RETRATO DA SEMANA


O retrato não é de Paris, Londres, ou alguma nação escandinava. É São Chico de Paula, meu "ermão". Foto: Marcelo Cosma.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

 

CHARQUEADAS 

da opulência às revoluções


Solar da Baronesa, em Pelotas, o reduto das charqueadas.


Surgimento e importância econômica

O gado foi a base da economia gaúcha durante um longo período da história do Rio Grande. Introduzido pelos jesuítas, atraiu os tropeiros que vinham de São Paulo e Minas para buscar gado e levá-lo para aquelas províncias. Serviu, também, de esteio para a fixação de habitantes, na medida em que permitiu uma atividade econômica para os estancieiros que aqui se fixaram.

Essa base seria ainda mais consolidada com o surgimento das charqueadas. Elas iriam produzir o charque, um produto que era a base da alimentação de escravos em todo o Brasil. E, com essa produção, trariam riqueza à região de Pelotas, que se tornou uma espécie de "capital cultural" do Estado.

As charqueadas começaram a surgir na região de Pelotas em torno de 1780. Anteriormente, o charque já era produzido no sul do continente, mas de maneira artesanal e em pequena escala. No entanto, uma série de secas sucessivas no Nordeste, onde estava concentrada a maior produção de charque do país, criou uma oportunidade para o produto gaúcho. E o charque começou a ser produzido em maior escala.

Opulência

A partir desse momento, a produção de charque se tornou o centro da vida econômica da região de Pelotas. As charqueadas estavam situadas ao longo de rios que facilitavam o transporte para o porto de Rio Grande - de onde o charque seguia para o Rio e outros portos brasileiros. Com o dinheiro gerado por elas, Pelotas se transformou. Essa renda permitiu que surgisse um grupo de famílias ricas e que cultivavam hábitos sofisticados.

Em 1835, Wolfhang Harnish descrevia a cidade de Pelotas como um local de opulência extrema: "... já funcionam 35 charqueadas nos arredores da cidade... A riqueza que trazem é fantástica... Esses milionários pelotenses bem que poderiam ter vivido no Rio ou em Nice ou ainda em Paris, poderiam ter concorrido com os fidalgos russos no luxo e na dissipação de Monte Carlo".

Miséria

A contraparte dessa opulência eram as próprias charqueadas, onde os enormes grupos de escravos eram submetidos a um trabalho exaustivo. E, como estavam reunidos em grupos muito grandes, os senhores adotavam a política de extrema intimidação para mantê-los obedientes. As charqueadas eram verdadeiros "estabelecimentos penitenciários", como bem as descreveu o francês Nicolau Dreyf, no livro "Notícia Descritiva da Provincia de São Pedro do Rio Grande do Sul".

Parte desse tratamento brutal dado aos escravos se devia ao interesse econômico: quanto mais produzissem, mais seus donos lucravam. Outra parte, entretanto, vinha do medo: com uma enorme população escrava, Pelotas era, potencialmente, um foco de rebeliões. Por isso, ao menor sinal de revolta eram tomadas providências drásticas. Para que se tenha uma idéia do tamanho da população escrava de Pelotas: existiam ali, em 1833, 5.169 escravos, 3.555 homens livres e 1.136 libertos.

Não obstante a violência e os métodos relativamente primitivos usados pelas charqueadas da região de Pelotas, elas foram capazes de sobreviver e gerar lucros consideráveis até o final do escravismo. A partir de então, enfrentaram dificuldades cada vez maiores e terminaram por se extinguir.

A Charqueada Santa Rita no Caminho Farroupilha

Às margens do Arroio Pelotas e do Canal São Gonçalo, Pelotas possui um dos mais ricos patrimônios arquitetônicos dos primeiros anos do século XIX, resultado direto da riqueza que a indústria do charque trouxe para a região.

Exatamente por esta riqueza e desenvolvimento comercial, ameaçado pela política do Império brasileiro, que aumentou os impostos sobre as charqueadas e outros produtos da economia rural, é que a cidade teve grande importância na Revolução Farroupilha. Os proprietários das charqueadas aliaram-se aos fazendeiros e lideraram o movimento rebelde.

