RETRATO DA SEMANA


quinta-feira, 29 de outubro de 2026

 

PANO PRA MANGA




Um dia após o aniversário do MTG o advogado Maxsoel Bastos de Freitas, especialista em licitações e contratos públicos, faz um importante questionamento em suas redes sociais a respeito da destinação de recursos do projeto Vivências de Galpão. 

Abaixo, na íntegra, reproduzimos a reflexão sobre os destinos desta verba tão importante para as entidades que vivem em uma penúria sem fim. 


VIVÊNCIAS DE GALPÃO: DOS R$ 3,4 MILHÕES DESTINADOS AO TRADICIONALISMO, QUANTO REALMENTE CHEGARÁ AOS CTGs?

Uma reflexão sobre a aplicação dos recursos públicos, a contratação de serviços terceirizados e a necessidade de transparência do MTG.

Nos últimos dias, fui questionado por dirigentes e integrantes de diversos Centros de Tradições Gaúchas sobre o projeto Vivências de Galpão, desenvolvido pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), com recursos públicos do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, por intermédio da Secretaria Estadual de Turismo.

A pergunta que me fizeram foi simples e objetiva: se o projeto envolve R$ 3.465.520,00, por que apenas R$ 1.600.000,00 serão destinados diretamente às 32 entidades tradicionalistas? Para onde irão os outros R$ 1.865.520,00? QUAL O CRONOGRAMA DE ETAPAS COM AS DATAS DEFINIDAS  A SEREM CUMPRIDAS?

Resolvi examinar a documentação disponibilizada, especialmente o Plano de Trabalho, o Edital MTG nº 001/2026, seus aditivos, o Parecer Técnico da Secretaria Estadual de Turismo e o Termo de Fomento FPE nº 4144/2025, vinculado ao processo administrativo PROA nº 25/2301-0001035-1.

Antes de qualquer consideração, quero deixar claro que sou favorável a projetos que fortaleçam o tradicionalismo, valorizem nossa cultura e proporcionem melhores condições de funcionamento aos CTGs.

Entretanto, não podemos confundir a importância de uma proposta com a obrigação e clareza de elementos que nos possam dar a possibilidade de fiscalizar a aplicação dos recursos públicos.

O QUE É O PROJETO VIVÊNCIAS DE GALPÃO?

O projeto pretende qualificar 32 entidades tradicionalistas para o desenvolvimento do turismo de experiência, oferecendo aos visitantes atividades relacionadas à gastronomia, música, dança, hospitalidade e demais manifestações da cultura gaúcha.

A proposta está dividida em duas etapas principais.

A primeira compreende planejamento estratégico, consultorias especializadas, capacitação de mão de obra, qualificação em gastronomia, elaboração de projetos e ações de marketing.

A segunda prevê o repasse de R$ 50.000,00 para cada um dos 32 CTGs selecionados, destinados à realização de melhorias estruturais, obras e aquisição de equipamentos permanentes.

Ocorre que a liberação desses valores está condicionada ao cumprimento satisfatório das atividades da primeira etapa.

Portanto, os recursos destinados às entidades não representam um repasse imediato e incondicional.

A DISTRIBUIÇÃO DOS R$ 3.465.520,00

O valor total do projeto é de R$ 3.465.520,00, integralmente financiado pelo Governo do Estado.

A distribuição financeira apresenta a seguinte realidade:

Investimentos diretos nos 32 CTGs R$ 1.600.000,00 46,17%

Demais despesas do projeto R$ 1.865.520,00  53,83%

Total R$ 3.465.520,00        100%

Ou seja, mais da metade dos recursos públicos previstos será utilizada fora dos repasses estruturais diretos aos CTGs.

Isso significa que, para cada R$ 100,00 previstos no projeto, aproximadamente R$ 46,17 serão destinados às melhorias estruturais das entidades, enquanto R$ 53,83 financiarão consultorias, serviços, deslocamentos, alimentação e demais despesas operacionais.

E aqui começa meu questionamento.

É razoável que um projeto destinado a fortalecer os galpões tenha despesas de execução superiores ao valor reservado para os investimentos diretos nas entidades tradicionalistas?

Não afirmo que essas despesas sejam ilegais. Questiono sua proporcionalidade, necessidade, economicidade e efetivo retorno para as entidades beneficiadas.

QUANTO SERÁ GASTO EM SERVIÇOS E OUTRAS DESPESAS?

Ao examinar o Plano de Trabalho, encontramos uma previsão de gastos que merece atenção especial.

Entre os valores orçados estão:

Descrição      Valor previsto

Consultoria de turismo (Turismóloga)      R$ 440.000,00

Planejamento estratégico e marketing — SENAC      R$ 259.608,00

Consultoria para elaboração de projetos      R$ 105.600,00

Jardinagem      R$ 111.000,00

Transporte — previsão de 320 mil quilômetros      R$ 400.000,00

Hospedagem      R$ 57.600,00

Alimentação em deslocamentos R$ 48.000,00

Apoio administrativo R$ 74.880,00

Subtotal desses oito itens R$ 1.496.688,00

O plano ainda prevê outras despesas relacionadas à execução do projeto.

Especificamente, a rubrica de serviços de terceiros alcança R$ 1.262.720,00. Há também R$ 505.600,00 previstos para viagens, transporte e deslocamentos, R$ 96.000,00 para alimentação vinculada às experiências turísticas e R$ 1.200,00 em custos indiretos.

Esses valores integram o orçamento global e não devem ser somados novamente ao total da parceria.

Chama atenção, por exemplo, a previsão de R$ 400 mil para transporte, considerando 320 mil quilômetros, e de R$ 440 mil para consultoria de turismo.

Quais empresas executarão esses serviços? Como foram formados esses preços? Quais profissionais serão contratados? Qual será a entrega concreta para cada CTG?

A mesma cautela deve ser aplicada às demais despesas.

O que precisamos conhecer não é apenas o orçamento, mas a execução financeira e os resultados produzidos.

O PROJETO JÁ RECEBEU R$ 621.840,00. QUEM RECEBEU ESSE DINHEIRO?

Outro questionamento que me fizeram diz respeito à primeira parcela do projeto.

Conforme a consulta de repasses apresentada, consta o valor de R$ 621.840,00 como primeira liberação de recursos.

O cronograma financeiro estabelece quatro parcelas:

Parcela Valor

Primeira R$ 621.840,00

Segunda R$ 743.680,00

Terceira R$ 500.000,00

Quarta R$ 1.600.000,00

Total R$ 3.465.520,00

A primeira questão é esclarecer quanto dos R$ 621.840,00 já foi efetivamente utilizado.

É importante distinguir duas situações: o dinheiro transferido pelo Estado ao MTG e o dinheiro efetivamente pago pelo MTG a fornecedores ou prestadores de serviços.

Receber recursos públicos não significa necessariamente que eles já tenham sido gastos.

Por isso, pela transparência dos recursos públicos empregados é que precisamos saber:

• Quais empresas ou profissionais já receberam pagamentos?

• Quais os respectivos CNPJs e valores?

• Quais contratos foram celebrados?

• Quais notas fiscais foram emitidas?

• Quais serviços já foram efetivamente executados?

• Quanto permanece depositado na conta bancária específica do projeto?

A documentação examinada não apresenta uma relação completa dos beneficiários dos pagamentos realizados com a primeira parcela.

Portanto, não há elementos suficientes para afirmar quais empresas efetivamente receberam esses valores, tampouco para concluir que toda a primeira parcela já tenha sido utilizada.

Mas há elementos suficientes para exigir que essas informações sejam apresentadas.

QUANTO DESSE DINHEIRO FICA PARA O MTG?

Esta talvez seja uma das perguntas mais importantes feitas pelos tradicionalistas.

O Movimento Tradicionalista Gaúcho figura como entidade proponente e responsável pelo gerenciamento administrativo e financeiro dos recursos recebidos.

Isso significa que os valores são administrados pelo MTG para execução das despesas autorizadas no Plano de Trabalho.

Entretanto, não significa que a diferença de R$ 1.865.520,00 represente receita livre, lucro ou remuneração institucional do Movimento.

A pergunta correta é:

Dentro dos R$ 1.865.520,00 destinados às demais despesas, quanto será utilizado para custear atividades executadas diretamente pelo MTG, quanto será pago a terceiros e quanto corresponde à eventual remuneração administrativa autorizada?

Também é necessário esclarecer se existem contratos com dirigentes, colaboradores, empresas ou profissionais que mantenham algum vínculo com a administração da entidade.

Não estou afirmando que existam irregularidades ou favorecimentos. Estou defendendo que os vínculos, os critérios de escolha e os pagamentos sejam transparentes.

Afinal, quando uma entidade privada administra recursos públicos, deve prestar contas da aplicação de cada valor recebido.

O QUE MAIS ME PREOCUPA NESSE MODELO?

O tradicionalismo gaúcho não nasceu de consultorias milionárias, planejamentos empresariais ou contratos administrativos.

Nasceu dentro dos galpões, sustentado pelo trabalho voluntário de homens e mulheres que dedicaram parte de suas vidas à preservação dos costumes, da história e da identidade do nosso povo.

Muitos CTGs enfrentam dificuldades para manter suas atividades. Dependem de promoções, almoços, bailes, rodeios e contribuições de associados para pagar despesas básicas.

Por isso, considero necessário refletir sobre um projeto em que cada entidade poderá receber R$ 50 mil para melhorias estruturais, enquanto o orçamento prevê R$ 440 mil para consultoria de turismo, R$ 400 mil para transporte e R$ 259.608,00 para planejamento estratégico e marketing.

Não questiono a importância de capacitar pessoas, organizar atividades turísticas ou desenvolver estratégias de divulgação.

Questiono se todos esses custos são indispensáveis, se foram dimensionados de maneira econômica e se o benefício produzido será proporcional ao dinheiro investido.

O CTG precisa ser o protagonista do projeto, não apenas a justificativa para a contratação de serviços.

Também precisamos saber se as entidades foram ouvidas na definição das suas necessidades reais.

Será que todas precisam das mesmas consultorias? Será que não seria mais proveitoso ampliar os investimentos em infraestrutura? Será que parte das capacitações não poderia ser realizada por instituições públicas, universidades ou profissionais do próprio movimento tradicionalista, mediante alternativas de menor custo?

São questionamentos legítimos que merecem respostas técnicas.

AS INFORMAÇÕES QUE O MTG E A SECRETARIA DE TURISMO DEVEM APRESENTAR

Entendo que a transparência do projeto exige a divulgação pública e acessível de informações fundamentais:

1. Relação completa dos fornecedores e prestadores de serviços. Identificação das empresas e profissionais contratados, com CNPJ ou identificação profissional, objeto contratual, valor, critérios de seleção e documentação correspondente.

2. Prestação de contas da primeira parcela de R$ 621.840,00. Discriminação dos valores efetivamente pagos, notas fiscais, comprovantes bancários e serviços entregues, além da identificação do saldo ainda disponível.

3. Saldo atualizado da conta específica do projeto. Apresentação dos recursos recebidos, rendimentos financeiros, despesas realizadas e saldo bancário.

4. Despesas administrativas do MTG. Esclarecimento sobre os valores destinados à administração, ao apoio operacional, à estrutura interna e à eventual remuneração institucional autorizada.

5. Comprovação dos serviços já executados. Relatórios de consultorias, capacitações, atividades realizadas, profissionais responsáveis, listas de presença e resultados alcançados.

6. Identificação de quem das 32 entidades contempladas já cumpriu as etapas para receber os valores.

7. Justificativa dos valores orçados. Demonstração da economicidade das despesas, especialmente consultorias, transporte, hospedagem, alimentação, jardinagem e serviços administrativos.

8. Informação sobre vínculos entre contratados e dirigentes. Esclarecimento quanto à existência de eventuais vínculos entre fornecedores, prestadores de serviços, dirigentes e integrantes da estrutura administrativa do MTG, com indicação das medidas adotadas para prevenir conflitos de interesses.

9. Divulgação dos critérios de contratação. Apresentação das pesquisas de preços, propostas comerciais e critérios utilizados na escolha dos fornecedores.

10. Relatórios de fiscalização da Secretaria Estadual de Turismo. Divulgação dos documentos de acompanhamento, avaliação de metas e análise das prestações de contas parciais.

A PRESTAÇÃO DE CONTAS NÃO É UMA FACULDADE

O próprio Termo de Fomento nº 4144/2025 estabelece obrigações de controle, acompanhamento e fiscalização.

O MTG deve manter os recursos em conta bancária específica, comprovar sua aplicação e prestar informações sobre a execução financeira e física do projeto.

A Secretaria Estadual de Turismo, por sua vez, possui atribuições de monitoramento e fiscalização, inclusive mediante análise de documentos fiscais e relatórios de execução.

A Lei Federal nº 13.019/2014, que disciplina as parcerias entre a Administração Pública e as organizações da sociedade civil, estabelece deveres de transparência, acompanhamento e prestação de contas.

Portanto, solicitar contratos, comprovantes, notas fiscais e relatórios de execução não representa qualquer ataque ao Movimento Tradicionalista Gaúcho.

Representa o exercício legítimo do controle social sobre a aplicação de dinheiro público.

MINHA POSIÇÃO FINAL

Quero que o projeto Vivências de Galpão dê certo.

Quero ver os CTGs recebendo turistas, melhorando suas instalações, criando oportunidades de trabalho e preservando as manifestações culturais que fazem do Rio Grande do Sul uma terra de identidade própria.

Mas não posso deixar de manifestar minha preocupação quando verifico que, de um orçamento de R$ 3.465.520,00, apenas R$ 1.600.000,00 estão reservados aos investimentos estruturais diretos nas 32 entidades.

São R$ 1.865.520,00 destinados às demais despesas do projeto.

É mais dinheiro para executar e operacionalizar a proposta do que para investir diretamente na estrutura dos galpões.

Isso, por si só, não caracteriza irregularidade. Mas exige uma justificativa consistente de economicidade, eficiência e resultados.

Também não podemos ignorar a informação de que a primeira parcela, no valor de R$ 621.840,00, já consta como repassada.

Precisamos saber quanto foi gasto, quem recebeu, quais empresas foram contratadas e quais serviços foram entregues.

Da mesma forma, é indispensável esclarecer quanto dos recursos será efetivamente utilizado na estrutura administrativa do MTG e quanto será destinado à contratação de terceiros.

Não faço essas perguntas para condenar antecipadamente qualquer dirigente, empresa ou instituição.

Faço porque acredito que a transparência fortalece as entidades e protege o próprio movimento tradicionalista.

O dinheiro público não pertence ao Governo, ao MTG ou aos dirigentes dos CTGs. Pertence à sociedade.

E quando esse dinheiro é destinado à cultura gaúcha, temos o dever de garantir que sua aplicação produza benefícios reais para aqueles que mantêm viva a nossa tradição.

O tradicionalismo não pode servir apenas de cenário para projetos de grande orçamento. Precisa ser o verdadeiro beneficiário dos investimentos realizados em seu nome.

Por isso, aos dirigentes dos CTGs que me perguntaram onde estão os recursos, respondo:

Sabemos quanto o Estado destinou ao projeto. Sabemos quanto está previsto para as 32 entidades. Sabemos quanto foi orçado para consultorias, transporte e outras despesas.

O que ainda precisamos conhecer, de forma documentada, é quem já recebeu, quanto recebeu, pelo que recebeu e quanto efetivamente ficará na estrutura administrativa do MTG.

Essas respostas devem ser públicas, claras e acompanhadas dos respectivos comprovantes.

Porque tradição também se preserva com responsabilidade, respeito e transparência.

E quem administra recursos em nome dos galpões precisa prestar contas aos homens e mulheres que mantêm aceso o fogo da tradição.

Maxsoel Bastos de Freitas

Advogado em licitações e contratos públicos. 

Segue o Link abaixo do DRIVE para visualização dos arquivos que foram consultados e que são todos de livre acesso público.
Projeto:

quarta-feira, 28 de outubro de 2026



  JUSTA HOMENAGEM


2027 será ano de celebrar Teixeirinha e Paixão Côrtes

Um decreto instituindo 2027 como o ano dos centenários do cantor, compositor, radialista e cineasta Vítor Mateus Teixeira, o Teixeirinha, e do pesquisador, folclorista e tradicionalista João Carlos D'Ávila Paixão Côrtes foi assinado nesta quarta-feira (28/10), pelo governador Eduardo Leite, com a presença do secretário da Cultura, André Kryszczun!

Essa homenagem conjunta busca reconhecer o legado das duas personalidades gaúchas, além de estimular atividades culturais, educativas e comemorativas, como exposições, apresentações musicais, exibições audiovisuais e conteúdos digitais.

Também presentes ao ato o secretário-chefe da Casa Civil, Ranolfo Vieira Júnior, e, pela Secretaria da Cultura (Sedac), o secretário-adjunto, Valmir Böhmer, e a chefe de Gabinete, Denise Gress.

Foto: Maurício Tonetto/Secom; 



 


REPONTANDO DATAS - 28 OUT

60 ANOS DA CRIAÇÃO DO MTG



A história do Movimento Tradicionalista Gaúcho pode ser contada a partir de vários momentos. Alguns reconhecem como ponto de partida a fundação do Grêmio Gaúcho, por Cezimbra Jacques, em 1889. Outros, a ronda gaúcha, no Colégio Julio de Castilhos, de 1947. Ainda há quem defenda como marco inicial a fundação do 35 CTG, em abril de 1948 ou a realização do 1º Congresso Tradicionalista Gaúcho, em 1954, ou, ainda, a constituição do Conselho Coordenador, em 1959. Tenho comigo que, seja qual for o ponto de partida, o importante é que, em 1966, durante o 12º Congresso Tradicionalista Gaúcho realizado em Tramandaí, foi decidido organizar a associação de entidades tradicionalistas constituídas, dando-lhe o nome de Movimento Tradicionalista Gaúcho, o MTG.

Assim é que, desde 28 de outubro de 1966, a Instituição se tornou conhecida como MTG. Nas atividades diárias, nos congressos e convenções, nos eventos de âmbito estadual, nos debates sobre a história, música, folclore, cavalgadas, fandangos, jovens, família, valores, princípios, crenças e tudo o mais que fascina os tradicionalistas, destacaram-se figuras importantes do movimento, tais como Manoelito de Ornellas, Glaucus Saraiva, Hugo da Cunha Alves, Guilherme Schults Filho, Gerciliano Alves de Oliveira, Ieno Severo, Vasco Mello Leiria, Cyro Dutra Ferreira, Helio Moro Mariante, Luiz Carlos Barbosa Lessa, João Carlos Paixão Cortes, Wilmar Winck de Souza, Lilian Argentina, Edson Otto, Manoelito Savaris, entre outros.

No ano de 2026, comemora-se seis décadas de uma entidade que está entre as maiores da sociedade brasileira. São quase 2 mil entidades juridicamente constituídas e quase um milhão de associados. Um fabuloso número de pessoas espalhadas pelo mundo inteiro que acreditam nas mesmas coisas e se dedicam aos mesmos fazeres culturais.

No Brasil existem diversas federações e uma Confederação Brasileira da Tradição Gaúcha. No exterior há mais de 20 núcleos em que a cultura, a história e os costumes do Rio Grande são vivenciados diariamente. A Confederação Internacional da Tradição Gaúcha reúne Brasil, Argentina e Uruguai na mesma ideia de preservação da cultura gauchesca.

Ao longo da sua história, o MTG funcionou em três endereços, sempre em Porto Alegre: na Rua dos Andradas, próximo do Gasômetro, no Centro Administrativo do Estado e na rua Guilherme Schell,60 local onde possui sua sede atual doada pelo governo do Estado, sendo que a construção foi obra do trabalho e esforço dos tradicionalistas liderados pelo presidente Dirceu de Jesus Brizzola. A inauguração ocorreu em dezembro de 1998.

Longa vida a esta sexagenária entidade que, apesar de seus inúmeros regramentos e os enfrentamentos de um mundo moderno, ainda mantém um pouco da autenticidade do gaúcho tradicionalista. 





terça-feira, 27 de outubro de 2026

 


AINDA SOBRE POLÍTICA

MAS JÁ RETORNANDO À CULTURA

Hoje, 27 de outubro, comemora-se o nascimento do escritor Graciliano Ramos que veio ao mundo no ano de 1892 na cidade de Quebrangulo, Alagoas. 

Antes de tornar-se um romancista reconhecido Graciliano Ramos teve uma passagem curiosa pela política. Vejam na matéria abaixo como sucedeu-se.  



"Por infelicidade, virei prefeito no interior de Alagoas." A frase é de Graciliano Ramos, numa carta de 1937. Mas foi como prefeito que a escrita dele chamou atenção.

Antes da fama, Graciliano tinha uma loja de tecidos em Palmeira dos Índios, em Alagoas. Foi eleito prefeito da cidade em 1927 e tomou posse em janeiro de 1928.

Em janeiro de 1929 e em janeiro de 1930, mandou ao governador Álvaro Paes os relatórios de prestação de contas. E escreveu do jeito dele. Dos funcionários que encontrou, "saíram os que faziam política e os que não faziam coisa nenhuma". Sobre os próprios erros, "foram erros da inteligência, que é fraca". Sobre a luz da cidade, "Pagamos até a luz que a lua nos dá". E sobre o cemitério novo, que ficou para depois, "Os mortos esperarão mais algum tempo. São os munícipes que não reclamam."

Os textos foram impressos pela Imprensa Oficial, em Maceió, e jornais de Alagoas e do Rio reproduziram trechos. Em 1930, o editor Augusto Frederico Schmidt, do Rio de Janeiro, escreveu a Graciliano interessado em publicá-lo. A versão mais contada diz que ele leu os relatórios e concluiu que aquele homem tinha um romance guardado. Tinha. Caetés saiu em 1933.

Graciliano deixou a prefeitura em abril de 1930. Na mesma carta, reclamou que, depois daqueles "infames relatórios", os jornais e o governo resolveram não deixá-lo em paz.

O detalhe histórico é que o prefeito era duro até em casa. Segundo o biógrafo Dênis de Moraes, ele multou o próprio pai e teria dito: "Prefeito não tem pai."

Em 1938, publicou Vidas Secas, com Fabiano, Sinhá Vitória e a cachorra Baleia.

Uma prestação de contas ajudou a revelar um dos maiores escritores do Brasil.

Fonte: Site História Ilimitada





segunda-feira, 26 de outubro de 2026

 


O TEMPO É IMPLACÁVEL


Resido em Porto Alegre há mais de cinquenta anos. Estou com setenta janeiros no lombo e quando vim em busca de emprego recém tinha completado maioridade. 

Contudo, mantive uma balda comigo.

Nunca troquei meu título de eleitor de cidade. Em todos os pleitos vou a São Chico de Paula. O ambiente eleitoral, principalmente quando se trata de eleições municipais, sempre me atraiu. 

E por que mantenho esse costume? Para rever meus amigos e amigas de antigamente. Saber como estão, o que fazem, como foram suas vidas neste meio século de existência. 

Ontem, 25, fiz um "bate-volta" com chuva e nevoeiro denso para exercer meu direito de cidadão. Não vi muita gente mas pude matar a saudade do colégio aonde estudei quando criança pois é o local de minha sessão há muito tempo. 

Já de volta no meu rancho na capital, acompanhando o resultado das urnas, me peguei rindo solito ao ver esta montagem. As pessoas tem muita criatividade. 

Será o que pensam de mim após tanto tempo? Será que mudei do que eu era e do que eu sou?

Mal comparando acho que sou o atleta da imagem.  



    


domingo, 25 de outubro de 2026

 



ESPERAMOS QUE ISTO ACONTEÇA

A PARTIR DAS 17h DE HOJE


E não fiquem apenas babando 

na espera de cargos e contratos.





sábado, 24 de outubro de 2026

 


REPONTANDO DATAS - 24 OUT





Num dia 24 de outubro, do ano de 1903, morria em Porto Alegre o positivista Júlio Prates de Castilhos (monumento na Praça da Matriz, em Porto Alegre), político padrinho de Borges de Medeiros e que foi o primeiro Presidente do Rio Grande de São Pedro e que esteve a frente dos governistas na Revolução Federalista de 1893.




Também num dia 24 de outubro, do ano de 1930, a Revolução Liberal chega ao seu final, culminando com a posse de Getúlio Dorneles Vargas na Presidência do Brasil após os gaúchos terem marchado até o Rio de Janeiro e amarrado seus cavalos no obelisco. A rua 24 de outubro, em Porto Alegre e outras tantas pelo interior do Estado tem seu nome em memória a essa data.


 


POR AQUI TUDO NA MESMA

Em se tratando de descaso com o Patrimônio Público


G1 / Divulgação

A estátua do ex-presidente João Goulart, conhecido como Jango, foi encontrada com pichações na Orla do Guaíba, em Porto Alegre. O monumento, localizado na região da Rótula das Cuias, apresentou marcas de tinta em diferentes partes da escultura. A situação chamou a atenção de pessoas que acompanham a história e a preservação dos espaços públicos da capital gaúcha. O episódio também trouxe à tona a importância de cuidar dos monumentos que fazem parte da memória coletiva.

Os registros do ocorrido foram divulgados por familiares do ex-presidente, que demonstraram preocupação com as condições da obra. As marcas de tinta atingiram partes da escultura e de sua estrutura de apoio. A situação despertou manifestações sobre a conservação do monumento e a necessidade de recuperar sua aparência original. A expectativa é que os procedimentos de limpeza permitam preservar as características da obra.

Nada de novo no front.

O vandalismo e a falta de maiores cuidados da administração municipal com nossos memoriais tornaram-se algo comum. Custa botar alguma grade de proteção e câmeras para identificar e punir a vagabundagem? 

A presença de esculturas em espaços públicos representa uma forma de manter viva a memória de personalidades que marcaram a história. Cada monumento carrega informações sobre o período em que foi concebido e sobre a maneira como determinada figura é lembrada pela sociedade. Por isso, sua conservação exige atenção contínua e cuidados adequados. A manutenção dessas obras ajuda a preservar referências culturais para as gerações atuais e futuras.

Somente nossos mandatários não pensam desta maneira. 



sexta-feira, 23 de outubro de 2026

 


MEU MODO DE PENSAR



E POR ISSO SIGO ASSIM

Desenho de Léo Ribeiro adaptado por Paulinho Gomes 




quinta-feira, 22 de outubro de 2026

 


PERGUNTA AOS ESTRATEGISTAS:



A pergunta parece óbvia mas é de um leigo em estratégias militares. Este questionamento sempre me intrigou. 

É o seguinte: 

Se lá no longínquo 20 de setembro de 1835 os farroupilhas tivessem invadido a cidade de Rio Grande ao contrário de Porto Alegre o desfecho do movimento não teria sido outro?

Pergunto por que ali era a "boca da botija", a válvula de escape de saída para o mar através das lagoas. Enfim, o caminho para a Corte ir e vir sem preocupação alguma.

Hoje sabe-se que os farroupilhas eram exímios cavaleiros e conhecedores do pampa gaúcho o que lhes proporcionou estender o conflito por 10 anos. Contudo, a falta de uma marinha foi o grande empecilho para uma vitória bélica. Tanto é assim que Garibaldi tentou, com dois pequenos barcos, fazer frente aos imperiais. Mesmo assim teve que atravessá-los pelos campos enlameados para levá-los ao oceano e, dali,  até Laguna pois não tinha acesso pelas lagoas.

Enfim. Reflexões de um divulgador da nossa cultura regional que não aguenta mais ouvir falar em política. 

 

          

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

 


REPONTANDO DATAS - 21 OUT

Morre José Hernandez 


 

terça-feira, 20 de outubro de 2026

 

OS DEZ MANDAMENTOS DO POETA



Hoje, 20 de outubro, se comemora extraoficialmente no Brasil o Dia do Poeta. Tal data foi escolhida em homenagem ao surgimento do Movimento Poético Nacional, em 20 de outubro de 1976, na casa do escritor Paulo Menotti Del Picchia, em São Paulo.

Não me considero um poeta. Sou um fazedor de versos. Poeta, para mim, dentro da seara gauchesca, foram um Aureliano de Figueiredo Pinto, Um Apparício Silva Rillo, um Jayme Caetano Braun. 

Neste sentido, certa feita, escrevi um texto sobre o assunto que intitulei Os Dez Mandamentos do Poeta, os quais repasso aos leitores deste blog:

1 - Jamais se autoproclame "poeta". Este adjetivo tem que partir de quem aprecia teus versos. 

2 - Fuja do lugar comum na escolha dos temas. Escrever o que já foi escrito dezenas se vezes é uma mensagem requentada.

3 - Use vocabulário adequado ao tema proposto. Palavras mirabolantes numa temática simples não combinam.

4 - Se a poesia for metrificada, não extrapole ou encurte os versos. Conte o tempo como se fosse musicar.

5 - Se a poesia for rimada procure palavras que realmente combinem. Não force a rima tipo "grande" com "sangue".

6 - Se o poema for de rima branca não transforme poesia em prosa.

7 - Fuja das rimas pobres e banalizadas como: lucho/gaúcho; grande/expande; sul/azul...  a riqueza de vocabulário caracteriza os grande poetas.

8 - Em concursos de poesias procure temas abrangentes evitando cantigas particulares como homenagens a familiares.  

9 - Não escreva de modo industrial, como se estivesse cumprindo metas. Se a inspiração não veio, espere o momento certo. 

10 - Não busque na Inteligência Artificial auxílio para seus escritos. Não falsifique seus sentimento. 


Por: Léo Ribeiro de Souza

       

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

 


ESTAMOS DE VOLTA 

DE ALMA LAVADA (E ENXAGUADA)


Buenas caros leitores deste periódico gaudério. Após dois dias afastados estamos de volta tapados de saudade.

Muitos amigos e amigas estranharam a minha religiosidade pois confundiram meu retiro com algo ligado aos movimentos de igreja a qual respeito mas não sou um devoto assíduo embora, na minha adolescência, eu tenha feito o tradicional EMAUS que é o encontro de jovens com a mensagem cristã. Hoje, falo com Deus a minha maneira. 

Então, peço perdão a quem entendeu mal minhas justificativas de me ausentar durante dois dias. 

Contudo, não deixei de fazer um retiro espiritual, ou seja, estive na Meca dos gaúchos, no Taj Mahal gaudério, no Vaticano pampeano. Passei três dias entre campo e galpão, entre assado e bebida, entre animais e natureza, enfim, entre música e amigos. Era o que eu precisava para me reenergizar depois de um ano intenso que ainda nem chegou ao seu final. 

Nossa concentração foi no interior do município de Bom Jesus na Fazenda Nossa Senhora da Conceição, divisa com Santa Catarina. De noite se avistava o luzeiro de São Joaquim. Frio de renguear cusco.

Abaixo algumas chapas deste reencontro comigo mesmo.


No galpão: Sacrossanto Templo do gaúcho

No contato com os bichos: Recebendo a energia da natureza

Rodeado de amigos: Como sempre vivi até agora

Caminho das Tropas: Lugar histórico Tombado pelo Governo

Perto da Música: Que faz parte de minha existência

      

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

 


BOM JESUS


Foto: Léo Ribeiro


Caros leitores deste mensageiro terrunho. Após 16 anos de postagens diárias e ininterruptas, sem férias e com escala 7 por 7, neste final de semana estaremos longe deste contato com vocês. Mas o motivo é plausível.

Estarei em um retiro espiritual aonde é proibido qualquer aparelho eletrônico que tenha contato com o mundo da internet. 

Este ano tem sido intenso e preciso me reenergizar, recuperar o ânimo, fortalecer-me física e mentalmente. Para tanto nada melhor do que um reencontro com meu sempre Bom Jesus. 

Até segunda, meus amigos e amigas.