"TEU PRESTÍGIO É PROPORCIONAL A TUA CONDUTA"

Léo Ribeiro


RETRATO DA SEMANA

RETRATO DA SEMANA
Crédito: autor desconhecido

sexta-feira, 23 de julho de 2021

TRADIÇÃO É O REPASSE AUTÊNTICO


ATRAVÉS DAS GERAÇÕES  


Efeitos de luz com dançarinos na abertura das Olimpíadas 
 Foto: Patrick Smith/Getty Images


Estava olhando as festividades de abertura das olimpíadas de Tokyo, Foi lindo apesar de triste pela falta de público. Este País cultiva uma cultura milenar, reverencia seus ancestrais, se orgulha de seu passado, e faz disto fonte de turismo. Botei tenência ao cantarem o hino do Japão quando falaram que tal símbolo nacional tem mais de dois mil e seiscentos anos e conta a história de uma família imperial.

É o hino mais antigo do mundo e, até hoje, não foi alterado uma vírgula. 

Na Província de São Pedro, terra dos doutores da cultura, nosso hino Rio-grandense não tem duzentos anos e já mudaram e querem continuar mudando tudo, a todo o momento. 

E ainda se fala em culto as tradições. Tradição é o ato de entregar associado ao elemento de preservação. É um ensinamento que vai passando de pai para filho com a maior autenticidade possível. Todo o indivíduo é herdeiro de um complexo legado cultural e esta herança constitui a ideia fundamental de qualquer tradição. Pode-se dizer que uma tradição é como um ritual invisível que permite que uma série de conhecimentos passe de uma geração para outra ao longo dos tempos. 

Aqui pelo Rio Grande do Sul quem demarca o que é tradição não é o tempo ou os costumes mas sim os Congressos e Convenções tradicionalistas aonde alguns querem deixar seu nome na "história" sem o menor conhecimento do que seja tradição. 


         

REPONTANDO DATAS / 23 DE JULHO

 


Num dia 23 de julho, do ano de 1901, morria em Montevidéu Gaspar da Silveira Martins, pai dos maragatos de 1893. Advogado, fazendeiro, político, conselheiro do Imperador D. Pedro II e excelente orador. 


Fragmentos do texto de Walter Spalding sobre Gaspar Silveira Martins, líder Maragato da Revolução de 1893, que morreu num dia 23 de julho, do ano de 1901

Gaspar Silveira Martins nasceu em Cerro Largo, República Oriental do Uruguai, a 5 de agosto de 1834, na estância avoenga, sendo batizado a 5 de março de 1835.

O Correio do Povo de 25 de julho de 1901 estampava, em destaque a seguinte notícia: -"Tivemos ontem, pelo telégrafo, a triste notícia do falecimento, em Montevidéu, do Dr. Gaspar Silveira Martins. O patrício ilustre, cuja morte o Rio Grande deplora, tem o seu nome vinculado de modo imperecível à história do nosso Estado, que ele muito amou e por cujo progresso moral e material, muito se esforçou. O Rio Grande do Sul chora a morte de Silveira Martins que, com justa razão, figurará na galeria dos nossos varões ilustres como um grande patriota. A notícia da sua morte, espalhou-se ontem rapidamente pela Capital e, desde logo, os escritórios dos jornais foram procurados por grande número de pessoas que, pesarosas, pediam informações a respeito. O Dr. Gaspar Silveira Martins devia completar no dia 5 de agosto próximo, 66 anos de idade".

Silveira Martins estava, ainda, no exílio em Montevidéu, apesar da paz de 1895, assinada em Pelotas, pondo fim à Revolução Federalista de que fora o chefe civil. Sua morte, ocorrida a 23 de Julho, treze dias antes de completar 66 anos de idade, em verdade muito abalou o mundo político brasileiro, principalmente o ligado ao federalismo, e sobremodo escandalizou a sociedade em virtude da situação em que se dera o falecimento do grande tribuno.

