RETRATO DA SEMANA


Para quem começou este blog há 16 anos atrás com 40, 50, acessos diários, terminar o mês de junho com 99.429 acessos (somente no dia 01 já tivemos 10.040 visitas) só aumenta nossa responsabilidade. Continuamos peleando apenas pelo prazer de ser mais um guardião da cultura regional gaúcha.

domingo, 21 de janeiro de 2018

O GRANDE RODEIO CORINGA


Ontem, dia 20, ao falarmos sobre o nascimento do poeta e radialista Dimas Costa, comentamos sobre o Grande Rodeio Coringa, programa de rádio que marcou época em nosso Estado. Ainda criança, morando na Aratinga, lembro que meu pai retirava a bateria do seu ônibus para colocar no rádio e, família reunida m volta do rádio, escutarmos as trovas e cantorias, tudo ao vivo.
 
Para aqueles mais novos que não conheceram tal programa radiofônico, publicamos abaixo um texto do nosso amigo, escritor e poeta Dr. Israel Lopes.     

Darcy Fagundes e Dimas Costa, na apresentação do programa
 Grande Rodeio Coringa,
 
Coluna Regionalismo
Por ISRAEL LOPES
Advogado e Pesquisador da Música Regional

O GRANDE RODEIO

No artigo anterior, falei que no início do programa regionalista “Grande Rodeio”, os apresentadores foram Paixão e Dimas. No entanto, a participação do Dimas foi quando saiu o Paixão. Paixão Côrtes, em 1953 apresentou o “Festa no Galpão” na Rádio Farroupilha, que foi o primeiro programa gauchesco de auditório, onde se apresentavam pilchados, interpretando danças folclóricas. Então, na época, chegou a Porto Alegre, o paulista Octávio Augusto Vampré, para reestruturar a Rádio Farroupilha. Paixão Côrtes, diz no livro “Falando em Tradição & Folclore Gaúcho – Excertos Jornalísticos (1981):

“Tivemos, o privilégio de, a convite de nosso diretor artístico, Vampré, participar da estrutura definitiva de um novo programa, que foi lançado a 1º de maio de 1955, com nossa animação e de Darcy Fagundes, com o nome de Grande Rodeio Coringa”.

Darcy Fagundes, “O Gaúcho Vaqueano do Rádio”, participou desde o primeiro programa ao lado do Paixão, depois ao lado do Dimas e até o final ao lado do Luiz Menezes. Com a saída do Paixão, aí é que entra a participação do Dimas, no Grande Rodeio, a convite do próprio Darcy Fagundes, como esclarece o folclorista Antonio Augusto Fagundes, na matéria “A Verdade sobre o Grande Rodeio Coringa”, na ZH, de 15 de abril de 1989:

“ Aí ele mesmo lembrou de um moço de Bagé que redigia como free lancer uns textos para a emissora, onde entrava o gauchismo, uns versos crioulos, de vez em quando. Seu nome era Dimas Costa. (...). Nasceu, assim, a dupla Darcy Fagundes e Dimas Costa, que durou muito pouco: em seguida, o Maurício Sobrinho chamou o Paixão (Maurício tinha comprado a Rádio Gaúcha e queria botar no ar um programa no horário do Grande Rodeio Coringa e à altura daquele da rádio rival, a Farroupilha)”.

Com a ida de Paixão para a Rádio Gaúcha, ele levou o Dimas e apresentaram o programa de auditório “Festança na Querência” (de 1957 a 1962) aos domingos, das 20 às 21 horas. Com a saída de Dimas, Antonio Augusto Fagundes, conhecia o compositor Luiz Menezes, que se apresentava no programa “Campereadas”, do Lauro Rodrigues, na Rádio Gaúcha, então sugeriu a Darcy Fagundes que o convidasse, na apresentação do Grande Rodeio Coringa, que depois passou a ser Grande Rodeio Farroupilha, também apresentado aos domingos, mas no horário das 21 às 22 horas. Foi, sem dúvida, o maior programa de auditório de todos os tempos no Rio Grande do Sul, por onde passaram os principais nomes da música regional gaúcha, da época, que iam surgindo até o final da década de 1970 enquanto o programa se manteve no ar.

(Publicado no Jornal Armazém da Cultura de São Borja, edição de novembro de 2011)