RETRATO DA SEMANA


QUE AS COVARDIAS DOS FEMINICÍDIOS DEIXEM AS MULHERES EM PAZ.

terça-feira, 10 de março de 2026

 

O SIGNIFICADO DE CURUMIM

Ontem fizemos uma postagem aonde nos reportamos a praia de Curumim, balneário que veraneio há longo tempo. 

Alguns leitores me perguntaram sobre o significado deste nome. Aproveito a olada e posto uma matéria de pesquisa do meu amigo missioneiro João Antunes sobre localidades do Rio Grande do Sul com nomes originários do Tupi-guarani. 

Como o João deixou meu Curumim de fora, acrescento por minha conta:

Curumim significa rapaz de pouca idade, jovem, menino, criança, garoto.   

 

 Monumento ao índio Curumim - Praia de mesmo nome - 
Foto: Léo Ribeiro


LOCALIDADES NO RIO GRANDE DO SUL 

QUE DERIVAM DA ETNIA DO TUPI-GUARANI.

Eis aqui, em linhas gerais e num breve relato, uma amostra de diversas localidades gaúchas podendo estas, obviamente, ter ainda outros significados e interpretações que aqui não foram citados - João Antunes. 

- ACEGUÁ: em tupi significa "yace-guab". Localidade de descanso eterno, ou seja, “acé” é gente e “gua” é parente, conterrâneo, procedência.

- AJURICABA: pessoa pronta a ajudar e amável, com força de vontade.

- ARAMBARÉ: cerração, bruma, névoa.

- ARARICÁ: um tipo de arara.

- ARATIBA: pequenas araras, periquitos.

- BAGÉ: sozinho, solidário.

- BARRA DO GUARITA: Guarita: abrigo para sentinelas, vigias.

- BARRA DO QUARAÍ: Quarai: rio das garças ou rio dos buracos.

- BOSSOROCA: Iby-Soroc, “iby” chão, ”soroc” rasgado,  barroca, voçoroca, sanga funda, chão rasgado.

- BUTIÁ: Mbutiá, árvore frutífera, palmeira de frutas.

- CAÇAPAVA DO SUL: Caá-açapaba, clareira na floresta.

- CACEQUI: água do cacique, rio do cacique.

- CACIQUE DOBLE: é uma homenagem ao cacique Faustino Ferreira Doble, da tribo Kaigang.

- CAIBATÉ: mata em lugar alto, elevado.

- CAIÇARA: cercado feito com ramos de árvores, cerco de estacas.

-  CAMAQUÃ:  vem de Icabaquã. Água que corre. Correnteza.

 - CANDELÁRIA: festa das candeias.

- CANDIOTA: habitante da ilha de Creta ou Cândia.

- CANGUÇU: onça pintada, cabeça grande.

-CAPÃO BONITO DO SUL: Capão: “caá” é mato e “páu” é bosque isolado.

- CAPIVARI DO SUL: rio das capivaras. “capivara” de “capi”  que significa grama e relva mais “guara” que significa roedor, comedor e  “i” significa arroio, rio.

- CARAÁ: palmeira, talo armado de espinho.

- CATUÍPE: rio bom, água boa.

- CHARRUA: tribo indígena que habitava o Estado do Rio Grande do Sul, na Argentina e no Uruguai.

- CHIAPETTA: origina-se do sobrenome de  Carlos Chiapetta onde a sua família veio da Itália em 1883, sendo ele um pioneiro desta localidade.

- CHUÍ: policial.

- COTIPORÃ: Coti significa habitação, morada, região e Porã significa bela, bonita, atraente.

- CRISSIUMAL: taquara pequena ou vara que pode ser lisa ou torcida.

- EREBANGO: campo grande.

- ERECHIM: campo pequeno.

- GIRUÁ: significa Jerivá, palmeira.

- GUAIBA: lugar pantanoso.

- GUAPORÉ: cachoeira no campo.

- HUMAITÁ: pedra preta.

- IBARAMA: terra das árvores.

- IBIAÇÁ: fonte de água cristalina.