Uma das maiores batalhas em Pelotas aconteceu em 24 de fevereiro de 1838, quando a tropa Farroupilha atacou os Imperiais no canal São Gonçalo, na tentativa de tomar a região de Pelotas e Rio Grande. A passagem do canal São Gonçalo era de fundamental importância, pela sua rápida ligação com o mar. Entretanto, as canhoneiras imperiais foram para o meio do canal, onde ficavam fora do alcance dos tiros. Bem posicionados, abriram fogo. O bombardeio durou quase 4 horas, do meio da tarde até o anoitecer. Com muitas perdas os Farrapos recuaram.

A cidade permaneceu fiel ao Império, embora tenha sido invadida pelos farroupilhas duas vezes. Mas de seu comércio e de sua sociedade saíram homens e dinheiro para engrossar e sustentar as tropas do General Bento Gonçalves.

Domingos José de Almeida, charqueador, intelectual, e homem de negócios pelotense foi o principal ideólogo do movimento revolucionário. Após a proclamação da República Rio-grandense foi seu ministro da Fazenda. Mineiro, nascido em 1797, veio ao Rio grande do Sul em 1819 para reunir tropas de mulas e levá-las até Sorocaba, mas acabou se estabelecendo em Pelotas. Empresário bem sucedido, além de dono de uma companhia de navegação com veleiros que transportavam produtos para as províncias do norte, tornou-se o mais próspero entre os charqueadores.

Sua charqueada era considerada um modelo de organização. Culto, sua biblioteca era a mais completa do Rio Grande do Sul. Lia livros originais em francês e inglês. Também guerreiro de coragem, ascendeu de major a coronel da Guarda Nacional. Quando a guerra estava sendo preparada, era Deputado da primeira Assembléia Provincial.

Foi, junto com Pedro Boticário, um dos mais intransigentes na deposição de Fernandes Braga e na tentativa de impedir a posse de José de Araújo Ribeiro. Ainda, foi um dos que convenceu Antônio de Souza Netto a proclamar a República, em 11 de setembro de 1836. Junto com Gomes Jardim, assinou um decreto que criou a bandeira oficial Farroupilha. Em 1838 se empenha na compra de uma tipografia, colocando o jornalista italiano, Luigi Rosseti, como editor de "O Povo".

Também da riqueza de Domingos José de Almeida e da sua senzala, onde moravam centenas de escravos, nasceu um dos corpos de combatentes mais destacados da Revolução Farroupilha, os "Lanceiros Negros", que foram liderados pelo coronel Teixeira Nunes.

Domingos José de Almeida era casado com Bernardina Barcellos de Lima, filha de Bernardino Rodrigues Barcellos, que por sua vez era irmão de Inácio Rodrigues Barcellos (proprietário da Charqueada Santa Rita), e de Cipriano, Boaventura e Luís Rodrigues Barcellos.

A família Rodrigues Barcellos foi proprietária do maior número de charqueadas situadas às margens do Arroio Pelotas. Farroupilhas convictos, em novembro de 1835, os irmãos Barcellos chegaram a oferecer um baile no solar de Boaventura, no centro de Pelotas, uma semana após o desembarque de José de Araújo Ribeiro (que estava para ser nomeado presidente da Província Rio-grandense, nomeado pelo Padre Diogo Feijó) com o intuito de facilitar o entendimento inicial entre o líder dos Farrapos, General Bento Gonçalves, e o novo presidente. Apesar da iniciativa dos irmãos Barcellos, os líderes não se entenderam, e o resultado mostrou-se bastante sangrento.

Hoje, ao visitar as antigas charqueadas de Pelotas e caminhar pelas ruas do centro da cidade, entre os prédios da época, não é difícil imaginar que naqueles sobrados, naquelas salas, os prósperos homens do comércio e do campo se reuniam para conspirar nos primeiros anos da década de 1830.


quarta-feira, 27 de maio de 2026

 


SEM MUDAR O VELHO TRANCO




Bico de pena de : Costa Araújo

SEM MUDAR O VELHO TRANCO
(Léo Ribeiro)

Ouvindo as esporas me fiz andarengo,
por ser meio rengo uma canta em primeira
a outra responde num tom mais acima
e as duas se afinam dançando a vaneira.

