SOBRE O DESFILE DA PORTELA
Por curiosidade, fiquei assistindo ao desfile da Portela. Como gaúcho só tenho que agradecer por uma escola de samba tão tradicional colocar a negritude de nosso Estado em tamanha evidência. Foi um momento maravilhoso. Uma pena que o último carro, que trazia a Velha Guarda da Portela, teve problemas e comprometeu um pouco a harmonia ou evolução (não entendo muito tecnicamente falando).
Aprendi muita coisa como, por exemplo, que o Rio Grande do Sul é o Estado que acolhe o maior número de terreiros de batuque do Brasil. Sempre achei que fosse a Bahia ou o Rio de Janeiro.
A escola conseguiu seu objetivo de representar as particularidades da religião de matriz africana gaúcha, inclusive do Príncipe Custódio, que para muitos era um desconhecido.
A escola homenageou, inclusive, nosso Mercado Público de Porto Alegre com o lindo e imponente carro com o orixá Bará. A agremiação abordou, também, o maçambique de Osório e não fugiu da "hipocrisia" da elite gaúcha em relação às religiões de matriz africana na ala Burguesia Macumbeira, onde a alta sociedade busca auxílio espiritual no batuque mas mantém a negação desta mesma cultura no espaço público. "De noite todo mundo bate tambor, de dia todo mundo nega que bateu".
Com inteligência (para decepção de muitos) o carnavalesco André Rodrigues em seu enredo fugiu de temas polêmicos e mal resolvidos como a Batalha dos Porongos e a letra do Hino Rio-grandense.