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Léo Ribeiro


RETRATO DA SEMANA

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sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

URUTAU - AVE DO CANTO TRISTE


Que estamos cruzando tempos difíceis não precisa eu dizer. É só nos inteirarmos do que acontece em nossa volta, no mundo todo. A pandemia não arrefeceu os ânimos. Ao contrário, as pessoas parecem mais raivosas, donas de si, sem humildade. Pior que isto, continuamos a perder amigos e conhecidos a todo o momento. Anteontem foi mais um parceiro, o Tiaraju. Rapaz novo, tatuador, cantor de banda de rock, guri gente fina e querido por todos da minha terra.  

Essas coisas todas me fazem lembrar da Lenda do Urutau. 

Os antigos diziam que o urutau aparece na hora em que a lua nasce e seu canto triste se assemelha a “foi, foi, foi...”. Também comentavam que o pássaro seria uma mulher que perdera seu amor. Por isto, ele teria o nome de pássaro-fantasma. Mas o pior das relações com o canto desta ave é que este seria um presságio ou aviso de morte de algum familiar.

Não tenho ouvido urutaus mas, se as lendas corresponderem a realidade, eles devem estar com a garganta judiada de tanto cantar. Que coisa. 


O urutau (Nyctibius griseus), pássaro que em tupi-guarani significa ave-fantasma, durante o dia permanece totalmente imóvel sobre um tronco, um galho ou um mourão de cerca. À noite, faz ecoar um canto melancólico, parecido com um lamento humano.

O urutau vive em bordas de florestas, campos com árvores e cerrados e é encontrado nas regiões mais quentes desde a Costa Rica até o Uruguai. Não constroem ninhos. Põem um único ovo num oco de galho de árvore e este ovo é chocado pelo macho. O tempo de incubação dura, aproximadamente, 33 dias. O filhote permanece mais 51 dias no ninho, um dos períodos de desenvolvimento mais longos para as aves no continente americano.

O pássaro adulto possui cerca de 37 centímetros de comprimento e 160 gramas de peso. Muitas vezes é confundido com uma coruja porque possui olhos grandes e desproporcionais ao tamanho da cabeça larga e achatada. À noite, quando iluminados por uma lanterna, os olhos refletem uma luz avermelhada, visível a grande distância. Os olhos enormes são de grande utilidade para a sua vida noturna porque favorecem a entrada da luz no cristalino permitindo uma visão noturna privilegiada. Mas isto não é tudo. As pálpebras superiores do urutau possuem fendas que permitem que "veja mesmo com os olhos fechados". É por esse "olho mágico" que ele consegue enxergar em todas as direções sem precisar mexer muito a cabeça. Esta fenda também controla o movimento que ele faz quando algum predador se aproxima. Lentamente, ele estica o corpo e levanta a cabeça até a cauda tocar o tronco. Sem abrir os olhos, a camuflagem se torna tão perfeita que o inimigo não consegue percebê-lo. Com isso, confunde-se com uma ponta de galho seco ou o prolongamento de uma estaca, uma camuflagem chamada "mimetismo de galho".

A boca do urutau é enorme, parecida com a de um sapo cururu. Essa aparência assustadora é usada como arma para afastar a maioria dos predadores e, é lógico, para facilitar a ingestão das suas refeições de insetos.

O urutau só dorme quando se sente totalmente seguro. Sai à noite para se alimentar de insetos noturnos, em especial de grandes mariposas, cupins e besouros. Ele caça em vôo, nunca pousa no chão, preferindo voar alto de uma árvore para outra.

Outra lenda sobre o pássaro, esta vinda da Amazônia. Acredita-se que as penas da cauda do urutau protegem a castidade. Por isso, a mãe varre debaixo das redes das meninas com uma vassoura feita com estas penas. Outra lenda garante que aquele que escrever uma carta para a pessoa amada com uma pena de urutau terá o amor correspondido.


"ninho" do urutau