Assim é a vida, assim é meu jeito,
se tenho defeitos, virtudes me sobram
não grito por pouco, não pulo janela
e só na capela meus joelhos se dobram.     

Sou voz de cordeona que brota da alma
as vezes com calma e outras nem tanto.
Eu sou o Rio Grande que vem do gaitaço
com ela nos braços é que me garanto.

Aquilo que sei aprendi nos “aperto”
o campo liberto foi meu gabinete,
se tudo vem fácil a gente nem nota
e a perna cambota não faz o ginete

Eu sou sempre o mesmo, não mudo a pegada,
por coisas passadas não perco meu sono.
Não gosto de burro que é manso por magro
mas quando tratado derruba o seu dono.

Eu sigo na lida de taura gaiteiro
tapeando o sombreiro e suando a camisa
d’estampa campeira meu luxo é o sorriso
prum cabelo liso nem pente precisa.

Cortado do tempo que a tudo consome
não sou mais um homem de farra em balcão
mas levo ao reponte a mesma cantiga
que fala de vida, de povo e de chão. 


 


GRANDES PINTORES

 

DA CULTURA GAUCHA DE TRÊS BANDEIRAS

Óleo sobre tela de Aldo Chiappe

Aldo Chiappe nasceu em Buenos Aires em 1962


terça-feira, 26 de maio de 2026

 


O LOBISOMEM NO FOLCLORE GAÚCHO


 



Viramos o século e aqui pelo Rio Grande do Sul se acredita em Lobisomem. Tal mito é basicamente a crença que determinados homens podem se transformar em um monstro meio lobo meio homem.

Já na Grécia clássica se conhecia o Licantropo, literalmente lobo-homem. Deve-se aos gregos a expressão licantropia, usada para designar o fenômeno. Na Roma dos Césares, era o Versipélio, o Lobisomem latino.

O mito no Rio Grande do Sul sustenta que o sétimo filho homem de uma família será fatalmente Lobisomem -  a menos que seja batizado pelo irmão mais velho. Há, também, uma forma folclórica de se transmitir o fado: quando um velho que é Lobisomem sente que ai morrer, ele fica sofrendo muito a alguém mais moço. E não consegue morrer antes disso. Se tem algum guri ou moço por perto ele simplesmente pergunta: "Tu queres?". O ingênuo normalmente acredita tratar-se de algum presente e responde: "Sim". Aí o velho morre feliz porque transmitiu o fado.

O homem que tem o fado de Lobisomem é sempre de raça branca, pelo duro (ou seja, não há Lobisomem negro, alemão ou gringo), magro, de olhos no fundo, dentes salientes e cara de cor amarelada, muito pálido. Quase sempre mora sozinho. Mais raramente vive com a mãe, uma velha muito estranha. Mais raramente ainda é casado e a mulher ignora o fato.

Mora sempre em um rancho o mais isolado possível, obrigatoriamente com um galinheiro nos fundos.

O fado do Lobisomem é uma cruz que ele carrega. Não fazendo mal a ninguém, ele é mais uma vítima do que um carrasco. Se é atacado, reage. E morde cachorros e até pessoas, mas se puder evitar isso ele evita. O lobisomem tem que cumprir o seu fado , que é correr nas sextas-feiras de lua cheia, da meia noite ao clarear do dia.

À meia-noite ele se rebolca no sujo das galinhas, rolando no chão e se transforma. Quando vai amanhecer ele retorna ao galinheiro, se rebolca novamente e volta a ser gente.

Durante sua ronda fatídica, se ele é ferido por arma branca, transforma-se e aí, já como homem, mostra o mesmo ferimento no mesmo lugar em que, como monstro, foi ferido. Se alguém atira sal nele enquanto Lobisomem, no outro dia, como homem, ele virá a casa da pessoa que atirou o sal, devolvendo um punhado, como se tivesse recebido por empréstimo.

Em cada cidade gaúcha correm histórias envolvendo o velho mito do Lobisomem. Cuidem-se, portanto. 


