RETRATO DA SEMANA


sexta-feira, 14 de agosto de 2026

 


BUGIOS CLASSIFICADOS 


Fazendo "madrugada de lagarto", que só sai da toca ao meio dia e com sol alto, venho trazer para vocês as primeiras cinco classificadas para a grande final de sábado do 33º Ronco do Bugio. 

Como integrante da Comissão Avaliadora juntamente com a Neusa Regina, Ângelo Marques, Oscar dos Reis e Edson Dutra posso adiantar que as escolhas foram tranquilas e que todos saímos de lombo liso. 

Instrumental:

CABORTEIRO de Emílio Fogaça com o próprio autor.

Cantadas:

TROPEADA SERRANA

Letra e Melodia: Pietro Parmegiani e Emilio Fogaça

Interpretação: Bruno Rauber 


SOU SERRANO DE VERDADE

Letra: Ariel Reis e Ubiratã Reis

Melodia: Ubiratã Reis e Felipe Pessoa

Interpretação: Ariel Reis


JEITO SERRANO

Letra e Melodia: Willian Hengen

Interpretação: Lincon Ramos


SEMENTES DE VIDA

Letra: Paulo Ricardo Costa

Melodia: Arison Martins

Interpretação: Analise Severo




quinta-feira, 13 de agosto de 2026

 



E. P. A.

Estância da Poesia Artificial


Ontem a noite aconteceu a triagem da 11ª Tertúlia Maçônica da Poesia Crioula, festival poético do Grande Oriente do Rio Grande do Sul sob a organização de seu departamento tradicionalista Piquete Fraternidade Gaúcha. Assim que comunicarmos todos os autores que subirão ao palco no dia 31 de outubro, desta vez na cidade de Santa Maria, publicaremos nas redes sociais. 

Mas o que me leva a fazer esta postagem foi o grande número de poemas concorrentes elaborados pelo Chat GPT = IA. A coisa está escancarada e sem controle (e sem vergonha). 

Por isso decidi: Assim como temos a briosa E. P. C. (Estância da Poesia Crioula), entidade conhecida como a Academia Xucra do Rio Grande, eu vou fundar a E. P. A, ou seja, a Estância da Poesia Artificial.    

 

 


COMEÇA HOJE O 33º

RONCO DO BUGIO


Arte: Léo Ribeiro


ORDEM DE APRESENTAÇÃO


   

Q QUINTA-FEIRA


A AS COISAS DE ANTIGAMENTE

Voz intérprete: Luis Fernando da Silva

Gaita e Vocal: Alison Machado

Baixo e Vocal: Yuri Duarte

Bateria e Vocal: Joás da Silva

Violão e a Vocal: José Oliveira

 

2-   TROPEADA SERRANA

Intérprete: Bruno Rauber

Gaita: Pietro Parmegiani

Gaita e Voz: Emílio Fogaça

Guitarrón e Voz: Gabriel Castilhos

Violão: Léo de Abreu

Baixo e Voz: Renan Pedroso

Cajon e Voz: Júlio Oliveira

 

3-   SOU SERRANO DE VERDADE

Gaita e Vocal: Ubiratã Reis

Interprete: Ariel Reis

Violão e Voz: Filipe Pessoa

Violão e Voz: Dilson Inácio da Silva

Bateria: Douglas Schwaab

 

4-   RETRATO E SAUDADE

Bateria: Josemar Mota

Contrabaixo: Marcos Santos

Violão: Evandro Rodrigues da Silva

Gaita: Jair Marcos da Silva Lopes

Agê e Recitado: Jonas Bolinho

Intérprete: Ytamar Gomes

 

5-   A VARANDA DOS MATES 

Bateria - Jean Rambo

Baixo e Voz - Rafael Luz

Violão e Voz - Carlos Möller

Gaita e Voz - Du Antunes

Violão e Voz - Dilson Jóia

Interpretação - Dionísio Costa

 

6-   UM CERTO ZÉ DO RIO GRANDE

Interpretação: João Quintana Vieira e Grupo Parceria

Intérprete: João Quintana Vieira

Violão 7 cordas e vocal: Felipe Goulart

Contrabaixo e vocal: Henrique Bagesteiro

Acordeon e vocal: Vani Vieira

Bateria: Rafael da Luz da Rosa

 

