RETRATO DA SEMANA


Bombeando as premiações do nosso cinema nacional me bateu saudades das grandes produções gaúchas como Anahy de Las Misiones

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

 

O LADO RUIM 

DO CAROÇO DA MAÇÃ




Na postagem de ontem tocamos na prosa do lado certo ou lado errado das coisas (sem esquecer que a razão tem dois lados). 

Pois hoje me reporto a um tema parecido. 

Estava eu, aqui na varanda da praia, comendo uma maçã quando decidi reparti-la com os passarinhos e atirei o caroço na rua. O tal caroço bateu na cerca e caiu dentro do pátio. 

Duas coisas retirei deste ato. 

A primeira é que minha intenção de atirar o caroço na rua (mesmo que seja das melhores) deve ser reprovada pois estaria sujando um lugar público.

Mas a pior conclusão foi ver que não tive forças nem para jogar um caroço fora. As juntas do meu braço doeram pra burro. 

Amanhã, dia 23 de janeiro, completo 70 voltas da terra ao redor do sol e tenho que conviver com esta realidade: a juventude, a força, a virilidade estão indo embora. 

Depois deste fato estava proseando com um amigo que chegou para um mate. Ele foi (e continua sendo) um grande laçador. Aí ele me falou de regras do tiro de laço nos rodeios. 

A equipe de veteranos de um piquete é composta por laçadores de 50 a 70 anos e o tamanho da armada diminuiu para 7 metros, ou seja, não existe a obrigatoriedade dos 8 metros normais. Já na equipe de vaqueanos, que vai de 70 em diante, a armada é liberada. Não existe tamanho mínimo. 

De tudo isto observei que a idade chega para todos e temos que nos adaptar a este momento da vida. 

Uma boa quinta-feira a todos e.... não atirem caroços de maçãs na rua.       


quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

 

Cartun de Léo Ribeiro

Aqui pela praia a gente não tem muito o que fazer e começa a revirar os guardados. Mexendo nos meus desenhos achei este cartun que deve ter seus seis ou sete anos. 

Na época eu fazia referência ao então presidente do STF Dias Toffoli que fazia menção de proibir os rodeios pelo Brasil. Uma pessoa que não conhecia, e não procurou conhecer nada sobre o assunto. 

Pois o mesmo juiz (que nunca foi juiz) agora defende com unhas e dentes outro lado errado da história jurisdicional, ou seja, a vergonhosa e suspeita falência do Banco Master. A tendência de Toffoli a favor da instituição financeira que levou consigo milhares de correntistas é escancarada. Tanto é assim que o atual presidente da Suprema Corte, ministro Edson Fachin, interrompeu suas férias e voltou a Brasília para tentar amenizar a vexatória situação.

Em suma, passou o tempo e o citado ministro ainda não aprendeu o lado certo das coisas.       



terça-feira, 20 de janeiro de 2026

 

CENTENÁRIO DE DIMAS COSTA




Na data de hoje, 20 de janeiro, comemora-se o centenário de nascimento de Dimas Costa, o Xiru Divertido, que nasceu em Bagé, neste dia e mês, no ano de 1926. 

Dimas Costa foi um dos principais poetas voltados ao público infantil e até hoje, nos concursos de declamação, suas poesias são recitadas. Também foi um dos precursores nos programas radiofônicos voltados para a cultura regional gaúchos destacando-se como apresentador no lendário Grande Rodeio Coringa.

Foi ator com participação em diversos filmes gauchescos e, como compositor, é autor do conhecidíssimo Parabéns Gaúcho, sempre cantado nos aniversários Rio Grande a fora. 

Dimas Costa faleceu em Porto Alegre em 11 de julho de 1997.  


 

O POVO CIGANO


a música e a dança sempre estiveram presentes no viver cigano

Sempre tive uma enorme curiosidade sobre o povo cigano, sua cultura e por seu modo nômade e livre de viver, embora nos tempos atuais estejam mais enraizados em luxuosos apartamentos.

Neste final de semana teve um grandioso casamento cigano na cidade de farroupilha, o que aguçou minha curiosidade.  

Os ciganos (ou Romanis) são um povo originário do noroeste da Índia, das regiões de Punjab e Rajastão, com uma diáspora que começou por volta do século XI devido a conflitos e invasões, migrando pela Ásia Menor, Oriente Médio, Norte da África e Europa. Estudos linguísticos e genéticos confirmam a Índia como sua terra natal, de onde se espalharam, formando diversos subgrupos com culturas e costumes variados ao longo do tempo, mas sempre enfrentando perseguição e preconceito. 

