA CUNHA


General Flores da Cunha

Jamais o tipo clássico do gaúcho superior esteve tão bem representado na chefia do executivo do Rio Grande do Sul como no período de 1930 a 1937, quando José Antonio Flores da Cunha foi sucessivamente interventor federal e governador. Filho de Sant'Ana do Livramento, do sangue castelhano herdou a valentia, a eloquência, o gosto por emoções fortes, a generosidade, a rebeldia, o espírito alegre, apaixonado e sedutor. Se acrescentarmos outros atributos pessoais como a razoável cultura, inteligência aguda, capacidade de liderança, teremos os ingredientes para compreender o fascínio que exerceu sobre todos com quem conviveu.

A margem dos acontecimentos históricos relacionados com ele, há fatos engraçados e pitorescos, bastante ilustrativos e caracterizadores da época. Alguns destes causos retiramos do livro Anedotário da Rua da Praia, Vol. 2, de Renato Maciel de Sá Junior, Editora Globo, e vamos repassar, paulatinamente, aos nossos leitores:   

1 - As divergências entre Getúlio Vargas e Flores da Cunha acentuavam-se rapidamente naquele segundo semestre de 1937. Flores, governador desde 1935, vivia em permanente exasperação, e quem sofria eram os subalternos do palácio. Certo fim de manhã, apareceu para visitá-lo seu amigo e deputado federal João Carlos Machado, figura espirituosa e simpática, a quem os assessores pediram para alegrar o chefe. Quando Machado entrou Flores foi direto ao assunto: 

- Quais são as novidades?

- Novidades, general? Pois olha, acabo de assistir um fato muito contristador. Não é que, justamente quando o gringo jardineiro do palácio estava urinando lá nos fundos, apareceu um marimbondo e picou o membro do coitado? Levaram-no berrando de dor para o pronto-socorro, junto com sua mulher. Antes de atendê-lo o médico procurou acalmar a esposa: "A senhora não se preocupe, com uma injeção a dor passa logo". Quando o doutor ia saindo a italiana segurou-o pelo braço e pediu com os olhos brilhando: "doutore, vou lhe fazer um pedido; tire a dor mas, per favore, no tire o inchume!". 



terça-feira, 3 de novembro de 2026

 

REPONTANDO DATAS - 03 DE NOV




No ano de 1891 ocorreu o Golpe de Três de Novembro (1891) quando o marechal Deodoro da Fonseca que havia proclamado a república em 15 de novembro de 1889, dissolveu o Congresso Nacional e decretou Estado de Sítio, um dos episódios mais tensos da Primeira República que culminaria mais tarde na sua renúncia e na Revolução Federalista.

Deodoro da Fonseca era maçom iniciado em 20 de setembro de 1873, na Loja Maçônica Rocha Negra Nº 1, na cidade de São Gabriel, no Rio Grande do Sul.

A própria Proclamação da República teve forte articulação política da maçonaria que contou com outros líderes maçons como Benjamin Constant e Quintino Bocaiúva.




 


SÓ COM O CABO DA FACA


Ilustração: Dreharry's


Não sou contra a Inteligência Artificial e admiro quem sabe manejar com desvelo tal ferramenta, como o meu amigo Paulinho. É o progresso tecnológico chegando e a gente não pode nadar contra a corrente. Contudo, eu sou da moda antiga. Gosto da ilustração feita por mãos de artistas como esse desenho realista feito pelo nigeriano Dreharr's apenas com lápis de cor.

A IA chegou nos cartazes de rodeios, festivais, bailes, por vezes cometendo erros incríveis e retirando o ganha pão de muitos artistas gráficos. Por tais motivos sempre procuro ilustrar algum texto deste blog com este pessoal autêntico e vou peleando só com o cabo da faca enquanto puder valorizar os seus trabalhos.   




segunda-feira, 2 de novembro de 2026

 


FINADOS 


VOCÊ GOSTARIA DE SABER O DIA DE SUA MORTE? 

