RETRATO DA SEMANA


Bombeando as premiações do nosso cinema nacional me bateu saudades das grandes produções gaúchas como Anahy de Las Misiones

domingo, 10 de abril de 2011

AQUILO QUE ERA PAIXÃO

O Joel Reis da Silva é uma figuraça. Meu vizinho e amigo de longos anos lá por São Chico até que ele veio para a cidade de Taquara trabalhar numa ótica e eu me vim para a capital, também atrás de serviço.

Pouco nos vemos, mas em cada lembrança das buenas, em cada churrascada regada a suco de cevada, o Joel está presente na alma e no coração.

Pois ontem pela manhã, o Joel me telefonou para elogiar nosso blog. Grande Joel.

Na última vez que conversei pessoalmente com o Joel, foi lá na praia. Ele foi me fazer uma visita “rápida”, mas só partiu quando a 18ª (e última) latinha de cerveja roncou igual cuia de mate. Entre um copo e outro proseamos de tudo. O Joel é um cara muito engraçado. Um dos assuntos que filosofamos foi sobre os namoros de agora, ao que o Joel sentenciava:

- Hoje em dia a gurizada só quer “ficar”. Ninguém assume nada. No nosso tempo não! Aquilo que era paixão.

- Eu lembro – continuou o Joel - do Lovegildo e da Fermina (os nomes são figurativos pois as pessoas verdadeiras ainda estão vivas) lá do Lageado Grande. Aquilo que era paixão.

Um vivia para o outro. Tu olhava o Lovegildo e enxergava a Fermina no costado. Namoraram, casaram e continuavam cada vez mais apaixonados. Moravam lá fora sem sentir a solidão.

O Joel já estava meio poético e eu deixei o cavalo ir no trote para ver aonde parava.

- Certa feita fui visitar o Lovegildo – disse o Joel enquanto beijava mais uma lata de Skol – e começou um temporal como ha anos não se via por aquelas bandas. Era chuva que Deus mandava. Quando estacionei o carro, a muito custo, na mangueira do rancho, enxerguei a Fermina embaixo da goteira da calha do galpão, parada tremendo de frio, com água derramada de balde sobre sua cabeça. O que é aquilo?! Pensei com meus botões.

- Quando o temporal deu uma estiada, que pude sair do carro, corri para o canto do galpão onde estava Dona Fermina, mais molhada que capincho, e perguntei: - O que tá acontecendo, Deus do céu? Porque a senhora não se protege desta chuva guasqueada e fria? Quer pegar uma pneumonia?

- É que o Lovegildo saiu cedo pro campo – respondeu a mulher - e esqueceu de levar a capa. Deve estar todo encharcado, o coitadinho. Então estou aqui, embaixo desta goteira para sofrer o que ele deve estar sofrendo!

- Aquilo que era paixão, meu amigo Léo. E abre mais uma latinha....