"TEU PRESTÍGIO É PROPORCIONAL A TUA CONDUTA"

Léo Ribeiro


RETRATO DA SEMANA

RETRATO DA SEMANA
O MENINO E OS ANIMAIS - Óleo sobre tela de João Bosco Campos (José Rosário)

domingo, 18 de abril de 2021

PARABÉNS ! ENCANTADO !



Assisti há pouco, na abertura do programa Fantástico da Rede Globo, uma linda matéria do repórter Giovani Grizotti sobre o Cristo Protetor de Encantado e lhes digo: Povo gaúcho. Não tem como não sentir orgulho.  

Localizado no chamado Morro das Antenas, próximo à Lagoa da Garibaldi, em Encantado, no Vale do Taquari, o Cristo Protetor vem chamando a atenção de todo o mundo. Criado a partir de uma movimentação da comunidade, a obra iniciou em 2019. Seu custo está sendo bancado exclusivamente por doações de pessoas físicas e de empresas. O projeto envolveu ainda arquitetos e engenheiros voluntários.

De acordo com a associação mantenedora, além do monumento, o projeto inclui ainda um elevador interno, que conduz à região do peito do Cristo, que fica a aproximadamente 40 metros de altura, onde estará um mirante de onde será possível avistar até mesmo o município de Bento Gonçalves, a cerca de 40 quilômetros de distância. 

Isto é um grande exemplo de como uma comunidade unida, trabalhadora, com foco comum, pode produzir verdadeiros milagres. 

Foto: Eduardo Poletto e Luiz Antônio Marchi / Divulgação



CANTAR DE LAMENTO DO VELHO GAITEIRO

 


Da minha cordeona que aos poucos se fecha
ganhei esta mecha de branco nas crinas
e antes que a gaita se vá pro estojo
eu sugo o apojo de um som que termina.

Comparo meu corpo com a gaita cansada
por léguas d’estrada, noitadas sem fim,
pois trago nas veias gaitaços malevas
e a gaita carrega pedaços de mim.

Levo no meu canto de pura linhagem
terrunhas mensagens de guerra e de amor
abrindo este foles, mesmo na velhice,
é como se abrisse no campo uma flor. 

Versos de: Léo Ribeiro
Gravura de: Vasco Machado



PAULINHO PIRES - PARTE II

 

COMEU A CARNE?


Léo Ribeiro, Adão Bueno e Paulinho Pires


Mais uma do Paulinho Pires.
 
Estávamos no café da manhã na bela pousada à beira da Lagoa dos Patos, em São Lourenço do Sul. O Paulinho com aquela calma que Deus lhe deu, sem atropelos e sem correria. Enquanto os demais já terminavam de saborear seu dejejum o grande serrotista recém dava as primeiras bicadas na xícara de porcelana.   
 
A sua nova companheira Angelina, a Gê, já estava de pé ao lado da farta mesa, pronta para subir para os aposentos e pressionando o homem velho para agilizar sua refeição quando ele balbuciou entre dentes alguma resignação como a dizer: - Que saco....
 
Ai a "Gê", brava de nascença, proferiu em alto e bom tom para que todos ouvissem: - O que!? Tá arrependido!!?? Agora aguenta!!?? JÁ COMEU A CARNE, TEM QUE ROER OS OSSINHOS!!!??
 
Oiga-lê Rio Grande Velho.


sábado, 17 de abril de 2021

A VOZ DO SILÊNCIO

 

 
Hoje, aqui, peço perdão
pelos rompantes do peito 
por que é um grande defeito 
gritar pra se ter razão. 
Pra que levar ao empurrão
se sou mais gente calado?
A vida é um belo legado,
chega de apontar o dedo,
tolerância não é medo
e a razão tem dois lados.

Léo Ribeiro


REVÉS NO PRÊMIO TRAJETÓRIAS CULTURAIS


 


Em nota oficial, após dezenas de denúncias de irregularidades na escolha dos selecionados, a Secretaria da Cultura cancela o resultado do Prêmio Trajetórias Culturais.

A Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul (Sedac) e o Instituto Trocando Ideia comunicam que:

1. O resultado preliminar, publicado em 5 de abril, está cancelado, bem como os recursos apresentados.

2. Os candidatos que incorrem nas vedações previstas pelo edital serão automaticamente desclassificados, conforme cruzamento de informações que está sendo realizado.

3. O Instituto Trocando Ideia abrirá novo prazo para o candidato, que selecionou mais de um segmento, entrar no sistema e marcar o segmento prioritário, o qual concorrerá ao prêmio. Caso o candidato escolha um segmento ao qual não possui trajetória relevante, ele poderá ser desclassificado.

4. A escolha do segmento será realizada no site www.premiotrajetoriaculturalrs.com.br conforme comunicação que será feita nos próximos dias aos candidatos.

5. Todas as denúncias enviadas estão em processo de apuração. Serão realizadas, também, outras formas complementares de auditoria por amostragem.

6. Após realizados todos estes procedimentos e finalizada a validação dos concorrentes de acordo com a regras previstas no edital, um novo resultado preliminar será publicado, reabrindo os prazos subsequentes: fase de recursos, publicação da lista definitiva e repasse de prêmio às trajetórias culturais.