Do livro Mitos e Lendas do Sul - Antônio Augusto Fagundes




segunda-feira, 25 de maio de 2026

 




A ingratidão, meu rapaz,

mando pra longe e te digo:

- Se algo me tira a paz

não merece andar comigo!


Uma boa semana a todos.



 

 

REPONTANDO DATAS - 25 DE MAIO

NASCE O GENERAL ANTÔNIO DE SOUSA NETO 


Antônio de Souza Netto nasceu em Rio Grande em 25 de maio de 1803 e morreu em Corrientes em 2 de julho de 1866.
Veio ao mundo na estância paterna, em Capão Seco (Rio Grande), no distrito de Povo Novo; lá é lembrado pelo CTG General Netto (de Povo Novo). Era filho de José de Sousa Neto, natural de Estreito (São José do Norte), e de Teutônia Bueno, natural de Vacaria. Por parte de pai, era neto de Francisco Sousa, natural de Colônia do Sacramento. Descendia, pelo lado materno, do português João Ramalho, que vivia em São Paulo antes do povoamento e que casou com a índia Bartira (Isabel), filha do cacique Tibiriçá.
Era coronel comandante de legião da Guarda Nacional de Bagé, quando começou a Revolução Farroupilha. Organizou, junto com José Neto, Pedro Marques e Ismael Soares da Silva, o corpo de cavalaria farroupilha. Era o general da primeira brigada do exército liberal republicano.
Em 1º de junho de 1836, participou do ataque a Rio Grande sem sucesso. Após a Batalha do Seival, proclamou a República Rio-Grandense, no Campo dos Menezes, a 11 de setembro de 1836. Lutou em diversas batalhas pelos republicanos, tendo comandado o cerco a Porto Alegre, durante vários meses, e a retomada de Rio Pardo, que estava nas mãos dos imperiais.
Em 7 de janeiro de 1837, travou o combate do Candiota, em que foi derrotado por Bento Manuel, mas já no dia 12 de janeiro, em Triunfo, vencia as tropas do coronel Gabriel Gomes, que morreu em combate.
Em abril de 1837 comandou a conquista de Caçapava, recebendo a adesão dos novecentos homens da guarnição imperial ali comandada por João Crisóstomo da Silva, apoderando-se de quinze peças de artilharia, quatro mil armas de infantaria e farta munição de boca e de guerra. Esses recursos possibilitaram a subsequente conquista de Rio Pardo, a 30 do mesmo mês, levando a que o comandante militar da Província, marechal Barreto, respondesse a um Conselho de Guerra.
Em Rio Pardo, em 30 de abril de 1838, junto a Davi Canabarro, Bento Manuel e João Antônio da Silveira, derrotou os legalistas, comandados por Sebastião Barreto Pereira Pinto e os brigadeiros Francisco Xavier da Cunha e Bonifácio Calderón. Em 18 de junho de 1840, acampado perto do Arroio Velhaco, foi atacado de surpresa por Francisco Pedro de Abreu e perdeu diversos homens, inclusive o coronel José de Almeida Corte Real, um dos melhores oficiais farroupilhas.
Abolicionista ferrenho, foi morar no Uruguai após a guerra, com os negros que o acompanharam por livre vontade e onde continuou com a criação de gado.
Retornou à luta em 1851, na Guerra contra Rosas, com sua cavalaria na brigada de Voluntários Rio-Grandenses, organizada inteiramente à sua custa, o que lhe valeu a promoção a brigadeiro Honorário do exército, e a transformação de sua brigada em Brigada de Cavalaria Ligeira.
Voltou ao combate na Guerra contra Aguirre e depois, juntamente com seu exército pessoal, na Guerra do Paraguai. No comando em brigada ligeira fez a vanguarda de Osório na invasão do Paraguai, no Passo da Pátria, em 16 de abril de 1866. Sua brigada ostentava sempre, ao lado da bandeira do Brasil Imperial, o pavilhão tricolor da República Rio-Grandense. Na batalha de Tuiuti, foi importante na defesa do flanco da tropa brasileiro, mas foi ferido a bala e mandado para um hospital em Corrientes, Argentina, onde morreu e foi inicialmente sepultado. Em 1966, no centenário de sua morte, seu corpo foi exumado e transferido para um mausoléu em Bagé.
O PROCLAMADOR DA REPÚBLICA RIO-GRANDENSE