Este gaudério orando diante de um cemitério de campanha
 
Uma pesquisa elaborada nos EUA apontou que 94% dos entrevistados disseram NÃO. Não gostariam de saber o dia de sua morte.
Toco neste assunto meio estranho por que hoje, dia 02 de novembro, é dia de finados e assisti a um filme na Netflix intitulado ANTES DE PARTIR que toca justamente neste tema. 
Dois homens até então desconhecidos, enfermos de um mesmo quarto de hospital, acabam sabendo que ambos não tem mais do que seis meses de vida.
Um destes homens (ator Jack Nicholson) é rico. Viveu para arrecadar patrimônio. O outro (ator Morgan Freeman) é pobre e trabalhou a vida inteira para dar um pouco de conforto para sua família.
Diante da triste notícia de que não teriam muito a viver, combinaram de fazer tudo que tinham vontade e que não fizeram durante sua existência. Coisas como saltar de paraquedas, dirigir numa pista carros de corrida, safári na África, fazer as pazes com um filho com quem não conversava há anos...
Em cada lugar que chegavam discutiam sobre o dom da vida, sobre Deus, sobre, reencarnação, ser enterrado ou ser cremado... O mecânico (Morgan Freeman) tinha fé, o milionário (Jack Nicholson) era ateu. Diante das Pirâmides leram uma pergunta que os Deuses egípcios fazem aos seus mortos ao entrar num outro plano: - Você encontrou alegria na sua vida? Você proporcionou alegria aos outros?    
Ao cabo de alguns meses e muitas "loucuras" voltaram para o seio de suas famílias que são, de tudo, o mais importante,  para morrer em paz. Como último desejo os dois foram cremados, suas cinzas colocadas numa lata de café e enterradas lado a lado no alto das montanhas do Himalaia.  
Não precisam nem ver o filme pois já contei o final rsrsrsr.....
Mas porque estou fazendo referência a tudo isto, agora? Simples.
Para alimentar um questionamento: Por que vamos esperar saber o dia da nossa morte para visitar um amigo, tomar um mate ao final da tarde, beijar quem se ama, ajudar um desconhecido sem esperar nada em troca, rir até chorar?
Por que vamos passar nosso tempo tão curto nos estressando por miudezas políticas, futebol, religião, tentando convencer que EU tenho razão? Por que discutir, ofender e se intrigar se o nosso "trem da vida" pode estar chegando na estação final? 
Minha saudade aos meus pais e a reverência a todos que já partiram. 



domingo, 1 de novembro de 2026

 



PREMIADOS DA 

11ª TERTÚLIA MAÇÔNICA


Participantes

Aconteceu nesta noite de sábado (31), na cidade de Santa Maria, a 11ª edição da Tertúlia Maçônica da Poesia Crioula, evento poético da maçonaria do Grande Oriente do Rio Grande do Sul com a coordenação de seu Departamento Tradicionalista Piquete Fraternidade Gaúcha. Os premiados foram os seguintes: 

LINHA NÃO MAÇÔNICA

1º Lugar: A CASA QUE NÃO TINHA PORTAS

Autora: Tatiane da Rosa Crestani  (Tapejara)

Declamadora: Sofia da Rosa Crestani (Tapejara)

Amadrinhador: Kayke Mello (Júlio de Castilhos)


2º Lugar: DE CAUSA DESCONHECIDA

Autor: Rodrigo Bauer (São Borja)

Declamador: Pedro Junior da Fontoura (Bento Gonçalves)

Amadrinhador: Raul Quiroga (São Leopoldo)


Melhor Poesia: A ALMA DA CASA GRANDE É UM ARMÁRIO DE LIVROS
Autor: Gujo Teixeira (Lavras do Sul)

Melhor Intérprete: Pedro Junior da Fontoura (Bento Gonçalves) no poema De Causa Desconhecida


Melhor Amadrinhador: Kayke Mello (Júlio de Castilhos) no poema A Casa Que não tinha portas


LINHA MAÇÔNICA

1º Lugar: RETRATO – POEMA A LUZ DE QUEM VÊ

Autor: Kayke Mello  -  Loja Aurora da Serra (Júlio de Castilhos)

Declamador: Keyke Mello – Loja Aurora da Serra (Júlio de Castilhos)

Amadrinhador: Felipe Leal – Loja Triunpho do Direito (Triunfo) 


2º Lugar: A ORDEM DO TEMPLO

Autor: Moisés Silveira de Menezes - Loja Remanso (São Pedro do Sul)

Declamador: Romeu Weber - Loja Renascer (Capão da Canoa)

Amadrinhador: João Rodolfo Bayer – Loja Remanso (São Pedro do Sul)


Melhor Poesia: NO CICLO DO MALHETE

Autor: Alberto Salles - Loja Fraternidade Quarta (Caxias do Sul)


Melhor Intérprete: Romeu Weber - Loja Renascer (Capão da Canoa) no poema a Ordem do Templo.