- IBIRAIARAS: lanceiro, senhor da lança.

- IBIRAPUITÃ: arroio da madeira vermelha.

- IBIRUBÁ: pitangueira do mato.

- IJUÍ: rio das águas grandes, das águas claras.

- ILÓPOLIS: cidade da erva-mate.

- IMBÉ: planta trepadeira.

- INHACORÁ: campo cercado pela natureza.

- IRAÍ: água ou rio do mel.

- ITAARA: pedra alta, altar de pedra.

- ITACURUBI: “ita” é pedra, “curub” é caroço e “i” é rio. Então Itacurubi é rio do pedregulho.

- ITAPUCA: pedra fendida, pedra mole.

- ITAQUI: pedra mole, pedra d’água, pedra fácil de afiar.

- ITATI: água da pedra.

- ITATIBA DO SUL: relevo acidentado, muita pedra, “princesa da colina”.

- IVORÁ: rio da praia formosa.

- IVOTI: flor.

- JABOTICABA: fruta da pele escura.

- JACUIZINHO: significa yaku, ave silvestre, por exemplo, semelhante à galinha.

- JACUTINGA: também chamada jacuapeti, jacupará e peru-do-mato.

- JAGUARÃO: onça grande.

- JAGUARI: rio do jaguar, rio das onças.

- JAQUIRANA: cigarra cantadeira.

- JARI: pequeno riacho.

- MAÇAMBARÁ: capim de pasto onde acampam os tropeiros.

- MAMPITUBA: rio de muitas curvas.

- MAQUINÉ: gota que pinga, cachoeira.

- MARATÁ: lugar de combate.

- MARAU: luz do sol ao amanhecer.

- MIRAGUAÍ: povo que sorri, povo alegre.

- PANAMBI: vale das borboletas.

- PEJUÇARA: caminho das palmeiras ou dos palmitos.

- PIRAPÓ: salto do peixe.

- PIRATINI: peixe seco, peixe barulhento.

- PUTINGA: fonte de água limpa.

- QUARAÍ: rio das garças ou rio do sol.

- SAPIRANGA: olho vermelho.

- SARANDI: arbusto ribeiro, da beira de lagos.

- TABAÍ: rio da taba, rio da aldeia.

- TAQUARI: rio das taquaras. 

- TOROPI: caminho do tatu.

- TRAMANDAÍ: rio sinuoso.

- TUPANCIRETÃ: terra da mãe de Deus.

- TUPARENDI: relâmpago, a luz de Tupã.

- UBIRETAMA: terra pátria.

  

segunda-feira, 9 de março de 2026

 


REPONTANDO DATAS - 09 DE MARÇO


Num dia 09 de março do ano de 1865 nascia em Pelotas João Simões Lopes Neto, primeiro escritor gaúcho a publicar um livro (Contos Gauchescos e lendas do Sul).
 

 
João Simões Lopes Neto era filho de Catão Bonifácio Lopes e Teresa de Freitas Ramos. Com treze anos de idade, foi ao Rio de Janeiro para estudar. Retornando ao Rio Grande do Sul, fixou-se em sua terra natal, Pelotas, então rica e próspera pelas mais de cinquenta charqueadas que lhe davam a base econômica.

Simões Lopes Neto envolveu-se em uma série de iniciativas de negócios que incluíram uma fábrica de vidros e uma destilaria. Porém, os negócios fracassaram. Uma guerra civil no Rio Grande do Sul – a Revolução Federalista - abalou duramente a economia local. Depois disso, construiu uma fábrica de cigarros. Os produtos, fumos e cigarros, receberam o nome de "Marca Diabo", o que gerou protestos religiosos. Sua audácia empresarial levou-o ainda a montar uma firma para torrar e moer café, e desenvolveu uma fórmula à base de tabaco para combater sarna e carrapato. Ele fundou ainda uma mineradora, para explorar prata em Santa Catarina.

