RETRATO DA SEMANA


Tronco Missioneiro Pedro Ortaça

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

 


PORTELA HOMENAGEIA 

O NEGRO GAÚCHO

Foto: Ricardo Moraes

A Escola de Samba Portela, maior vencedora do carnaval carioca, homenageou, na noite de ontem, o negro gaúcho. através do tema: O Mistério do Príncipe Bará - A oração do negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”.

Sob o olhar do carnavalesco André Rodrigues, a escola explora a ancestralidade e a influência negra na formação cultural do Rio Grande do Sul.

Pontos centrais da história:

• Príncipe Custódio: Figura histórica do final do século XIX, Custódio Joaquim de Almeida, originário da região do Benin, foi um líder religioso e articulador das religiões de matriz africana em solo gaúcho.

• O Batuque: Religião afro-brasileira nascida no RS, que integra o culto aos Orixás com elementos locais, como vestimentas tradicionais e culinária adaptada. Vale notar que o estado possui, proporcionalmente, o maior número de adeptos de religiões de matriz africana no Brasil.

• O Bará do Mercado: O assentamento religioso localizado no Mercado Público de Porto Alegre, atribuído ao legado de Custódio, é um dos principais marcos dessa resistência cultural.

• Simbologia: A narrativa une a lenda do Negrinho do Pastoreio à figura de Bará (Exu no Batuque), traçando um paralelo entre fé, proteção e a memória de uma população que muitas vezes é invisibilizada nos registros tradicionais da região Sul.

A historiadora Flávia Trindade recomenda o documentário “Cavalo Santo”, de Mirna Britto, disponível no Globoplay e YouTube, que aprofunda a discussão sobre o Batuque e a herança negra gaúcha.