RETRATO DA SEMANA


Que a paz dos campos repouse em nossos corações. Óleo sobre tela: Autor desconhecido

terça-feira, 6 de outubro de 2026

 


REPONTANDO DATAS / 06 DE OUT


Num dia 06 de outubro, do ano de 1998, morria em Santa Maria o grande cantor missioneiro Noel Borges do Canto Fabrício da Silva, o Noel Guarany

 
Noel Guarany era descendente de italianos e índios guaranis, e nasceu em 26 de dezembro de 1941, na Bossoroca, então um distrito de São Luiz Gonzaga, Rio Grande do Sul.
Na adolescência, aprendeu, de maneira autodidata, o idioma guarani, bem como a compor, tocar e cantar.
Na década de 1960 percorreu diversos países latino-americanos, onde colheu diversos ensinamentos que utilizou como subsídio para criação de suas músicas durante toda a sua futura carreira.
No final da década, apresentou alguns programas radiofônicos nas rádios de Cerro Largo e São Luiz Gonzaga, bem como nas rádios Gaúcha e Guaíba de Porto Alegre, RS.
Em 1970, lançou, em conjunto com Cenair Maicá, com o qual vinha se apresentando pelo Rio Grande do Sul e em festivais na Argentina, um compacto simples, com as músicas Filosofia de Gaudério e Romance do Pala Velho.
No ano seguinte, grava o seu primeiro LP, Legendas Missioneiras, pela gravadora RGE, que traz, entre outras, parcerias com Jayme Caetano Braun, Glênio Fagundes e Aureliano de Figueiredo Pinto. Neste disco, além das músicas constantes do compacto anterior, estão presentes outras pérolas de seu repertório, como Fandango na Fronteira, Gaudério e Eu e o Rio.
Em 1973 sai Destino Missioneiro, pela gravadora Phonogram/Sinter, no qual repete algumas das parcerias do disco anterior, bem como traz composições próprias e de Barbosa Lessa e uma parceria com Aparício Silva Rillo. Neste disco, estão presentes grandes músicas como Destino Missioneiro e Destino de Peão. Nesta época, ainda em tempos da ditadura militar, passa a ser perseguido em alguns shows devido a suas convicções democráticas e libertárias, conforme registra ao vivo nesse álbum.
Seu terceiro LP é Sem Fronteiras, lançado em 1975 pela EMI/Odeon, que está repleto de músicas que acabaram se tornando clássicos do cancioneiro gaúcho, como Romance do Pala Velho, Potro Sem Dono (de Paulo Portela Fagundes), Filosofia de Gaudério, Balseiros do Rio Uruguai (de Barbosa Lessa), Décima do Potro Baio e Chamarrita sem Fronteira (as duas últimas, temas missioneiros recolhidos e adaptados por Noel Guarany), entre outras.
No ano de 1976, Noel Guarany grava em parceria com Jayme Caetano Braun, de maneira independente, o LP Payador, Pampa, Guitarra. Gravado parte na Argentina e parte em São Paulo, o disco conta com a participação de grandes músicos argentinos.
Em 1977 a RGE relança o disco Legendas Missioneiras, de 1971, com o título de Canto da Fronteira.
Em 1978 sai o LP Noel Guarany Canta Aureliano de Figueiredo Pinto, pela RGE, que resgata a obra e a memória de um dos grandes poetas do regionalismo gaúcho.
No ano seguinte, sai o disco De Pulperias, ainda pela gravadora RGE. Constam deste disco as músicas En el rancho y la cambicha, Rio de Los Pajaros e Milonga del peón de campo, de Mario Millan Medina, Anibal Sampayo e Atahualpa Yupanqui, respectivamente. 
Em 1980 sai Alma, Garra e Melodia, em que se destacam as músicas Maneco Queixo de Ferro e Índia cruda. Neste mesmo ano ocorre o show no Cinema Glória, na cidade de Santa Maria, que mais tarde, em 2003, viria a se tornar o disco Destino Missioneiro - Show Inédito.
No ano de 1982, é lançado o LP Para o Que Olha Sem Ver, pela RGE, título que remete à música Para el que mira sin ver de autoria do cantor e poeta argentino Atahualpa Yupanqui (presente também na composição Los ejes de mi carreta). Além das citadas, estão presentes as músicas Boi Preto, Na Baixada do Manduca e Adeus Morena, músicas de inspiração folclórica.
Neste ponto, Noel Guarany, já com os primeiros sintomas da doença, começou a afastar-se dos palcos, e acabou redigindo uma carta aberta à imprensa, na qual reclama do tratamento recebido pela gravadora.
Em 1985 retira-se definitivamente dos palcos, em cumprimento ao prometido na carta de 1983.
No ano de 1988, em conjunto com Jorge Guedes e João Máximo, lança o disco A Volta do Missioneiro.
Nos próximos 10 anos, o grande gaúcho, cada vez mais debilitado por uma doença degenerativa no cérebro, permaneceu recolhido em seu sítio na localidade de Vila Santos, no município de Santa Maria.
Morreu no dia 6 de outubro de 1998, na Casa de Saúde de Santa Maria, tendo sido enterrado em Bossoroca, sua terra natal.
Túmulo de Noel Guarany, na cidade de Bossoroca


