RETRATO DA SEMANA


Vamos escolher com muita consciência quem vai comandar nossa nação pelos próximos quatro anos. Estaremos todos no mesmo barco.

sábado, 25 de maio de 2013

UM "CARTEIRAÇO ECLESIÁSTICO"



Neste sábado em que a patroa e eu vamos pegar a estrada rumo a Palmeira das Missões para assistir e dar uma força ao cantor Paullo Costa e grupo, que interpretarão a letra de minha marca "De Como Cantar Um Hino" na 28ª edição do grande festival Carijo da Canção Gaúcha, quero fazer uma oração pedindo ao Patrão Velho e a minha madrinha Nossa Senhora Aparecida (na imagem com o Papa Francisco), que ilumine nosso caminho.

A oração chama-se Prece do Gaúcho.

Aliás, esta oratória tem uma história muito interessante:

No ano de 2007, no Parque da Harmonia, por ocasião do Acampamento Farroupilha, a Estância da Poesia Crioula, que tinha na presidência a poetisa Beatriz de Castro, resolveu fazer uma Missa Crioula no Galpão de Eventos do Parque. Para comandar o culto convidamos o Padre Paulo Aripe, o "Potrilho" do Alegrete, que trouxe junto seu irmão e também sacerdote (o qual não lembro o nome).  

Lá pelas tantas, em meio a celebração, o Potrilho falou assim: Agora vamos ouvir, de minha autoria, a Prece do Gaúcho.

Eu fiquei matutando àquelas palavras "de minha autoria" pois sempre soube que a Prece do Gaúcho carregava a marca do Bispo Dom Luiz Felipe de Nadal.

Não me contive e, ao fim da missa fui questionar o Padre Paulo Aripe, que assim me respondeu:

- Dom Luiz queria aproximar-se do movimento tradicionalista pois via alí uma camada enorme de fiéis. Então, por saber que eu escrevia poesias, solicitou-me algo no gênero. 

Fiz a Prece do Gaúcho e lhe mostrei. Ele gostou demais e argumentou assim: - Se colocar meu nome como autor, por ser bispo, este escrito ganhará mais notoriedade. O que tu acha?

Meio a contragosto acabei concordando - respondeu o Padre.

Paulo Aripe, grande poeta, membro da Estância da Poesia Crioula, morreu há uns dois anos e como eu aprendi a não duvidar de Padre, tenho para mim que a Prece do Gaúcho é, realmente, de sua autoria. 

Foi o chamado "carteiraço eclesiástico".

PRECE DO GAÚCHO
(Padre Paulo Aripe - o Potrilho)    

Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito, Santo e com licença, Patrão Celestial. Vou chegando, enquanto cevo o meu amargo de minhas confidências, porque ao romper da madrugada e ao descambar do sol, preciso camperear por outras invernadas e repontar do Céu a força e a coragem para o entrevero do dia que passa. 

Eu bem sei que qualquer guasca, bem pilchado, de faca, rebenque e esporas, não se afirma nos arreios da vida, se não se estriba na proteção do céu. Ouve patrão celeste, a oração que te faço, ao romper da madrugada e ao descambar do sol.

 Tomara que todo seja como irmão! Ajuda-me a perdoar as afrontas e não fazer aos outros o que não quero para mim. Perdoa-me patrão celestial, porque rengueando pelas canhadas da fraqueza humana,de quando em vez, quase sem querer, eu me solto porteira afora... êta potrilho xucro, renegado e caborteiro... mas eu te garanto meu Deus, quero ser bom e direito! 

Ajuda-me Virgem Maria, primeira prenda do Céu, socorre-me São Pedro, capataz da estância gaúcha, e prá fim de conversa, vou te dizer Patrão Celestial, mas somente prá ti: que tua vontade leva a minha de cabresto prá todo o sempre, até a querência do Céu. Amém...