7-   JEITO SERRANO

Bateria e vocal: Djalmo Oliveira

Baixo e vocal: Rodrigo Pires

Violão e vocal: Gustavo Ortácio

Gaita e vocal: Roberson Franco "Paquito”

Intérprete: Lincon Ramos 

 

8-   SEMENTES DE VIDA

Intérprete - Analise Severo

Violão e Vocal - Emerson Martins

Violão e Vocal - Jean Kirchoff

Baixo - Kiko Garcia

Bateria e vocal - Arison Martins

Acordeon - Léo Severo


SEXTA FEIRA

 

1-   O BUGIO LEVANTOU

Intérprete: Cleiton Marciel Bohrer

Bateria: Silvano Ricardo Vingert

Gaita: Lilian Córdova Alves

Violão e Voz: Chrystian de Oliveira Fontes

Baixo e Vocal: Francisco Edilson da Rosa

Violão: Diego Brandão

 

2-   TROPAS DE SAUDADE                                              

Intérprete: Cairon Silva

Gaita Ponto: Rodrigo Pires

Violão: Carlos Möller

Contrabaixo: Lincon Ramos

Bateria: Djalmo Oliveira

 

3-   NO RIO GRANDE VELHO

Intérprete: Eduardo Gomes

Acordeon: Leonel Almeida

Violão e voz: Evandro Cardoso

Violão e voz: Cacio Branco

Contra baixo e voz: Ivan Silvestre

Bateria:  Toco Thewes

 

4-   DA CRIÚVA PARA A HISTÓRIA

Interprete: Jones Andrei Vieira

Violão: Andrei Sasso

Violão: João Vitor Vieira

Bateria: Fabricio Vieira

Baixo: Ariel Reis

Gaita: Jones Andrei Vieira

Gaita: André Alano

Recitado: Pedro Jr da Fontoura

 

5-   UM BUGIO BEM GAÚCHO

Intérprete: Nenito Sarturi

Violão e Vocal: Halber Lopes

Violão e Vocal: Michel Nunes

Contrabaixo e Vocal: Xuxu Nunes

Acordeon: Diego Piani

Percussão: André Girotto

 

6-   PRA QUEM PEGA EM QUALQUER PONTA

Interprete: Adams Cézar

Violão: Halber Lopes

Violão: Michel Nunes

Baixo e Vocal: Xuxu Nunes

Gaita e Vocal: Diego Machado

Bateria e Vocal: Arison Martins 

 

7-   A MEMÓRIA DAS CAVALHADAS

Interprete: André Alano

Violão: Andrei Sasso

Violão: João Vitor Vieira

Bateria: Fabricio Vieira

Baixo: Marcus Santos

Gaita: Douglas Moraes

 

8-   CONTANDO OS DIAS

Letra: Paulo Garcia

Melodia: Paulo Garcia

Inter: João Garcia

Violões: Dionata Garcia / Paulo Garcia / Jauri Garcia

Acordeon: Du Antunes

Arranjo: Grupo Canto Missioneiro

 

Músicas Instrumental

 

1-   QUINTA-FEIRA

 

 B BUGIO ARTEIRO

Intérprete: Roberson Paquito

 

2-   CABORTEIRO

Intérprete: Emílio Fogaça

 

SEXTA-FEIRA


3-   DO LAJEADO AO JUÁ

Intérprete: André Luiz Alano Alves

 

4-   QUE RONQUE O BUGIO

Intérprete: Jones Andrei Vieira




quarta-feira, 12 de agosto de 2026

 


APRESENTAÇÃO NA ESTÂNCIA

 



Do livro Gauderiadas Cartuns Gauchescos - 1993 - Léo Ribeiro




 


REPONTANDO DATAS - 12 DE AGO


No dia 12 de agosto do ano de 1837 ocorre a tomada de Triunfo, aonde o coronel imperialista Gabriel Gomes Lisboa prefere morrer lutando a entregar sua espada ao general Antônio de Souza Netto, na Guerra dos Farrapos.