segunda-feira, 5 de outubro de 2026

 


BENTO MANOEL RIBEIRO

NÃO FOI O ÚNICO VIRA-CASACAS



Ontem, 04 de outubro, envolvido com os resultados das urnas, deixamos de postar nosso tradicional Repontando Datas, o que fazemos agora com um complemento.  

Na data do dia 04 de outubro, no ano de 1836, Bento Gonçalves foi derrotado na Ilha do Fanfa (Guerra dos Farrapos). Na ocasião morreu Cabo Rocha, o primeiro soldado Republicano a entrar em Porto Alegre no dia 19 de setembro de 1835, o mesmo que combateu e feriu o Visconde de Camamu, da guarda imperial, no combate da ponte da Azenha.

Na Ilha do Fanfa quem derrotou Bento Gonçalves foi Bento Manoel Ribeiro, o "melancia" da guerra, ou seja, verde por fora e vermelho por dentro, pois trocou quatro vezes de lado na revolução. 

Mas com certeza não foi o único vira-casacas. 

Por gostar muito da história e pesquisar sobre a revolução, fiquei sabendo que no cemitério municipal de São Francisco de Paula foi descoberta uma lápide solta que provavelmente tenha sido de um revolucionário. 

Bingo.

Segundo estudos o "proprietário" de tal lápide é José Ignácio da Silva Ourives (1806-1880) chefe político e militar imperial durante a Guerra dos Farrapos que, posteriormente, consolidou sua influência local como coronel e comandante superior da Guarda Nacional.

Durante o conflito (1835-1845) ele operou como major das forças imperiais na região de Santo Antônio da Patrulha. 

Segundo relatos da época Ourives teria começado na revolução ao lado dos rebeldes farroupilhas mas, em função de sua violência e caráter, teria sido expulso das forças republicanas aonde regimentou alguns parceiros de mesmo naipe e alinhou-se ao império.

Portando, Bento Manoel Ribeiro não teria sido o único "melancia" deste período histórico. 


  

domingo, 4 de outubro de 2026

 


VOTE COM CONSCIÊNCIA

SUA ARMA É O SEU VOTO



Charge: Santiago





sábado, 3 de outubro de 2026

 


DO SAUDOSO LAURO RODRIGUES:


ALELUIA
 
 

“Pois, pressinto na fome de meu filho
que um vulcão de revolta aclara o trilho
por onde segue a procissão dos pais...
Desperta Rio Grande! Chama o Brasil
antes que a voz da bôca de um fuzil...
não lhe consinta despertar jamais...

Pobre Pátria de vinte e tantas zonas
que tem no seu ventre o Amazonas
e agoniza de fome nas cidades...
Zôo de macacos galhofeiros,
plagiando o viver dos estrangeiros
desde o Batismo à Universidade...

Tenho pena de ti, - senzala branca! -
dessa coletividade honesta e franca
que de tanto esperar já desespera...
Tuas vísceras são campos de imundícies,
onde o vírus malsão das canalhices
se robustece, cresce e prolifera...