Só, longe do lar, vivendo em hotel na capital uruguaia, homem fogoso, bastante dado a mulheres, jamais se negou aos prazeres da carne de que ele usava e abusava e foi por isso que sua morte, ao lado de uma dessas vivandeiras, à meia tarde, escandalizou, lamentando-se, porém, tenha sido esse o fim do tribuno que fazia temer o adversário desde a sua juventude, quando subiu pela primeira vez à tribuna parlamentar, ou quando, em 1869, proferiu aquela sua conferência clássica sobre o Radicalismo, abalando consciências e arrastando multidões.

Era, na realidade, um fim muito triste, esse do ex-Ministro da Fazenda do Gabinete de 5 de janeiro de 1878, desse Ministro que havia proposto o voto aos católicos, exigindo reforma da Constituição, e que por não ser atendido, rompeu, não apenas com o Presidente do Conselho Cansansão de Sinimbu, mas com seu próprio companheiro Ministro da Guerra, senador Marquês do Erval.

Entretanto, esse final melancólico da grande vida em nada afetaria as suas ideias, as suas atividades de patriota e progressista que jamais recuou. Foi um homem de pensamento, como poucos tem tido o Brasil nestes seus mais de quinhentos anos de História, no terreno político principalmente. E nem mesmo atingiu a integridade do homem que foi, durante sua vida, exemplo de dignidade, de dedicação, de honradez de homem público, líder inconteste do liberalismo brasileiro a partir do dia em que se apresentou na vida política da Nação. Iniciando-se na política, logo após sua formatura na Faculdade de Direito de São Paulo, em 1855, contando, pois, 21 anos de idade Gaspar Silveira Martins foi subindo, à custa de sua inteligência, de seu talento, de sua cultura. Degrau por degrau, chegou a Ministro, em 1878, com apenas 44 anos.

Era Silveira Martins o tribuno máximo do Brasil Império, que entraria pela República, coerente com seus princípios, combatendo oligarquias e ditaduras, exigindo liberdades e direitos que se vinham conculcando, no Rio Grande do Sul, através de leis, de conchaves e de ordens subterrâneas, num desrespeito integral à dignidade humana do adversário. Nasceu dai a Revolução, revolução que ele, Gaspar Martins, não queria, mas teve que aceitar porque o povo, aquele mesmo povo que ele conduziu e educou nos princípios da liberdade e do radicalismo que sempre pregou, o quis e o obrigou a presidir, como chefe civil.

Mas não foi possível evitar a luta. As provocações foram excessivas e Joca Tavares com Gumercindo Saraiva, invadiram o Rio Grande do Sul pensando calarem de imediato as diatribes e arbitrariedades que campeavam pelo Estado, ordenadas, provocadas, consentidas pelo governo de Castilhos. Paulo José Pires Brandão, neto materno e afilhado do Conselheiro Antonio Ferreira Viana, conheceu Silveira Martins em casa do avô. Em seu livro Vultos do Meu Caminho, assim descreve o imortal conselheiro: "Alto, corpulento, grandes óculos, barba toda aberta e branca, pele muito vermelha. Voz de trovão, gesto largo, não sabia falar baixo, e mesmo quando palestrava era em tom de discurso, e a sua voz clara, sonora e forte invadia a sala onde estava, os corredores, o hall, a casa inteira, atravessando a rua. Não falava ao ouvido de ninguém, não dizia segredos, nem os tinha, mesmo porque a sua voz não dava diapasão para sussurros, não murmurava: tonitroava".

Com a Proclamação da República, estando Gaspar Martins na Presidência do Rio Grande do Sul, foi preso e deportado.

Pouco antes do 15 de novembro de 1889, fora Gaspar chamado à Corte para formar novo Ministério, com intenções de evitar a queda fatal. Foi tarde, porém. Ao chegar no porto de Desterro (depois Florianópolis), já a República havia sido proclamada e Gaspar Martins aprisionado. Seguiu para a Europa.

Lá o encontrou Pires Brandão, que viajava com o avô, também deportado. E conta que, ao atravessar o Canal da Mancha, encontra a bordo o diplomata e jornalista francês Tachard, a quem foi apresentado. Diz Pires Brandão: "Falou Silveira Martins toda a travessia. Ao desembarcar na Inglaterra, disse Tachard a meu avô: Não há no mundo governo e instituições que possam resistir a um homem como este, que atravessa a Mancha discutindo Renan! Um país que deporta um homem desses, ou é um país de sábios ou de ignorantes". 


quinta-feira, 22 de julho de 2021

IMPERDÍVEL

 

Documentário sobre Noel Guarany 

estreia nesta sexta-feira na internet


Partindo do cancioneiro de Noel Guarany é possível conhecer a identidade missioneira e indígena que formou o povo gaúcho. É disso que trata o documentário Minhas Andanças – Noel Guarany, que surgiu de um projeto de pesquisa de David Cunha.  