Também num dia 12 de agosto, mas no ano de 1869 morria no combate do Peribebuí, o gaúcho João Manuel Mena Barreto, na Guerra do Paraguai.



terça-feira, 11 de agosto de 2026

 


AGORA NÃO FALTA MAIS



No dia 14 de março de 2024, quando da inauguração do Monumento ao Laçador Serrano em São Francisco de Paula eu era o mestre de cerimônias e fiz uma brincadeira com o prefeito Thiago Teixeira ali presente: - Agora só falta aos gaiteiros. 

Obviamente que não foi pela minha fala (nem tenho essa pretensão) embora eu venha batendo nesta tecla desde a morte do Honeyde, depois Adelar, Paulinho Siqueira, Albino Manique, e tantos outros gaiteiros serranos que já nos deixaram e aos demais que nos alegram com seus gaitaços. O que importa é que a atual administração entendeu a importância desta merecida homenagem da Terra dos Grandes Gaiteiros.

A obra leva a assinatura do artista Edimilson Duarte, especialista na técnica de metalurgia em chapa metálica e solda.

Notem que aparece junto ao "tocador" um "roncador" (não sou eu), ou seja, o bugio, primata que deu origem ao único gênero musical do Estado e tão identificado com os gaiteiros desta terra. Tanto é assim que a inauguração do memorial será no dia 13, quinta-feira, justamente quando começa o 33º festival Ronco do Bugio. 



  

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

 





A faca a me acompanhar

não trago por arrogância.

Uso só para cortar

amarras da ignorância. 


Uma boa semana a todos.




 


REPONTANDO DATAS / 10 DE AGOSTO


Num dia 10 de agosto do ano de 1894 morria o líder maragato
GUMERCINDO SARAIVA

Gumercindo Saraiva é o terceiro sentado
da esquerda para a direita

 
Filho de Francisco Saraiva e Propícia da Rosa, foi estancieiro e caudilho na região de Santa Vitória do Palmar, onde conduzia com força e lealdade as suas terras, sendo conhecido como amigo fiel e inimigo perigoso. Durante os últimos anos do Império, quando era chefe de polícia daquela localidade, chegou a ser simpatizante da causa republicana, mas os partidários locais o desiludiram.
Líder caudilho que arregimentava rapidamente uma montonera, seus prestígio dividia-se tanto pela amizade com seu ilustre amigo Silveira Martins, um dos político mais influentes do Império nos anos que precederam a queda do regime monárquico, como também se dava em parte por seus capangas que o cercavam constantemente e os quinze mil hectares de terra e milhares de cabeças de gado que se estendiam pela fronteira sul do Rio Grande. Desde tenra idade adquiriu agilidade ímpar com o cavalo. Aos dezoito anos se juntou a sua primeira montonera, quando ainda vivia no Uruguai. Muitos que constituíam a sua montonera durante Revolução Federalista era falantes de espanhol que ele conhecera nessa lida na década de 1870 e começo de 1880. Estes eram provenientes da região de San José, e se autodenominavam maragatos devido à origem dos primeiros colonos dessa região, alcunha pela qual ficou célebre o grupo federalista durante as hostilidades. Depois de viver os seus primeiros 30 anos no Uruguai, em 1883 retorna ao Brasil, onde nascera, fugindo da justiça. Foi também capitão de guerra, comissário de polícia e tropeiro.
Em 1892, o governo de Júlio de Castilhos entra numa fase de instabilidade, o Rio Grande do Sul está em ebulição, de um lado os castilhistas Pica-paus, e do outro os federalistas maragatos liderados pelo General João Nunes da Silva Tavares, o Joca Tavares. Gumercindo, tendo se negado a aderir e assim sendo perseguido pelo castilhismo, e afim de levar a cabo a reforma constitucional parlamentarista do então exilado Gaspar da Silveira Martins, seu patrono político e amigo, resolve voltar ao Uruguai onde os rebeldes estavam formando suas tropas.
Em 2 de fevereiro de 1893, acompanhado por seu irmão Aparício Saraiva e liderando cerca de quatrocentos cavaleiros atravessou a fronteira pelo povoado da Serrilhada, entrando no Rio Grande do Sul, juntando-se aos homens do General João Nunes da Silva Tavares, formando assim o Exército Libertador, um contingente de mais de três mil homens, que em pouco tempo com as adesões, chegaria a doze mil. Consta que um terceiro irmão, Mariano, também teria participado desta revolução. No Uruguai os tres irmãos Saraiva (Saravia) eram conhecidos como Os três de Cerro Largo.
Em 4 de abril de 1893 acontece a primeira batalha com as tropas legalistas (Pica-paus). Depois de vários combates com as forças do governo, percebendo estar diante de um exército melhor preparado e armado, Gumercindo Saraiva parte para a prática de guerrilha, evita combates convencionais, dispersa as tropas legais para tentar vencê-las depois, em partes, tática esta que deu certo.
Morreu no dia 10 de agosto do ano de 1894 no Carovi, município de Boqueirão, quando fazia um reconhecimento do campo de batalha e levou, de tocaia, um tiro pelas costas. Foi enterrado ali perto e sua sepultura foi profanada. Cortaram sua cabeça e trouxeram ao Governador Júlio de Castilhos que mandou devolvê-la aonde estava enterrada. Segundo alguns historiadores, quando passavam, de retorno, no Rio Jacuí, entre Cachoeira e Santa Maria, jogaram nas águas aquele precioso "troféu". 