Ao longo das migrações, os grupos se misturaram com outras culturas, criando os diversos subgrupos ciganos (Rom, Sinti, Calon, etc.) com suas particularidades.

A história cigana, por ser predominantemente ágrafa (sem escrita), é complexa e muitas vezes baseada em lendas e relatos externos.

O termo "cigano" pode ter vindo de uma crença equivocada de que vieram do Egito, sendo chamados de "egípcios" (Egyptian).

Os ciganos são uma das maiores minorias na Europa e no mundo, com uma rica cultura de música, dança e tradições, mas enfrentam discriminação e dificuldades de integração, especialmente no acesso à documentação e direitos. 

O CASAMENTO CIGANO EM FARROUPILHA

Aconteceu neste fim de semana mais um casamento cigano, desta feita na cidade de Farroupilha e, como sempre, rodeado de muita festa com danças e gastronomia abundante.  

De acordo com o pai da noiva, o custo total do evento foi de aproximadamente R$ 400 mil

Diante da repercussão gerada pelo casamento que reuniu cerca de 1,5 mil pessoas, o pai da noiva, Glademir Jorge Júnior, esclareceu sobre os custos da celebração.

Segundo ele, boatos divulgados informalmente apontavam valores que chegariam à casa dos milhões, o que, conforme Glademir, não corresponde à realidade. De acordo com o pai da noiva, o custo total do evento foi de aproximadamente R$ 400 mil.

Glademir explicou que, dentro da cultura cigana, o funcionamento é coletivo. Tradicionalmente, os pais dos noivos organizam a festa, mas os custos são compartilhados entre as famílias da comunidade. Após o almoço do casamento, é realizado o chamado “dote”, uma doação feita pelas famílias convidadas para auxiliar nas despesas.

“No nosso costume, cada família contribui com um valor. Tivemos cerca de 300 famílias participando, com doações em torno de mil reais cada, o que totalizou aproximadamente R$ 300 mil. O restante foi arcado pelo pai do noivo”, explicou.

Ele também comentou sobre números que chamaram atenção, como o consumo de alimentos e bebidas durante a festa, reforçando que tudo foi custeado de forma coletiva. Conforme relatado, foram consumidos cerca de 4 mil litros de chope e 800 quilos de carne ao longo da celebração.

Ao final, Glademir ressaltou que o esclarecimento tinha como objetivo evitar desinformação e reforçar o respeito à cultura cigana. Ele destacou ainda que a boa recepção na cidade deve motivar a realização de novos eventos do gênero em Farroupilha.


segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

 


REPONTANDO DATAS - 19 DE JANEIRO

Morre Joca Tavares


General Joca Tavares, fotografado durante a Guerra do Paraguai
 
Num dia 19 de janeiro, de 1906, morria o General Joca Tavares, personagem por demais conhecido pois foi um dos comandantes maragatos na Revolução Federalista, em 1893, uma das mais sangrentas de nossa terra gaúcha, em face de que não se faziam prisioneiros, se degolava o inimigo. Foi Joca Tavares o comandante das tropas Federalistas (Maragatas) no famoso e épico Cerco de Bagé. 
 
Mas o leitor sabe o que foi o CERCO DE BAGÉ?  Se não sabe, acompanhe por aqui:
 

 
Durante a Revolução Federalista, desencadeada no Rio Grande do Sul em oposição ao governo de Floriano Peixoto, a cidade de Bagé resistiu ao cerco das forças federalistas durante 47 dias, em um dos mais notáveis episódios da História Militar brasileira.  
 
Entre novembro de 1893 e janeiro de 1894, os republicanos, comandados pelo coronel Carlos Maria Silva Telles, buscaram abrigo na Catedral São Sebastião.  Os antigos moradores de Bagé presenciaram de camarote um dos muitos episódios sangrentos que tornaram a Revolução Federalista a mais violenta da história do Rio Grande do Sul e do Brasil. 
 
Bagé era um objetivo importante, pois uma das maiores cidades do Estado, sediava uma importante guarnição militar, tinha ligação por trem com Rio Grande e situava-se em posição estratégica em relação à Campanha e à fronteira.  Além disso, era a terra dos Tavares e de Silveira Martins, principais lideranças maragatas, que faziam de Bagé um dos centros da conspiração e sede do Partido Federalista, uma das frentes de oposição à Júlio de Castilhos. 
 