Feito de forma independente, sem financiamento público ou privado, o filme conta a trajetória do artista com entrevistas e reportagens, e com depoimentos de familiares e amigos que lembram causos e histórias da vida de Noel. O documentário resgata, ainda, o contexto da época, sobretudo o período de mobilização social pelo fim da ditadura e a volta da democracia no Brasil. Destaque também para as músicas desse missioneiro que estão marcadas no cancioneiro gaúcho. 

O lançamento do documentário será nesta sexta-feira (23/7), às 20h, no canal Gadea no YouTube:

(http://bit.ly/MinhasAndanças)

Antes da estreia, às 19h, tem bate-papo virtual ao vivo com Laura Guarany, filha de Noel, o diretor do filme Tiago Rodrigues e o pesquisador David Cunha.



IVAN VARGAS VENCE O COVID 19

 

Alguns integrantes do grupo Os Monarcas
foram ao hospital receber, com música, o cantor Ivan Vargas 

No dia de ontem, 21 de julho, logo após publicarmos sobre a morte do Angüera Miguel Bicca, recebemos uma ótima notícia. O intérprete de Os Monarcas desde sua formação inicial, Ivan Vargas, deixava o Hospital de Caridade de Erechim aonde esteve internado por vários dias, em estado grave, sendo recebido por alguns integrantes do grupo com a linda música O Vento.  

Ivan Vargas deu voz a uma letra de minha marca intitulada Brasil de Bombachas, hoje um clássico. 

Boa recuperação, Ivan Vargas.  


quarta-feira, 21 de julho de 2021






 

MORRE MIGUEL BICCA

 

Música Gaúcha perde Miguel Bicca


Em março foi realizado uma quarteada com o fim 
de arrecadar fundos para custear sua enfermidade.

O Rio Grande do Sul perdeu na manhã gelada desta quarta-feira, dia 21 de julho, o cantor e compositor Miguel Bicca.

Ele faleceu aos 80 anos, em São Borja, vítima de um câncer. Ele foi fundador do Festival da Barranca de São Borja e também teve destacada participação em Os Angüeras – Grupo Amador de Arte, com as clássicas “Cantiga de rio e remo”, “Rio de infância” e “João Campeiro”.

Miguel Bicca nasceu em Cachoeira do Sul, na Costa do Jacuí, em 1º de janeiro de 1941. Aos 18 anos mudou-se com a família para São Borja.  Vencedor de vários festivais, como Tertúlia e Sinuelo da Canção, em 1979 editou o livro Estradeiro, pela Editora Tchê. Entre os discos gravou Costeiro, em vinil, e remasterizado em CD; e Meus Rios e Veredas.

Nos últimos anos, seu principal parceiro nas composições foi Sabani Felipe de Souza, com quem lançou o CD Paleteando. Autor de músicas consagradas como Rios e Rumos, Viramato, Janaína, Barco Perdido.

Texto: Jornal Regional Águas da Serra



MAS QUE BAGUALISMO ! BENZADEUS !

 



Do livro Gauderiadas - Cartuns gauchescos - 1993
de Léo Ribeiro de Souza




terça-feira, 20 de julho de 2021

AOS MEUS AMIGOS

 

Desenho e Poema: Léo Ribeiro


AOS MEUS AMIGOS 


A gente cruza a existência
cada qual com seu destino,
do varzedo ao campo fino,
sempre a trocar de querência.
E o gaúcho, por essência,
por gaudério e índio vago,
preza demais um ditado,
conselho de algum padrinho,
que “é melhor andar sozinho
do que mal acompanhado”.

E isto vale pra gente
pra cavalo, pra cachorro,
pois na hora do socorro
quem é de fé pula em frente.
Por isso que estou contente,
em fazer este floreio
porque sei que estou no meio
de amigos de valor
que são os mesmos na dor
ou nos tendéus dos rodeios.