Melhor Amadrinhador: Felipe Leal – Loja Triunpho do Direito (Triunfo)  no poema Retrato - Poema a Luz de Quem Vê. 

Além dos citados acima foram premiados:

Melhor Indumentária: Luciano Salerno (Porto Alegre)

Melhor Tema Maçônico: O CINZEL DA TOLERÂNCIA

Autores: Rafael Vieira de Mello Lopes e Fernando Martins Ferreira - Loja Liberdade e Fraternidade e Loja Antares (Cruz Alta)

Declamador: Fernando Martins Ferreira – Loja Antares (Cruz Alta)

Amadrinhador: Tiago Borges – Loja Nascente das Virtudes  Cruz Alta



Piquete Fraternidade Gaúcha







sábado, 31 de outubro de 2026

 


É HOJE



11ª TERTÚLIA MAÇÔNICA DA POESIA CRIOULA

POEMAS CLASSIFICADOS

 

LINHA NÃO MAÇÔNICA

 

 

PORTO SEGURO

Autor: Juliano Costa dos Santos (Júlio de Castilhos)

Declamador: Juliano Costa dos Santos (Júlio de Castilhos)

Amadrinhador: Felipe Leal (Triunfo)

 

A ALMA DA CASA GRANDE É UM ARMÁRIO DE LIVROS

Autor: Gujo Teixeira (Lavras do Sul)

Declamador: Luciano Salerno (Porto Alegre)

Amadrinhador: Willian Andrade (Passo Fundo)

 

A CASA QUE NÃO TINHA PORTAS

Autora: Tatiane da Rosa Crestani  (Tapejara)

Declamadora: Sofia da Rosa Crestani (Tapejara)

Amadrinhador: Kayke Mello (Júlio de Castilhos)

 

TESTEMUNHAS

Autor: Lucas Costa Ferreira (Arroio Grande)

Declamador:  Pablo da Rosa (Chapecó)

Amadrinhadores: César Augusto Furtado (Xanxerê) e Luciano Salerno (Porto Alegre)

 

DE CAUSA DESCONHECIDA

Autor: Rodrigo Bauer (São Borja)

Declamador: Pedro Junior da Fontoura (Bento Gonçalves)

Amadrinhador: Raul Quiroga (São Leopoldo)

 

 

LINHA MAÇÔNICA

 

O GALPÃO

Autor: Cleber Soares - Loja Jayme Tarragó (Uruguaiana)

Declamador: Paulo Henrique Inda – Loja Cruzeiro do Sul (Uruguaiana)

Amadrinhador: Cleber Soares – Loja Jayme Tarragô (Uruguaiana)

 

O CINZEL DA TOLERÂNCIA

Autores: Rafael Vieira de Mello Lopes e Fernando Martins Ferreira - Loja Liberdade e Fraternidade e Loja Antares (Cruz Alta)

Declamador: Fernando Martins Ferreira – Loja Antares (Cruz Alta)

Amadrinhador: Tiago Borges – Loja Nascente das Virtudes  Cruz Alta

 

NO CICLO DO MALHETE

Autor: Alberto Salles - Loja Fraternidade Quarta (Caxias do Sul)

Declamador: Luiz Eduardo Lima – Loja Estrela Polar (Santa Maria)

Amadrinhador: Valdir Verona – Loja Fraternidade Terceira (Caxias do Sul)

 

RETRATO – POEMA A LUZ DE QUEM VÊ

Autor: Kayke Mello  -  Loja Aurora da Serra (Júlio de Castilhos)

Declamador: Keyke Mello – Loja Aurora da Serra (Júlio de Castilhos)

Amadrinhador: Felipe Leal – Loja Triunpho do Direito (Triunfo) 

 

A ORDEM DO TEMPLO

Autor: Moisés Silveira de Menezes - Loja Remanso (São Pedro do Sul)

Declamador: Romeu Weber - Loja Renascer (Capão da Canoa)

Amadrinhador: João Rodolfo Bayer – Loja Remanso (São Pedro do Sul)

 

 



sexta-feira, 30 de outubro de 2026

 

A PESSOA CERTA NO LUGAR CERTO


Paixão Côrtes e Liliana Cardoso Duarte

Foto: Léo Ribeiro

O governador eleito do Rio Grande do Sul, Luciano Zucco, anunciou recentemente o nome de Liliana Cardoso Duarte para assumir a futura Secretaria Estadual da Cultura. Atualmente, é Secretária Municipal da Cultura de Porto Alegre, cargo que assumiu em junho de 2024, após atuar como secretária-adjunta.