Natural, portanto, que, ao primeiro refluxo dos rebeldes, os republicanos tratassem de assegurar o controle da cidade. Natural, também, que fosse Bagé o primeiro alvo do general Joca Tavares em seu retorno ao Brasil, depois de refazer suas forças em território uruguaio.  Ele retorna em novembro de 1893, à frente de quase três mil combatentes e ataca em duas frentes. De um lado, Zeca Tavares, seu irmão, toma a estação ferroviária de Rio Negro, a 20 quilômetros da cidade, guarnecida por 500 soldados comandados pelo general Isidoro Fernandes.  A outra frente cerca a cidade. Desde o dia 24 de novembro era possível avistar os piquetes de lanceiros federalistas da cidade, defendida por pouco mais de mil combatentes, sob as ordens do coronel Carlos Maria da Silva Telles. A população, pouco mais de 20 mil moradores, foge da cidade levando o que é possível. 
 
O coronel Telles se prepara para o pior: requisita a comida disponível no comércio, manda construir trincheiras ao redor da praça e concentra ali a resistência. Nas bocas de rua, arma barreiras com fardos de lã, terra, pedras e paus. 
 
Durante quase um mês, os federalistas mantêm o cerco à distância e depois apertam. Ocupam chácaras do subúrbio e entram na cidade. Tomam o Teatro 28 de setembro, a Beneficência Italiana, o Mercado Público, os quartéis, a Rua Barão do Rio Branco e a Enfermaria Militar. Em poucos dias toda a cidade é dominada, menos a Praça da Matriz. 
 
Telles dispunha de batalhão e um regimento de artilharia, uma companhia de engenheiros, um batalhão da brigada militar e um corpo de transporte, comandado por Bento Gonçalves da Silva Filho (filho do líder farroupilha). 
 
Tinha também dois corpos provisórios, gente da Guarda Aduaneira e, a partir do momento em que apertou o cerco, um “batalhão republicano”, com voluntários civis. O coronel tem ordens expressas de Floriano Peixoto para resistir até o fim. 
 
Corre na cidade sitiada uma notícia apavorante: as forças de Isidoro Fernandes haviam sido massacradas no Rio Negro, com mais de trezentos prisioneiros degolados. Começa a faltar comida, há deserções, as fugas se dão pela zona sul da praça, onde era mais fácil chegar ao cemitério que ficava a 600 metros. Joca Tavares ordena que o cerco se feche num “cinturão de ferro e fogo”. Quando o sítio completa um mês, Joca Tavares manda propor ao coronel Telles que se entregue sob garantias. O coronel responde: “Vocês é quem devem depor as armas, porque estão fora da lei. Garanto a todos a anistia ampla!”.  

O natal foi terrível. Atordoada, Bagé enterrava mortos civis atingidos por balas perdidas, chorava as vítimas de violências, saques, incêndios e arrombamentos. Já não havia sequer figos crus e caruru para cozinhar na água e sal. A farinha e as últimas bolachas estavam reservadas para os feridos amontoados na nave central da igreja. 
 
Para aliviar a fome, já se matavam gatos e cães, e o próprio comandante da resistência manda matar seu cavalo para alimentar a tropa. Fome, sede e doenças substituíram a famosa degola na tarefa de abater o inimigo. Quando a situação parecia insuportável, chegam informações de que duas divisões do Exército se aproximam para socorrer Bagé. Com a aproximação dos reforços solicitados pelas tropas legalistas, em cinco de janeiro de 1894, Joca Tavares resolveu promover o ataque final. Derrubando muros e perfurando paredes, os maragatos avançaram. Informado da ação, o coronel Carlos Telles antecipou a defesa, colocando abaixo paredes de dois prédios que ainda não haviam sido alcançados pelos rebeldes. O tiroteio foi intenso até que os legalistas dispararam os canhões e uma descarga de granadas contra a linha federalista. 
 
Na noite de sete de janeiro, começa a ser desfeito o cerco, e os federalistas seguem desolados para Santana do Livramento. Antes de o dia raiar, um vulto se aproxima das trincheiras, solitário, e diz aos cansados e famintos soldados: “Bom dia! os revolucionários deixaram a cidade”. Eles haviam resistido 47 dias de cerco. Telles envia um telegrama ao ministro da Guerra: “Tivemos o desprazer de vê-los em debandada e mal montados, sem terem tentado o ataque decisivo pelo qual tanto ansiávamos...”. No seu boletim, registrou 34 mortos (quatro oficiais) e 91 feridos.


domingo, 18 de janeiro de 2026

 


ATENÇÃO ENTIDADES TRADICIONALISTAS

NÃO PERCAM ESTA OPORTUNIDADE



Tem novidade no Avançar Tchê, o programa de fomento ao tradicionalismo promovido pelo governo do Estado, por meio da Sedac!

Chegou a segunda edição do Prêmio Tradicionalismo Gaúcho!

