"TEU PRESTÍGIO É PROPORCIONAL A TUA CONDUTA"

Léo Ribeiro


RETRATO DA SEMANA

RETRATO DA SEMANA
AQUI ESTOU SENHOR INVERNO - Negrinho do Pastoreio em noite de neve - São Francisco de Paula Autor do monumento: Vasco Prado / Autor da foto: desconhecido

domingo, 6 de junho de 2021

SER PATRÃO EM TEMPOS DE CRISE.

 

Desenho: Alisson Lambert


Uma coisa é cantar acompanhado por um bom grupo musical, outra, é cantar solito, a capela. Traduzindo: Comandar um Centro de Tradições Gaúchas com a guaiaca estufada é fácil. O brabo é ser Patrão em meio a crise.

Os associados tornam-se inadimplentes pois tem suas prioridades; os bailes e jantas viram lembranças em face da proibição de aglomerações; os patrocinadores somem; as invernadas evaporam; o galpão fica entregue ao abandono.

Somente o que não desaparece são as despesas e gente para criticar.

Então, não dá para esperar que as dádivas venham do céu, ou do Movimento Tradicionalista Gaúcho pois este também sobrevive dos recursos de seus filiados. Também não serve usar como subterfúgio o pensamento de que "com a pandemia não preciso fazer nada". 

Aliás, falando em M.T.G., esta entidade acabou provando de seu próprio veneno. Sempre escrevi que, a cada congresso, convenção, encontro de patrões, conselheiros e coordenadores, os participantes acabavam criando dezenas de leis, decretos, estatutos, regulamentos, regimentos, que engessaram o "Movimento". Se ficassem somente na Carta de Princípios já seria uma belíssima organização. Forjaram tantas diretrizes que ignoraram a conhecida Hierarquia das Leis, aonde uma norma interna jamais poderá ir contra o transcrito num código civil, por exemplo. Soma-se a isto o pensamento de alguns integrantes que acham que o tradicionalismo, do modo que é, começou com eles e não com Paixão Côrtes e o Grupo dos Oito. O resultado de tudo isto é que, hoje, a lâmpada quebrou-se e jamais vão juntar os cacos.

Mas voltemos aos Centros de Tradições.

Para ser Patrão em tempos de crise, embora ajude muito, não basta ser apenas criativo. Uma andorinha não faz verão. Precisa do apoio da patronagem e do retorno de antigos colaboradores. Tem muito CTG, peleando, tentando sobreviver, vendendo marmitas, cachorro-quente e fazendo mil peripécias para pagar a luz, a água, os reparos necessários da sede. Muitos, ainda, encontram espaço para ajudar sua coletividade ao arrecadar alimentos, roupas, ou emprestar o galpão gratuitamente para fins sociais, isto tudo, sim, é louvável.

Em suma, o que o dirigente precisa nesta hora é de apoio em torno do mesmo objetivo qual seja o de atravessar a crise. É fácil para um ex-patrão aparecer num baile para receber homenagem, o difícil é marcar presença na hora da fumaça. Também não adianta os associados irem para as redes sociais apontar o dedo, cobrar atividades culturais e festivas se existem determinações oficiais não permitindo que tais acontecimentos ocorram. Muitos pensam, erradamente, que a sua verdade é a única e que o "eu" disse, "eu" falei, "eu" avisei  os coloca em evidência, em um patamar superior. Ledo engano. Estão se desgastando. Poderiam somar e estão dividindo esquecendo-se que um dia poderão ser Patrões novamente e aí vão varrer o terreiro com vento de frente. Até porque muitos dos que criticam não deixaram bons recuerdos quando de seu tempo.   

Posso estar errado e respeito opiniões contrárias mas penso que o segredo para enfrentar a quebradeira ocasionada pela pandemia tem um nome: chama-se UNIÃO.