Liliana é oriunda dos Centros de Tradições aonde, guiada por seu pai José Luiz Rodrigues dos Santos, começou a recitar poemas regionalistas saindo-se multicampeã em dezenas de rodeios e festivais do gênero. Contudo a criadora do jargão “Mas Que Botada” andeja com a mesma naturalidade pelos costumes afros orgulhando-se de ser mulher, negra e periférica.

Liliana Cardoso Duarte foi minha companheira de embates em defesa de projetos voltados para as tradições gaúchas quando integrantes do Conselho Estadual de Cultura. Era aguerrida sem ser arrogante, tenaz sem desrespeitar a opinião contrária, determinada mas sabendo a hora de sofrenar as rédeas do pensamento.

Além de suas virtudes ne arte declamatória Liliana é excelente mestre de cerimônias, atividade que labuta com conhecimento, discrição e virtuosismo.

Desejamos que sua gestão a frente da pasta da Cultura seja profícua e que jamais esqueça de suas origens.

Parabéns e sucesso.  




quinta-feira, 29 de outubro de 2026

 

PANO PRA MANGA




Um dia após o aniversário do MTG o advogado Maxsoel Bastos de Freitas, especialista em licitações e contratos públicos, faz um importante questionamento em suas redes sociais a respeito da destinação de recursos do projeto Vivências de Galpão. 

Abaixo, na íntegra, reproduzimos a reflexão sobre os destinos desta verba tão importante para as entidades que vivem em uma penúria sem fim. 


VIVÊNCIAS DE GALPÃO: DOS R$ 3,4 MILHÕES DESTINADOS AO TRADICIONALISMO, QUANTO REALMENTE CHEGARÁ AOS CTGs?

Uma reflexão sobre a aplicação dos recursos públicos, a contratação de serviços terceirizados e a necessidade de transparência do MTG.

Nos últimos dias, fui questionado por dirigentes e integrantes de diversos Centros de Tradições Gaúchas sobre o projeto Vivências de Galpão, desenvolvido pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), com recursos públicos do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, por intermédio da Secretaria Estadual de Turismo.

A pergunta que me fizeram foi simples e objetiva: se o projeto envolve R$ 3.465.520,00, por que apenas R$ 1.600.000,00 serão destinados diretamente às 32 entidades tradicionalistas? Para onde irão os outros R$ 1.865.520,00? QUAL O CRONOGRAMA DE ETAPAS COM AS DATAS DEFINIDAS  A SEREM CUMPRIDAS?

Resolvi examinar a documentação disponibilizada, especialmente o Plano de Trabalho, o Edital MTG nº 001/2026, seus aditivos, o Parecer Técnico da Secretaria Estadual de Turismo e o Termo de Fomento FPE nº 4144/2025, vinculado ao processo administrativo PROA nº 25/2301-0001035-1.

Antes de qualquer consideração, quero deixar claro que sou favorável a projetos que fortaleçam o tradicionalismo, valorizem nossa cultura e proporcionem melhores condições de funcionamento aos CTGs.

Entretanto, não podemos confundir a importância de uma proposta com a obrigação e clareza de elementos que nos possam dar a possibilidade de fiscalizar a aplicação dos recursos públicos.

O QUE É O PROJETO VIVÊNCIAS DE GALPÃO?

O projeto pretende qualificar 32 entidades tradicionalistas para o desenvolvimento do turismo de experiência, oferecendo aos visitantes atividades relacionadas à gastronomia, música, dança, hospitalidade e demais manifestações da cultura gaúcha.

A proposta está dividida em duas etapas principais.

A primeira compreende planejamento estratégico, consultorias especializadas, capacitação de mão de obra, qualificação em gastronomia, elaboração de projetos e ações de marketing.

A segunda prevê o repasse de R$ 50.000,00 para cada um dos 32 CTGs selecionados, destinados à realização de melhorias estruturais, obras e aquisição de equipamentos permanentes.

Ocorre que a liberação desses valores está condicionada ao cumprimento satisfatório das atividades da primeira etapa.

Portanto, os recursos destinados às entidades não representam um repasse imediato e incondicional.