domingo, 9 de agosto de 2026

 

O QUE DIZER AO SEU PAI ? 


IA produzida por Paulinho Gomes


A montagem do retrato
me transbordou de saudades.
O meu Pai na flor da idade
e eu já mermando os atos.
Minha vontade, de fato,
era dar vida ao cartaz
pra dizer a esse "rapaz"
ao revê-lo novamente
- Tu não calcula, vivente, 
a falta que tu me faz!

 



sábado, 8 de agosto de 2026

 

O GÊNERO MUSICAL BUGIO

Parte III

PATRIMÔNIO IMATERIAL DO RS


Comitiva de São Francisco de Paula presentes no ato solene

Há um longo tempo São Francisco de Paula e São Francisco de Assis, municípios que sempre reivindicaram a "paternidade" do compasso sincopado, se uniram num trabalho laborioso e complexo para tornar o ritmo reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Rio Grande do Sul. 

Com o teatro Olga Reverbel, multipalco do Theatro São Pedro, em Porto Alegre, completamente abarrotado, o Gênero Bugio foi, enfim, oficializado.

O ato solene ocorreu no dia 12 de agosto de 2025 e o registro foi formalizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (IPHAE e Brasil de Fato).

No retrato acima com parte da comitiva serrana estão presentes, além de outras autoridades, o Prefeito de São "Chico" de Paula, Thiago Teixeira, o Secretário de Cultura do Estado Eduardo Loureiro, Paulo Bertussi e Gilnei Bertussi, filhos de Honeyde e Adelar Bertussi que gravaram, em 1956, o primeiro bugio Casamento da Doralícia. O município missioneiro também se fez representar por seu prefeito Rubemar Paulinho Salbego e um grande número de assisenses.

Um momento de grande emoção e alegria foi quando os dois grupos musicais representantes de cada cidade tocaram, unidos e com grande entusiasmo, a composição O Bugio é Gaúcho (letra abaixo), composta especialmente para o momento por mim (Léo Ribeiro de Souza) e pelo compositor assisense Paulo Ricardo Costa. 


O BUGIO É GAÚCHO


O bugio é gaúcho, serrano e missioneiro,

trancão galponeiro de cerne e raiz

brotou na cordeona, a luz do candeeiro,

no estilo campeiro do Sul do País.


É marca terrunha que a sala balança

no toque, na dança, dos bem fandangueiros.

Não importa a origem de onde saiu

por que o bugio é do Rio Grande inteiro.


Refrão:

São Chico de Paula, São Chico de Assis

que ideia feliz fazer união

seremos mais fortes assim deste jeito

o trato está feito nós somos irmãos.


O tempo não apaga a história bonita

oral ou escrita deixada nos versos.

Aqui no Rio Grande se planta a semente

e logo na frente se ganha o universo.


Que fique pra sempre este belo legado

ecoando nos pagos de um povo  bravio.