Enquanto isso, cérebros raquíticos,
- sanguessugas de pântanos políticos! -
fomentam leis que não trescalam nada...
Mas não tarda que a aurora do futuro
tinja de escarlete o céu escuro
dos párias desta estância abandonada.”


sexta-feira, 2 de outubro de 2026

 

RINCÃO DOS TOUROS

Patrimônio Cultural Imaterial de Bagé


Eron Vaz Mattos / Foto: Jaqueline Musa


A composição Rincão dos Touros, com letra do bageense Eron Vaz Mattos e melodia de Luiz Marenco, foi declarada Patrimônio Cultural Imaterial do município de Bagé. A proposição foi da vereadora Faustina Campos e foi sancionada pelo prefeito Luiz Fernando Mainardi que também estabelece a obra como Canção Símbolo Tradicionalista do Município.

E você, caro leitor deste periódico virtual terrunho. Se fosse escolher uma canção símbolo de sua cidade qual seria.

A minha seria São Francisco é Terra Boa, dos saudosos Irmãos Bertussi que, aliás, já é o hino oficial do município.  




quinta-feira, 1 de outubro de 2026

 


DON JAYME! O QUE É LA PULPERIA?




PULPERIA - armazém xucro
é o bolicho - a mesma venda.
Uma áurea de legenda
cerca esta tenda bravia;
um marco na geografia
nos espaços dilatados.
O templo dos desgarrados
no altar da PULPERIA!

Quem cuida dela é o PULPERO
quer atende a venda e proseia
e - se preciso - peleia,
é o mesmo que BOLICHEIRO.

Nos disse Evaristo Barrios
que de mui lejos venia:
"por eso la PULPERIA
estaba como de fiesta
y la gente en cada apuesta
mostraba su simpatia"




É uma relíquia campeira
do couro da perna inteira
do bagual - morto na hora.
Garrão onde vai a espora
sem curtir e desparelho,
o cano atado no joelho
e os dedos meio de fora...

Muito usada antigamente
por peões e domadores
hoje só calçam os cultores
da campeira tradição.
A levam com devoção, 
como se fosse uma prenda...
Há fiapos de legenda
numa bota-de-garrão!



quarta-feira, 30 de setembro de 2026

 


REPONTANDO DATAS 

Num dia 30 do mês de setembro, no ano de 1925, Honório Lemes (Maragato) invade o Rio Grande de São Pedro pela fronteira de Livramento e Octaviano Fernandes pela fronteira de Dom Pedrito. Honório Lemes tinha o apelido de Leão do Caverá e deixou seu nome gravado na história deste Estado.  


Também num dia 30 de setembro do ano de 2017 morria o gaiteiro serrano Adelar Bertussi, considerado um dos melhores acordeonistas do Rio Grande do Sul e que formou dupla com seu Irmão Honeyde Bertussi sendo precursores da música galponeira que até hoje presenciamos nos bailes querência a fora. 

Seu velório, em São Jorge da Mulada, além dos inúmeros fãs, teve a presença de dezenas de gaiteiros que tocaram na derradeira despedida. 






terça-feira, 29 de setembro de 2026

 


OS MUARES E O TROPEIRISMO





Depois que meu mouro velho morreu, perdi o gosto pelas cavalgadas. Contudo, se hoje eu fosse comprar um animal com esse intento de andejar por aí, seria uma mula. 

Embora a mula e o burro sejam animais cheios de problemas em relação á docilidade, em face de que seus pais são de espécie diferente, cujos descendentes são estéreis, (a mãe é uma égua e o pai um jumento) a mistura acaba dando certo proporcionando um animal forte e de ótimo cômodo para a andadura. A mula (ou burro, se for macho, já que mulo não existe) é resistente e boa para o serviço, mas não se reproduz. A união entre o jumento e a égua é estimulada porque o burro é um animal apropriado para trabalho pesado.

Foram através destes animais, principalmente da mula, que o tropeirismo se desenvolveu abrindo picadas em lugares inóspitos e de difícil acesso: No lombo da mula começa nossa história mais recente.

Do cruzamento entre o burro e a égua (ou da besta com o cavalo) nasceram as mulas. Da união entre as mulas e o homem, surgiu o tropeirismo, que deu suporte para a economia aurífera até o desenvolvimento das estradas de ferro.