A Sedac e o Instituto Trocando Ideia reafirmam o compromisso de transparência, julgamento objetivo e controle social de todo o processo do edital; e seguem apurando rigorosamente todas as denúncias, com o objetivo de recompor qualquer suspeita de irregularidades.


sexta-feira, 16 de abril de 2021

OUTROS TEMPOS

 



Naqueles tempos buenachos
dos gaúchos orelhanos
por mais parceiros, hermanos, 
ninguém lhes quebrava o cacho.
Só "frouxavam" o barbicacho
pra um matezito a seu gosto.
Um lenço correndo o rosto
pro suor e pra invernia.
De ladrão pouco se ouvia
pois o respeito era imposto!

Léo Ribeiro





NOTÍCIAS DO MTG

 

Festival promove inclusão

 nas 30 Regiões Tradicionalistas




Abertas as inscrições para o Festival Gaúcho da Inclusão, evento virtual que pretende dar visibilidade a crianças, jovens e adultos especiais que cultuam as tradições do Rio Grande do Sul nas 30 Regiões Tradicionalistas. Para participar, basta postar um vídeo de até 5 minutos no Facebook, informando nome, modalidade, cidade e idade, e apresentar qualquer uma das 25 categorias presentes no regulamento, como chula, gaita, declamação e vaca parada. É obrigatório o distanciamento e o uso de máscara nas postagens, a menos que os participantes estejam dentro de casa, com a família. A hashtag a ser utilizada nas postagens é #FestivalGaúchodaInclusão. Os concorrentes precisam estar pilchados.

Os 15 vídeos que mais tiverem curtidas participam da final do festival, que acontecerá no mês de maio, em uma transmissão pelas redes sociais. Para esta final, serão convidados competidores consagrados em competições oficiais do MTG, em diversas modalidades, para que sejam “padrinhos” dos participantes e também se apresentem.

“Com isso, queremos realizar a verdadeira inclusão, e mostrar que todos são capazes. Nosso objetivo é mostrar que o movimento tradicionalista é acolhedor para toda a sociedade, inclusive para as pessoas que tem algum tipo de deficiência. Com nossas atividades presenciais paralisadas, é uma oportunidade de integração entre todos, por meio das redes sociais”, afirma Army Júnior, coordenador da 20ª RT.

O prazo para as postagens, bem como para a contabilização das curtidas, vai até às 21h do dia 30 de abril. O Festival Gaúcho da Inclusão é organizado pela 20ª Região Tradicionalista, com produção musical de Alci Vieira Jr e Camerata Grupo Musical, e apoio da i5 Filmes e RBS TV, que exibirá chamadas na programação da emissora a partir desta segunda-feira, 5, para todo o estado. Mais informações pelo WhatsApp (55) 99966-8099, com Gise.

Confira  o regulamento e acesse a ficha de inscrição: https://www.mtg.org.br/.../festival-promove-inclusao-nas.../


Entidades de Esteio realizarão 

drive thru solidário




Entidades Tradicionalistas de Esteio (12RT) realizarão nesse sábado 17 um drive thru solidário de arrecadação de alimentos com o tema “ Sua Solidariedade é um prato cheio”.

O evento organizado pelos Cavaleiros Sem Fronteiras terá início às 10 da manhã até às 18 horas. Os pontos de coleta serão na Casa de Cultura Lufredina Araújo Gaya (Centro) e nos CTGs Independência Gaúcha (Novo Esteio), Chama Nativa (Jardim Planalto) e Esteio da Tradição (Santo Inácio), além dos supermercados Macromix, Assun e Rede Polo.


Acordo encerra processo judicial

 entre MTG e narrador



Um acordo judicial amigável pôs fim a uma disputa judicial entre o narrador de rodeios Éder Azeredo e o Movimento Tradicionalista Gaúcho. Excluído do Departamento de Narradores por ter atuado em rodeios de entidades não filiadas ao movimento, o que era vedado pelo regimento, Azeredo ingressou na justiça, em 2015, com duas ações requerendo a ilegalidade da norma e para ser reintegrado aos quadros do departamento. Ele obteve, na época, liminar favorável para seguir trabalhando em eventos de entidades filiadas.

Com o fim do artigo que estabelecia a exclusividade de atuação dos narradores em eventos de entidades filiadas, decidido em Assembleia, a assessoria jurídica do MTG procurou um acordo para encerrar com o processo. "No referido acordo – que foi homologado pelo juízo - o MTG não teve nenhum ônus financeiro, nem de custas processuais e honorários e nem, tampouco, de condenação por eventuais antijuridicidades cometidas no passado", explica o assessor jurídico do movimento, Maurício Bastos de Freitas.

Para o vice-presidente Campeiro do MTG, Adriano Pacheco, o acordo simboliza uma gestão que busca o diálogo, a conciliação e o respeito em vez dos embates e das punições, muitas vezes, vistas como exageradas pelo olhar da sociedade. E mostra o respeito que o movimento possui por entidades que oferecem  oportunidade de trabalho digno a  diversos narradores. "Esperemos que esse seja o último processo aberto contra o MTG. Queremos o diálogo e amizade, em vez de disputas judiciais que interessam a poucas pessoas, e não ao coletivo do tradicionalismo organizado", observa Adriano.


quinta-feira, 15 de abril de 2021

DIA DO DESENHISTA

 

 
Desenho de Léo Ribeiro 

Me alerta e me cumprimenta pelo Dia do Desenhista o pajador Paulo de Freitas Mendonça. Na verdade eu não sabia que tinha esta data até porque não me considero um desenhista. Nunca fiz curso algum. Sou um rabiscador, um curioso, um autodidata que se utiliza desta arte para ajudar os amigos com ilustrações sem nunca ganhar nada em troca a não ser o reforço destas amizades.