Casou-se em Pelotas, aos 27 anos, com Francisca de Paula Meireles Leite. Não tiveram filhos. Como escritor, Simões Lopes Neto procurou em sua produção literária valorizar a história do gaúcho e suas tradições. J. Simões Lopes Neto, sob o pseudônimo de "Serafim Bemol", e em parceria com Sátiro Clemente e D. Salustiano, escreveram, em forma de folhetim, "A Mandinga", poema em prosa. Mas a própria existência de seus coautores é questionada. Provavelmente foi mais uma brincadeira de Simões Lopes Neto.

Em certa fase da vida, empobrecido, sobreviveu como jornalista em Pelotas. Publicou apenas quatro livros em sua vida: Cancioneiro Guasca (1910), Contos Gauchescos (1912), Lendas do Sul (1913) e Causos do Romualdo (1914).

Morreu em Pelotas, aos 51 anos, de uma úlcera perfurada. Sua literatura ultrapassou as fronteiras do Rio Grande do Sul e do Brasil e hoje pertence à literatura universal, tendo sido traduzido para diversas línguas.

Simões Lopes Neto só alcançou a glória literária postumamente, em especial após o lançamento da edição crítica de Contos Gauchescos e Lendas do Sul, em 1949, organizada para a Editora Globo por Augusto Meyer e com o decisivo apoio do editor Henrique Bertaso e de Èrico Veríssimo.

O livro Lendas do Sul foi a primeira obra literária no idioma português a ser publicada na rede mundial de computadores pelo aclamado Projeto Gutenberg, um empreendimento sem fins lucrativos empenhado em disseminar grandes clássicos da literatura gratuitamente (ou a preços nominais) ao grande público.

Ao lançar a primeira edição de Lendas do Sul, seu autor anunciou que estavam por sair Casos do Romualdo, que viria a ser lançado em 1914, e Terra Gaúcha e a existência das obras inéditas Peona e Dona, Jango Jorge, Prata do Taió e Palavras Viajantes. Mas dessas obras só foram encontradas por Dona Velha, como era conhecida a viúva do escritor, o que seria o segundo volume de Terra Gaúcha.

Dos demais, nada se encontrou, levando a crer que, ao se referir a inéditos, Simões Lopes Neto tinha em mente obras que ainda planejava escrever.

Terra Gaúcha, embora incompleta, foi publicada pela Editora Sulina, de Porto Alegre, em 1955.

João Simões Lopes Netos foi singular em suas escritas retratando como nenhum outro o linguajar e o viver autêntico do gaúcho interiorano de sua época.


 

FALANDO EM CASAS...




Quem nos acompanha nestes 16 anos de blog sabe que raramente escrevemos sobre futebol e nunca sobre política partidária. Isto porque cada qual tem sua opinião, seu time e seu político predileto e nosso periódico gaudério respeita todas as opiniões.

E hoje não mudamos o rumo da prosa. O tema é arquitetura e urbanismo. 

Veraneio, há mais de 40 anos, na praia de Curumim, pertencente a Capão da Canoa. Me aquerenciei ali porque é o balneário mais próximo de São Francisco de Paula e, a cada verão, posso rever vários amigos serranos. 

Esta praia tem uma tipicidade. São dois vizinhos, na avenida principal, grudados que nem barro em tamanco. Um gremista e outro colorado. Não sei qual a convivência dos lindeiros mas imagino que seja harmoniosa. 

Sábado fui lá tirar uma chapa e observar a movimentação pré-grenal. Nada de estranho nas casas. Não posso dizer o mesmo depois de domingo a tarde quando a casa azul, pela oitava vez em 10 anos, fez vibrar a Curuma's Beach.  

       

domingo, 8 de março de 2026

 


A VOCÊ, MULHER. 


Hoje é o Dia Internacional da Mulher. A todas as "prendas" deste universo, a nossa reverência e o nosso respeito. A mulher sofreu, foi injustiçada, esperou, lutou e venceu. Em todos os postos, nos dias de hoje, vemos mulheres ocupando seu espaço com dignidade. Sem precisar de auxílio que não fosse seu próprio esforço, tornou-se independente e competitiva dando um ar de transparência e impelindo competência nas áreas em que atua. 

Todo esse brilhantismo, essa insubmissão, vem resultando em atos de covardia por parte de muitos homens que não aceitam tal brilhantismo e a liberdade de pensar e de agir das mulheres no mundo de hoje. É o chamado feminicídio, uma praga que vem crescendo assustadoramente. Isso tem que acabar.      

E a vocês, mulheres gaúchas, patroas, heroínas, incansáveis, a nossa eterna gratidão. Anas Terras, Bibianas, Caetanas, Anahys, Cabos Tocos, índias, bugras, negras, gringas, alemãs, etnias de coragem que forjaram nosso Estado com mãos protetoras mas rígidas, carinhosas mas calejadas, a nossa admiração e o nosso reconhecimento.

 
 
MULHER GAÚCHA

Com olhos profundos que cruzam neblinas,
sorriso sereno, em tons de carmim,
és luz deste solo onde tudo germina 
e os lençóis de geada branqueiam o capim.

Teu jeito é herança da raça tropeira,
nas fontes mais claras matastes a sede,
e sempre honrando tua gente altaneira
que vive em retratos nas velhas paredes.

Tu viu das janelas as voltas da terra
e viu os teus filhos que bateram asas...
E quando teu homem partia pra guerra 
tu foste um esteio cuidando das casas.

E hoje vivendo num mundo moderno
além do seu rancho, além da ilusão,
se vai pro trabalho, verão ou inverno, 
é mais que um esteio, é o próprio galpão. 

És mãe, poetisa, doutora, campeira,
esperança de um tempo zebruno e rançoso.
Mulher do meu pago, formosa e trigueira,
flores que se abrem num chão pedregoso.

Mulheres gaúchas, tão belas, tão vivas,
a vossa existência motiva meus versos!
O velho Rio Grande é a querência nativa
das prendas que encantam o nosso universo.

Poesia: Léo Ribeiro
Foto: Site Inema


sábado, 7 de março de 2026

 

MAIS UMA "CRIA" NO MUNDO


Desenho de capa: Léo Ribeiro

Tendo por mote a figura do Seu Valdemar,
gaúcho serrano que estampou diversas capas de discos de Honeyde Bertussi

Neste 2026, mais precisamente no dia 23 de janeiro, completei 70 anos de idade. Para comemorar tal data publiquei o livro Filosofias Gaudérias, aonde reculuto ditos populares rio-grandenses, pensamentos antigos, provérbios, adágios que, inclusive, ajudaram a formar meu caráter. 

Essas expressões curtas de autoria anônima que juntei ao longo dos tempos foram, por mim, transformadas em trovas literárias, forma de versejar muito comum na cultura brasileira.  

O livro não está a venda mas toda vez que, nas quebradas da vida, encontrar-me com cada um de vocês, amigos e amigas, quero brindá-los com esta obra que celebra meu "ôh de casa no mundo". 

Que venham outros janeiros.



sexta-feira, 6 de março de 2026

 


O RETORNO DO "BOLACHÃO"




Para os mais jovens que não conheceram, o LP (do inglês Long Play ou Long Playing) é um formato de disco fonográfico de vinil, popularmente conhecido como "disco", criado em 1948 para permitir maior tempo de reprodução (cerca de 20-25 minutos por lado) em relação aos discos anteriores de 78 rpm. Geralmente com 12 polegadas, roda a 33 ⅓ rpm e armazena áudio de forma analógica em sulcos.

Pois como o mundo anda em cirandas, ao que parece, após diversos formatos de armazenamentos musicais, o LP está retornando e tornando-se uma mania mundial. Hoje se encontra com mais facilidade aparelhos que reproduzem vinil do que o CD.

Eu só tenho a bem dizer esta notícia pois sou fã dos antigos “bolachões” e ainda guardo mais de 500 destas relíquias em minha discoteca.

Nestes discos o artista podia trabalhar com gosto uma bela capa e na contracapa havia um rol de informações sobre o conteúdo do disco aonde se nominava os autores, ritmos e curiosidades adicionais.  

Bom retorno.  




quinta-feira, 5 de março de 2026

 




Por: Cesar Tomazzini Liscano

·

Marianita Ortaça é escolhida patrona dos Festejos Farroupilhas 2026. Artista missioneira integra a história, música e religiosidade da região em seu trabalho.

O anúncio foi feito terça-feira (3/3) na reunião da Comissão Estadual dos Festejos Farroupilhas, mas o Secretário de Cultura Estadual Eduardo Loureiro, fez o convite pessoalmente em Brasilia por ocasião do evento alusivo aos 400 anos das Missões.

Marianita Ortaça é uma artista, psicóloga e professora universitária de origem missioneira, filha do compositor e cantor Pedro Ortaça. Ela é reconhecida por sua contribuição à valorização da cultura gaúcha e das Missões, de onde é natural.

Escolhida Patrona dos Festejos Farroupilhas de 2026 que homenageiam o quadricentenário das Missões estando ativamente envolvida em atividades culturais e educativas. Além disso, Marianita tem um legado artístico que busca transmitir a história e a cultura missioneira através de sua música e arte.





quarta-feira, 4 de março de 2026

 

MAIS UMA "CRIA" VEM AO MUNDO

(Esse não é de venda - É para brindar os amigos e amigas)


EM BREVE FALAREMOS SOBRE O SEU TEOR 


Filosofias Gaudérias em Trovas Literárias
- Léo Ribeiro de Souza - 




terça-feira, 3 de março de 2026

 


REPONTANDO DATAS - 03 MARÇO

Num dia 03 de março de 1844 morria o coronel farroupilha Onofre Pires. Sua morte foi decorrente de uma gangrena oriunda do duelo de espadas com seu primo Bento Gonçalves da Silva ao qual Onofre havia chamado de ladrão. 

Também num dia 03 de março, mas no ano de 1927, nascia em Rolante o cantor Vitor Mateus Teixeira, o popular Teixeirinha, artista conhecido como o Rei do Disco devido a grande vendagem de seus trabalhos musicais.


  

 


 A "IA" ME DIVERTE


Com o advento da Inteligência Artificial, por uma questão de economia e praticidade, entidades tradicionalistas, festivais nativistas, promotores de bailes e rodeios, enfim, divulgadores de seus eventos, estão utilizando a IA em seus cartazes promocionais e deixando de fornecer trabalho aos artistas plásticos gaúchos (não falo em causa própria pois nunca cobrei por alguma ilustração). 

Os desenhos de IA ficam bonitos e quase perfeitos. Falo quase porque, se formos observar bem, sempre tem algo estranho.

Já utilizei alguns exemplos aqui e gosto de olhar com atenção a cada gravura para ver sua fidedignidade, como esta que apareceu no face ontem.

Alguém dança desta maneira? 

Homem segurando com a mão direita a mão esquerda da prenda?! 





    

segunda-feira, 2 de março de 2026

 

REPONTANDO DATAS - 02 DE MARÇO


Porca Véia / Desenho: Léo Ribeiro


No dia de hoje, 02 de março, se vivo estivesse estaria completando 74 anos de idade o grande amigo Elio da Rosa Xavier, o Porca Véia, que nasceu neste dia e mês no ano de 1952 na localidade de Pontão, interior de Lagoa Vermelha. 

Se fosse contar as gauchadas que fizemos, iria longe. Conheci o Porca quando ele foi instrutor na antiga FEBEM de São Francisco de Paula e ali forjamos uma forte amizade e também algumas parcerias musicais que duraram até sua partida deste plano. 

Porca Véia foi único. Autêntico, carismático e destes gaúchos que tirava a camisa para ajudar um parceiro.







domingo, 1 de março de 2026

 

16 ANOS DE BLOG


Hoje, 01 de março, nosso blog está de "níver". Começamos nesta brincadeira no dia 01 de março de 2010, data escolhida por ser o dia e mês que se configurou o tratado de paz de Ponche Verde, isto lá no ano de 1845. 