A explosão do ouro na região onde hoje é o Estado de Minas Gerais, em meados do século 18, fez com que aumentasse a necessidade de levar mantimentos para abastecer os pequenos povoados que começavam a crescer Brasil adentro. É aí que entra o tropeiro: espécie de caminhoneiro sem motor, que transportava mercadorias e alimentos para a região das minas, onde a agricultura e a criação de gado haviam sido proibidas pela Coroa para não dispersar a mão-de-obra do ouro.

Seguindo as trilhas dos índios ou desbravando novas rotas, as caravanas propiciaram o desenvolvimento de cidades – como Congonhas do Campo, em Minas Gerais, e Sorocaba, em São Paulo – e abriram caminhos do Sul ao Nordeste do Brasil. Mas, para que as mulas cortassem o centro do País em busca do ouro mineiro, era preciso buscá-las no Rio Grande do Sul. Só aqui havia criações dos resistentes animais, trazidos ilegalmente de Montevidéu.

Numa dessas viagens pelo Sul, um tropeiro ganhou fama por sua bravura: Reinaldo Silveira. Ele saiu com mais sete peões de Ponta Grossa, no Paraná, rumo a Cruz Alta, no Rio Grande do Sul, para buscar uma tropa de 550 mulas. A viagem começou no dia 28 de julho de 1891 e acabou em 19 de novembro do mesmo ano. As estreitas estradas que beiravam abismos em que caminharam, os mais de 12 rios que atravessaram a nado e as canoas que construíram foram só algumas das agruras pelas quais os tropeiros passaram. Mas, 56 dias depois, voltavam sãos e salvos para casa. Tinham 22 mulas e 3 milhões de réis a menos. Os animais foram mortos ou perdidos. O dinheiro foi extorquido pelo governo em barreiras colocadas nas rotas das tropas, espécie de pedágio da época.

Esta é apenas uma das histórias das milhares que existem sobre o tropeirismo.

Foto: Luciana Heitelvan


segunda-feira, 28 de setembro de 2026

 


EM TEMPO

Sobre a postagem abaixo (Miguel Marque Precisa de Nossa Ajuda) conversei há pouco com o Nenito Sarturi. Ele me falou que os objetivos (valores) já foram alcançados. 

Isto demonstra o prestígio do grande cantor Miguel Marques e como o gaúcho é solidário nestas horas que a coisa aperta. 


 

 

MIGUEL MARQUES PRECISA DE NOSSA AJUDA


Miguel Marques 

Estamos compartilhando do blog Ronda dos Festivais, do meu amigo Jairo Reis, uma solicitação de ajuda ao cantor nativista Miguel Marques, campeoníssimo como intérprete em diversos eventos musicais. 

Ocorre que o temporal que assolou fortemente a cidade de Santiago neste final de semana atingiu sua residência causando um grande prejuízo material. Agora, seus amigos estão mobilizando-se para ajuda-lo na reconstrução.

Para tanto, o também cantor e compositor Nenito Sarturi, parceiro musical de Miguel Marques há pelo menos 30 anos, tomou a inciativa de disponibilizar uma conta bancária para receber doações em dinheiro. 

A chave PIX é (55) 999712726 e o favorecido é José Athaídes Sarturi.

Qualquer importância será muito bem recebida e imediatamente repassada para o Miguel Marques.


Grandes pedras de granizo destruíram o telhado e o mobiliário





 



Segunda-feira, como é costume, postamos algumas Filosofias Gaudérias que constam em nosso mais recente livro.


Não me agrada gente esnobe

mas que nunca firma o leme

por que é o boi que sobe

mas a carreta é que geme. 


Neste sentido li um pensamento de muito fundamento esta semana. Está inserido neste grande defeito que é a vaidade do ser humano (e tem bastante por aí):

"Não escale a montanha para o mundo te ver. O mundo não liga para você. Escale a montanha para você ver o mundo. Busque a visão, não o aplauso".


    

domingo, 27 de setembro de 2026

 


REPONTANDO DATAS/RESTAURO


No dia 27 de setembro, do ano de 1736 o primeiro tropeiro do gaúcho, Cristóvão Pereira de Abreu, funda a cidade de Rio Grande.

Falando em Rio Grande  o monumento-túmulo de Bento Gonçalves na Praça Tamandaré começou a receber reparos emergenciais. As primeiras intervenções incluem limpeza, melhorias na iluminação e reposição de letras retiradas da estrutura.