Mas aproveito a citada efeméride para cumprimentar verdadeiros desenhistas como o Noé César, o Tadeu Martins, o Anilto Caureo, o Vasco Machado e tantos outros que brincam com o carvão além da churrasqueira, principalmente meu filho Lucas Vallim de Souza. Dizem que filho de tigre sai pintado mas acho que se inverteram os papéis. Eu é que aprendo com meu guri.   

Grato pela lembrança, Paulo de Freitas Mendonça.    


Desenho de Lucas Vallim de Souza




ARTE DA DECLAMAÇÃO

 

José Estivalet
 
De uma forma poética poderíamos dizer que a declamação é a transpiração da poesia. É um ato onde a pessoa que declama externa os sentimentos retidos nos transcritos, levando os ouvintes a vivenciarem o que o poeta quis dizer em seus versos.

Segundo algumas orientações do Movimento Tradicionalista Gaúcho, o declamador deve ter uma postura cênica sóbria e sem exageros, inclusive na indumentária. No palco, segundo o poeta Colmar Duarte, o declamador deve portar-se “como quem nada teme, porém a ninguém afronta”.

Os gestos devem ser os mais naturais possíveis, como quem conta uma história. A mímica é um recurso auxiliar, não podendo se sobrepor a interpretação vocal.

O tom de voz deve ser o tom natural do declamador, pois ao impostá-la de forma inadequada pode ocorrer como quem canta fora do tom, ou seja, desafinar ou não alcançar determinada inflexão.

A dramaticidade é diretamente proporcional ao texto, mas sem “encarnar” o personagem como o ator de teatro. O declamador é apenas o portador da mensagem que o autor traz para os ouvintes. A mensagem deve ser transmitida com a maior sinceridade e convicção possíveis, para que as emoções sejam sentidas por quem assiste. Para isso, não é preciso levar para o palco adagas, borrachões, bandeiras, etc...

A diferença entre interpretação teatral e declamação é, portanto, esta: o ator finge ser um personagem, vestindo-se, pensando e agindo como tal. O declamador “conta” a história fazendo o possível para convencer as pessoas de que acredita no que está dizendo.

Portanto, não é aconselhável chorar, gritar, exagerar nos gestos ou adereços que não façam parte da indumentária. Segundo José Severo Marques, em declamação todo excesso é pecado.

Os julgadores de declamação observam muito os seguintes quesitos: a) Fundamentos da voz (dicção, impostação e inflexão). b) Expressão (facial e gestual). c) Fidelidade ao texto d) Transmissão da mensagem poética.

A declamação é uma arte quase que obrigatória nos diversos eventos artísticos do Rio Grande. Em nenhum outro Estado nota-se tamanha dedicação pela declamação. Existem milhares, isto mesmo, milhares de declamadores espalhados aos sete ventos desta velha província de São Pedro. É de praxe, nos Centros de Tradições Gaúchas, nos galpões de fazendas, as pessoas receberem seus convidados com belos retrechos de poemas. As prendinhas, os piazitos, desde cedo, vão se embrenhando nestes meandros e, cada qual com seu estilo, retratam histórias, aventuras, ficções, bravuras do povo rio-grandense, arrancando as mais entusiásticas admirações por serem transmissores do pensamento poético. Em suma, o declamador é a garganta do vate.



ENCONTRO DE JOVENS DA 18ª RT

 





quarta-feira, 14 de abril de 2021


Paulinho Pires




 

CARREGANDO UMA LENDA

 

SAUDOSO PAULINHO PIRES 



Me bateu saudades de um velho parceiro de muitas jornadas. O querido e imortal Paulinho Pires. 

Certa feita fui visitar o amigo Pandiá Cardoso, lá em São Lourenço do Sul, que me fez um pedido: - Tem como trazer o Paulinho Pires? Nunca mais o vi e sou um admirador do seu trabalho. 

E lá se fomos nós. Minha esposa, eu, o Paulinho e a Dona Angelina, sua recém companheira (o Paulinho ficara viúvo no ano anterior).    

Viajar com o Paulinho era um prazeraço porque os causos, as piadas, as terminologias que  brotavam do tocador de serrote, autor do Cevador de Mates, Súplica do Rio, e outros tantos sucessos musicais, eram sempre muito engraçadas, tornando a viagem mais curta. Eu, tentando sugar tudo que podia. Pena não ter um gravador...  
 
Esta lenda do Rio Grande estava com 83 anos e sua parceira, a Angelina, que ele chamava amorosamente de Gê, deveria ter idade parecida. Ela cuidava dele com o maior esmero e regramentos pois o Paulinho Pires sempre foi um homem boêmio, meio descuidado com horários. A pressa nunca foi apresentada a este grande músico.

Sempre que eu ia buscá-lo em seu rancho para algum evento, ali na Rua dos Burgueses, em Porto Alegre, tinha que chegar uma hora antes de qualquer partida pois nunca estava pronto, além do que me fazia experimentar todo tipo de canha preparada por ele e também mostrar-me as novas plantas de seu jardim. 