Neste período de 16 voltas da terra ao de redor do sol publicamos 11.165 postagens o que resulta em quase 2 matérias diárias, sempre de maneira ininterrupta. Foram mensagens de cultura, paz, incentivos, polêmicas kkkk..., mas sempre objetivando interagir com nossos leitores levando o que aprendemos de nossa história gaúcha através da vivência de 70 anos deste "blogueiro".

Queremos, neste dia, agradecer a presença de 4.114.803 visitantes em nosso periódico terrunho. Começamos, lá naquele longínquo 2010, com não mais que 100 acessos no site. Hoje, temos em torno de 2 mil pessoas nos dando oh de casa a cada dia.

Um abraço de três voltas bem chinchadas em cada um de vocês, nossos amigos e amigas.

É muuuito bom andar por este Rio Grande velho e ser parado, reconhecido e cumprimentado por algum leitor. Eu não imaginava este longo e duradouro alcance. 

Nestes 16 anos tivemos as seguintes capas ilustrando nossas matérias:  







      

sábado, 28 de fevereiro de 2026

 


REPONTANDO DATAS / 28 FEV

O Tratado de Paz de Ponche Verde


Ilustração para o livro OS FARRAPOS E A MAÇONARIA
de Léo Ribeiro de Souza


No dia 28 de fevereiro de 1845, no local chamado Ponche Verde, hoje Dom Pedrito, o presidente da República Rio-grandense José Gomes de Vasconcelos Jardim assina o tratado de paz com o império brasileiro terminando a Guerra dos Farrapos.

Sobre esta questão a história não é clara pois há quem defenda que tal tratado foi assinado no dia 1º de março. Outros dizem que o documento chegou ás mãos dos farroupilhas no dia 25 de fevereiro. O documento original foi datado assim: "Campo de Alexandre Simões, 25 de fevereiro de 1845".

O certo é que o então Barão de Caxias, representante do império, ficou em Porto Alegre mandando seus subalternos discutirem o acordo visto que não considerava aquele documento um tratado pois tratado seria entre duas nações independentes e Caxias nunca considerou a Província como uma nação. Em nenhum dos artigos deste Tratado de Paz a independência da República Rio-Grandense é anulada ou extinta, permanecendo intacta e, por este detalhe, muitos consideram que o Rio Grande do Sul ainda é independente. 

Outro fato de grande relevância é o Tratado de Livre Comércio, através do qual a Inglaterra reconhece a independência gaúcha. Este Tratado é datado de 23 de Março de 1845, ou seja, um mês após a data da suposta assinatura do Tratado do Ponche Verde. Se os Farroupilhas continuavam buscando reconhecimento oficial internacional em Março de 1845, era porque não havia nenhum impedimento para tal, o que segundo muitos fundamenta a tese de que o Tratado do Ponche Verde jamais foi assinado, tendo sido apenas discutido, mas não formalizado. Isso também coaduna com o fato de que foram encontrados apenas rascunhos do Tratado do Ponche Verde; os originais nunca foram achados.

Os generais Bento Gonçalves da Silva e Antônio de Sousa Neto se recusaram a assinar este Tratado de Paz.



sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

 


REPONTANDO DATAS / 27 FEV


Num dia 27 de fevereiro do ano de 2011. morria o poeta serrano Zeno Cardoso Nunes, ex-presidente da Estância da Poesia Crioula. Um de seus mais belos poemas chama-se Briga de Touros.

A chuva de verão passou. Veio a estiada.
O sol, a pino. A terra, inda molhada. 

Um Zebu está esperando no rodeio
outro touro, um crioulo guapo e feio
que sempre fora o dono da invernada,
e a passo largo vem se aproximando,
e vem cavando terra, e vem berrando
tão grosso que parece trovoada! 

Encontram-se e pelejam com denodo,
pondo em agitação o gado todo.
As aspas do Zebu, velozes como raio,
riscam do contendor o pelo baio
que ao sol reluz e brilha,
enquanto os cascos de ambos, como arados,
sulcam os pelos verdes e molhados
do lombo da coxilha! 

Também num dia 27 de fevereiro, mas o ano de 1894, os Maragatos vencem os Pica-paus no combate de Tarumã, em Passo Fundo. 