O edital foi publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) desta quarta-feira (14/1) e vai destinar R$ 2 milhões a 100 entidades do setor (R$ 20 mil para cada). O valor pode ser aplicado pela entidade na melhoria de sua infraestrutura, na aquisição de indumentárias, instrumentos e equipamentos, e no desenvolvimento de atividades ou de outras necessidades.

As inscrições devem ser feitas até as 16h59 de 4 de fevereiro, em procultura.rs.gov.br. A seleção das entidades contempladas e o repasse dos recursos devem ocorrer até dezembro de 2026.

Não serão aceitas inscrições de entidades contempladas na primeira edição do Prêmio Tradicionalismo Gaúcho, realizada em 2025.

Confira a matéria completa em cultura.rs.gov.br 



sábado, 17 de janeiro de 2026

 


40ª CAVALGADA DO MAR


A tradicional Cavalgada do Mar chega à sua 40ª edição reafirmando-se como um dos eventos culturais mais emblemáticos do litoral gaúcho. A atividade será realizada entre os dias 23 e 30 de janeiro, reunindo cavaleiros de diversas regiões em um percurso que une tradição, cultura e integração com a natureza.

 A saída oficial acontece no município de Torres, com destino a Balneário Pinhal, percorrendo praias e paisagens que fazem parte da identidade do Rio Grande do Sul. Para receber os participantes, o acampamento em Torres estará disponível a partir das 8h, garantindo estrutura e organização para a chegada dos cavaleiros antes do início da jornada.

 Ao longo do trajeto, a Cavalgada do Mar promove não apenas o encontro entre tradicionalistas, mas também valoriza o convívio, o respeito às tradições gaúchas e a conexão com o litoral. O evento atrai atenção de moradores, turistas e amantes da cultura campeira, movimentando as cidades por onde passa e fortalecendo o turismo regional.

 Ao completar quatro décadas de história, a Cavalgada do Mar consolida-se como um símbolo de resistência cultural e celebração das raízes do povo gaúcho, mantendo viva uma tradição que atravessa gerações. 






sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

 

ENGAVETARAM O GILDO 


Arte: Jeandro Garcia


Começo o ano lembrando de um projeto que em 2025 completou 18 anos de engavetamento (maioridade). 

Ei-lo:  

"O Plenário da Câmara aprovou nesta quarta-feira (21/11/2007) projeto de lei da vereadora Margarete Moraes (PT), que autoriza a construção de monumento em homenagem à memória do trovador e compositor Gildo de Freitas.

A proposta sugere como local para erguer o monumento o Parque Maurício Sirotsky Sobrinho, conhecido como Parque da Harmonia.

Considerado o Rei dos Trovadores, Gildo nasceu em 1919, no Bairro Passo d'Areia, na época zona rural de Porto Alegre, e morreu em dezembro de 1983."

Gildo de Freitas, um improvisador de grande talento, foi criador de um estilo de trova que perdura até os dias atuais.

Tal trova tem a seguinte estrutura a qual utilizei como demonstração e, ao mesmo tempo, fazer meu protesto em relação a este "esquecimento".


Como diria o Brizola:

 - São muitos os “interésses”.

Quando passa as eleições

o trato desaparece.

Esqueceram o Gildo velho

mas o povo não esquece,

trovador que honrou a raça

enquanto em bronzes de praças

tem gente que não merece. 



quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

 

TÁ TAPADO DE "EARL" POR AÍ

(SE DANDO MUITA IMPORTÂNCIA) 





 

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

 


PARECE A MESMA COISA MAS...


 

GAÚCHO – A identidade do gaúcho tradicionalista, não se atem simplesmente a manifestações externas, como o uso de bota e bombacha, mas abrange algo de mais importante. Pois o gaúcho tem uma filosofia de vida, um "modus vivendi", que lhe é peculiar. De bota e bombacha ou de calça corrida e sapato, o gaúcho sempre será o mesmo; o homem que ama e honra sua terra, conhece suas tradições e a sua história e sempre está pronto para defendê-la.

TRADIÇÃO – A tradição é a memória de um povo. É o que do passado chegou até nós. E a transmissão oral, de fatos e lendas, usos e costumes, de geração em geração, através do tempo e do espaço. É a transmissão de valores espirituais, do passado para o presente, num sempre reviver daquilo que não se deve perder. Tradição é o fortalecimento da vida e da fibra do povo.

TRADICIONALISMO – O Tradicionalismo já é o culto e a vivência dessa tradição, como prova de amor que nos une ao pago em que nascemos. O tradicionalismo ama a terra. Fazer tradição não é voltar ao passado, mas cultuar esse passado. Podemos viver um momento tradicionalista de calção ou smoking. O tradicionalismo não se manifesta exclusivamente na forma de ser, mas principalmente na forma de sentir, de viver. Não é preciso bancar o grosso ou parecer ser ignorante, para justificar autenticidade.