Mário Quintana escreveu
que até sentia saudades
de alamedas da cidade
qu'ele jamais conheceu.
Pois existem amigos meus
que não vejo, não visito,
é um sentimento esquisito
pois mesmo longe, afastados,
sinto que estão do meu lado
e assim não ando solito.

E aqui, no mais, agradeço
as lembranças recebidas!
O que juntei pela vida
é somente o que mereço.
Se errei, paguei meu preço,
se acertei, ganhei meus panos...
Aos meus amigos, meus manos,
deixo um abraço estendido
pois pra mim, Dia do Amigo,
SÃO TODOS DIAS DO ANO!



SESSENTA ANOS DA CARTA DE PRINCÍPIOS

 

A "Carta de Princípios" atualmente em vigor foi aprovada no VIII Congresso Tradicionalista, levado a efeito no período de 20 a 23 de julho de 1961, no CTG "O Fogão Gaúcho" em Taquara e fixa os seguintes objetivos do Movimento Tradicionalista Gaúcho:


I - Auxiliar o Estado na solução dos seus problemas fundamentais e na conquista do bem coletivo.


II - Cultuar e difundir nossa História, nossa formação social, nosso folclore, enfim, nossa Tradição, como substância basilar da nacionalidade.


III - Promover, no meio do nosso povo, uma retomada de consciência dos valores morais do gaúcho.


IV - Facilitar e cooperar com a evolução e o progresso, buscando a harmonia social, criando a consciência do valor coletivo, combatendo o enfraquecimento da cultura comum e a desagregação que daí resulta.


V - Criar barreiras aos fatores e idéias que nos vem pelos veículos normais de propaganda e que sejam diametralmente opostos ou antagônicos aos costumes e pendores naturais do nosso povo.


VI - Preservar o nosso patrimônio sociológico representado, principalmente, pelo linguajar, vestimenta, arte culinária, forma de lides e artes populares.


VII - Fazer de cada CTG um núcleo transmissor da herança social e através da prática e divulgação dos hábitos locais, noção de valores, princípios morais, reações emocionais, etc.; criar em nossos grupos sociais uma unidade psicológica, com modos de agir e pensar coletivamente, valorizando e ajustando o homem ao meio, para a reação em conjunto frente aos problemas comuns.


VIII - Estimular e incentivar o processo aculturativo do elemento imigrante e seus descendentes.
 
IX - Lutar pelos direitos humanos de Liberdade, Igualdade e Humanidade.


X - Respeitar e fazer respeitar seus postulados iniciais, que têm como característica essencial a absoluta independência de sectarismos político, religioso e racial.


XI - Acatar e respeitar as leis e poderes públicos legalmente constituídos, enquanto se mantiverem dentro dos princípios do regime democrático vigente.


XII - Evitar todas as formas de vaidade e personalismo que buscam no Movimento Tradicionalista veículo para projeção em proveito próprio.


XIII - Evitar toda e qualquer manifestação individual ou coletiva, movida por interesses subterrâneos de natureza política, religiosa ou financeira.


XIV - Evitar atitudes pessoais ou coletivas que deslustrem e venham em detrimento dos princípios da formação moral do gaúcho.


XV - Evitar que núcleos tradicionalistas adotem nomes de pessoas vivas.


XVI - Repudiar todas as manifestações e formas negativas de exploração direta ou indireta do Movimento Tradicionalista.


XVII - Prestigiar e estimular quaisquer iniciativas que, sincera e honestamente, queiram perseguir objetivos correlatos com os do tradicionalismo.


XVIII - Incentivar, em todas as formas de divulgação e propaganda, o uso sadio dos autênticos motivos regionais.


XIX - Influir na literatura, artes clássicas e populares e outras formas de expressão espiritual de nossa gente, no sentido de que se voltem para os temas nativistas.


XX - Zelar pela pureza e fidelidade dos nossos costumes autênticos, combatendo todas as manifestações individuais ou coletivas, que artificializem ou descaracterizem as nossas coisas tradicionais.


XXI - Estimular e amparar as células que fazem parte de seu organismo social.