Óleo sobre tela de Antônio Pereira

Entusiasmado pela estrondosa vitória na Batalha do Seival, Antonio de Sousa Neto, no dia seguinte, proclamou a República Rio-grandense. Aquilo que era uma revolução, isto é, de uma província contra seu império, tornou-se uma guerra, de uma nação independente contra outra nação. O Rio Grande do Sul, a partir daquele ato, não estaria mais subjugado.


domingo, 24 de maio de 2026

 


TRADICIONALISMO TEM NOVO PRENDADO


Prendas da gestão 2025/2026 fizeram sua despedida

Aconteceu neste final de semana no CTG Sentinela da Querência, em Erechim, a 55ª Ciranda Cultural de Prendas. Este grandioso evento é uma promoção do Movimento Tradicionalista Gaúcho e visa escolher as prendas que representarão a entidade em suas atividades no próximo ano.

Carregar esta faixa é uma responsabilidade enorme e as candidatas de cada Região Tradicionalista preparam-se para as provas durante longos anos. 

Parabéns e sucesso a estas novas representantes:


prendas selecionadas para representar o RS em 2026/2027 
Fonte e foto: blog Tradição, Folclore e Cultura Gaúcha
Rogério Bastos

CATEGORIA ADULTA

1ª Prenda - Luiza Berger Von Ende - DTG Noel Guarany, 13ª RT (Santa Maria) 

2ª Prenda - Luiza Tormes - CTG Sangue Nativo, 22ª RT (Parobé) 

3ª Prenda - Luisa Tormöhlen - CTG Sentinela do Rio Grande, 20ª RT (Independência)

 

CATEGORIA JUVENIL 

1ª Prenda - Dara Montagna Neto - CTG Mata Nativa, 12ª RT (Canoas) 

2ª Prenda - Yasmin Andrade Sauer - Centro Nativista Boitatá, 3ª RT (São Borja) 

3ª Prenda - Izabelly Borges Albrecht - CCN Piazito Carreteiro, 9ª RT (Ijuí)

 

CATEGORIA MIRIM 

1ª Prenda - Julia Fritzen da Silva - CTG Rodeio da Querência, 28ª RT (Frederico Westphalen) 

2ª Prenda - Ana Clara Kerber - CTG Cezimbra Jaques, 20ª RT (São Martinho) 

3ª Prenda - Sophia Schleder Scapin - GTCN Velha Carreta, 25ª RT (Caxias do Sul)

 

Com o resultado, Santa Maria sediará a 56ª Ciranda Cultural de Prendas em 2027  



 

31ª TAFONA DA CANÇÃO NATIVA 


Músicos integrantes da composição vencedora
Foto: Blog Ronda dos Festivais  


Com afluência de grande público nos dias 21, 22 e 23 de maio aconteceu na cidade de Osório, a 31ª edição da Tafona da Canção Nativa, tradicional festival litorâneo que dá vasa a musicalidade afro-açoriana.  Tradicionalmente o evento ocorria junto ao Rodeio de Osório mas o novo local (no Largo dos Estudantes) no centro da cidade mostrou que veio para ficar.

O resultado final extraído do blog Ronda dos Festivais, de Jairo Reis, foi o seguinte:   

 

Primeiro Lugar: SOU PRETO, DE MAÇAMBIQUE E QUICUMBI

Gênero: Batuque/Maçambique

Letra: Carlos Hanh

Melodia: Pedro Guerra Pimentel

Interpretação: Cláudio Amaro e Edson Vieira

Pedro Guerra Pimentel: Violão e Vocal

Kako Xavier: Contrabaixo, Tambor e Vocal

Marcelo Pimentel: Percussão

 

Segundo Lugar: FILHAS DO VENTO

Gênero: Milonga

Letra: Vaine Darde

Melodia: Charlise Bandeira/Felipe Goulart

Interpretação: Shana Muller e Laura Dalmás

Felipe Barreto: Violão

Cristian Sperandir: Teclados

Charlise Bandeira:  Flauta

 

