AUTOESTRADA OSWALDO ARANHA
A gente andeja por estas estradas gaúchas e nem se dá conta do nome oficial de cada uma. Estes dias cruzando pela 020 notei que se chama RE Teixeirinha. Há três ontontes eu vinha pela nossa conhecida freeway quando vi uma placa. Rodovia Oswaldo Aranha. Passo por ali há meio século e nunca tinha prestado atenção. Então resolvi dar uma estudada sobre essa pessoa tão importante que empresta seu nome a nossa autoestrada.
O alegretense Oswaldo Euclides de Souza Aranha foi estadista e diplomata, braço direito de Getúlio Vargas. Sob sua presidência na ONU o Estado de Israel foi criado.
Filho de Luísa de Freitas Vale Aranha, por quem foi alfabetizado, e do coronel da Guarda Nacional e fazendeiro Euclides Egídio de Sousa Aranha (1864-1929), dono da estância Alto Uruguai, em Itaqui. Passou a infância em Alegrete, cidade que seu avô teria fundado.
Cursou, no Rio de Janeiro, o Colégio Militar e a Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais, atual Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Também estudou em Paris antes de advogar em seu estado natal e de ingressar na política.
Em 1923, quando explodiu a luta fratricida entre "chimangos" (aliados de Borges de Medeiros — presidente da província) e "maragatos" (opositores à sua quinta reeleição), chegou a pegar em armas e lutou a favor do sistema republicano de Borges de Medeiros.
Em 1925 foi intendente de Alegrete. Então, introduziu muitas modernizações, como por exemplo a excelente rede de esgotos da cidade. Com sua peculiar diplomacia, conseguiu a paz entre as famílias separadas pelos conflitos políticos de 1923.
Dois anos mais tarde foi eleito deputado federal. Em 1928 tornou-se secretário do Interior, onde dedicou grande esforço para obras educacionais.
Amigo e aliado de Getúlio Vargas, foi o grande articulador da campanha da Aliança Liberal nas eleições, agindo nos bastidores para organizar o levante armado que depôs Washington Luís e tornou realidade a Revolução de 1930.
Em vista da vitória do movimento, Osvaldo Aranha negocia com a Junta Governativa Provisória de 1930, no Rio de Janeiro, a entrega do governo a Vargas. Posteriormente, foi nomeado ministro da Justiça e, em 1931, ministro da Fazenda. Neste cargo, promoveu o levantamento de empréstimos que os estados e municípios haviam contraído no estrangeiro, no período anterior a 1930, tendo em vista a consolidação global da dívida externa brasileira.
Alijado do processo político para a escolha do interventor em Minas Gerais, Osvaldo Aranha pediu demissão do cargo em 1934. No mesmo ano, aceitou o cargo de embaixador em Washington.
Nesse período se impressionou com a democracia estadunidense. Atuou sempre em defesa das relações brasileiras com os Estados Unidos e se tornou amigo pessoal do presidente Franklin Delano Roosevelt. Prestigiado no cargo, foi convidado para palestras em todo o país.
Demitiu-se do cargo de embaixador por não aceitar os caminhos que o Brasil traçara com a declaração do Estado Novo, em 1937. Em março de 1938 foi convencido por seu amigo Vargas a assumir o ministério das Relações Exteriores e, no cargo, lutou em busca de maior aproximação com os Estados Unidos, no conturbado período que antecedeu a Segunda Guerra Mundial. Sob sua direção, o Itamaraty passou por grandes reformas administrativas.
Morreu em 27 de janeiro de 1960 no Rio de Janeiro.