Mas voltemos ao causo. 
 
Como todo casal novo, os dois faziam a jornada tapados de carinhos. E eu só negaciando pelo retrovisor...
 
Vez em quando, na folga do namoro, o Paulinho largava uma que chegava a me doer a cabeça de tanto rir.
 
Na hora em que os dois tomaram alguns dos diversos remédios diários, ali por perto do município de Cristal, o Paulinho, com sua voz pausada e mansa, me saí com esta:
 
- Pois sabes, Léo, que eu e a Gê "temo" igual a junta de boi carrero passando em ponte estreita. Um se firmando no outro....

Oiga-lê, Rio Grande velho. 


terça-feira, 13 de abril de 2021

GAÚCHO

 Padre Pedro Luiz, O Gênio do Pampa. 



Rei do laço, herói do pialo
e monarca deste pago,
o gaúcho, sem cavalo,
hoje em dia é índio vago.
Olha as ondas – amplo bando –
desse mar de um verde mago
as coxilhas corcoveando.

Mira e escuta toda a história
surge, então, como epopeia.
Ouve o eco da vitória
dessa típica peleia
dos heróis de Trinta e Cinco,
saraivada que guasqueia
sobre cúpulas de zinco.

Mira o umbu – telheiro verde
e galpão da natureza
para o guasca que se perde
neste assombro de grandeza
embebido, embriagado
no presente, e de alma presa
na opulência do passado.


OS FESTIVAIS NATIVISTAS

 

PÓS PANDEMIA



O setor de entretenimento é um dos mais afetados pela pandemia do Coronavirus. São diversos os relatos de músicos trabalhando em outras atividades e até mesmo vendendo seus instrumentos para conseguir sobreviver. As leis que distribuem verbas ajudam, mas não atingem a 20% da categoria além de serem burocráticas e inacessíveis para muitos. Preencher um edital requer prática e habilidade.

Com o advento da vacina e o provável retorno de uma vida mais parecida com a normalidade as pessoas ligadas aos eventos musicais ficam a imaginar, ao cabo, como reagirão os festivais nativistas.

Vou depositar minha opinião:

Penso que é uma categoria que voltará mais forte, mais organizada. As dezenas de festivais realizadas sem a presença de público neste período serviu para manter o nome do evento em evidência, mas falta a emoção, o calor humano, a expectativa, a convivência dos participantes, o envolvimento da comunidade local, e até as reclamações costumeiras.

Há setores, como os bailes (que já vinham rengueando antes da pandemia), que terão um regresso mais lento. Os festivais não. 

Acho que, pelo entusiasmo guardado há mais de ano, voltarão com muita força. Há muita criatividade represada. 


   

          


segunda-feira, 12 de abril de 2021

PROJETOS DE FUNDAMENTO

 

Projetos buscam reconhecer a cultura gaúcha como 

Patrimônio Imaterial e Cultural do Estado e do Brasil


Deputados Afonso Motta e Luiz Marenco

O deputado Luiz Marenco (PDT) protocolou um Projeto de Proposição Legislativa que tem por objetivo reconhecer a cultura gaúcha, em toda sua amplitude, como Patrimônio Imaterial e Cultural do Estado. A proposta busca contemplar um imenso reconhecimento a nossa cultura, o que poderá facilitar junto às Leis de Incentivo, editais e patrocínios diretos para a manutenção de todas as modalidades do regionalismo, nativismo e do tradicionalismo. Este era um dos compromissos de campanha do deputado e também da Frente Parlamentar pelo Fortalecimento da Cultura Regional Gaúcha da Assembleia Legislativa, da qual é presidente. O projeto tramita desde o dia 22 de fevereiro no Parlamento e, em breve, deve estar apto para ir à votação no Plenário.

Mas isto não é tudo. Marenco também sugeriu ao deputado federal Afonso Motta, correligionário do PDT, que levasse este anseio dos gaúchos ao âmbito federal, o que resultou no Projeto de Lei 990/2021 - já protocolado na Câmara dos Deputados - que torna a cultura gaúcha como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. 

Após aprovadas estas duas leis a cultura Rio Grande do Sul vai ser vista com outros olhos. Desde um verso de um trovador ou uma música de um compositor rio-grandense, ao maior festival ou o mais consagrado rodeio crioulo, tudo será considerado produto do Patrimônio Imaterial do Estado e também do País.

“Agradeço ao deputado Motta, torço pela aprovação de sua lei, assim como conto com os meus companheiros da Assembleia para que eles coloquem suas sensibilidades a serviço do que nos faz gaúchos, a cultura própria do Rio Grande do Sul”, enfatiza Marenco.



 





REPONTANDO DATAS / 12 DE ABRIL


MORRE O GENERAL FARRAPO DAVID CANABARRO 




Num dia 12 de abril, do ano de 1867, morria na Estância São Gregório (Livramento) David Canabarro, chefe Farroupilha que firmou o Tratado de Paz de Ponche Verde. Sobre este general farrapo recaem mal resolvidos fatos da Guerra dos Farrapos, como a Batalha dos Porongos, onde, ao findar das luzes da revolução, dezenas de negros, desarmados, foram mortos num embate desproporcional com as forças imperiais. A seu favor, a provável carta do então Barão de Caxias a seu oficial imperial, Moringue, dando indícios do provável acerto com Canabarro, nunca foi encontrada ou provada sua veracidade. Da mesma forma, um tribunal militar farrapo foi instaurado para definir a conduta do general. Ao cabo, tal inquérito foi arquivado sem uma sentença de julgamento. Contudo, Bento Gonçalves da Silva, que já havia se afastado do comando farroupilha, acusou-o formalmente de traição.

