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Léo Ribeiro


RETRATO DA SEMANA

RETRATO DA SEMANA

terça-feira, 28 de junho de 2022

SEM COMPARAÇÕES

 

Festa de São João em Caruaru

Está findando mais um mês de junho. Metade do ano se foi.... Nesta época é imperativo as comparações entre as festividades nordestinas e o nosso setembro, o mês farroupilha. 

As festas juninas com suas quadrilhas, fogueiras, casamentos na roça, param a região nordeste do país. Até Brasília e seus políticos que já não fazem muito o ano inteiro se bandeiam para lá em busca de votos. A mídia faz coberturas diárias dos milhares de folguedos. 

Tradicional nesta região do País, a celebração foi trazida às terras brasileiras pelos portugueses no século XVI. No início, o principal intuito era homenagear Santo Antônio e São João. Porém, com o tempo, a Festa Junina foi ganhando uma importância cultural e turística. 

Então, pelo Rio Grande do Sul, vem a pergunta e os debates nas redes sociais: Por que nossas festividades farroupilhas não repercutem tão fortemente? 

Vários são os motivos.

As festas juninas são eventos populares. O vivente bota um chapéu de palha, uma camisa xadrez, uma calça com a imitação de um remendo, pinta um bigodinho com rolha queimada, a mulher com um vestidinho florido e está feito a festa regada a muuuuiiiito quentão. Animando os milhares de dançantes apenas uma zabumba, um triângulo e uma sanfona. 

Tudo isto sai mais barato que um par de botas aqui pela terrinha. 

Mas a principal diferença é a visão turística do nordestino em relação ao sulino. Claro que lá tem as praias, um chamativo natural, mas aqui tudo se resume à cidade de Gramado. Não temos nada, culturalmente falando, a oferecer. Desculpe. Temos mas não é mostrado. 

Certo tempo atrás o então governador Eduardo Leite foi aos Estados Unidos divulgar nosso Estado e, no vídeo institucional, não tinha nada, exatamente nada, que remetesse a nossa cultura regional. Nosso representante maior levou um pandeiro carioca para brindar os americanos. 

Além de não haver apoio público institucional, também não ocorre aporte financeiro. No ano passado, na semana farroupilha, não havia dinheiro para comprar 10 medalhas para premiar os vencedores do concurso de poesias que eu organizei a pedido do presidente dos festejos. Tivemos que parir uma bigorna para conseguir cem reais. Quase tirei do meu bolso para me ver livre daquela situação.  

Por lá (nordeste) o dinheiro chega aos borbotões. 

Concordo com a rigidez no controle de gastos públicos mas tal fato deve ser uma virtude e não uma desculpa. 

Então minha gente, sem comparações, vamos peleando só com o cabo da faca e seja o que Deus quiser.