Terceiro Lugar: AMÁLIA QUE BENZE

Gênero: Polca

Letra: Su Paz

Melodia: Kauanny Klein

Interpretação: Su Paz e Kauanny Klein

Carlos Moller:  Violão

Joaquim Velho: Gaita Botoneira

Bruno Coelho: Percussão

Marcello Caminha Filho: Contrabaixo

 

Melhor Intérprete:  SU PAZ e KAUANNY KLEIN

Música: Amália que Benze

 

Melhor Instrumentista:  MARCELO PIMENTEL

Música: Sou Preto, de Maçabique e Quicumbi

Instrumento: Percussão

 

Melhor Letra: QUARTOS DE LUA

Autor: Ivan Therra

 

Melhor Melodia: FILHAS DO VENTO

Autores: Charlise Bandeira e Felipe Goulart

 

Música Mais Popular:  BAH 2 !!!

Gênero: Vaneira

Letra: Renato Junior

Melodia: Renato Júnior

Interpretação: Clóvis "Coquinha" Fortes

Libório: Acordeon

Leandro Freitas: Contrabaixo

Douglas dos Anjos: Violão

Da Costta: Pandeiro

Coquinha: Violão




sábado, 23 de maio de 2026

 

ESTÂNCIA NAS MISSÕES




Acontecerá hoje (23), as 17h, o grande Recital Poético da Estância da Poesia Crioula direto do sítio arqueológico de São Miguel das Missões aonde diversos artistas associados da entidade, entre poetas, declamadores e amadrinhadores, apresentarão poesias do saudoso tronco missioneiro Jayme Caetano Braun, ex-presidente da Academia Xucra do Rio Grande. O evento integra as comemorações dos 400 anos da chegada dos jesuítas. 

Quem desejar acompanhar este lindo encontro poético poderá fazê-lo, ao vivo, pelo YouTube da Estância da Poesia Crioula.

Por estar me recuperando de um procedimento cirúrgico tive que suspender minha participação mas desejo a todos, diretoria e organizadores, muito sucesso na empreitada. 

     

sexta-feira, 22 de maio de 2026

 


BANDEIRA GAÚCHA NO TOPO DO MUNDO


Roberto Lucchese com o Pavilhão Tricolor no topo do Everest


O alpinista gaúcho Roberto Lucchese, após 15 anos treinando e 40 dias de expedição, no dia 20 de maio realizou um sonho e ruflou o pavilhão rio-grandense nos píncaros do Monte Everest (8.848m) o ponto mais alto da terra.  

Assim se manifestou o autor desta grande proeza: "SOMOS pessoas SIMPLES, GAÚCHOS, realizando feitos EXTRAORDINÁRIOS. E não falo só do EVEREST, estou falando do nosso povo, guerreiro, resiliente e batalhador, que faz surgir através dos seus sonhos esse orgulho quase religioso no nosso peito. Esse orgulho de ser gaúchos ninguém nos tira". 


Há quatro dias de alcançar o topo Roberto postou esta foto

    

quinta-feira, 21 de maio de 2026

 


O TEMPO PASSA E NADA MUDA






Lendo um livro sobre vida e obra de Carlos Von Koseritz (foto), lusitano que veio para o Brasil, em 1851, como grumete do navio Heinrich, o mesmo que trouxe um contigente de mercenários alemães (os Brummer), recrutados para lutar na Guerra contra Oribe e Rosas e que ao chegar ao Rio de Janeiro fugiu, engajando-se no citado contingente, posteriormente vivendo na miséria e doente em Pelotas, até tornar-se ilustre empresário, político, jornalista e escritor, uma frase chamou-me a atenção:

Ao viajar em 1883 ao Rio, Koseritz visita o Congresso e diz: "É um circo de cavalinhos com lonas rotas onde os  políticos fazem malabarismos que ninguém mais aplaude, fazem palhaçadas de que ninguém mais ri".

Então nós perguntamos: - Algo mudou nestes 143 anos?


 




quarta-feira, 20 de maio de 2026




Última Lembrança com Luiz Menezes, 
que hoje (20) estaria completando 104 anos.

