PORTELA HOMENAGEIA
O NEGRO GAÚCHO
A Escola de Samba Portela, maior vencedora do carnaval carioca, homenageou, na noite de ontem, o negro gaúcho. através do tema: O Mistério do Príncipe Bará - A oração do negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”.
Sob o olhar do
carnavalesco André Rodrigues, a escola explora a ancestralidade e a influência
negra na formação cultural do Rio Grande do Sul.
Pontos centrais da
história:
• Príncipe Custódio:
Figura histórica do final do século XIX, Custódio Joaquim de Almeida,
originário da região do Benin, foi um líder religioso e articulador das
religiões de matriz africana em solo gaúcho.
• O Batuque: Religião
afro-brasileira nascida no RS, que integra o culto aos Orixás com elementos
locais, como vestimentas tradicionais e culinária adaptada. Vale notar que o
estado possui, proporcionalmente, o maior número de adeptos de religiões de
matriz africana no Brasil.
• O Bará do Mercado: O
assentamento religioso localizado no Mercado Público de Porto Alegre, atribuído
ao legado de Custódio, é um dos principais marcos dessa resistência cultural.
• Simbologia: A narrativa
une a lenda do Negrinho do Pastoreio à figura de Bará (Exu no Batuque),
traçando um paralelo entre fé, proteção e a memória de uma população que muitas
vezes é invisibilizada nos registros tradicionais da região Sul.
A historiadora Flávia
Trindade recomenda o documentário “Cavalo Santo”, de Mirna Britto, disponível
no Globoplay e YouTube, que aprofunda a discussão sobre o Batuque e a herança
negra gaúcha.