A iniciativa ocorre enquanto familiares do general aguardam avanços para a elaboração de um projeto de restauro completo. No dia 29 de setembro, uma equipe do curso de Arquitetura da UFPel fará uma primeira avaliação do monumento.

Eu nunca entendi porque Bento tinha seus restos mortais numa cidade que nunca foi republicana (farroupilha). Agora eu repenso que não deixa de ser uma homenagem eterna ao grande líder da Revolução. 

Bem que a administração municipal de Porto Alegre podia seguir o exemplo e dar um jeito no Monumento Bento Gonçalves, que está atirado as traças ali na av. João Pessoa.   


  
📷 Júlia de Souza Novo / Divulgação



sábado, 26 de setembro de 2026

 

É O BRASIL DE BOMBACHAS 



Ontem a noite, 25, a pegada foi grande. Palestramos para a Loja Maçônica Passos dos Fortes, de Xanxerê, SC, além de convidados de Xaxim, Chapecó e arredores em uma linda e concorrida Sessão comemorativa a epopeia farroupilha. 

E vou te dizer: Que gauchismo!

Difícil descrever o carinho deste povo não somente para com a minha pessoa mas com a tradição do Rio Grande como um todo.

Como vim de condução para apreciar as paisagens como a Usina de Itá, no Rio Uruguai, agora preparo o lombo para 8h de viagem.

Que Santo Antônio de Pádua nos acompanhe neste retorno a querência.


    

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

 


PAJADA DAS PRIMAVERAS 

Jayme Caetano Braun




 


NÃO É BAIRRISMO

MAS O RÁDIO É GAÚCHO

Padre Gaúcho Roberto Landel de Moura e sua invenção

 

Hoje, 25 de setembro, é considerado o dia do rádio e da radiodifusão. O rádio foi patenteado pelo cientista e inventor italiano Guglielmo (Guilherme) Marconi, no início do século 20.
No entanto, o rádio tem mais razões para ser considerado brasileiro. 
Roberto Landell de Moura (1861-1928), padre e cientista gaúcho, também havia realizado experiências semelhantes às de Marconi - antes do italiano. Entre 1901 e 1904, Landell de Moura esteve nos Estados Unidos, onde patenteou inventos, entre os quais um "transmissor de ondas" ou "transmissor fonético a distância" que seria exatamente o rádio. Sua patente, porém, era limitada e perdeu a validade. Marconi ficou com a fama. Trata-se de uma situação semelhante àquela que ocorreu com Santos Dumont o qual consideramos o Pai da Aviação mas os irmãos Wright é que são reconhecidos mundo afora como os reais inventores do aeroplano. 
A primeira transmissão radiofônica no Brasil aconteceu no dia 7 de setembro de 1922, por ocasião do centenário da independência.
Uma estação de rádio foi instalada no Corcovado e, além de música, emitiu o discurso do presidente da República, Epitácio Pessoa. No ano seguinte foi fundada por Roquete Pinto a primeira emissora de rádio do país: a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro.
Como não somos fãs de carteiraços, consideramos o rádio como gaúcho (de quatro costados).



quinta-feira, 24 de setembro de 2026

 


REPONTANDO DATAS / 24 DE SET



O 24 de setembro é o dia de Nossa Senhora das Mercês, Mercês vem do espanhol e significa favor, graça, perdão, indulto. Muitos não conhecem esta santa mas ela teve muitos fiéis seguidores, principalmente na época da escravidão.

A devoção originou-se na Espanha, daí também ser conhecida por Nossa Senhora das Mercedes, e foi popularizada pelos frades da Ordem de Nossa Senhora das Mercês, fundada por São Pedro Nolasco. Em Barcelona, hoje é feriado em função da louvação a esta santa que foi considerada protetora dos cristãos cativos dos mouros na África.