Detalhe da capa do disco. Única vez que Antônio Augusto Fagundes 
colocou um lenço vermelho no pescoço. 



 

 


REPONTANDO DATAS / 20 DE MAIO

 




Neste dia 20 de maio registramos a data de nascimento de Luiz Menezes que, no ano de 1922, deu ôh de casa na cidade de Quarai. Filho de Franklin Menezes e Carlota Carvalho Menezes, foi casado primeiramente com Haydée Pedroso de Menezes de quem viuvou e após com Sonia Menezes. 

O poeta, autor de 4 livros publicados: Tropa Amarga – Além do Horizonte, Chão Batido e Antologia Poética – 50 Anos de Poesia também escreveu várias peças para o rádio teatro. Além de poeta, foi compositor, radialista, cantor, violonista, redator, escritor e apresentador de programa de auditório e cronista. Também participou como ator, cantor seresteiro, na novela “Mestiça”. Aos 18 anos já era cabo do exército, servindo a pátria por 3 anos. Foi muito incentivado pelo escritor Josué Guimarães.

Iniciou sua carreira no rádio em 1952, convidado pelo Poeta Lauro Rodrigues, para fazer parte do Programa “Campereadas”, programa este apresentado na Rádio Gaúcha.

Logo após nesta mesma emissora passou a produzir e apresentar inúmeros programas, onde cantava, fazia músicas e se acompanhava ao violão.

Em l954 fez a canção “Piazito Carreteiro”, música de grande repercussão na época, pois trazia uma nova maneira para interpretar a música regional gauchesca.

Em 1956, ganhou o prêmio de melhor compositor, em concurso realizado pela Zero Hora.

Em 1957, indicado por Darcy Fagundes, com quem formaria a mais famosa dupla de apresentadores, foi contratado pela Rádio Farroupilha, para que juntos apresentassem o Grande Rodeio Coringa, aonde trabalharam por 15 anos. Também, ao lado de Darcy, Luiz Menezes apresentou o primeiro programa gauchesco de Televisão na antiga TV Piratini. O programa chamava-se “Querência”.

Em 1967, a sua música mais famosa “Piazito Carreteiro” foi escolhida para fazer parte de uma coletânea de músicas de autores brasileiros, na França, no LP “Brasil”. O Direito autoral desse disco, foi para os órfãos da II Grande Guerra. O “Piazito” foi representando o Rio Grande do Sul.

Em 1968, gravou, juntamente com Darcy, seu primeiro LP: Tropa Amarga. Quase todos os conjuntos e cantores do Rio Grande e alguns de outros estados, gravaram músicas de Luiz Menezes, com destaque para “Última Lembrança” que já recebeu sua 42ª gravação com diferentes cantores e conjuntos.

Trabalhou nas seguintes rádios e televisões de Porto Alegre: Rádio Gaúcha, onde iniciou, Rádio Farroupilha, Rádio Difusora e nas Televisões: Piratini e Bandeirante, com várias participações na TV Gaúcha.

Gravou 4 LP’s e 1 CD, participando de vários outros. No total são mais de 100 músicas gravadas por ele e por outros conjuntos e cantores, e que ficarão eternizadas no coração de cada gaúcho.

Orgulhava-se de ter introduzido a milonga no repertório gauchesco. A primeira milonga gravada com letra em português intitula-se "Milonga de Contrabando".

Do governo do Estado recebeu a medalha Negrinho do Pastoreio, a maior distinção oferecida. Da Câmara de vereadores de Porto Alegre recebeu a Comenda "Glaucus Saraiva" entre outras tantas. Foi homenageado especial da Semana Farroupilha de 2005, espécie de Patrono do evento.

Este foi Luiz Alberto Menezes, poeta gaúcho que enriqueceu nossa cultura como poucos o fizeram.


terça-feira, 19 de maio de 2026

 


CAVALO CARAMELO TERÁ ESTÁTUA




O símbolo de resiliência das enchentes que assolaram nosso Estado há dois anos atrás vai  ganhar uma estátua. O cavalo Caramelo terá um monumento em um dos municípios mais afetados pelas cheias. A homenagem será erigida em Estrela, no Vale do Taquari, que teve 70% seu território atingido pela força das águas. 