XXII - Procurar penetrar e atuar nas instituições públicas e privadas, principalmente nos colégios e no seio do povo, buscando conquistar para o Movimento Tradicionalista Gaúcho a boa vontade e a participação dos representantes de todas as classes e profissões dignas.


XXIII - Comemorar e respeitar as datas, efemérides e vultos nacionais e, particularmente o dia 20 de setembro, como data máxima do Rio Grande do Sul.


XXIV - Lutar para que seja instituído, oficialmente, o Dia do Gaúcho, em paridade de condições com o Dia do Colono e outros "Dias" respeitados publicamente.


XXV - Pugnar pela independência psicológica e ideológica do nosso povo.


XXVI - Revalidar e reafirmar os valores fundamentais da nossa formação, apontando às novas gerações rumos definidos de cultura, civismo e nacionalidade.


XXVII - Procurar o despertamento da consciência para o espírito cívico de unidade e amor à Pátria.


XXVIII - Pugnar pela fraternidade e maior aproximação dos povos americanos.


XXIX - Buscar, finalmente, a conquista de um estágio de força social que lhe dê ressonância nos Poderes Públicos e nas Classes Rio-grandenses para atuar real, poderosa e eficientemente, no levantamento dos padrões de moral e de vida do nosso Estado, rumando, fortalecido, para o campo e homem rural, suas raízes primordiais, cumprindo, assim, sua alta destinação histórica em nossa Pátria.

segunda-feira, 19 de julho de 2021

O BOLEADOR (Bernardo Taveira Júnior)

 



E o destro campeiro na fúria indomável,
seguindo o cavalo que vai a fugir,
as pedras meneia com braço de ferro,
enquanto as não deixa certeiras partir.

E a certa distância que mede co'a vista,
o impulso tenteia visando o bagual,
e após, lá consigo, contando com a presa,
desprende o seu tiro terrível, fatal!

E as pedras tremendas fungando no espaço,
lá vão zig-zigs formando no ar,
lá vão implacáveis cair como um raio
na frente do bicho que intenta escapar.

E as pernas das bolas o bicho mal sente
nas mãos lhe tocarem, priscando coiceia,
e quanto mais prisca, coiceia ariscado,
mais ele se enreda, nas bolas se enleia.

E os fortes campeiros que adoram proezas
soltaram mil vivas naquela amplidão;
Um tiro de bolas há muito não viam
com mais bizarria, com mais perfeição.


CURIOSIDADES DA NOSSA HISTÓRIA


 

Cabo Manoel de Souza (gaúcho de São Gabriel), em foto tirada em 1935 (quando tinha 113 anos de idade), ainda servindo voluntariamente ao país e recusando-se a voltar para casa e aposentar-se. Dizia que teria tempo para isso "mais tarde". 

É considerado o soldado mais velho que permaneceu em atividade no Exército Brasileiro. Lutou na Revolução Farroupilha entre 1835 e 1845, bem como na Guerra do Paraguai entre 1865 e 1870.



domingo, 18 de julho de 2021

REPONTANDO DATAS / 18 DE JULHO

 

 

Num dia 18 de julho, do ano de 1847,

morria Bento Gonçalves da Silva

 
 
Após o fim da Guerra dos Farrapos o General Bento Gonçalves retornou para as atividades do campo sem interessar-se mais por política. Morreu dois anos depois, no dia 18 de julho de 1847, acometido de pleurisia, deixando viúva Caetana Garcia e oito filhos.
 
Seus restos mortais inicialmente foram sepultados em Pedras Brancas. No final de 1850, seu filho, Joaquim Gonçalves da Silva exumou os ossos e transferiu para a propriedade de sua família, na estância Cristal, onde permaneceram até setembro de 1893, sob sua guarda. Com a mudança de Joaquim para Bagé, os restos mortais ficaram sob responsabilidade de seu filho Bento Gonçalves da Silva Filho e com o falecimento deste, de sua esposa Maria Tomásia Azambuja.
 
Em 1900 o último responsável por sua guarda doou os despojos para seu primo, Inácio Xavier de Azambuja, que repassou para intendência municipal de Rio Grande, onde hoje repousam no monumento na praça Tamandaré (foto acima). 
 