    




domingo, 11 de abril de 2021

CAUSOS DE GALPÃO


 PRA QUE CORRER?

Como é domingo, levantamos mais tarde e temos um bom tempo até a hora da bóia, vamos postar um causo recolhido por Apparício da Silva Rillo e editado em sua coletânea Rapa de Tacho, volume 3, Editora Tchê. A gravura é de Jorge Rajedell. 


Bom domingo a todos  






Vasco de Mello Leiria era personagem conhecidíssimo nos meios tradicionalistas e culturais do Estado. Coronel reformado da Brigada Militar - a “Briosa” de tão gratas legendas - , fez o curso de direito enquanto oficial. Ao reformar-se, trocou a farda pela beca de bacharel.

Para seus amigos era o “Caraguatá”, apelido que aceitava naturalmente e que deve ter-se originado de seus bigodões crespos, suas sobrancelhas espessas e arrepiadas ou, talvez, de seu gênio inquieto, de sua franqueza de opiniões, de suas colocações as vezes ásperas para espíritos de gente que estudou em “colégio de freiras”. De quebra, o Caraguatá era poeta que se dividia entre o lírico, o parnasiano e o gênero nativista.

Pois há vários anos quando residia e advogava em Santa Maria, o Caraguatá foi convidado para pronunciar uma palestra no CTG Tapera Velha, de Tupanciretã, e o ensejo de um encontro de “patrões” de entidades tradicionalistas. Foram seus companheiros, nessa jornada de cem quilômetros de estradas, os então estudantes universitários Xiru Vasseur e o Negro Motta. Deste último ouvi o causo que ora alinhavo.

Nosso herói e seus amigos eram conduzidos a seu destino pelo Barin, jovem empresário santa-mariense, famoso por suas habilidades no comando de um automóvel que, no caso, era o seu – uma “barata” Chevrolet importada que só faltava voar.

Estava sendo ultimada a estrada asfaltada entre Santa Maria e Tupã e vários trechos não haviam recebido nem mesmo a primeira camada de pedras. Eram pura terra – na ocasião transformados, pela chuva, em barrais de atolar sapos. O mau estado desses trechos não impediam que o Barin baixasse menos o pé do acelerador da chefrola, derrapando nas curvas, passando perigosamente perto dos barrancos e declives laterais pendendo para socavões de meter medo.

Caraguatá – que sempre teve horror a viagens de automóveis por estradas embarradas e que não admitia velocidades acima de 50/60 km por hora, suava pelo rego da bunda. Mascava o bigode - num gesto muito seu – e largava de quando em quando suas tradicionais fungadas de capincho que saiu do arroio.

Logo após uma derrapada que fez a “barata” dançar, num legítimo cavalo-de-pau em pista de sabão, não resistiu. Endireitou-se no banco, alisou a bigodeira arrepiada, fez tremer os pulmões numa fungada macha e indagou do Barin:

- Me conta uma coisa, Barin...

- O quê, bacharel?

- Automóvel é passarinho, Barin?

- Não, não é. Por que?

- Por nada. Só outra coisita, Barin. Tu gostas de fazer sexo, Barin?

- Quem não gosta, bacharel. E gosto barbaridade!

- Pois então, filho da mãe, alivia o galope deste teu auto que não demora a gente roda, entope num precipício desses e tu nunca mais vais trepar com ninguém, Barin de merda!





sábado, 10 de abril de 2021

FILOSOFIAS GAUDÉRIAS

 

TANTO AQUECE A LÃ DA OVELHA

QUANTO O COBERTOR DE ORELHAS


Gravura: Molina Campos






MANOBRANDO NAS PANELAS

 

Flagrante: Adão Bueno cozinhando no galpão Aconchego dos Gaudérios


Gurizada medonha que gosta de fazer umas manobras num fogão. Como amanhã é domingo e o Cléo Kuhn está falando que vai dar uma refrescada, com a chuva batendo no santa-fé do galpão, vamos postar uma receita de nossa rica culinária gaúcha. 

Como a carne anda pela hora da morte vai, então, os "apreparos" para um suculento Puchero de "grudar os beiços" com material mais em conta. Para adoçar a garganta, uma sobremesa de ambrosia bem campeira. 

A receita é para até 15 pessoas mas, para evitar ajuntamentos, você pode congelar as sobras. Bom proveito.