A devoção chegou a Portugal, onde difundiu-se para Santarém e para Lisboa. Chegou ao Brasil através dos Padres Mercedários onde floresceram diversas confrarias, formadas principalmente por escravos, os quais consideravam Nossa Senhora das Mercês padroeira de sua libertação, inclusive aqui no Rio Grande do Sul, na época da revolução farroupilha, data que acabamos de comemorar, os escravos que lutavam depositavam na ponta da lança e na fé em Nossa Senhora das Mercês a confiança de sua libertação. Pena que o império (e alguns republicanos não abolicionistas) não pensava da mesma forma. 




quarta-feira, 23 de setembro de 2026

 


REPONTANDO DATAS - 23 DE SETEMBRO 


NASCE BENTO GONÇALVES DA SILVA

Fotografia inédita foi encontrada no museu de Júlio de Castilhos 
          

Bento Gonçalves da Silva nasceu em Triunfo em 23 de setembro de 1788 e morreu em 18 de julho de 1847, na cidade de Pedras Brancas, hoje Guaíba. Foi o grande líder da Revolução Farroupilha, revolta que durou uma década e que acabamos de comemorar sua epopeia. 


NASCE HONÓRIO LEMES

Honório Lemes, o Leão do Caverá

Conhecido como "O Leão do Caverá" Honório Lemes nasceu em Cachoeira do Sul, RS em 23 de setembro de 1864 e morreu em Santana do Livramento em 30 de setembro de 1930 foi tropeiro e pequeno proprietário pobre e quase analfabeto que, patriota, liberal convicto e admirador de Gaspar da Silveira Martins, ao rebentar a revolução federalista, em 1893, ingressou como simples soldado nas fileiras revolucionárias, chegando ao posto de coronel. Terminada a luta em 1895, voltou a se dedicar às lides campeiras.




terça-feira, 22 de setembro de 2026

 






Estamos findando mais um mês farroupilha mas nunca é demais levarmos nosso orgulho tempo afora através de um dos maiores símbolos de nossa terra, juntamente como o hino, qual seja a nossa bandeira. 

Neste sentido o Site Tchê fez um belo trabalho de pesquisa e imagens do que representa o brasão estampado em nosso Pavilhão Estadual que remonta aos tempos da revolução e que carrega diversas simbologias maçônicas.    


segunda-feira, 21 de setembro de 2026

 


PRECISA MELHORAR 

PARA FICAR MAIS OU MENOS




Antes de mais nada quero dizer que já fiz parte, por três anos, da Comissão Estadual dos Festejos Farroupilha e entendo a dificuldade de se trabalhar sem verba e com pouco interesse da administração pública em relação ao Desfile Farroupilha da Capital. Contudo, há situações que não depende de dinheiro e sim de conhecimento.

Também desejo deixar de fora do meu comentário os participantes do desfile, principalmente aqueles que madrugaram lidando com cavalos para fazer bonito na avenida.  

E faço referência apenas ao desfile tradicionalista.

O cortejo deste ano foi um dos mais fracos que já vi. Poucos cavalarianos, muito por culpa da exigência da Guia de Transporte Animal que sai caro, buracos enormes entre um piquete e outro...  Carros alegóricos? Nem pensar. Apenas dois ou três caminhões com prendas e peões na carroceria.

E o pior: o mesmo erro de antes, ou seja, pessoas desfilando a pé entre os piquetes de cavalarianos. Além de atrasarem o tranco normal dos cavalos eles passaram na avenida cuidando para não pisar nos estercos deixados pelo caminho. 

Tinha uma senhora de idade que vinha esbaforida avenida a fora com a cavalhada no costado. A própria Patrona dos Festejos Farroupilhas, Marianita Ortaça, veio caminhando.

E para o mal dos pecados as arquibancadas estavam vazias e os galpões do acampamento, logo ali, abarrotados. Uma triste demonstração de que nosso pessoal esta mais preocupado com carne, bebida, gaita e grito do que com cultura.  

O que salvou o desfile foi a bela encenação intitulada Via Sacra Missioneira relativa a temática deste ano, isto é, os 400 Anos das Missões Jesuíticas no Estado (foto abaixo). 


     

domingo, 20 de setembro de 2026

 


FINDA MAIS UM 20 DE SETEMBRO

PELO MUNDO


Nova York

Infelizmente, ao cair da noite, está findando mais um 20 de setembro, agora denominado de Dia do Gaúcho. As comemorações foram intensas pelo mundo todo aonde houver uma alma farroupilha que defenda e propague a liberdade, igualdade e fraternidade.  