CHEGAM AO ESTADO OS COLONOS ALEMÃES
 
Desembarcam em Porto Alegre os primeiros 126 colonos 
e que foram levados a Feitoria Velha, atual São Leopoldo.

         Gravura de Pedro Weingäitiner - 1903 - intitulada Ceifa Alemã


A primeira colonização maciça, após a tentativa feita com os açorianos, ainda no século XVIII, aconteceria, no Rio Grande do Sul, a partir de 1824, quando começaram a chegar os colonos alemães. Nos primeiros cinquenta anos de imigração foram introduzidos entre 20 e 28 mil alemães no Rio Grande, a quase totalidade deles destinados à colonização agrícola.

Essa primeira grande colonização alteraria a ocupação de espaços, levando gente para áreas até então desprezadas. Introduziria também outras grandes modificações. Até então, a classe média brasileira era insignificante, e se concentrava nas cidades. Os colonos alemães iriam formar uma classe de pequenos proprietários e artesãos livres, em uma sociedade dividida entre senhores e escravos.

Como era o Rio Grande do Sul no início da imigração alemã

Apesar dos esforços de ocupação, no início do século XIX o Rio Grande do Sul ainda estava muito isolado, e era enorme a sua área desocupada. Em 1822 existiam em todo o seu território cem mil habitantes (menos de 10% da atual população de Porto Alegre), distribuídos da seguinte maneira:

No Planalto Setentrional havia cerca de 10 mil habitantes, sendo 6.750 na região das Missões e o restante nos Campos de Cima da Serra, na região ao redor de Vacaria. No litoral, entre Torres e Santa Vitória do Palmar estavam 23.960 habitantes (22% da população). Na Depressão Central concentrava-se a maior fatia (36%), graças a Porto Alegre (com 10 mil habitantes) e Rio Pardo (com 3.600). Os restantes 31% estavam espalhados pela Campanha, que contava com 22 mil habitantes.

A economia gaúcha centrava-se na pecuária. Portanto, os campos eram as zonas escolhidas para a ocupação luso-brasileira que, no entanto, não era muito intensa na região dos campos do Planalto. O Rio Grande tinha, em zonas desabitadas, quase toda a sua metade setentrional, compreendendo a zona de floresta na planície à margem dos grandes rios que formam o estuário do Guaíba, a encosta nordeste da Serra e os matos do Alto Uruguai.

As razões dos alemães

Por que os emigrantes alemães pretendiam deixar sua terra? A resposta é simples, e vale também para qualquer outro processo de migração humana: porque esperavam encontrar condições melhores. E, no início do século XIX, não eram boas as condições de vida do camponês alemão.

Assim, dois fatores iriam resultar na emigração. O primeiro era a determinação - ou não - dos estados em deixarem seus súditos emigrarem. O segundo fator que determinava a emigração era a situação econômica da região, em especial a situação da propriedade agrária: emigrava-se mais onde a situação era pior.

Dezenas de colônias no interior e 50 mil imigrantes

A primeira leva de colonos alemães chegou ao Rio Grande do Sul em 1824, tendo desembarcado, em 25 de julho, na colônia de São Leopoldo (antiga Real Feitoria de Linho Cânhamo). A essa leva inicial - composta de 39 pessoas de nove famílias - se seguiram outras e, entre 1824 e 1830 entraram no Rio Grande 5.350 alemães. Depois de 1830 até 1844 a imigração foi interrompida. Entre 1844 e 50 foram introduzidos mais dez mil, e entre 1860 e 1889 outros dez mil.

Entre 1890 e 1914 calcula-se que 17 mil alemães chegaram ao estado. A estimativa geralmente aceita é de que, entre 1824 e 1914, entraram no Rio Grande entre 45 e 50 mil alemães, e que, no total, foram criadas 142 colônias alemãs no estado.


GAUDERIO "CRINGE"

 

O termo Cringe é a palavra da moda. Na verdade é uma gíria americana utilizada para criticar comportamentos de pessoas mais velhas. Tem o sentido de atitude ultrapassada sendo usada para determinar algo que faz os filhos sentirem vergonha dos pais ou de qualquer "tio" que esteja agindo de maneira antiquada (na visão dos jovens).

