RETRATO DA SEMANA


Para quem começou este blog há 16 anos atrás com 40, 50, acessos diários, terminar o mês de junho com 99.429 acessos (somente no dia 01 já tivemos 10.040 visitas) só aumenta nossa responsabilidade. Continuamos peleando apenas pelo prazer de ser mais um guardião da cultura regional gaúcha.

quarta-feira, 9 de junho de 2021

EU E OS PORCOS

 

Não sou muçulmano, judeu ou cristão ortodoxo, povos de religiões que não ingerem a carne de porco por considerarem o suíno um animal impuro. Não chego a tanto, mas se tiver um pernil de ovelha no mesmo assado, não vacilo na escolha. Contudo, parece que o porco me acompanha desde que nasci, e nem é por falta de banho. Vou explicar o porque.

1 - A História: Meu avô materno Manoel José Ribeiro, o Maneco Ribeiro, me contava que, quando moço, levava tropas de porcos de Cambará do Sul a São Francisco de Paula, distante cerca de 80 km. Fico pensando como seria esta jornada. Quantos dias de tropeada? Como era o controle de dezenas de porcos? Creio que não usassem cavalos. A coisa que mais me arrependo é não ter registrado estas prosas com meu avô. Quanta coisa eu teria aprendido. 

Se o meu amigo Marco Aurélio Angeli, o Zoreia, estiver lendo esta postagem que faça um sinal de fumaça, porque este vivente sabe de tudo sobre tropeadas.   

2 - A Lenda: São Francisco de Paula tem diversas lendas mas a mais conhecida é a dos Porcos. Resumidamente, estava o padre a rezar a missa dominical na antiga igreja quando um bando de porcos selvagens cruzou em frente da morada de Cristo. Houve uma debandada dos crentes para ver o que se passava quando, então,  o sacerdote lançou a seguinte praga: Infiéis. Enquanto o povo deste lugar preferir a visão de porcos do que escutar a palavra do Senhor, esta cidade jamais terá progresso. Não preciso dizer que muitos administradores públicos utilizam tal profecia para justificar seus erros.    

3 - O Apelido: Já falei diversas vezes que nasci, por mãos  de parteira, no lugarejo chamado Contendas, literalmente no meio do mato no interior de São "Chico", a cidade dos apelidos. Pois neste pequeno recanto de gente humilde, trabalhadora, tinha um grupo que era amigo do alheio e que tinham por balda e sobrevivência roubar porcos. Fico imaginando como seria roubar porcos... o gritedo. Pois bueno. Como dei ôh de casa no mundo neste lugar "afamado" pelas brigas em bailes e pelos gatunos de suínos, acabei levando o apelido de: Ladrão de Porco.

Eu me divirto com isso (ficar irado é pior) e meus amigos mais ainda. Ontem mandaram-me esta foto do arquivo pessoal de Carlos Eduarto Trott, de um vara de porcos cruzando a cidade de Taquara do Mundo Novo, lá pelos idos de não sei quando, e disseram que o rapaz que reponta os porcos sou eu.

E tenho que ver e ouvir tudo isso.