Obrigado aos gaiteiros que noutras andanças

deixaram de herança ao Rio Grande o Bugio.



sexta-feira, 7 de agosto de 2026

 


O GÊNERO MUSICAL BUGIO

Parte II

O FESTIVAL


Ilustração: Léo Ribeiro 


Corria meados da década de 80 e a febre festivaleira assolava o Rio Grande do Sul a partir da Califórnia da Canção Nativa, de Uruguaiana, primeiro evento do gênero. Acontecia em todo o Estado em torno de 100 festivais ao ano.

Edson Becker Dutra, gaiteiro diretor do grupo Os Serranos, de Bom Jesus, em conversas com o músico (roqueiro) João Cincinato Lucena Terra, funcionário da Prefeitura Municipal de São Francisco de Paula, tendo a convicção de que o gênero era originário da região serrana ou, no mínimo, o primeiro bugio (Casamento da Doralicia) havia sido gravado por filhos de São "Chico", ou seja, Os Irmãos Bertussi, resolveram criar este que é único, genuíno, autêntico, festival Ronco do Bugio, aonde só pudessem concorrer músicas do gênero. A temática seria diversa mas a melodia deveria ser bugio. 

A ideia inicial de Edson Dutra era realizar tal encontro musical em sua terra natal, mas como lá já acontecia o ACORDE, um festival de gaiteiros, por que não fazê-lo em São Francisco de Paula?  

E assim aconteceu.

No ano de 1986, com o apoio do legislativo e do então prefeito municipal Luis Antônio Salvador, aconteceu o primeiro Ronco do Bugio num circo que estava instalado no campo do Clube Atlético Serrano. Mês de agosto, frio de renguear cusco. Foi um sucesso.  

Os primeiros Roncos aconteceram em meio de semana para que os conjuntos de baile pudesse participar e o grande vencedor da primeira edição foi Levanta Bugio, com letra e música de Leonardo defendida pelo autor e pelo grupo Os Monarcas (para o meu gosto o bugio mais bonito de todas as edições).  

Em virtude da repercussão alcançada com grandes nomes da musicalidade gaúcha concorrendo e o "lonão" se tornando pequeno para o imenso público, já na terceira edição, em 1988, foi construído o Ginásio Municipal onde tivemos noitadas memoráveis com mais de 4 mil pessoas por noite assistindo a "bugiada".

Posteriormente o festival andejou por outros locais até que encontrou sua casa por longos anos no CTG Rodeio Serrano. Entrada franca, um baile por noite após o concurso, comida de graça com os Cozinheiros de São Chico, belos shows... Saía gente pelo ladrão.

São quarenta anos de história em 33 edições que deixaram rastros de saudades. Não tivemos o festival na pandemia e em algumas poucas ocasiões. 

Em 2026 o festival vai acontecer de 13 a 15 de agosto pela primeira vez no Centro Municipal de Eventos (Av. Benjamin Constant, 1441, Bairro Cipó). 

Sejam todos muito bem-vindos.           


quinta-feira, 6 de agosto de 2026

 

O GÊNERO MUSICAL BUGIO

Parte I 

A ORIGEM DO GÊNERO


Na semana que vem começa mais uma edição do Festival Ronco do Bugio de São Francisco de Paula, aonde é permitido apenas um gênero musical, ou seja, o bugio.

Como o tema desperta muita curiosidade faremos uma matéria dividida em três partes sobre este que é o único gênero musical gaudério criado em nosso Estado.  


Apesar das disputas narrativas quanto à sua origem, o bugio pode ser oficializado enquanto patrimônio imaterial do Rio Grande do Sul
Apesar das disputas narrativas quanto à sua origem, o bugio pode ser oficializado enquanto patrimônio imaterial do Rio Grande do Sul
LEO RIBEIRO/REPRODUÇÃO/JC  
Reportagem do Jornal do Comércio por: João Vicente Ribas
O bugio é um mamífero nativo do continente americano, muito presente no Rio Grande do Sul. Quando ameaçado, além de atirar esterco, projeta uma vocalização grave característica, popularmente conhecida como ronco. Também é chamado de macaco-uivante ou guariba. Seu nome científico é Alouatta, da família Atelidae. Vive de 15 a 20 anos e mede de 55 a 91 centímetros de comprimento. Subdivide-se em diferentes espécies, como o bugio-preto e o ruivo.
É unanimidade que a referência a esse animal tenha nomeado o único gênero musical reconhecido como genuinamente gaúcho. Mas há pouco consenso em torno das circunstâncias e do local exato onde se originou. Algumas histórias envolvem tropeiros imitando o ronco do bugio com a gaita, outras valorizam a dança indígena que mimetiza seu andar. Recentemente surgiram teses que associam o ritmo a origens caipiras.
Nesta reportagem do Jornal do Comércio, a quarta da série Gêneros Musicais Gaúchos, verificamos as principais versões da gênese do bugio, ritmo binário muito presente hoje em bailes no Estado todo. Contamos ainda as disputas e acordos entre duas cidades gêmeas, uma serrana e outra missioneira, que se auto-intitulam berço do bugio. E ainda atualizamos informações sobre o processo de reconhecimento do ritmo como patrimônio imaterial.