A DISTRIBUIÇÃO DOS R$ 3.465.520,00

O valor total do projeto é de R$ 3.465.520,00, integralmente financiado pelo Governo do Estado.

A distribuição financeira apresenta a seguinte realidade:

Investimentos diretos nos 32 CTGs R$ 1.600.000,00 46,17%

Demais despesas do projeto R$ 1.865.520,00  53,83%

Total R$ 3.465.520,00        100%

Ou seja, mais da metade dos recursos públicos previstos será utilizada fora dos repasses estruturais diretos aos CTGs.

Isso significa que, para cada R$ 100,00 previstos no projeto, aproximadamente R$ 46,17 serão destinados às melhorias estruturais das entidades, enquanto R$ 53,83 financiarão consultorias, serviços, deslocamentos, alimentação e demais despesas operacionais.

E aqui começa meu questionamento.

É razoável que um projeto destinado a fortalecer os galpões tenha despesas de execução superiores ao valor reservado para os investimentos diretos nas entidades tradicionalistas?

Não afirmo que essas despesas sejam ilegais. Questiono sua proporcionalidade, necessidade, economicidade e efetivo retorno para as entidades beneficiadas.

QUANTO SERÁ GASTO EM SERVIÇOS E OUTRAS DESPESAS?

Ao examinar o Plano de Trabalho, encontramos uma previsão de gastos que merece atenção especial.

Entre os valores orçados estão:

Descrição      Valor previsto

Consultoria de turismo (Turismóloga)      R$ 440.000,00

Planejamento estratégico e marketing — SENAC      R$ 259.608,00

Consultoria para elaboração de projetos      R$ 105.600,00

Jardinagem      R$ 111.000,00

Transporte — previsão de 320 mil quilômetros      R$ 400.000,00

Hospedagem      R$ 57.600,00

Alimentação em deslocamentos R$ 48.000,00

Apoio administrativo R$ 74.880,00

Subtotal desses oito itens R$ 1.496.688,00

O plano ainda prevê outras despesas relacionadas à execução do projeto.

Especificamente, a rubrica de serviços de terceiros alcança R$ 1.262.720,00. Há também R$ 505.600,00 previstos para viagens, transporte e deslocamentos, R$ 96.000,00 para alimentação vinculada às experiências turísticas e R$ 1.200,00 em custos indiretos.

Esses valores integram o orçamento global e não devem ser somados novamente ao total da parceria.

Chama atenção, por exemplo, a previsão de R$ 400 mil para transporte, considerando 320 mil quilômetros, e de R$ 440 mil para consultoria de turismo.

Quais empresas executarão esses serviços? Como foram formados esses preços? Quais profissionais serão contratados? Qual será a entrega concreta para cada CTG?

A mesma cautela deve ser aplicada às demais despesas.

O que precisamos conhecer não é apenas o orçamento, mas a execução financeira e os resultados produzidos.

O PROJETO JÁ RECEBEU R$ 621.840,00. QUEM RECEBEU ESSE DINHEIRO?

Outro questionamento que me fizeram diz respeito à primeira parcela do projeto.

Conforme a consulta de repasses apresentada, consta o valor de R$ 621.840,00 como primeira liberação de recursos.

O cronograma financeiro estabelece quatro parcelas:

Parcela Valor

Primeira R$ 621.840,00

Segunda R$ 743.680,00

Terceira R$ 500.000,00

Quarta R$ 1.600.000,00

Total R$ 3.465.520,00

A primeira questão é esclarecer quanto dos R$ 621.840,00 já foi efetivamente utilizado.

É importante distinguir duas situações: o dinheiro transferido pelo Estado ao MTG e o dinheiro efetivamente pago pelo MTG a fornecedores ou prestadores de serviços.

Receber recursos públicos não significa necessariamente que eles já tenham sido gastos.

Por isso, pela transparência dos recursos públicos empregados é que precisamos saber:

• Quais empresas ou profissionais já receberam pagamentos?

• Quais os respectivos CNPJs e valores?

• Quais contratos foram celebrados?

• Quais notas fiscais foram emitidas?

• Quais serviços já foram efetivamente executados?

• Quanto permanece depositado na conta bancária específica do projeto?

A documentação examinada não apresenta uma relação completa dos beneficiários dos pagamentos realizados com a primeira parcela.

Portanto, não há elementos suficientes para afirmar quais empresas efetivamente receberam esses valores, tampouco para concluir que toda a primeira parcela já tenha sido utilizada.

