RETRATO DA SEMANA


O retrato não é de Paris, Londres, ou alguma nação escandinava. É São Chico de Paula, meu "ermão". Foto: Marcelo Cosma.

domingo, 9 de novembro de 2025

 


ONDE ANDAM OS CONTADORES DE CAUSOS?



Saudoso Paulinho Pires, um grande contador de causos


Sem dúvida alguma uma das artes mais bonitas dentro da nossa tradição é a de contar causos. Contar causos é um dom. Com autenticidade, naturalidade, senso de humor, o vivente tenta fazer o ouvinte acreditar naquilo que está sendo relatado por mais inverdade que seja.

Conheço alguns grandes contadores de causos. Disse "alguns" porque não são muitos que tem esse dom e uma parte destes ficaram eternizados em livros como o Coronel Munico, o Apparício Silva Rillo, o Candinho Bicharedo.

Toco neste tema porque, embora todo o esforço do MTG, esta cultura está desaparecendo de nosso meio.

As pessoas, inclusive avaliadores, não sabem a diferença de um causo, conto ou piada. Há tempos atrás, nas eliminatórias de causos para o ENART, uma piada velha, antiga, de mau gosto, foi muito bem classificada. A pessoa simplesmente trocou os personagens, isto é, colocou um cavalo no lugar do papagaio, agauchou a piada nacionalmente conhecida e... classificou-se com direito a louros (não papagaios, louros mesmo).

Para contar um causo a pessoa tem que ter talento, criatividade, linguajar apropriado, não ser extenso demais para não tornar-se cansativo, feições faciais e gestuais acompanhando a narrativa, enfim, fazer com que o ouvinte visualize a cena contada. 

Vamos repensar os critérios para que não se repasse aos mais novos uma ideia errada desta arte em extinção.