O primeiro bugio

Irmãos Bertussi gravaram 'O Casamento da Doralícia', primeiro bugio registrado em disco
Irmãos Bertussi gravaram 'O Casamento da Doralícia', primeiro bugio registrado em disco
ACERVO PESSOAL ADELAR BERTUSSI/DIVULGAÇÃO/JC
O bugio ganharia notoriedade a partir de 1956, quando os Irmãos Bertussi gravaram o primeiro em disco: O Casamento da Doralícia. Foi um impulso para a popularização e para a consolidação como gênero musical. Na contracapa do LP Coração Gaúcho 2, que contém a canção, há um texto explicativo: "O Casamento da Doralícia - Bugio - conto gauchesco de Honeyde Bertussi e música também colhida do folclore. Bugio é um samba ritmado caracterizado pelo jogo de fole do gaiteiro. O passo da dança é de acordo com o movimento do fole".

Adelar Bertussi orgulhava-se em dizer que após essa gravação, o bugio virou moda em todo o Rio Grande do Sul. Em registro audiovisual (Gema, 2016), realizado pouco antes de falecer, assegurou que ele e seu irmão Honeyde conservavam os ritmos folclóricos e apenas criavam uma roupagem moderna no arranjo das gaitas.

Sobre o bugio, Adelar afirmou que é nativo indígena: "a tribo dos kaingang aqui dançavam bugio a madrugada inteira". No entanto, parte da sociedade serrana desaprovava-o por causa da sensualidade atribuída aos movimentos. "Era proibido nos bailes aqui em cima dançar a dança do bugio", recordou.

Outras canções célebres vieram a seguir e ajudaram a consagrar o gênero. Na Califórnia da Canção, em 1973, dois bugios de São Borja foram classificados para a final e entraram para a história (veja cronologia abaixo). No entanto, nos festivais nativistas em geral é raro apresentarem o ritmo. E dificilmente sai vencedor. Já nos eventos exclusivos para o bugio, grandes gaiteiros do gênero, como Edson Dutra, dos Serranos, e Albino Manique, dos Mirins, participam e concorrem aos primeiros prêmios.

Uma das composições mais populares, até hoje entoada Estado afora, é Levanta Bugio, de Leonardo. Defendida pelo cantor junto ao grupo Os Monarcas, venceu em 1986 a primeira edição do festival Ronco do Bugio.