Mostramos aqui no blog comemorações na Groelândia, Portugal, Espanha.., enfim, por muitos lugares deste mundo velho de Deus. O retrato acima registra os festejos na Times Square, em Nova York, com um telão gigante no edifício ao fundo. Neste momento até me emocionei pois no vídeo as pessoas cantam a toda goela o Brasil de Bombachas, de nossa autoria. Acho que agora vou ter que criar o Mundo de Bombachas rsrsrsr...

Já na foto abaixo aparece dançarinos da Tchê UFRGS diante da Torre Eiffel, cartão postal de Paris. 

Só peço que este espírito de louvor a nossa história não se apague. Que seja uma chama a fulgurar o ano inteiro em nossos corações. 

E até 2027 (sem menos demonstrações de valentias que só envergonham nossas tradições).      

Paris



 


DOZE MOTIVOS PARA COMEMORAR

O 20 DE SETEMBRO


óleo sobre tela de Guido Mondin



 
Por: Léo Ribeiro de Souza


1° - Comemoro a insubmissão de uma província a uma monarquia, chamando a atenção da Corte para um recanto esquecido e explorado nos confins do império e somente lembrado na hora de pelear com os castelhanos.  

2º - Comemoro a bravura de quem, com menos homens, armas e cavalos, mas sobrando valentia, enfrentou por dez anos o Império deixando marcos indeléveis como a Batalha do Seival, a travessia dos lanchões de Garibaldi e a fuga de Bento Gonçalves de sua prisão na Bahia enquanto que, em outras províncias, as revoltas nasciam mas eram sufocadas em seguida.

3º - Comemoro o surgimento nesta terra de nomes como o General Antônio de Souza Netto mas também os heróis esquecidos como Coronel Teixeira Nunes, Tobias da Silva e os integrantes da 1ª Brigada de Cavalaria, os Lanceiros Negros.

4º - Comemoro o fato de, apesar dos esparsos recursos probatórios, não nos acomodarmos com as definições e rebuscarmos a veracidade histórica de passagens nebulosas como a Batalha dos Porongos.

5º - Comemoro porque a "guerra que perdemos" nos deu uma identidade própria, diferenciada, no Sul do Brasil.

6º Comemoro a valentia da lagunense Ana Maria de Jesus Ribeiro, Anita Garibaldi, dando vasa ao fulgor mesclado com a beleza da mulher gaúcha.  

7º - Comemoro poder cantar a toda voz o hino da minha terra e ver fulgurar em milhares de eventos o pavilhão tricolor surgido naquele decênio heroico, apesar da contrariedade de alguns que veem nos versos um sentido racista.

8° - Comemoro porque essa epopeia foi um dos motivos para o surgimento de um movimento cultural que fez avivar nosso folclore através da musicalidade, das danças, dos cinemas, dos rodeios, expandindo-se para o resto do mundo, aonde houver um gaúcho.

9º - Comemoro a altivez que ainda nos resta apesar dos desastres naturais e do abandono do poder central a esta outrora pujante Província de São Pedro.

10º - Comemoro porque, graças a "petulância" dos Farroupilhas, a cada mês de setembro eu posso rever meus amigos de causa e tradição. 

11º - Comemoro pelas pessoas humildes que não tem os pilas para um par de botas mas que orgulham-se em serem filhos desta terra e, apesar dos percalços da vida, respeitam nossa história.      

12° - Comemoro para saborear o desgosto de alguns enfadonhos "rio-grandenses" que se indignam com a minha comemoração.





NÃO TEM PREÇO, TEM VALOR!




A professora Eliana Santana da Escola Municipal Daltro Filho, de Aratinga, interior de São Francisco de Paula, lugar aonde estudei e passei a infância, me contou que utilizava meus livros aos seus alunos como forma de incentivo, de ir adiante, de buscar os seus sonhos. Me falou, também, que a criançada tinha muita vontade de me conhecer.

Larguei as churrasqueadas marcadas aqui pela capital e não tive dúvidas. Ontem (19) de madrugadita a patroa e eu pegamos a condução e fizemos 360 km para dar um abraço nessa turminha. 

Por lá encontrei com o velho amigo Podalírio (a esquerda da foto) um dos últimos tropeiros deste Rio Grande.

Tem um ditado que diz: "Jamais volte ao lugar aonde você foi feliz pois nada será como antes". 

Pois olha: nesta viagem, além de ver a emoção nos olhos daquelas crianças, eu me reencontrei com a felicidade.