J.C. Paixão Côrtes - Dezembro de 1993 (Jornal Geral: Coluna Buenas – Araranguá/SC)

Foto: Lidiane Hein



terça-feira, 13 de janeiro de 2026

 


REPONTANDO DATAS - 13 DE JANEIRO


Sítio arqueológico de São Nicolau
Crédito: Portal das Missões 

Em 13 de janeiro do ano de 1626 o padre jesuíta Roque Gonzales, funda o aldeamento guarany San Nicolas (São Nicolau) na margem direita do Rio Piratini, perto da sua foz com o Rio Uruguai. Foi o primeiro ato de brancos na pátria dos gaúchos – nascia o Rio Grande de São Pedro. Exatamente por este motivo neste 2026 comemora-se os 400 anos da chegada dos primeiros jesuítas no Rio Grande do Sul.   

Também num dia 13 de janeiro mas do ano de 1852  nascia na vila de Arroio Grande, Rio Grande do Sul, Gumercindo Saraiva, líder maragato na Revolução Federalista (1893) e braço direito de Gaspar Silveira Martins.


Gumercindo Saraiva





segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

 

ARMADILHAS DA IA




A Inteligência Artificial virou uma coqueluche nas redes sociais. Por vezes a gente fica na dúvida do que é real e o que é IA. 

Nas letras de músicas, nas poesias, nos vídeos, nos cartazes, a IA tomou conta. Se bate a preguiça ou queremos poupar uma grana contratando algum profissional, se apela para este elemento, como o próprio nome diz, ARTIFICIAL. 

Mas como nada pode suprir o ser humano, aquilo que é artificial acaba deixando marcas errôneas. 

Neste bonito cartaz promocional do Movimento Tradicionalista Gaúcho parece tudo perfeito mas... Reparem na mão do gaiteiro, ou melhor, nas DUAS mãos do gaiteiro. Uma floreia o teclado e a outra pega uma taça de vinho.     






domingo, 11 de janeiro de 2026

 

NOSSA MÚSICA GALPONEIRA RESPIRA

(POR APARELHOS)


Gravura: Léo Ribeiro 

Além do nativismo, que não apresenta grandes novidades apesar das dezenas de festivais, a música galponeira respira por aparelhos.

Nos tempos atuais pouco importa se tua letra tem mensagem, se a música é bem executada, se o intérprete tem potencial. Basta bater forte o pé no chão, mostrar uma autenticidade duvidosa e achar alguém que leve tuas “criações” para as redes sociais que tu vira artista.

Nossa música galponeira de fundamento está desaparecendo e poucos se importam com isso. O que vemos hoje são grupos fandangueiros reproduzindo nos bailes que foi feito a décadas atrás.

Justamente por essas e outras, meio as pressas devido a exiguidade do tempo, no apagar das luzes de 2025, resolvi aceitar o convite do produtor cultural Jeandro Garcia e dar uma mão no festival Aldeia da Canção Gaúcha promovido pelo CTG Aldeia dos Anjos, de Gravataí, que tinha esse propósito, ou seja, o resgate e a valorização da música que fugisse da morosidade das milongas.  

O chamado foi um sucesso, haja visto que a composição vencedora, um chamamé, recebeu, através do avaliador Paulo Mendonça, grandes elogios de nada mais nada menos do que Antonio Tarragó Ros, uma legenda argentina.

Mas isto é uma gota de água num oceano que, antigante, já inundou nossos Centros de Tradições.      .    


sábado, 10 de janeiro de 2026

 

A SOLIDÃO NÃO É MEME

O “caso Brad Pitt” como espelho da nossa crueldade


Esse acontecimento do ator Brad Pitt no RS já encheu, saturou. Contudo, ontem li um texto da psicóloga Carliza Welker que expressa exatamente o que penso a respeito e resolvi reproduzi-lo. 


A mulher acreditou. O Brasil riu.

E isso diz mais sobre nós do que sobre ela.

Na véspera de Natal, enquanto a maioria de nós brindava em família, uma mulher estava no aeroporto de Erechim. Ela não esperava um parente. Não esperava um voo de férias.

Ela esperava um sonho — com nome de galã de Hollywood e promessas de uma vida nova.

O final dessa história todos já conhecem: o encontro nunca aconteceu, o herói era um golpista e a esperança revelou-se um estelionato emocional.

O Brasil riu. O caso viralizou. Marcas aproveitaram o “engajamento” para fazer piadas e vender produtos. O “falso Brad Pitt” virou o meme da semana.