E no dia 27 de fevereiro, de 1844, durante a Guerra dos Farrapos, ocorre o famoso Duelo Farroupilha entre Bento Gonçalves e seu primo Onofre Pires. O duelo aconteceu as margens do Arroio Sarandi (Alegrete) sem a presença de testemunhas. Bento fere Onofre no ombro e na mão depois, com seu próprio lenço, faz um torniquete em Onofre e volta a cidade. Onofre Pires veio a morrer três dias após, de gangrena. 


Duelo Farroupilha - Ilustração para o livro Os Farrapos e a Maçonaria
- Léo Ribeiro -




quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

 


Charge: Léo Ribeiro




quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

 


MAIS UMA GRANDE POLÊMICA 


Certificado de cavaleiro kkkk

Não iria manifestar-me sobre esse tema que vem tomando conta das redes sociais focadas no tradicionalismo que é o Curso de Formação de Cavaleiros, ou seja, para você participar de uma cavalgada teria que ter um certificado. É um curso de "apenas" 2 anos.  Pessoalmente acho sem fundamento pois comportamento não se ensina em cursos. Basta colocar regras na cavalgada e quem não as cumprir não participa mais. 

Tal decisão tem origem na 12ª Região Tradicionalista (Canoas, Esteio, Sapucaia do Sul, São Leopoldo e Nova Santa Rita). 

Um organizador de uma das maiores, bem organizadas e mais lindas cavalgadas, a da Costa Doce, Carlos Souza Gonçalves, disse algumas verdades que resolvi compartilhar. 

Curso de Formação de Cavaleiros é mais uma tentativa de engessar as manifestações da Cultura Gaúcha, ou seja, criar amarras artificiais, dando poderes a entidades, que já estão tão poderosas que constrangem através de legislações, Municipais, Estaduais e Federais, que foram buscadas através dos políticos caça votos. Enfim inviabilizam a participação das pessoas de menor poder financeiro, elitizando a CULTURA E AS TRADIÇÕES.

Agora começa uma nova tentativa de amarrar com detalhes de certificação o “andar de a cavalo”, mas é apenas uma ponta do iceberg, um teste para aumentar a “cadeia de faturamento”, pois em seguida vem os instrutores, os palestrantes, e tudo seguido de uma “carteirinha com foto”, a um custo módico, ou seja “pequenas taxas” justificadas como ressarcimento de despesas, e coisa e tal...

Como acima expresso uma opinião critica, me sinto obrigado a tentar contribuir de forma efetiva para melhorar o posicionamento das entidades tradicionalistas “que se colocam como guardiãs da cultura dos gaúchos e suas tradições”: quem sabe seguir o exemplo do CTG Cruzeiro do Sul de Guaíba, onde as crianças do Bairro Colina não acolhidas em suas instalações, recebem instruções de danças, cultura campeira, e as refeições sem qualquer custo, fruto de uma Patronagem obreira, trabalho de equipe. Outro exemplo é a realização de “Oficinas” reunindo os mais experientes da entidade, ou da comunidade, em cada área da cultura campeira, ensinando crianças e adultos que se disponham a aprender, sobre a lida de campo, como tratar e respeitar os animais, as pessoas, a propriedade alheia, na área histórica também dentro de seus quadros, falar da nossa formação como povo habitante deste território, dizer dos por que da nossa geografia e localização, continente Sul Americano, o que moldou a personalidade da nossa gente.

Enfim o que propus é trabalho das comunidades que os CTGs, teoricamente deveriam representar, e acolherem para serem acolhidos.

No meu ponto de vista já temos muitos mestres remunerados, vivendo de legislações cartoriais e gordas taxas, sou do tempo em que havia narrador criado narrando Rodeio, porque era laçador, ou tinha sido eu mesmo cheguei a narrar prova de 21 dias e comentar, hoje teria que ter carteirinha...para participar em uma busca de Chama Crioula, porque os gaúchos passaram a ser reconhecidos pelo tamanho do Lenço, e não pelo proceder de ser respeitador, e homem honesto. Que lastima!!!

Assina: Carlos Souza Gonçalves