Mas há elementos suficientes para exigir que essas informações sejam apresentadas.

QUANTO DESSE DINHEIRO FICA PARA O MTG?

Esta talvez seja uma das perguntas mais importantes feitas pelos tradicionalistas.

O Movimento Tradicionalista Gaúcho figura como entidade proponente e responsável pelo gerenciamento administrativo e financeiro dos recursos recebidos.

Isso significa que os valores são administrados pelo MTG para execução das despesas autorizadas no Plano de Trabalho.

Entretanto, não significa que a diferença de R$ 1.865.520,00 represente receita livre, lucro ou remuneração institucional do Movimento.

A pergunta correta é:

Dentro dos R$ 1.865.520,00 destinados às demais despesas, quanto será utilizado para custear atividades executadas diretamente pelo MTG, quanto será pago a terceiros e quanto corresponde à eventual remuneração administrativa autorizada?

Também é necessário esclarecer se existem contratos com dirigentes, colaboradores, empresas ou profissionais que mantenham algum vínculo com a administração da entidade.

Não estou afirmando que existam irregularidades ou favorecimentos. Estou defendendo que os vínculos, os critérios de escolha e os pagamentos sejam transparentes.

Afinal, quando uma entidade privada administra recursos públicos, deve prestar contas da aplicação de cada valor recebido.

O QUE MAIS ME PREOCUPA NESSE MODELO?

O tradicionalismo gaúcho não nasceu de consultorias milionárias, planejamentos empresariais ou contratos administrativos.

Nasceu dentro dos galpões, sustentado pelo trabalho voluntário de homens e mulheres que dedicaram parte de suas vidas à preservação dos costumes, da história e da identidade do nosso povo.

Muitos CTGs enfrentam dificuldades para manter suas atividades. Dependem de promoções, almoços, bailes, rodeios e contribuições de associados para pagar despesas básicas.

Por isso, considero necessário refletir sobre um projeto em que cada entidade poderá receber R$ 50 mil para melhorias estruturais, enquanto o orçamento prevê R$ 440 mil para consultoria de turismo, R$ 400 mil para transporte e R$ 259.608,00 para planejamento estratégico e marketing.

Não questiono a importância de capacitar pessoas, organizar atividades turísticas ou desenvolver estratégias de divulgação.

Questiono se todos esses custos são indispensáveis, se foram dimensionados de maneira econômica e se o benefício produzido será proporcional ao dinheiro investido.

O CTG precisa ser o protagonista do projeto, não apenas a justificativa para a contratação de serviços.

Também precisamos saber se as entidades foram ouvidas na definição das suas necessidades reais.

Será que todas precisam das mesmas consultorias? Será que não seria mais proveitoso ampliar os investimentos em infraestrutura? Será que parte das capacitações não poderia ser realizada por instituições públicas, universidades ou profissionais do próprio movimento tradicionalista, mediante alternativas de menor custo?

São questionamentos legítimos que merecem respostas técnicas.

AS INFORMAÇÕES QUE O MTG E A SECRETARIA DE TURISMO DEVEM APRESENTAR

Entendo que a transparência do projeto exige a divulgação pública e acessível de informações fundamentais:

1. Relação completa dos fornecedores e prestadores de serviços. Identificação das empresas e profissionais contratados, com CNPJ ou identificação profissional, objeto contratual, valor, critérios de seleção e documentação correspondente.

2. Prestação de contas da primeira parcela de R$ 621.840,00. Discriminação dos valores efetivamente pagos, notas fiscais, comprovantes bancários e serviços entregues, além da identificação do saldo ainda disponível.

3. Saldo atualizado da conta específica do projeto. Apresentação dos recursos recebidos, rendimentos financeiros, despesas realizadas e saldo bancário.

4. Despesas administrativas do MTG. Esclarecimento sobre os valores destinados à administração, ao apoio operacional, à estrutura interna e à eventual remuneração institucional autorizada.

5. Comprovação dos serviços já executados. Relatórios de consultorias, capacitações, atividades realizadas, profissionais responsáveis, listas de presença e resultados alcançados.

6. Identificação de quem das 32 entidades contempladas já cumpriu as etapas para receber os valores.

7. Justificativa dos valores orçados. Demonstração da economicidade das despesas, especialmente consultorias, transporte, hospedagem, alimentação, jardinagem e serviços administrativos.