Puchero


Rendimento: de 10 a 15 pessoas

Ingredientes

½ Kg de carne com osso (pescoço)
½ Kg de ossos com tutano
½ Kg de rabada
½ Kg de alcatre com osso
2 cebolas médias
2 tomates
½ molho de manjerona
3 dentes de alho
½ molho de tempero verde
1 folha de louro
2 pimentas verdes
1 pitada de colorau ou 1 colher de extrato de tomate
4 colheres (sopa) de banha
¼ de raiz de aipo
¾ Kg de farinha de mandioca
Legumes e verduras diversas

Preparo

Fritar as carnes e ossos, já cortados, na banha quente. Temperar com alho socado com sal, pimenta e a manjerona. Depois, acrescentar a cebola e o tomate picados, o colorau ou o extrato de tomate e o louro. Deixar fritar bem, até o ponto de quase queimar. Então colocar água, duas vezes a altura da carne, provar o sal e deixar ferver. Por último, ir acrescentando os legumes, separadamente – primeiro os mais duros. Cuidar para que não desmanchem, retirando da panela os que forem cozidos. As verduras devem ser cozidas por último. Do caldo fazer um pirão com farinha de mandioca e o tempero verde picadinho, que servirá para acompanhar o prato.

Ambrosia

Rendimento: 20 pessoas

Ingredientes

1 litro de leite
8 ovos
1Kg de açúcar cristal
Caldo de 1 limão
Raspas de casca de limão
Raspas de casca de laranja

Preparo

Talhar o leite com caldo de limão. Fazer uma calda grossa com o açúcar. Passar os ovos na peneira e misturá-los ao leite. Colocar essa mistura na calda e ferver lentamente até engrossar. Adicionar as raspas de casca de limão e laranja. Acrescentar leite até a calda ficar na consistência desejada.


sexta-feira, 9 de abril de 2021

REPONTANDO DATAS / 09 DE ABRIL

 

Num dia 09 de abril, do ano de 1795 morria o caudilho 

RAFAEL PINTO BANDEIRA


desenho de Rafael Pinto Bandeira
por: Carlos Julião

Rafael Pinto Bandeira foi um militar português do século XVIII que Comandou inúmeras batalhas em defesa das possessões portuguesas no Rio Grande do Sul, à época Capitania do Rio Grande de São Pedro.

Filho de Francisco Pinto Bandeira e de Clara Maria de Oliveira, incorporou-se em 1754, junto com seu pai ao Corpo de Dragões do Rio Pardo e seguiu para Rio Pardo.

Observa Carlos Reverbel que alguns gaúchos relutam em aceitar o fato de que o Rio Grande do Sul é berço de caudilhos, mas eles existiram e em grande número. Rafael Pinto Bandeira foi certamente o primeiro, pelo menos o primeiro com registro histórico.

A seu favor, diga-se que, ao contrário de caudilhos que vieram depois, o meio em que Pinto Bandeira viveu não lhe dava alternativa. Pinheiro Machado e Júlio Prates de Castilhos, por exemplo, poderiam ter exercido seu poder de forma democrática, pois atuavam no seio de instituições de certa forma consolidadas.

Já Pinto Bandeira viveu numa época em que o atual território do Rio Grande do Sul ainda era alvo de acirrada disputa entre portugueses e espanhóis, que travaram sucessivas guerras pela posse do território.

Todas elas terminavam em tréguas ou tratados de paz em que se tentavam fixar as fronteiras sul americanas dos impérios espanhol e português, mas nada do estipulado valia na prática. As hostilidades eram constantes pela própria dificuldade de determinar, na falta de marcos confiáveis, onde começavam os domínios de um e outro, bem assim pelo fato de o contrabando ser a principal, senão a única atividade econômica importante no período.

Portanto, para comandar os primeiros habitantes das terras gaúchas era necessário um caudilho e Pinto Bandeira preenchia perfeitamente esse perfil. Valente, grande estrategista, era uma lenda para seus comandados, que lhe atribuíam várias qualidades excepcionais, como uma memória prodigiosa que lhe permitia conhecer em detalhe cada palmo do território e um senso de orientação que o fazia capaz de se orientar na noite mais escura apenas pelos cheiros e ruídos da natureza. Era também simpático a seus comandados pela generosidade com que os recompensava com terras e dinheiro. Alguns deles vieram a se tornar grandes estancieiros.

Campanhas militares

Rafael Pinto Bandeira esteve ininterruptamente envolvido em campanhas militares desde 1754, com 14 anos incompletos, até 1777, quando Portugal e Espanha assinaram o Tratado de Santo Ildefonso, que deu certa estabilidade às fronteiras meridionais do Brasil, pois foi seguido de demarcação demorada e detalhada dos limites de cada império.

Nessas campanhas, cavalgou e lutou por todo o território gaúcho, da tomada do forte de São Martinho, na região dos Sete Povos das Missões, ao norte do hoje Estado do Rio Grande do Sul, próximo da fronteira com a Argentina, mais precisamente com a Província de Corrientes, passando por Rio Pardo, na retirada sob constante perseguição inimiga. e culminando no cerco ao forte de Santa Tecla, em Bagé, no extremo sul do Rio Grande, junto à fronteira uruguaia.

Não era, no entanto, homem rude, pois cultivava gostos refinados. Chegou a ter uma orquestra particular, que tocava durante suas refeições. Alimentava, ainda, o sonho de transformar o Rio Grande numa terra realmente civilizada, construindo cidades e trazendo da Europa os requintes da civilização. Este lado utópico de Pinto Bandeira pode ser apreciado por quem lê O Continente, primeira parte da trilogia O Tempo e o Vento de Érico Veríssimo.

Assume a governança militar da Capitania de São Pedro do Rio Grande do Sul em 1784, e em 1786 obteve uma grande área de terra junto ao centro da cidade de Porto Alegre, que seria mais tarde conhecida como a Chácara da Brigadeira. De 1788 a 1790 esteve na Corte em Lisboa, à convite da Rainha Dona Maria I. Ao retornar ao Rio Grande, reassumiu a governança militar.