Mas, enquanto o país dava risada, uma família desmoronava no interior do Rio Grande do Sul.

Como psicóloga, sinto o dever de interromper a piada para fazer uma pergunta simples — e profundamente incômoda: - quando foi que perdemos a capacidade de enxergar o humano por trás do clique? 

É muito fácil apontar o dedo e chamar de “ingênua” ou “louca” uma mulher de cinquenta e poucos anos que acredita em um romance impossível. O que poucos param para analisar é a engenharia perversa por trás de golpes como esse.

Golpistas não procuram pessoas “burras”. Eles procuram pessoas vulneráveis. Eles preenchem lacunas. Oferecem a escuta que ninguém oferece. O elogio que o tempo apagou. O olhar que a sociedade deixou de sustentar.

O que ela esperava naquele aeroporto não era uma celebridade. Era a materialização de uma importância que lhe foi roubada em um mundo que insiste em tornar mulheres de meia-idade invisíveis. 

O que aconteceu depois do aeroporto talvez seja ainda mais violento do que o golpe em si.

Vivemos a era do “marketing de oportunidade”, em que empresas não hesitam em transformar o sofrimento alheio em estratégia de venda. Um marketing cruel, que se alimenta do linchamento público e se esconde atrás do riso fácil.

Por trás do meme que você compartilhou existe um adolescente de 12 anos assistindo à mãe virar chacota nacional. Existe um lar onde o Natal foi substituído pelo luto da dignidade.

E a internet, tratada por muitos como “terra de ninguém”, agiu como um tribunal medieval em praça pública. A viralização veio como um tsunami.

Do que você está rindo?

O riso, neste caso, não é humor. É defesa. Rimos para nos sentirmos superiores. Rimos para acreditar que “comigo isso nunca aconteceria”. Rimos para não tocar nas nossas próprias fragilidades.

Mas todos nós as temos.

A diferença é que a dela foi exposta para milhões.

O que nos leva a transformar a dor de uma mulher em entretenimento? O que nos torna tão ávidos por curtidas a ponto de ignorar que estamos pisando sobre os destroços emocionais de alguém?

Este caso não é sobre uma mulher que caiu em um golpe. É sobre uma sociedade que caiu na desumanização. É sobre o quanto nossa empatia é seletiva. E o quanto nossa sede por diversão pode ser tóxica.

A fragilidade alheia não é conteúdo. A solidão não é piada. A confusão emocional de uma pessoa ferida não é entretenimento.

Antes de digitar o próximo comentário ou compartilhar a próxima chacota, olhe-se no espelho. Se a dor do outro te provoca riso, talvez quem precise de ajuda não seja apenas a vítima do golpe.

Porque, no fim das contas, a internet passa. O meme envelhece. O engajamento some. Mas o trauma que causamos no outro permanece — silencioso, profundo e real.

E isso também é responsabilidade coletiva.



sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

 