Nesta ótica me considero um "cringe" em quase tudo que faço, a começar pela escrita deste texto que, para alguma gurizada, tem cheiro de mofo.

Mas como seria um gaudério cringe?  Seria assim:

- Usa chapéu surrado que é sacado dentro de qualquer rancho.

- Lenço puído que ainda representa alguma ideologia e, quando preto, o luto que carrega.

- Traz a melena, tal como a barba, longa e desalinhada e as mãos ásperas pela lida pesada.   

- De sua boca ainda saem palavras em que se pode confiar.

- Seus olhos não se iludem com miragens e, mesmo fechados, bombeiam longe, por detrás dos montes.

- Seus gestos são serenos, pensados, respeitosos, principalmente com mulheres, velhos e crianças.

- Bombachas largas e rotas, botas suadas de potros. E a honra? Sem um retoque.

- Não tem muitas habilidades com eletrônicos. Ainda sabe do tempo pelo soprar dos ventos.

- Cumprimenta de mão pegada, firme, sem muitos abraços.

- Ao dançar, mais parece um balanço de lagoa. De maneira simples, sem floreios e nem buscando os quatro cantos da sala.

- Seu laço é de couro cru, com tranças de sete tentos, que "carece" de força no braço para ser "apinchado". Ah... e fala da mesma maneira que seus avós.

- Se tem posses, não ostenta. Se não tem, não inveja.

- Pita um cigarro de palha e saboreia a fumaça como um olor suave de flores do campo.

- Mais ouve do que proseia e, de sua história, não faz alarde.

- Ama o chão aonde nasceu mas não faz disto modismo. Terra e gente, planta e bicho, tudo tem o seu respeito.

Meu amigo velho. Se você enquadrou-se em algo neste sentido, és um Gaudério Cringe.




sábado, 17 de julho de 2021

AS SETE MARAVILHAS NATURAIS DO RS

 

Para o meu gosto são estas. E as suas? 

Itaimbezinho



Por do Sol no Guaiba


Praia da Guarita


Cascata do Caracol


Salto de Yucuman


Neve na Serra Gaúcha


Rio Uruguai



Atenção. O Primeiro Garimpo da Poesia, da cidade de São José do Ouro, acontecerá, de forma presencial com restrições, no dia 11 de setembro de 2021.  Os poemas são os mesmos já classificados na triagem do ano passado quando não ocorreu o evento em função da pandemia. 

Quaisquer dúvidas serão sanadas pelo organizador João Antônio Marin Hoffmann pelo fone (54) 996366579.

    

 

REPONTANDO DATAS / 17 DE JULHO

 


Num dia 17 de julho, do ano de 1983 morria em Porto Alegre um dos mais notáveis tradicionalistas, ou seja, Glaucus Saraiva.


Glaucus Saraiva (de óculos) numa reunião do MTG em Cruz Alta.
 
Glaucus Saraiva da Fonseca nasceu em São Jerônimo, em 24 de dezembro de 1921, também conhecido como Glauco Saraiva, foi um poeta crioulo, tradicionalista, folclorista, historiador, professor, pesquisador, escritor, conferencista, músico, e compositor. 

Era filho mais novo de Álvaro Saraiva da Fonseca e Maria Luiza Saraiva da Fonseca. Teve 07 (sete) irmãos. Deixou uma filha: Maria Luiza Saraiva Soares.

Foi sócio fundador da Estância da Poesia Crioula e do 35 Centro de Tradições Gaúchas, do qual foi o primeiro patrão. Idealizou e tornou realidade o IGTF - Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore, órgão vinculado a Secretária de Estado da Cultura, instituído pelo Decreto n.º 23.613, de 27 de dezembro de 1974, tendo sido seu primeiro diretor técnico, o Parque Histórico General Bento Gonçalves da Silva, na Estância do Cristal e o Galpão Crioulo do Palácio Piratini, que pelo Decreto Estadual nº 31.204, de 1º de agosto de 1983, passou a chamar-se Galpão Gaúcho Glaucus Saraiva