8. Informação sobre vínculos entre contratados e dirigentes. Esclarecimento quanto à existência de eventuais vínculos entre fornecedores, prestadores de serviços, dirigentes e integrantes da estrutura administrativa do MTG, com indicação das medidas adotadas para prevenir conflitos de interesses.

9. Divulgação dos critérios de contratação. Apresentação das pesquisas de preços, propostas comerciais e critérios utilizados na escolha dos fornecedores.

10. Relatórios de fiscalização da Secretaria Estadual de Turismo. Divulgação dos documentos de acompanhamento, avaliação de metas e análise das prestações de contas parciais.

A PRESTAÇÃO DE CONTAS NÃO É UMA FACULDADE

O próprio Termo de Fomento nº 4144/2025 estabelece obrigações de controle, acompanhamento e fiscalização.

O MTG deve manter os recursos em conta bancária específica, comprovar sua aplicação e prestar informações sobre a execução financeira e física do projeto.

A Secretaria Estadual de Turismo, por sua vez, possui atribuições de monitoramento e fiscalização, inclusive mediante análise de documentos fiscais e relatórios de execução.

A Lei Federal nº 13.019/2014, que disciplina as parcerias entre a Administração Pública e as organizações da sociedade civil, estabelece deveres de transparência, acompanhamento e prestação de contas.

Portanto, solicitar contratos, comprovantes, notas fiscais e relatórios de execução não representa qualquer ataque ao Movimento Tradicionalista Gaúcho.

Representa o exercício legítimo do controle social sobre a aplicação de dinheiro público.

MINHA POSIÇÃO FINAL

Quero que o projeto Vivências de Galpão dê certo.

Quero ver os CTGs recebendo turistas, melhorando suas instalações, criando oportunidades de trabalho e preservando as manifestações culturais que fazem do Rio Grande do Sul uma terra de identidade própria.

Mas não posso deixar de manifestar minha preocupação quando verifico que, de um orçamento de R$ 3.465.520,00, apenas R$ 1.600.000,00 estão reservados aos investimentos estruturais diretos nas 32 entidades.

São R$ 1.865.520,00 destinados às demais despesas do projeto.

É mais dinheiro para executar e operacionalizar a proposta do que para investir diretamente na estrutura dos galpões.

Isso, por si só, não caracteriza irregularidade. Mas exige uma justificativa consistente de economicidade, eficiência e resultados.

Também não podemos ignorar a informação de que a primeira parcela, no valor de R$ 621.840,00, já consta como repassada.

Precisamos saber quanto foi gasto, quem recebeu, quais empresas foram contratadas e quais serviços foram entregues.

Da mesma forma, é indispensável esclarecer quanto dos recursos será efetivamente utilizado na estrutura administrativa do MTG e quanto será destinado à contratação de terceiros.

Não faço essas perguntas para condenar antecipadamente qualquer dirigente, empresa ou instituição.

Faço porque acredito que a transparência fortalece as entidades e protege o próprio movimento tradicionalista.

O dinheiro público não pertence ao Governo, ao MTG ou aos dirigentes dos CTGs. Pertence à sociedade.

E quando esse dinheiro é destinado à cultura gaúcha, temos o dever de garantir que sua aplicação produza benefícios reais para aqueles que mantêm viva a nossa tradição.

O tradicionalismo não pode servir apenas de cenário para projetos de grande orçamento. Precisa ser o verdadeiro beneficiário dos investimentos realizados em seu nome.

Por isso, aos dirigentes dos CTGs que me perguntaram onde estão os recursos, respondo:

Sabemos quanto o Estado destinou ao projeto. Sabemos quanto está previsto para as 32 entidades. Sabemos quanto foi orçado para consultorias, transporte e outras despesas.

O que ainda precisamos conhecer, de forma documentada, é quem já recebeu, quanto recebeu, pelo que recebeu e quanto efetivamente ficará na estrutura administrativa do MTG.

Essas respostas devem ser públicas, claras e acompanhadas dos respectivos comprovantes.

Porque tradição também se preserva com responsabilidade, respeito e transparência.

E quem administra recursos em nome dos galpões precisa prestar contas aos homens e mulheres que mantêm aceso o fogo da tradição.

Maxsoel Bastos de Freitas

Advogado em licitações e contratos públicos. 

Segue o Link abaixo do DRIVE para visualização dos arquivos que foram consultados e que são todos de livre acesso público.
Projeto: