RETRATO DA SEMANA


quarta-feira, 28 de outubro de 2026



  JUSTA HOMENAGEM


2027 será ano de celebrar Teixeirinha e Paixão Côrtes

Um decreto instituindo 2027 como o ano dos centenários do cantor, compositor, radialista e cineasta Vítor Mateus Teixeira, o Teixeirinha, e do pesquisador, folclorista e tradicionalista João Carlos D'Ávila Paixão Côrtes foi assinado nesta quarta-feira (28/10), pelo governador Eduardo Leite, com a presença do secretário da Cultura, André Kryszczun!

Essa homenagem conjunta busca reconhecer o legado das duas personalidades gaúchas, além de estimular atividades culturais, educativas e comemorativas, como exposições, apresentações musicais, exibições audiovisuais e conteúdos digitais.

Também presentes ao ato o secretário-chefe da Casa Civil, Ranolfo Vieira Júnior, e, pela Secretaria da Cultura (Sedac), o secretário-adjunto, Valmir Böhmer, e a chefe de Gabinete, Denise Gress.

Foto: Maurício Tonetto/Secom; 



 


REPONTANDO DATAS - 28 OUT

60 ANOS DA CRIAÇÃO DO MTG



A história do Movimento Tradicionalista Gaúcho pode ser contada a partir de vários momentos. Alguns reconhecem como ponto de partida a fundação do Grêmio Gaúcho, por Cezimbra Jacques, em 1889. Outros, a ronda gaúcha, no Colégio Julio de Castilhos, de 1947. Ainda há quem defenda como marco inicial a fundação do 35 CTG, em abril de 1948 ou a realização do 1º Congresso Tradicionalista Gaúcho, em 1954, ou, ainda, a constituição do Conselho Coordenador, em 1959. Tenho comigo que, seja qual for o ponto de partida, o importante é que, em 1966, durante o 12º Congresso Tradicionalista Gaúcho realizado em Tramandaí, foi decidido organizar a associação de entidades tradicionalistas constituídas, dando-lhe o nome de Movimento Tradicionalista Gaúcho, o MTG.

Assim é que, desde 28 de outubro de 1966, a Instituição se tornou conhecida como MTG. Nas atividades diárias, nos congressos e convenções, nos eventos de âmbito estadual, nos debates sobre a história, música, folclore, cavalgadas, fandangos, jovens, família, valores, princípios, crenças e tudo o mais que fascina os tradicionalistas, destacaram-se figuras importantes do movimento, tais como Manoelito de Ornellas, Glaucus Saraiva, Hugo da Cunha Alves, Guilherme Schults Filho, Gerciliano Alves de Oliveira, Ieno Severo, Vasco Mello Leiria, Cyro Dutra Ferreira, Helio Moro Mariante, Luiz Carlos Barbosa Lessa, João Carlos Paixão Cortes, Wilmar Winck de Souza, Lilian Argentina, Edson Otto, Manoelito Savaris, entre outros.

No ano de 2026, comemora-se seis décadas de uma entidade que está entre as maiores da sociedade brasileira. São quase 2 mil entidades juridicamente constituídas e quase um milhão de associados. Um fabuloso número de pessoas espalhadas pelo mundo inteiro que acreditam nas mesmas coisas e se dedicam aos mesmos fazeres culturais.

No Brasil existem diversas federações e uma Confederação Brasileira da Tradição Gaúcha. No exterior há mais de 20 núcleos em que a cultura, a história e os costumes do Rio Grande são vivenciados diariamente. A Confederação Internacional da Tradição Gaúcha reúne Brasil, Argentina e Uruguai na mesma ideia de preservação da cultura gauchesca.

Ao longo da sua história, o MTG funcionou em três endereços, sempre em Porto Alegre: na Rua dos Andradas, próximo do Gasômetro, no Centro Administrativo do Estado e na rua Guilherme Schell,60 local onde possui sua sede atual doada pelo governo do Estado, sendo que a construção foi obra do trabalho e esforço dos tradicionalistas liderados pelo presidente Dirceu de Jesus Brizzola. A inauguração ocorreu em dezembro de 1998.

Longa vida a esta sexagenária entidade que, apesar de seus inúmeros regramentos e os enfrentamentos de um mundo moderno, ainda mantém um pouco da autenticidade do gaúcho tradicionalista. 





terça-feira, 27 de outubro de 2026

 


AINDA SOBRE POLÍTICA

MAS JÁ RETORNANDO À CULTURA

Hoje, 27 de outubro, comemora-se o nascimento do escritor Graciliano Ramos que veio ao mundo no ano de 1892 na cidade de Quebrangulo, Alagoas. 

Antes de tornar-se um romancista reconhecido Graciliano Ramos teve uma passagem curiosa pela política. Vejam na matéria abaixo como sucedeu-se.  



"Por infelicidade, virei prefeito no interior de Alagoas." A frase é de Graciliano Ramos, numa carta de 1937. Mas foi como prefeito que a escrita dele chamou atenção.

Antes da fama, Graciliano tinha uma loja de tecidos em Palmeira dos Índios, em Alagoas. Foi eleito prefeito da cidade em 1927 e tomou posse em janeiro de 1928.

Em janeiro de 1929 e em janeiro de 1930, mandou ao governador Álvaro Paes os relatórios de prestação de contas. E escreveu do jeito dele. Dos funcionários que encontrou, "saíram os que faziam política e os que não faziam coisa nenhuma". Sobre os próprios erros, "foram erros da inteligência, que é fraca". Sobre a luz da cidade, "Pagamos até a luz que a lua nos dá". E sobre o cemitério novo, que ficou para depois, "Os mortos esperarão mais algum tempo. São os munícipes que não reclamam."

Os textos foram impressos pela Imprensa Oficial, em Maceió, e jornais de Alagoas e do Rio reproduziram trechos. Em 1930, o editor Augusto Frederico Schmidt, do Rio de Janeiro, escreveu a Graciliano interessado em publicá-lo. A versão mais contada diz que ele leu os relatórios e concluiu que aquele homem tinha um romance guardado. Tinha. Caetés saiu em 1933.

Graciliano deixou a prefeitura em abril de 1930. Na mesma carta, reclamou que, depois daqueles "infames relatórios", os jornais e o governo resolveram não deixá-lo em paz.

O detalhe histórico é que o prefeito era duro até em casa. Segundo o biógrafo Dênis de Moraes, ele multou o próprio pai e teria dito: "Prefeito não tem pai."

Em 1938, publicou Vidas Secas, com Fabiano, Sinhá Vitória e a cachorra Baleia.

Uma prestação de contas ajudou a revelar um dos maiores escritores do Brasil.

Fonte: Site História Ilimitada





segunda-feira, 26 de outubro de 2026

 


O TEMPO É IMPLACÁVEL


Resido em Porto Alegre há mais de cinquenta anos. Estou com setenta janeiros no lombo e quando vim em busca de emprego recém tinha completado maioridade. 

Contudo, mantive uma balda comigo.

Nunca troquei meu título de eleitor de cidade. Em todos os pleitos vou a São Chico de Paula. O ambiente eleitoral, principalmente quando se trata de eleições municipais, sempre me atraiu. 

E por que mantenho esse costume? Para rever meus amigos e amigas de antigamente. Saber como estão, o que fazem, como foram suas vidas neste meio século de existência. 

Ontem, 25, fiz um "bate-volta" com chuva e nevoeiro denso para exercer meu direito de cidadão. Não vi muita gente mas pude matar a saudade do colégio aonde estudei quando criança pois é o local de minha sessão há muito tempo. 

Já de volta no meu rancho na capital, acompanhando o resultado das urnas, me peguei rindo solito ao ver esta montagem. As pessoas tem muita criatividade. 

Será o que pensam de mim após tanto tempo? Será que mudei do que eu era e do que eu sou?

Mal comparando acho que sou o atleta da imagem.  



    


domingo, 25 de outubro de 2026

 



ESPERAMOS QUE ISTO ACONTEÇA

A PARTIR DAS 17h DE HOJE


E não fiquem apenas babando 

na espera de cargos e contratos.





sábado, 24 de outubro de 2026

 


REPONTANDO DATAS - 24 OUT





Num dia 24 de outubro, do ano de 1903, morria em Porto Alegre o positivista Júlio Prates de Castilhos (monumento na Praça da Matriz, em Porto Alegre), político padrinho de Borges de Medeiros e que foi o primeiro Presidente do Rio Grande de São Pedro e que esteve a frente dos governistas na Revolução Federalista de 1893.




Também num dia 24 de outubro, do ano de 1930, a Revolução Liberal chega ao seu final, culminando com a posse de Getúlio Dorneles Vargas na Presidência do Brasil após os gaúchos terem marchado até o Rio de Janeiro e amarrado seus cavalos no obelisco. A rua 24 de outubro, em Porto Alegre e outras tantas pelo interior do Estado tem seu nome em memória a essa data.


 


POR AQUI TUDO NA MESMA

Em se tratando de descaso com o Patrimônio Público


G1 / Divulgação

A estátua do ex-presidente João Goulart, conhecido como Jango, foi encontrada com pichações na Orla do Guaíba, em Porto Alegre. O monumento, localizado na região da Rótula das Cuias, apresentou marcas de tinta em diferentes partes da escultura. A situação chamou a atenção de pessoas que acompanham a história e a preservação dos espaços públicos da capital gaúcha. O episódio também trouxe à tona a importância de cuidar dos monumentos que fazem parte da memória coletiva.

Os registros do ocorrido foram divulgados por familiares do ex-presidente, que demonstraram preocupação com as condições da obra. As marcas de tinta atingiram partes da escultura e de sua estrutura de apoio. A situação despertou manifestações sobre a conservação do monumento e a necessidade de recuperar sua aparência original. A expectativa é que os procedimentos de limpeza permitam preservar as características da obra.

Nada de novo no front.

O vandalismo e a falta de maiores cuidados da administração municipal com nossos memoriais tornaram-se algo comum. Custa botar alguma grade de proteção e câmeras para identificar e punir a vagabundagem? 

A presença de esculturas em espaços públicos representa uma forma de manter viva a memória de personalidades que marcaram a história. Cada monumento carrega informações sobre o período em que foi concebido e sobre a maneira como determinada figura é lembrada pela sociedade. Por isso, sua conservação exige atenção contínua e cuidados adequados. A manutenção dessas obras ajuda a preservar referências culturais para as gerações atuais e futuras.

Somente nossos mandatários não pensam desta maneira. 



sexta-feira, 23 de outubro de 2026

 


MEU MODO DE PENSAR



E POR ISSO SIGO ASSIM

Desenho de Léo Ribeiro adaptado por Paulinho Gomes 




quinta-feira, 22 de outubro de 2026

 


PERGUNTA AOS ESTRATEGISTAS:



A pergunta parece óbvia mas é de um leigo em estratégias militares. Este questionamento sempre me intrigou. 

É o seguinte: 

Se lá no longínquo 20 de setembro de 1835 os farroupilhas tivessem invadido a cidade de Rio Grande ao contrário de Porto Alegre o desfecho do movimento não teria sido outro?

Pergunto por que ali era a "boca da botija", a válvula de escape de saída para o mar através das lagoas. Enfim, o caminho para a Corte ir e vir sem preocupação alguma.

Hoje sabe-se que os farroupilhas eram exímios cavaleiros e conhecedores do pampa gaúcho o que lhes proporcionou estender o conflito por 10 anos. Contudo, a falta de uma marinha foi o grande empecilho para uma vitória bélica. Tanto é assim que Garibaldi tentou, com dois pequenos barcos, fazer frente aos imperiais. Mesmo assim teve que atravessá-los pelos campos enlameados para levá-los ao oceano e, dali,  até Laguna pois não tinha acesso pelas lagoas.

Enfim. Reflexões de um divulgador da nossa cultura regional que não aguenta mais ouvir falar em política. 

 

          

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

 


REPONTANDO DATAS - 21 OUT

Morre José Hernandez 


 

terça-feira, 20 de outubro de 2026

 

OS DEZ MANDAMENTOS DO POETA



Hoje, 20 de outubro, se comemora extraoficialmente no Brasil o Dia do Poeta. Tal data foi escolhida em homenagem ao surgimento do Movimento Poético Nacional, em 20 de outubro de 1976, na casa do escritor Paulo Menotti Del Picchia, em São Paulo.

Não me considero um poeta. Sou um fazedor de versos. Poeta, para mim, dentro da seara gauchesca, foram um Aureliano de Figueiredo Pinto, Um Apparício Silva Rillo, um Jayme Caetano Braun. 

Neste sentido, certa feita, escrevi um texto sobre o assunto que intitulei Os Dez Mandamentos do Poeta, os quais repasso aos leitores deste blog:

1 - Jamais se autoproclame "poeta". Este adjetivo tem que partir de quem aprecia teus versos. 

2 - Fuja do lugar comum na escolha dos temas. Escrever o que já foi escrito dezenas se vezes é uma mensagem requentada.

3 - Use vocabulário adequado ao tema proposto. Palavras mirabolantes numa temática simples não combinam.

4 - Se a poesia for metrificada, não extrapole ou encurte os versos. Conte o tempo como se fosse musicar.

5 - Se a poesia for rimada procure palavras que realmente combinem. Não force a rima tipo "grande" com "sangue".

6 - Se o poema for de rima branca não transforme poesia em prosa.

7 - Fuja das rimas pobres e banalizadas como: lucho/gaúcho; grande/expande; sul/azul...  a riqueza de vocabulário caracteriza os grande poetas.

8 - Em concursos de poesias procure temas abrangentes evitando cantigas particulares como homenagens a familiares.  

9 - Não escreva de modo industrial, como se estivesse cumprindo metas. Se a inspiração não veio, espere o momento certo. 

10 - Não busque na Inteligência Artificial auxílio para seus escritos. Não falsifique seus sentimento. 


Por: Léo Ribeiro de Souza

       

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

 


ESTAMOS DE VOLTA 

DE ALMA LAVADA (E ENXAGUADA)


Buenas caros leitores deste periódico gaudério. Após dois dias afastados estamos de volta tapados de saudade.

Muitos amigos e amigas estranharam a minha religiosidade pois confundiram meu retiro com algo ligado aos movimentos de igreja a qual respeito mas não sou um devoto assíduo embora, na minha adolescência, eu tenha feito o tradicional EMAUS que é o encontro de jovens com a mensagem cristã. Hoje, falo com Deus a minha maneira. 

Então, peço perdão a quem entendeu mal minhas justificativas de me ausentar durante dois dias. 

Contudo, não deixei de fazer um retiro espiritual, ou seja, estive na Meca dos gaúchos, no Taj Mahal gaudério, no Vaticano pampeano. Passei três dias entre campo e galpão, entre assado e bebida, entre animais e natureza, enfim, entre música e amigos. Era o que eu precisava para me reenergizar depois de um ano intenso que ainda nem chegou ao seu final. 

Nossa concentração foi no interior do município de Bom Jesus na Fazenda Nossa Senhora da Conceição, divisa com Santa Catarina. De noite se avistava o luzeiro de São Joaquim. Frio de renguear cusco.

Abaixo algumas chapas deste reencontro comigo mesmo.


No galpão: Sacrossanto Templo do gaúcho

No contato com os bichos: Recebendo a energia da natureza

Rodeado de amigos: Como sempre vivi até agora

Caminho das Tropas: Lugar histórico Tombado pelo Governo

Perto da Música: Que faz parte de minha existência

      

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

 


BOM JESUS


Foto: Léo Ribeiro


Caros leitores deste mensageiro terrunho. Após 16 anos de postagens diárias e ininterruptas, sem férias e com escala 7 por 7, neste final de semana estaremos longe deste contato com vocês. Mas o motivo é plausível.

Estarei em um retiro espiritual aonde é proibido qualquer aparelho eletrônico que tenha contato com o mundo da internet. 

Este ano tem sido intenso e preciso me reenergizar, recuperar o ânimo, fortalecer-me física e mentalmente. Para tanto nada melhor do que um reencontro com meu sempre Bom Jesus. 

Até segunda, meus amigos e amigas.      



quarta-feira, 14 de outubro de 2026

 


PARABÉNS GORGS



Hoje, 14 de outubro, o Grande Oriente do Rio Grande do Sul faz aniversário e, já que a maçonaria desperta tanta curiosidade, vamos falar um pouco sobre esta sociedade que outrora foi secreta mas agora é apenas discreta. 

Esta Ordem, que vem lá de 1717, no Rio Grande do Sul é constituída de três "Potências" independentes mas com diversos pontos de convergências. São estas Potências: A Grande Loja do RS, o Grande Oriente do Brasil e o Grande Oriente do Rio Grande do Sul. 

Esta última, Potência a qual eu faço parte, nasceu em meio a Revolução Federalista de 1893 (o GORGS foi fundado em 14 de outubro de 1894) em função dos ouvidos de mercadores do Grande Oriente do Brasil quando maçons gaúchos pediam intervenção nas matanças (degolas) ocorridas entre partidários de Gaspar Silveira Martins e de Júlio de Castilhos.

Como não eram atendidos nos pedidos de paz e de uma intervenção da Ordem os maçons gaúchos resolveram proclamar independência do resto da maçonaria brasileira. Foi o primeiro Estado a fazer isto. Atualmente todos as demais federações tem sua potência própria.

Pois hoje se comemora 133 anos daquele dia. 

A festa foi sexta-feira numa Sessão concorrida para mais de 200 convidados. Na ocasião o Grão-Mestre Marcus Vinícius Bortolotto me solicitou um poema comemorativo para ser recitado naquele momento tão importante. 

O que eu fiz?

Agauchei o Salmo 133 que é lido na abertura das Sessões e, através de uma décima Espinela, fiz uma relação com o mesmo número de anos da existência do GORGS. Foi um Sucesso. 

Me acompanhou na jornada o querido Irmão Ewerton dos Anjos Ferreira (foto), autor da composição Veterano, vencedora da Califórnia. 

        




terça-feira, 13 de outubro de 2026

 


DOIS "JJ" QUE SUCUMBIRAM


Gravura: Léo Ribeiro


A Justiça e o Jornalismo sucumbiram quando muitos de seus integrantes optaram pela militância política partidária esquecendo de suas responsabilidades profissionais.

Não façam como eles. Não permitam que amizades terminem em função de radicalismos que só alimentam mesquinharias. 


segunda-feira, 12 de outubro de 2026

 


AS BRINCADEIRAS MUDARAM


 revólver para brincar de mocinho e bandido - Não recomendado

Hoje, 12 de outubro, é Dia das Crianças. Fui fazer uma postagem sobre brinquedos da minha infância que ainda guardo comigo e vi que o "politicamente correto" não recomendam mais tais brincadeiras.  

Por exemplo: O revolver de madeira que a gente brincava de mocinho e bandido. Por ser algo que induz violência, tais brinquedos dificilmente são comercializados. Da mesma forma o bodoque (ou funda) de caçar passarinhos. Aliás, sobre animais, minha filha contou que na escolinha da minha neta mudaram a letra da canção infantil "Atirei o pau no gato mas o gato não morreu...". Agora é "Não atire o pau no gato por que isso não se faz...." assim como muitas cantigas de roda foram alteradas. 

Recentemente vi uma matéria sobre o filme da Mônica recém produzido e lembrei de uma entrevista com o criador de tais quadrinhos Maurício de Souza. Ele contava que alterou em torno de 100 atitudes que nos desenhos anteriores eram normais tipo: chamar a Mônica de dentuça; o Cebolinha pichar os muros; o Cascão fugir da água; as agressões da Mônica com seu coelhinho....

São alterações do mundo atual que temos que nos adaptar. 
    

bodoque/funda/atiradeira: Não recomendado 



 


CADA INFÂNCIA COM SEU TEMPO

Com este poema gostaria de homenagear a todos nós neste dia 12 de outubro.
 
 



Te bombeando, assim, dormindo, 
neste quarto decorado,
fico horas ao teu lado
te acariciando e sorrindo.
Meu neto... Que guri lindo! 
Passou o tempo soi viejo
foi num upa, num lampejo 
mas se a idade me golpeia
meu sangue corre em tuas veias 
e ao te olhar me revejo.

Somos de infâncias distintas,
fui um piá interiorano
criado meio haragano
sem adereços, sem tinta.  
Trazia presos na cinta.
um revolver de madeira 
e um punhal de taquareira  
que eu mesmo falquejei.
Estas eram minhas "leis"
nas rusgas de brincadeira.  

Eu tinha gado de osso, 
carro de lomba, tampinhas,
trem de latas de sardinhas
e um bodoque no pescoço.
Um petiço pra ir no poço 
buscar água em duas pipas.
Mas que infância bendita,   
que vida, que tempo nobre.
Se de patacas foi pobre 
de liberdade foi rica.

Hoje a infância das crianças
cruza os céus sem bater asas
porque sem sair das casas
andejam de toda trança.
É que lhes veio esta herança 
da internet e seus favores. 
O mundo, com suas cores, 
se vem pra dentro do lar
no botão de um celular,
ou pelos computadores. 

Não que isto esteja errado, 
ao contrário, acho bonito,   
copiar, colar um escrito,
games, jogos e outros legados.
No dedilhar de um teclado
de tudo se tem noção.
Mas falta o aperto de mão,
o conversar com as pessoas,
o banhar-se nas lagoas, 
os pés nus roçando o chão.  

Cada infância tem seu tempo,
cada vida a sua história... 
Feliz quem traz na memória  
belos e ternos momentos. 
Não maldigo nem lamento 
comparo por comparar...
Outra era, outro lugar, 
outras maneiras de afeto,
só te desejo, meu neto, 
que não deixes de sonhar.

O que me dói de verdade,
ao se falar de infância, 
é a humana ignorância
de quem castra a liberdade.
É a escravidão, a maldade, 
a exploração em segredo,
os orfanatos, o medo, 
a pobreza por destino, 
a turba de pequeninos 
que não conhecem brinquedo. 

Infância... tinha que ser   
rodeada de coisas boas, 
verões de sol e garoa,
sem certezas, só viver.
A infância é um bem querer 
que não devia ter fim.
Ao me ver sisudo assim
pergunto as minhas lembranças
aonde andará a criança


 


REPONTANDO DATAS / 12 DE OUTUBRO



 
 
Neste dia 12 de Outubro de 2026, registramos 21 anos do falecimento de Luiz Menezes. Natural de Quarai, onde nasceu em 20 de maio de 1922, filho de Franklin Menezes e Carlota Carvalho Menezes, casado primeiramente com Haydée Pedroso de Menezes de quem viuvou e após com Sonia Menezes, o poeta, autor de 4 livros publicados: Tropa Amarga – Além do Horizonte, Chão Batido e Antoligia Poética – 50 Anos de Poesia. Também escreveu várias peças para o rádio teatro. Além de poeta, foi compositor, radialista, cantor, violonista, redator, escritor e apresentador de programa de auditório e cronista. Também participou como ator, cantor seresteiro, na novela “Mestiça”. Aos 18 anos já era Cabo do exercito, servindo a pátria por 3 anos. Foi incentivado por Josué Guimarães, escritor.

Iniciou sua carreira no rádio em 1952, convidado pelo Poeta Lauro Rodrigues, para fazer parte do Programa “Campereadas”, programa este apresentado na Rádio Gaúcha.

Logo após nesta mesma emissora passou a produzir e apresentar inúmeros programas, onde cantava, fazia músicas e se acompanhava ao violão.

Em l954 fez a canção “Piazito Carreteiro”, música de grande repercussão na época, pois trazia uma nova maneira para interpretar a música regional gauchesca.

Em 1956, ganhou o prêmio de melhor compositor, em concurso realizado pela Zero Hora.

Em 1957, indicado por Darcy Fagundes, com quem formaria a mais famosa dupla de apresentadores, foi contratado pela Rádio Farroupilha, para que juntos apresentassem o Grande Rodeio Coringa, trabalharam 15 anos juntos.

Luiz Menezes apresentou juntamente com Darcy, o primeiro programa gauchesco de Televisão na antiga TV Piratini. O programa chamava-se “Querência”.

Em 1967, a sua música mais famosa “Piazito Carreteiro” foi escolhida para fazer parte de uma coletânea de músicas de autores brasileiros, na França, no LP “Bresil”. O Direito autoral desse disco, foi para os órfãos da II Grande Guerra. O “Piazito” foi representando o Rio Grande do Sul.

Em 1968, gravou, juntamente com Darcy, seu primeiro LP: Tropa Amarga.

Quase todos os conjuntos e cantores do Rio Grande e alguns de outros estados, gravaram músicas de Luiz Menezes, com destaque para “Última Lembrança” que já recebeu sua 42ª gravação com diferentes cantores e conjuntos.

Trabalhou nas seguintes rádios e televisões de Porto Alegre:
Rádio Gaúcha, onde iniciou, Rádio Farroupilha, Rádio Difusora e nas Televisões: Piratini e Bandeirante, com várias participações na TV Gaúcha.

Gravou 4 LP’s e 1 CD, participando de vários outros. No total são mais de 100 músicas gravadas por ele e por outros conjuntos e cantores, e que ficarão eternizadas no coração de cada gaúcho.

Orgulhava-se de ter introduzido a milonga no repertório gauchesco. A primeira milonga gravada com letra em português intitula-se "Milonga de Contrabando".

Do governo do Estado recebeu a medalha Negrinho do Patoreio, a maior distinção oferecida. Da Câmara de vereadores de Porto Alegre recebeu a Comenda "Glaucus Saraiva" entre outras tantas. Foi homenageado especial da Semana Farroupilha de 2005,espécie de Patrono do evento.

Este foi Luiz Alberto Menezes, poeta gaúcho que enriqueceu nossa cultura como pouco o fizeram.


domingo, 11 de outubro de 2026

 


ENTÃO TÁ. EMPATAMOS!



Sobre a postagem abaixo aonde brinco que ganhei do Mano Lima na autenticidade, meu amigo Paulinho me manda esta montagem. 

Então tá. Empatamos. 




sábado, 10 de outubro de 2026

 


GANHEI DO MANO LIMA




O grande cantor Mano Lima é reconhecido pela autenticidade não só de seus trabalhos musicais mas também pelo seu modo de ser. Sou seu fã.

Contudo, acho que nesta chapa que tiraram de mim passeando no meu patinete lá por São Chico de Paula e que viralizou na internet, eu ganhei dele.

O meu retrato foi utilizado nesta montagem do site Gaúcho e Xucro. 

O pessoal sempre arranja tempo para uma chacota kkkkk 


    

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

 



PINTORES DE TEMÁTICA GAUCHESCA


 
FLORENCIO MOLINA CAMPOS




En el seno de una familia tradicional, Florencio Molina Campos nace en la Capital Federal el 21 de agosto de 1891. Estudia en los colegios Lasalle, del Salvador y Nacional de Buenos Aires, pero los aprendizajes que marcarán su vida los hará durante sus vacaciones, cuando pasa largas temporadas en la estancia paterna de "Los Angeles" en los pagos del Tuyú (hoy General Madariaga). 

Allí conoce profundamente a los hombres del campo y se familiariza con los paisajes pampeanos que llevará infinitas veces a sus cuadros. Según su propio testimonio "por el 1900, lluvias torrenciales inundaron los campos. Ese invierno quedamos rodeados por las aguas. Las jornadas interminables nos retenían encerrados. Nuestros padres alternaban sus quehaceres dándonos lecciones preparatorias para nuestro futuro escolar. De nuestras distracciones y el cúmulo de escenas del trabajo diario de los peones, saqué el impulso incipiente que trasladé a nuestros juegos, al imitar su lenguaje, sus ademanes, su indumentaria y la inacabable variación de sus faenas." "El ciclo escolar transcurría en internados en Buenos Aires y las vacaciones en la estancia, donde nos esperaba el ansiado premio de los 'petisos'. De tarde en tarde tal vez borroneé algún dibujo y tracé las pretensiones de algún cuento, siempre con cierta inclinación humorística. Los estudios y luego el trabajo no me permitieron avanzar. Tuve que sufrir alguna pena honda, ya hombre, para encontrar en la ejercitación de aquellas intentonas, una especie de refugio espiritual. Corriendo el tiempo, ya fue el afán incansable de todos los días". Con la muerte de su padre en 1907, Florencio Molina Campos comienza a sentir nostalgias por el mundo perdido y vuelca en cartones las escenas camperas que recordaba vivamente. Algunas desavenencias personales y el fracaso económico que le deparó la actividad agropecuaria lo empujan definitivamente al dibujo.
 
ALGUMAS OBRAS
 








 

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

 


NOSTALGIA NÃO TEM DIA



Não sei a troco de que, talvez o tempo enferruscado, mas hoje me bateu nostálgicas saudades deste amigo, o Gildinho.  

Época boa de músicas com fundamento e programas televisivos que prendiam a gauchada diante da tela.





  

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

 


A TRADIÇÃO NÃO DÁ PALANQUE


Muitos amigos e amigas que acompanham nosso blog (que eu prefiro chamar de Chasqueiro Eletrônico) me questionam por que não faço referência as eleições recentemente findas. Querem saber minha opinião sobre muitos candidatos, principalmente daqueles ligados a cultura regional gaúcha.

Quero deixar registrado que, como todo cidadão tenho minhas preferências políticas embora não seja atrelado a exigências partidárias. Voto na pessoa que, se for do meu vínculo político, melhor (sou filiado ao MDB há mais de meio século e tive a honra de ter minha ficha abonada por dois ilustres políticos do naipe que hoje não se vê mais, ou seja, Paulo Brossard e Pedro Simon. Por este partido fui candidato a vice-prefeito de São Francisco de Paula).  

Quanto as recentes eleições deixo claro que sinto muito não termos mais representantes das tradições gaúchas na Assembleia. E isto se deve por que tradicionalista não vota em tradicionalista. Com a rara exceção de Luiz Marenco (que agora não se reelegeu) estamos há muito tempo acéfalos neste segmento. 

Tivemos exemplos de diversos candidatos que tinham ligação exclusivamente com nossa cultura e não se elegeram sendo os mais clássicos deles os apresentadores Antônio Augusto Fagundes e Vilmar Romera que, embora com a Televisão no costado, não obtiveram sucesso.

Agora temos deputados eleitos com gosto pela tradição como é o caso de Eduardo Loureiro, Santini, Pompeu de Matos e outros, mas nenhum deles tem sua vida ligada exclusivamente a divulgar os costumes do Rio Grande do Sul. 

É triste mas é verdade: A tradição Gaúcha não dá palanque a ninguém.  


          

terça-feira, 6 de outubro de 2026

 


REPONTANDO DATAS / 06 DE OUT


Num dia 06 de outubro, do ano de 1998, morria em Santa Maria o grande cantor missioneiro Noel Borges do Canto Fabrício da Silva, o Noel Guarany

 
Noel Guarany era descendente de italianos e índios guaranis, e nasceu em 26 de dezembro de 1941, na Bossoroca, então um distrito de São Luiz Gonzaga, Rio Grande do Sul.
Na adolescência, aprendeu, de maneira autodidata, o idioma guarani, bem como a compor, tocar e cantar.
Na década de 1960 percorreu diversos países latino-americanos, onde colheu diversos ensinamentos que utilizou como subsídio para criação de suas músicas durante toda a sua futura carreira.
No final da década, apresentou alguns programas radiofônicos nas rádios de Cerro Largo e São Luiz Gonzaga, bem como nas rádios Gaúcha e Guaíba de Porto Alegre, RS.
Em 1970, lançou, em conjunto com Cenair Maicá, com o qual vinha se apresentando pelo Rio Grande do Sul e em festivais na Argentina, um compacto simples, com as músicas Filosofia de Gaudério e Romance do Pala Velho.
No ano seguinte, grava o seu primeiro LP, Legendas Missioneiras, pela gravadora RGE, que traz, entre outras, parcerias com Jayme Caetano Braun, Glênio Fagundes e Aureliano de Figueiredo Pinto. Neste disco, além das músicas constantes do compacto anterior, estão presentes outras pérolas de seu repertório, como Fandango na Fronteira, Gaudério e Eu e o Rio.
Em 1973 sai Destino Missioneiro, pela gravadora Phonogram/Sinter, no qual repete algumas das parcerias do disco anterior, bem como traz composições próprias e de Barbosa Lessa e uma parceria com Aparício Silva Rillo. Neste disco, estão presentes grandes músicas como Destino Missioneiro e Destino de Peão. Nesta época, ainda em tempos da ditadura militar, passa a ser perseguido em alguns shows devido a suas convicções democráticas e libertárias, conforme registra ao vivo nesse álbum.
Seu terceiro LP é Sem Fronteiras, lançado em 1975 pela EMI/Odeon, que está repleto de músicas que acabaram se tornando clássicos do cancioneiro gaúcho, como Romance do Pala Velho, Potro Sem Dono (de Paulo Portela Fagundes), Filosofia de Gaudério, Balseiros do Rio Uruguai (de Barbosa Lessa), Décima do Potro Baio e Chamarrita sem Fronteira (as duas últimas, temas missioneiros recolhidos e adaptados por Noel Guarany), entre outras.
No ano de 1976, Noel Guarany grava em parceria com Jayme Caetano Braun, de maneira independente, o LP Payador, Pampa, Guitarra. Gravado parte na Argentina e parte em São Paulo, o disco conta com a participação de grandes músicos argentinos.
Em 1977 a RGE relança o disco Legendas Missioneiras, de 1971, com o título de Canto da Fronteira.
Em 1978 sai o LP Noel Guarany Canta Aureliano de Figueiredo Pinto, pela RGE, que resgata a obra e a memória de um dos grandes poetas do regionalismo gaúcho.
No ano seguinte, sai o disco De Pulperias, ainda pela gravadora RGE. Constam deste disco as músicas En el rancho y la cambicha, Rio de Los Pajaros e Milonga del peón de campo, de Mario Millan Medina, Anibal Sampayo e Atahualpa Yupanqui, respectivamente. 
Em 1980 sai Alma, Garra e Melodia, em que se destacam as músicas Maneco Queixo de Ferro e Índia cruda. Neste mesmo ano ocorre o show no Cinema Glória, na cidade de Santa Maria, que mais tarde, em 2003, viria a se tornar o disco Destino Missioneiro - Show Inédito.
No ano de 1982, é lançado o LP Para o Que Olha Sem Ver, pela RGE, título que remete à música Para el que mira sin ver de autoria do cantor e poeta argentino Atahualpa Yupanqui (presente também na composição Los ejes de mi carreta). Além das citadas, estão presentes as músicas Boi Preto, Na Baixada do Manduca e Adeus Morena, músicas de inspiração folclórica.
Neste ponto, Noel Guarany, já com os primeiros sintomas da doença, começou a afastar-se dos palcos, e acabou redigindo uma carta aberta à imprensa, na qual reclama do tratamento recebido pela gravadora.
Em 1985 retira-se definitivamente dos palcos, em cumprimento ao prometido na carta de 1983.
No ano de 1988, em conjunto com Jorge Guedes e João Máximo, lança o disco A Volta do Missioneiro.
Nos próximos 10 anos, o grande gaúcho, cada vez mais debilitado por uma doença degenerativa no cérebro, permaneceu recolhido em seu sítio na localidade de Vila Santos, no município de Santa Maria.
Morreu no dia 6 de outubro de 1998, na Casa de Saúde de Santa Maria, tendo sido enterrado em Bossoroca, sua terra natal.
Túmulo de Noel Guarany, na cidade de Bossoroca