Mas os anos em Portugal e o cargo público fizeram dele um homem sedentário e prejudicaram sua saúde. Tornou-se obeso, a ponto de somente poder montar a cavalo com a ajuda de outra pessoa. Morreu justamente em um acidente ao cavalgar.

Seus restos mortais estão depositados na Catedral de São Pedro, em Rio Grande, numa tosca urna de madeira.



DIVERSIDADE CULTURAL

 


O facebook me relembra de uma matéria postada há tempos atrás quando os rio-grandenses Pedro Junior da Fontoura e Paulo de Freitas Mendonça, juntamente com diversos pajadores platinos foram recebidos pela Ministra da Cultura da Argentina, Teresa Parodi, num belo momento de integração que a arte pajadoril proporciona.

Vejam o que é a diversidade cultural. Algumas pessoas de chapéu na cabeça dentro de um gabinete ministerial. Por aqui, tal fato seria inadmissível. Notem que Pedro Junior da Fontoura, de camisa amarela, está com seu aba-larga entre os dedos, num claro sinal de respeito.    


CURIOSIDADES HISTÓRICAS

 

Castelo das Pedras Altas
 
 
Por: Getúlio Dorneles
 
Assis Brasil teve alguns vidros da janela térrea do castelo de Pedras Altas quebrados durante a revolução de 1923 e não permitiu que fossem retirados os pedaços que restaram. Mandou colar outros por cima. Alegou que as casas também devem ter as suas cicatrizes.
Na realidade, substituí-los seria apagar um pedaço da história, da prova de que ali havia ocorrido um ataque por componentes de uma hoste contrária aos seus pensamentos, que impunha permanecer no governo pelas armas.
Assim, enquanto o Castelo estiver de pé ou for respeitada aquela sua vontade, a marca estará para contar um pouco da saga de democratas rio-grandenses, em favor de eleições e livre escolha de seus governantes. É a história, no seu mais nefasto sentido, como tantas outras que ocorreram. Talvez, a grande maioria não conservada.


quinta-feira, 8 de abril de 2021

FILOSOFIAS GAUDÉRIAS

 

PÉROLAS SÃO LINDAS, SEU MOÇO, 

ATÉ EM QUEM NÃO TEM PESCOÇO.






PRÊMIO TRAJETÓRIAS CULTURAIS

 

EM FACE DAS INÚMERAS MANIFESTAÇÕES 

SECRETARIA DO ESTADO DA CULTURA EMITE NOTA

Diante das inúmeras manifestações de descontentamento com a lista preliminar de classificados no Edital Prêmio Trajetórias Culturais - Mestra Sirley Amaro, realizado em parceria com o Instituto Trocando Ideia, a Secretaria de Estado da Cultura (Sedac) está tomando as providências necessárias para garantir a validação justa do resultado final. O processo de avaliação e classificação de cada uma das 1,5 mil (mil e quinhentas) trajetórias selecionadas será rigorosamente fiscalizado e auditado pela Sedac, de acordo com os princípios constitucionais que regem uma concorrência pública, quais sejam isonomia, legalidade, impessoalidade, moralidade, igualdade, publicidade, economicidade e eficiência, probidade administrativa, vinculação ao instrumento convocatório e julgamento objetivo.

A Sedac ressalta que tem atuado permanentemente no acompanhamento e fiscalização de todo o processo de seleção. Entretanto, a partir das informações recebidas e em razão da repercussão do resultado, serão intensificados os esforços de apuração dos fatos com o rigor necessário, de acordo com os aspectos descritos a seguir.

1) Vedação à premiação de pessoas premiadas com recursos da LAB nos municípios

Entre as vedações previstas no Edital Prêmio Trajetórias Culturais - Mestra Sirley Amaro, consta no subitem 6.1 "f" que “É vedada a participação, seleção e transferência de recursos da premiação para pessoas físicas que já tenham sido beneficiadas com prêmios do inciso III do Art. 2º da Lei 14.017/2020 – Aldir Blanc".

A referida vedação decorre do previsto no Decreto Estadual nº 55.478, de 11 de setembro de 2020, que regulamentou a execução da LAB no RS e incluiu no Art. 22 inciso III uma medida para evitar o sombreamento entre Estado e Municípios, que prevê "fará constar de todos os seus editais, como causa de desclassificação e de impedimento para pagamento, o fato do projeto já ter sido contemplado em edital de Município com o mesmo objeto, com recursos da Lei Federal nº 14.017/2020."

Neste edital, o objeto é o reconhecimento da trajetória cultural de pessoa física para fins de recebimento de premiação.

O edital prevê, ainda, no item 7.1.2.1, que "a conclusão da inscrição do candidato indicado somente ocorrerá após a declaração de anuência pessoal do candidato sobre as informações preenchidas pelo responsável da entidade e declarar que não se enquadra em nenhuma das vedações discriminadas no item 6.1 deste edital, sob pena de sumária desclassificação e das demais medidas legais cabíveis."

Portanto, as pessoas que se inscreveram e foram contempladas com premiação por suas trajetórias com recursos da Lei Aldir Blanc nos municípios incorreram em declaração falsa e serão sumariamente desclassificadas do edital, ficando sujeitas às demais sanções legais cabíveis.