A obra terá a assinatura do escultor pernambucano Ranilson Viana e deve ficar exibida no Business Park, que fica às margens da BR-386, na entrada do município. A expectativa é que os trabalhos durem em torno de 3 meses.

“A enchente foi um momento muito triste, mas o Caramelo representa um símbolo de resistência e resiliência. Ele ficou preso lá por quatro dias, mas nos mostrou que, por mais difícil que uma situação possa parecer, sempre há uma saída”, afirma a prefeita de Estrela, Carine Schwingel.

A estátua terá quatro metros para representar um metro por dia que o cavalo ficou ilhado. A base será feita como um telhado, à semelhança do local onde ele ficou preso em Canoas, em meio às águas.



 

segunda-feira, 18 de maio de 2026

 




Quem só critica e não faz, 
quem nunca pega parelho, 
só é pessoa capaz 
a grito e cabo de relho.


Uma boa semana a todos. 





domingo, 17 de maio de 2026

 


MEU PRIMEIRO ÁLBUM DE FIGURINHAS 

(COMPLETO)




Em virtude da aproximação de mais uma copa do mundo de futebol os álbuns de figurinhas dos jogadores de cada seleção voltam a todo o vapor. 

Talvez os mais jovens nem saibam o que é isso, mas no meu tempo os álbuns eram o "xodó". De futebol, de artistas televisivos, cantores.... A gente comprava o pacotinho de figurinhas, que  não eram autoadesivas como agora, e íamos correndo para casa colar, trocar ou bater figurinhas (um jogo - deixava a figurinha virada e com o bafo da palma da mão batia. Se desvirasse era tua). E tinham aquelas estampas que eram as mais difíceis de encontrar. 

Por falta de dinheiro eu nunca consegui completar nenhum dos meus álbuns.

Pois há cinco anos atrás obtive meu primeiro álbum completo. Ganhei da Professora Lori, minha vizinha em São Chico de Paula e confreira da Academia Serrana de Letras. Sabedora do meu gosto pela história do Rio Grande me ofertou este regalo que tem 91 anos. Isto mesmo, foi lançado em 1935, por ocasião do Centenário da Revolução Farroupilha. Uma relíquia. Vou guardá-lo com o maior carinho e apreço. 

Bombeiem algumas páginas:













sábado, 16 de maio de 2026

 







sexta-feira, 15 de maio de 2026

 


Estirado pelo catre enquanto me recupero de um procedimento me pego a pensar como o gauchismo tornou-se elitizado impossibilitando pessoas de menor poder aquisitivo participar do culto as nossas tradições ao contrário, por exemplo, das culturas populares nordestinas. 

Tenho para mim que um dos motivos é que não temos mais mostras folclóricas, ou seja, tudo virou disputas e a expressão natural das necessidades de um povo rio-grandense mais humilde, o campeiro, o peão, a chinoca de vestido de chita, desapareceram em meio a uma sociedade vestida de veludo em busca de troféus.

É concurso de tiro de laço, concurso de gineteada, concurso de gaita, concurso de sapateio, concurso de trovas, concurso de poesias, concurso de músicas, concurso de prendas, concurso de peões, concurso de churrasco... Como dizia meu saudoso amigo Nilson Gonçalves lá da legendária São Chico "daqui uns dias vai ter concurso de cuspe a distância". 

Esta demanda por apontar quem são os melhores levou a uma aristocratização que segregou através de uma barreira física, econômica e cultural a gauchada mais modesta.

Não se veste mais a pilcha que não seja ambicionando um prêmio. Os improvisos poéticos e musicais ao pé de um fogo-de-chão mudaram-se para os palcos iluminados. Até mesmo a dança da chula trazida pelos antigos tropeiros birivas como divertimento no entremeio das pousadas de tropas virou arrogância entre os contendores. A garra misturou-se com a prepotência e a autenticidade cedeu lugar a pirotecnia.

Realmente uma pena chegarmos aqui desta maneira excludente. Por isso mesmo admiro aquelas entidades que lutam somente com o cabo da faca para levar as nossas tradições até os seus associados.