Ronco que ressoa na cordeona

Léo Ribeiro já participou do Ronco do Bugio como compositor, organizador, jurado, apresentador e ilustrador das capas dos álbuns
Léo Ribeiro já participou do Ronco do Bugio como compositor, organizador, jurado, apresentador e ilustrador das capas dos álbuns
JOÃO VICENTE RIBAS/ESPECIAL/JC
Yamandu Costa, hoje violonista famoso internacionalmente, venceu em 1995 a categoria infanto-juvenil do Ronco do Bugio, em São Francisco de Paula. E cantando! O jovem Diamandú, conforme assinava, interpretou Gaita Mulata, de autoria de Léo Ribeiro.
Essa é uma das memórias que o autor serrano guarda de tantos anos de festival. Léo participou de todas as edições, de diversas maneiras. Além de compositor, foi organizador, jurado, apresentador e, inclusive, criou capas de discos. A imagem que divulga a próxima edição tem a sua assinatura. Seu exemplo ilustra o envolvimento apaixonado dos moradores da cidade em torno do gênero.
Léo Ribeiro reforça o coro de que o bugio foi criado no Estado, diferente de outros ritmos presentes nos bailes, como a vanera, o xote, a valsa, a milonga, que teriam vindo de outros lugares. "O único ritmo que realmente foi parido no Rio Grande do Sul foi o bugio", sustenta.
A narrativa da origem indígena, com a participação dos tropeiros, faz sentido para Léo. "Nas rondas fechadas, quando chegavam naquelas propriedades que tinham mangueira, largavam o gado dentro, iam relaxar, tocar, dançar, e dizem que daí surgiu o bugio", afirma.
Para reforçar o argumento, cita o folclorista Paixão Côrtes e suas pesquisas sobre as danças masculinas: "dizia que os tropeiros dançavam inclusive entre eles, entre os homens". Daí teria saído a chula, a dança do bugio, que também era dançada com as indígenas. Inspiravam-se no jeito desengonçado do animal: "assim como a música é uma imitação do ronco, a dança é uma imitação do caminhar do primata".
Mas Ribeiro reconhece que existem muitas dúvidas e coloca mais lenha na discussão: "agora já surgiu uma nova versão, que o bugio teria origem paulista". E explica que um ritmo muito próximo teria sido trazido pelos tropeiros que vinham de São Paulo e passavam por aqui, a batida da moda de viola, o cururu. "Então os gaúchos botaram o som da gaita e virou o bugio", supõe.
 
Os Mirins estão entre os grupos que mantêm a tradição do bugio nos bailes
Os Mirins estão entre os grupos que mantêm a tradição do bugio nos bailes. Na ilustração os saudosos Francisco Castilhos e Albino Manique.  
ARTE DE LÉO RIBEIRO/REPRODUÇÃO/JC


quarta-feira, 5 de agosto de 2026

 


E SE "ATRAQUEMU"

Que nem porco nas batatas. 


ESTÂNCIA DA POESIA CRIOULA




Da esquerda para a direita:

Presidente: César Soares
Vice-Presidente: Léo Ribeiro
1º Tesoureiro: Magno Charrua
2ª Tesoureira: Maria César
Diretor Cultural e Projetos: Cândido Brasil
1ª Secretária: Joséti Gomes
2ª Secretário: Maxsoel Bastos de Freitas 
Diretora de Biblioteca e Museu: Ilda Maria Costa Brasil
Diretor de Edições e Publicações: Luiz Lima 
Diretor de Eventos: Vitor Bielaski
Conselho Fiscal: Athos Miralha da Cunha,  César Tomazzini, Dilmar Paixão.
Conselho Deliberativo: Odilon Ramos, Jose Estivalet, Clodis Rocha.
Conselho de Honra: Wilson Tubino, Egiselda Charão, Ubirajara Anchieta, Maria Elsi, Sidnei Azambuja.





 

 


ACAMPAMENTO FARROUPILHA 2026


Algumas pessoas, principalmente do interior e de fora do Estado, estão nos pedindo informações sobre o Acampamento Farroupilha de 2026 da cidade de Porto Alegre, um dos maiores eventos da cultura regional gaúcha. Então...

A montagem dos piquetes do Acampamento Farroupilha 2026 em Porto Alegre começa em 8 de agosto no Parque Harmonia. O evento geral ocorre de 29 de agosto a 20 de setembro, com a programação cultural oficial e a chegada da Chama Crioula marcadas para iniciar em 7 de setembro.

Cronograma e Montagem: Início da montagem (lotes pares): 8 a 26 de agosto. Montagem dos lotes ímpares: A partir de 15 de agosto.

Vistorias do PPCI: Dias 27 e 28 de agosto.

Período geral do evento: 29 de agosto a 20 de setembro.

Abertura oficial e programação cultural: A partir de 7 de setembro.

Tema central: Herança Jesuítica e Guarani no Rio Grande do Sul: 400 anos de cultura e tradição.

Patrona: A cantora e compositora Fátima Gimenez.

Atrações musicais e culturais: Cerca de 120 atrações distribuídas em dois palcos, incluindo shows regionais, apresentações de trovas e a Ciranda Escolar.