ENTENDA O JOGO DO OSSO


Jogando Osso - Vasco Machado 
 

Aqui pela praia, vendo os argentinos disputar aquele jogo semelhante a nossa conhecida bocha mas utilizando discos no lugar das bolas, me lembrei do nosso antigo Jogo do Osso, diversão nos domingos pelos bolichos de antigamente e agora esquecido até pelos organizadores de festas campeiras. 
Suorte ganha, Culo perde! Regulamento e história de um dos Jogos mais antigos da humanidade. Antecedência: A peça Tava é um osso retirado do calcanhar do boi o nome desse osso é astrágalo.
Rodopiando a três metros do chão, ao ser lançada em direção à raia, a TAVA ou JOGO do OSSO desenha uma trajetória pelo tempo e pelo espaço – existem vestígios pelo menos há três séculos a.C., na Ásia, Árabes e persas já o praticavam.
A própria palavra "taba", ou "Tava", teria sua raiz etimológica no vocábulo hebreu "ka-ba". "Lab-el-kab" era denominado o jogo dos árabes. Chegou o jogo à bacia do Prata pelas mãos espanholas pelos idos de 1620, pelos colonizadores da Bacia do Prata por este motivo no Rio Grande do Sul, os termos sofreram grande influencia da língua castelhana em sua terminologia tais como: "userte", "culo", "clavada" e "gueso".
Ademais, a história gaúcha do Jogo do Osso, confunde-se no início, com a história platina e a conquista dos Sete Povos, em 1801. A Região do Prata (Brasil, Uruguai e Argentina) uma espécie de terra de ninguém em permanente disputa de posse entre Espanha e Portugal. Milicianos e aventureiros, mestiços e gaudérios, não conheciam outras fronteiras senão aquelas onde abundavam o boi e o cavalo os costumes eram comuns entre todos e a cor da bandeira trocava conforme os interesses e ambição pessoal - o churrasco, o chimarrão, a doma dos potros, o estilo de montar, o abater e carnear o boi era comum a toda a região pampeana e natural, portanto, que nessa identidade ampla de usos e costumes, os jogos de recreio como a cancha-reta e a Tava fossem comuns a todos nesta nação platina.
Assim o Jogo do Osso, Tava se enraizou na cultura e nos costumes do gaúcho.
     A TAVA
Instrumento com que se pratica o jogo do osso -, também chamada "taba", "osso" ou "garrão", provém do astrálago, osso do jarrete do animal vacum. A norma, para conseguimento de uma boa TAVA é, logo após sua extração do jarrete do animal abatido, enterrá-la por cerca de dois a três meses em terreno nem muito seco, nem muito úmido - processo a que se chama "curar o osso". É comum, igualmente, colocar o astrálago na boca de um formigueiro de campo, provando um processo de inteira limpeza por parte das formigas.
     Posições da TAVA no solo
Após o arremesso a TAVA pode estabilizar-se em pelo menos OITO posições, cada uma delas com seu nome:
SUERTE ou SORTE - parte ganhadora para cima, é quando a parte que possui o enfeite, corte, algumas são torneadas em ouro ou bronze, nas mais simples geralmente a cabeça dos grampos ou rebite são destacados, mas todas tem uma característica a Suerte possui a ponta menor e em formato de “S”. Quando ela cai chapada ao solo chamam também de “Sorte Corrida”.
CULO - parte ganhadora para baixo, é a parte da base da Tava, o lado mais reto e possui uma pequena lamina em uma das pontas que se ressalta na peça que ferra o osso. Algumas Tavas no lado do “Culo” são feitas de ferro escuro e adquirem a cor preta no lado escuro da sorte. Quando ela cai chapada ao solo chamam de “Culo Corrido”, também.
CLAVADA - quando a saliência, uma das pontas ficam cravadas(clavar), enterra-se no chão, qualquer das pontas enterradas deixam a Tava na diagonal. Uma das pontas enterrada deixa a Tava inclinada cravada ao solo.
"SUERTE CLAVADA" quando a parte da Suerte, fica para cima com ela cravada. É a o tiro-rei das canchas do jogo do osso. Tanto faz o ângulo do declive, 90º ou 270º, direita ou esquerda.
CULO CLAVADO - quando a parte do Culo, fica para cima com a Tava cravada. Tanto faz o ângulo do declive, 90º ou 270º, direita ou esquerda.
GUESO ou OSSO - posição que não é nem "suerte" nem "culo", com qualquer dos lados não ferrados para cima.
"31" - "TOURO" ou “OSSO” - variação do gueso com a Tava exatamente na vertical.
Parada – é cada disputa, cada aposta.
     Espécies de arremessos
Os arremessos exigem manejo especial da Tava, com posições de saída e métodos de lançamentos quase inflexíveis. Todo bom jogador precisa conhecer os vários métodos, que podem ser volta-e-meia (Tava dá uma volta e meia no ar), duas-e-meia, duas voltas, três voltas e o carreteiro (lançamento da Tava sem manejo especial, nem preocupação com número de voltas ou giros - dá se esta denominação por lembrar a sua anti-técnica o ato de lançarem os carreteiros um osso de fervido, ou costela já pelada da carne, ao guaipeca que normalmente acompanham-os nas carretadas pelo pago).
     Coimeiro
Pessoa encarregada pelo movimento. É quem vende e troca às fichas, o que cobra a "coima", percentagem fixa sobre as paradas pagas. É a versão acrioulada do "croupier" internacional dos cassinos.
     Dinâmica do jogo