Diante de inúmeras denúncias recebidas, a Sedac está buscando junto aos municípios informações sobre as pessoas contempladas que se enquadrariam nessa vedação, para cruzamento dos dados.

2) Vedação à premiação de pessoas contemplados no edital Ações Culturais das Comunidades

O Edital Prêmio Trajetórias Culturais - Mestra Sirley Amaro prevê no item 6.1 "g" que "é vedada a participação, seleção e transferência de recursos da premiação para: pessoas físicas contempladas no Edital Ações Culturais das Comunidades realizado pela Associação de Desenvolvimento Social do Norte do RS – Cufa/ Frederico Westphalen e Cufa-RS (edital de chamada pública Sedac 13/2020)”.  

Considerando que as pessoas físicas contempladas são aquelas que constam na homologação do resultado definitivo publicado pela Cufa, esta listagem será encaminhada ao Instituto Trocando Ideia para providenciar a desclassificação dos candidatos contemplados.

3) Segmento premiado

Na avaliação dos candidatos, foram consideradas as atividades relatadas pelos concorrentes em todos os segmentos informados durante a inscrição.

O Edital Prêmio Trajetórias Culturais - Mestra Sirley Amaro prevê no item 7.2 que "os candidatos à premiação poderão ter trajetórias culturais em uma ou mais áreas ou segmentos relacionados à Cultura: audiovisual; artesanato; artes visuais; circo; culturas populares; cultura viva; dança; diversidade linguística, livro, leitura e literatura; música; teatro; memória e patrimônio; e museus.

A errata 2, posteriormente publicada, acrescenta este dispositivo: "4.2.2 Para os candidatos que se inscreveram em mais de um segmento cultural, o sistema ordenará automaticamente os segmentos, preferencialmente, de acordo com o número de prêmios disponíveis para cada segmento."

Portanto, para fins de classificação, o sistema ordenou e vinculou a um "segmento premiado". Diante deste fato, estão sendo solicitadas providências para revisão desta classificação e, consequentemente, do resultado preliminar. Esta questão deverá ser submetida à Comissão Julgadora da Chamada Pública. 

4) Residência ou domicílio

O Edital Prêmio Trajetórias Culturais - Mestra Sirley Amaro prevê no item 4.1 que "os prêmios serão distribuídos para candidatos residentes ou domiciliados em uma das 09 (nove) Regiões Funcionais de Planejamento do Estado". Com o objetivo de simplificar e agilizar o processo, o edital reduziu substancialmente os aspectos burocráticos para comprovações neste item, exigindo apenas uma declaração de anuência do candidato afirmando que não se enquadra em nenhuma das vedações discriminadas no item 6.1 do edital, sob pena de sumária desclassificação e demais medidas legais cabíveis.

A Sedac e a entidade parceira estão apurando todas as informações e denúncias oferecidas, checando a residência dos candidatos participantes, inclusive por meio de pesquisa em redes sociais. O contemplado poderá ser solicitado a apresentar comprovação de residência e de atuação, emitida por órgão gestor de cultura ou pelo Conselho Municipal de Cultura de sua cidade, ou equivalente, após a publicação do resultado definitivo e anteriormente ao repasse de recursos.

5) Notas atribuídas

Em relação aos questionamentos sobre as notas atribuídas pela Comissão de Avaliação e Julgamento, a Sedac busca assegurar a possibilidade de atribuição de nota corretiva, caso omisso no Edital Prêmio Trajetórias Culturais – Mestra Sirley Amaro, que será validada junto à Comissão Julgadora da Chamada Pública, buscando reparar eventuais inconsistências no julgamento dos candidatos, em conformidade com os critérios estabelecidos no edital.

Sobre o edital

O Edital Prêmio Trajetórias Culturais – Mestra Sirley Amaro é executado em parceria com o Instituto Trocando Ideia, entidade selecionada por meio da Chamada Pública Sedac nº 11/2020. O valor total é disponibilizado é de R$ 12 milhões, para beneficiar 1,5 mil trajetórias culturais, distribuídas proporcionalmente nas nove Regiões Funcionais dos Conselhos Regionais de Desenvolvimento (Coredes), no valor de R$ 8 mil para cada premiação.

Os inscritos apresentaram trajetórias nos seguintes segmentos culturais: audiovisual; artesanato; artes visuais; circo; culturas populares; cultura viva; dança; diversidade linguística; livro, leitura e literatura; música; teatro; memória e patrimônio; e museus.

São asseguradas 51% das vagas para cotas sociais - autodeclarados pretos, pardos, indígenas, quilombolas, ciganos, mulheres trans/travestis, homens trans e pessoas com deficiência (PCDs)

Sobre recursos ao resultado

A fase de recursos ao Edital Prêmio Trajetórias Culturais – Mestra Sirley Amaro teve início em 05/04/2021 e se encerrará em 09/04/2021, sendo que os candidatos podem acessar o sistema de avaliação, conferir suas notas e entrar com recurso.

Por fim, a Sedac garante que realizará todo o processo de fiscalização e auditoria em diálogo com a classe artística, controle social e acompanhamento dos dirigentes e agentes municipais de cultura. Uma comissão da Sedac examinará rigorosamente todas as denúncias, com o objetivo de recompor qualquer suspeita de irregularidade.