O PAPA, OS GAUCHOS E O MATE.
A cidade de Paysandú, no
Uruguai, sediou a primeira celebração eucarística do Papa Leão XIV em solo
americano durante sua visita apostólica ao país. No caminho peregrinos de
nações vizinhas e gauchos a cavalo saudaram o representante de Cristo na terra.
O Pontífice, em sua homilia, conectou a identidade cultural desta região com a
missão de evangelização da Igreja e a necessidade de construir comunidades
capazes de partilhar fé, esperança e caridade.
“Isso
é primeira missa da minha visita que celebro em terras uruguaias, obrigado por
estarem aqui”, expressou no início da homilia.
O Papa colocou esta
celebração na história da evangelização do continente recordando aqueles que
vieram a estas terras para anunciar o evangelho e partilharam a alegria do
encontro com Cristo através de obras de caridade e misericórdia. Nesse percurso
histórico e espiritual, o Papa lembrou o beato Jacinto Vera, primeiro bispo de
Montevidéu e uma das figuras de fundamento da história da Igreja Uruguaia. O
Santo Padre apresentou-o como testemunha da fé: «Ele foi uma testemunha consistente da fé que anunciava, generoso na
caridade e totalmente dedicado à missão apostólica.” O Pontífice lembrou
que Vera percorreu o território uruguaio a cavalo para cuidar dos doentes,
mesmo diante de longas distâncias, estradas difíceis e condições climáticas
adversas. Por esse motivo, recebeu o apelido de “bispo gaucho”.
O Pontífice também citou
outro símbolo da região e do povo gaúcho, ou seja, o mate. Em tom amigável, o
Santo Padre reconheceu que os próprios uruguaios poderiam explicar melhor o seu
significado e até comentou que esta tradição também chegou a Roma através do
Papa Francisco. “Companheiro é um sinal
de familiaridade, amizade e encontro. Nos ensina a compartilhar e ser juntos,
para fortalecer os laços que nos unem como irmãos", expressou.
O Pontífice ressaltou que
tomar mate é muito mais do que compartilhar uma bebida: representa uma forma de
acolhimento, integração e reconhecimento dos elos que unem as pessoas. Ele
também incorporou uma dimensão espiritual a esse costume, lembrando dos
momentos em que alguém toma mate na solidão e, no meio da silêncio, encontre um
espaço para conversar com Deus.
Ressaltou que “Naqueles espaços de solidão, quantas vezes
tantos de vocês confiaram a Deus suas preocupações e necessidades, seus desejos
e vontades mais profundos”. Dessa forma, o mate tornou-se uma imagem de
proximidade, escuta e confiança, valores que o Papa considera essenciais para
vida comunitária e eclesiástica.