Não há regras escritas sobre o jogo do osso, mas existem normas gerais a serem respeitadas através da tradição oral.
O que é: jogo entre equipes em que o objetivo é marcar a maior pontuação ao arremessar a tava, que é o osso do garrão do boi com chapas de bronze e ferro.
Equipes: 3 ou 4 pessoas (em caso de 4, a menor pontuação é descartada). É possível jogar sozinho e concorrer apenas na pontuação individual.
Onde jogar:
Cancha com o mínimo de 7m e máximo de 9m (entre os picadores). Nela, é marcado o “picador”, um espaço com terra molhada ou argila de no mínimo 2m e máximo 3m de comprimento por 2m de largura em cada raia. Dentro dele deve ser delimitada a bacia (50cm x 50cm).
O jogo começa quando o coimeiro "grita banca", já com a cancha preparada, o par de Tavas e as fichas à sua frente. Geralmente é quem estipula o valor das primeiras paradas: "Duzentos mil réis é a banca! Quem se habilita?”.
Apresenta-se um jogador que compra as fichas, escolhe a Tava de sua preferência e encaminha-se para uma cabeceira. Apresentando-se o oponente que compra fichas e depositam na mão do coimeiro o valor da parada que anuncia "Está copada a parada! Vale jogo!”.
Atira o que levantou a primeira Tava. Imediatamente, da outra cabeceira, o oponente. Teve início o jogo.
O coimeiro só paga a parada para o jogador que somar dois lances positivos:
duas "suertes" do mesmo jogador, contra nenhuma do oponente
uma "suerte" somada a um "culo" do oponente
dois "culos" do oponente contra dois "güesos" do favorecido.
Acontecendo "suerte" contra "suerte", "culo" contra "culo", ocorre empate que é chamado de "senão". Não é raro a parada decidir-se depois de vários tiros, pela ocorrência de "senões" seguidos.
Os atiradores só ganham a parada quando favorecidos por dois lances, mas no "jogo de fora", a questão se decide a cada lance. Joga-se de fora (do jogo, da cancha) a favor ou contra o tiro de quem arremessa.
Ao pagar a parada ao atirador vencedor, o coimeiro já desconta a coima (comissão).
Quando um dos atiradores desiste do jogo, deixando a Tava na cabeceira, qualquer assistente pode "copar a parada", "apertando a Tava", qe é o atao de colocar o pé em cima, ao mesmo que anuncia: "Copei a parada!".
Quando um dos jogadores, durante o jogo, resolve trocar de Tava, o coimeiro anuncia "Cambiou de Tava".
Desviada a Tava de seu curso por qualquer acidente natural, seja uma pedra próxima, uma raiz, galho seco, o tiro não perde validade. São casos que acontecem com alguma frequência nos tiros de "carreteiro", quando a Tava rola sem direção determinada.
Fato interessante, quando a gauchada se reunia para lançar a Tava, uns limpavam a cancha e outros caso não tivesse água, cavavam um buraco e migavam para fazer o barro que acolhe o tiro da Tava. Isso de nada incomodava os participantes.
Sempre se formava um bolicho em algum canto aparecia uma barraca, a bebida para gelar, o gelo guardado em buracos forrados com serragem ou em riachos para gelar. Uns traziam em uma tábua com um couro sobre os ombros como uma bandeja pastel de carreira, massa com carne e ovo frita em banha.
     Trampas
Significa má fé, engodo, artifícios para favorecer uma das partes ou, o mais usual, o próprio coimeiro. Entre as antigas formas citam-se:
CARGAR A TAVA - colocar uma esfera de chumbo ou de ferro no interior do osso que tendia a estabilizar-se no terreno em posição, quase sempre, de "suerte" ou somente de "culo".
BARRO - Colocar sob o "barro", a cerca de meio palmo de profundidade, um pelego com lã para cima, com o que, segundo os aficionados, era quase impossível conseguir-se uma "suerte" clavada. O pelego enterrado conferia ao "barro" certa elasticidade, fazendo a TAVA saltar bem mais que o normal.
     Expressões
Alarula, tia Carula, china e ficha não se adula!
Dito por quem recolhe as fichas, por haver apostado no tiro que deu "suerte". Há conotação machista no refrão
Cospe no buraco
Crença de que cuspindo-se na TAVA do contrário o azar o perseguirá.
É macho, alumiou pra baixo!
Expressão usada por quem jogou contra o tiro e a TAVA se estabiliza na posição perdedora de "culo". O "alumiou para baixo" quer significar que a face mais brilhante da TAVA (a da "sorte", recoberta de bronze) ficou chapada contra o terreno.
Jogador não tem vergonha"
Expressão usada no momento em que os ganhadores levantam do chão as fichas ou o dinheiro apostado na parada - jogador não tem vergonha por entregar-se ao vício do jogo.
Louca também se casa!
Saudação a um lançamento mal feito, especialmente o "carreteiro", que resulte numa "suerte".
Mão fria não bota suerte!
É preciso aquentar o corpo e as mãos para lançar-se a TAVA com habilidade.
Não é só butiá que dá em cacho!
Quando um atirador repete várias "suertes" 

Jogo do Osso - Bendito aquele que estuda porque estudar é importante, embora o ignorante tem sempre um santo que ajuda, por isso não encabulo - que a TAVA que bota CULO é a mesma que bota sorte! Jayme Caetano Braun.

Fonte: Site Portal das Missões

Gravura de Tadeu Martins