REPONTANDO DATAS / 30 DE JANEIRO
O Rio Grande comemora, com muita justiça, no dia de hoje, o nascimento do maior dos pajadores, ou seja, Jayme Caetano Braun, ocorrido num 30 de janeiro de 1924. Por tal motivo tal dia é considerado o Dia do Pajador Gaúcho.
COMO SURGIU O "DIA DO PAJADOR GAÚCHO"
No dia 30 de janeiro do ano de 2000, durante o Rodeio Internacional de Vacaria, um grupo de pajadores e declamadores fizeram uma apresentação em homenagem a Jayme Caetano Braun que havia falecido em 8 de junho de 1999.
O sucesso do evento foi tamanho que ao final, entusiasmado, Paulo de Freitas Mendonça foi ao microfone e proclamou que, a partir daquele momento, o dia 30 de janeiro seria O Dia do Pajador Gaúcho em reverência ao nascimento do poeta missioneiro.
Em contato com Paulo Mendonça sobre o tema, o poeta, escritor e pajador nos confidenciou que somente ao chegar em casa percebeu a importância e a repercussão de suas palavras no palco.
Para não deixar morrer aquela ideia em um momento de empolgação Paulo de Freitas Mendonça procurou na Assembleia Legislativa o deputado João Luiz Vargas, que topou a empreitada de tornar aquela data em algo oficial, através de Lei. O próprio Paulo ajudou a redigir as justificativas do projeto que, apresentado em plenário pelo deputado, foi aprovado por unanimidade e sancionado pelo então governador Olívio Dutra, conterrâneo de Jayme, tornando-se Lei.
Momento da Sanção da Lei Nº 11.676, de 16 de outubro de 2001, instituindo o Dia do Pajador Gaúcho. A data foi ratificada pela Lei Nº 15.950, de 9 de janeiro de 2023.
No entanto muitos esquecem que, no mesmo dia e mês, no ano de 1903, nascia em São Borja o poeta Vargas Neto, considerado o Príncipe dos Poetas Tradicionalistas. É o Presidente de Honra da Estância da Poesia Crioula.
Versos de Vargas Netto
Você pensa que é mentira,
Mas eu lhe digo que não,
Ouvindo falar nos pagos
Sinto dor no coração.
Diz que não chora o gaúcho,
Pois eu lhe garanto agora,
Fale dos pagos distantes
Vamos ver se ele não chora.
Quando me lembro, la pucha,
Da china que deixei lá,
Sinto um repucho por dentro
Que nem sei o que será.
É como um tirão “de atrás”,
Quando se pega a carreira,
Dum sovéu de três ramais
Atado numa tronqueira.
Não há gaúcho mais qüera
Que não conheça o tirão,
Porque essa história é tão velha
Que tem a idade do chão.