Foi professor de folclore do curso de Pós-Graduação da Faculdade de Música Palestrina, professor no Curso de Extensão Universitária da PUC (Folclore na Educação) e no SENAC (Culinária Gauchesca e Usos e Costumes do Sul), e conferencista internacional sobre folclore. Presidiu três congressos tradicionalistas: em Santa Vitória do Palmar (1973), Pelotas (1975) e Passo Fundo (1977). Desenvolveu, também, profunda pesquisa sobre os brinquedos tradicionais das crianças gaúchas, promovendo exposições e publicações a este respeito. Formulou a Carta de Princípios do MTG - Movimento Tradicionalista Gaúcho, o mais importante documento para a fixação da ideologia e dos compromissos tradicionalistas, aprovada no 8º Congresso Tradicionalista, em julho de 1961 em Taquara - RS. Autor da nomenclatura simbólica do tradicionalismo.

Publicou ainda os ensaios “Manual do Tradicionalista” e “Catálogo da Mostra de Folclore Juvenil”. Foi vocalista dos conjuntos “Os Gaudérios” e “Quitandinha Serenaders” entre 1950 e 1955, além de atuar na Rádio Farroupilha e Rádio Nacional do Rio de Janeiro, de 1948 a 1955. Mas sua ligação com a música foi ainda mais profunda deixando registrado grandes clássicos como: Cigarro de Palha, Porongo Velho, Tropereada, O Rum é a Gente que Abre, Casa Grande de Estância (com Luiz Telles), entre outras. Seu poema mais conhecido é chimarrão.
 
 
Glaucus Saraiva, de roupa "Safari"
 
Esta foto acima me faz recordar que certa feita eu estava num congresso tradicionalista em Bagé e Glaucus Saraiva ministrava uma palestra sobre indumentária gaúcha. Glaucus Saraiva estava vestido com uma roupa "Safari", que era moda na época. Era um conjunto de casaco sem manga, da mesma cor da calça. Em dado momento um participante levantou no meio da plateia e questionou: - Como pode alguém vestido desta forma vir falar de traje gaúcho?
 
Era a deixa que Glaucus Saraiva esperava. Parecia proposital. Então ele deu novo rumo a sua prosa dizendo que a verdadeira pilcha gauchesca não deve estar no corpo e sim na alma, coisa e loisa, loisa e tal..... Resumo da ópera. Saiu aplaudido.


sexta-feira, 16 de julho de 2021

TEMOS QUE SER FORTES

 

Crist





REPONTANDO DATAS / 16 DE JULHO

  

 

No dia 16 de julho de 1840 aconteceu a Batalha de São José do Norte, quando os farroupilhas atacaram a cidade que, na época, era uma vila. Os nortenses resistiram e, devido a essa resistência, receberam do Imperador Dom Pedro II o título de “Mui Heróica Vila”. 

Esta localidade era ponto estratégico pois daria vasão ao mar através da lagoa. Quando Bento Gonçalves da Silva, após várias tentativas de invasão, com suas tropas cercando a cidade, foi sabedor pelo seu alto comando de que a única forma de sucesso seria incendiando as casas, o grande líder farrapo abdicou da vitória e bateu em retirada.  
 
Há quase duas décadas os moradores de São José do Norte rememoram, neste dia, tal fato histórico. São dezenas de cavalarianos que fazem percurso por entre as ruas da cidade (fotos).

Em virtude da pandemia tal comemoração, no ano passado, foi suspensa. Não se tem notícia se hoje a data será relembrada desta forma mas, ao que tudo indica, teremos mais um ano sem esta bonita e típica festividade.    

 
  


 

quinta-feira, 15 de julho de 2021

ATENÇÃO POETAS E POETISAS

 

Neste ano de 2021 a Comissão Estadual dos Festejos Farroupilhas, da mesma forma que faz em relação a Música Tema, resolveu promover um concurso de poesias. A temática, obviamente é a mesma que vai nortear as comemorações deste ano, ou seja, CAMINHOS DE ANITA.

Em seguida o regulamento estará nas ruas mas estamos adiantando a matéria para que as poetisas e os poetas deste Rio Grande já vão alinhavando seus versos. 

A poesia escolhida será amplamente divulgada e terá a interpretação da declamadora Liliana Cardoso, patrona dos Festejos Farroupilhas de 2021. 

Mil gracias a Comissão que, pela primeira vez, vislumbrou e deu vasa a esta arte tão popular no Estado.