A FALSA CARTA DE CAXIAS
A FALSA CARTA DE CAXIAS
MEU SANTO DE DEVOÇÃO
Hoje, 13 de junho, é Dia
de Santo Antônio, meu santo de devoção. Em 2024 consegui realizar um sonho, ou
seja, conhecer o local aonde ele trabalhou até o final de sua vida na cidade de
Pádua, na Itália.
Era um dia chuvoso e
nunca senti tanta espiritualidade em minha vida. Nesta basílica está exposta,
em perfeito estado de conservação, sua língua (ele era um grande tribuno).
Santo Antônio, ou Santo
Antônio de Pádua nasceu em Fernando de Bulhões em Lisboa, Portugal, em 1195,
foi frade franciscano discípulo de São Francisco de Assis e Doutor da Igreja.
Famoso por sua profunda sabedoria bíblica e caridade, ele é celebrado no mundo
todo.
É amplamente invocado
como o santo que ajuda a encontrar objetos perdidos além da fama de Santo
Casamenteiro devido a sua caridade ao ajudar moças pobres a conseguirem o dote
necessário para o casamento. No Brasil, é o primeiro santo celebrado nas
tradicionais Festas Juninas.
Iniciou como cônego
agostiniano, mas mudou-se para a Ordem Franciscana para viver uma vida de maior
simplicidade e pregação. Faleceu em Pádua, na Itália, em 1231, onde hoje se
encontra a sua basílica.
Agora, se os leitores me
dão licença, vou até a igreja de Santo Antônio do Pão dos Pobres, aqui na capital, fazer minhas
orações de agradecimento por tudo que tenho alcançado e pegar meu pãozinho bento.
CULTURA GAÚCHA EM BRASÍLIA
A Secretaria da Cultura
está apoiando a realização da 33ª Expotchê, em Brasília. É o governo do Estado
presente na maior feira da cultura gaúcha fora da região Sul. O evento encerra amanhã (14).
A pasta viabilizou a
contratação de atrações artísticas – os grupos musicais Le Farfalle e Família
Ortaça, e a Burzum Cia. Circense – e correaliza uma mostra audiovisual sobre os
400 Anos das Missões Jesuíticas Guaranis, temática da Expotchê este ano. Estão
sendo exibidos os filmes “Trinta Povos”, “Cantata Sete Povos – Episódios 1 e 2”
e “Pará Yxapy”.
Realizado de 4 a 14 de
junho, no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade, o evento conta com uma
ampla programação, que inclui outras apresentações artísticas, gastronomia
típica, artesanato e ações de valorização do Rio Grande do Sul, como um estande
inspirado nas ruínas de São Miguel Arcanjo – tudo para levar a cultura gaúcha a
visitantes de todas as regiões do país!
Foto: Marcello Candido/Expotchê.
"ESTÁTUA VIVA" GANHA EDITAL
PARA REVITALIZAÇÃO DO SÍTIO DO LAÇADOR
A "estátua
viva" do Laçador, interpretada pelo ator Pablo Espindola, venceu o edital
"Sítio do Laçador Vive". Com isso, ele e sua equipe serão
oficialmente responsáveis pela gestão, preservação e revitalização do entorno
do monumento histórico de Antônio Caringi.O acordo do edital inclui obrigações
e novidades para a região:
O grupo é responsável por
manter a grama aparada, as pinturas conservadas e garantir a integridade da
estátua. O projeto também prevê apresentações culturais caracterizadas, ações
de educação patrimonial e fomento à economia criativa.
Nos próximos 12 meses, a
área deverá ganhar novas instalações, incluindo banheiros e iluminação
aprimorada, além de integração com marcas.
Hoje, 12 de junho, Dia dos Namorados, fez seis anos que o grande gaiteiro Porca Véia deixou este plano. Seu falecimento ocorreu devido a uma parada cardíaca durante uma hemodiálise.
Em virtude de que a pandemia do Coronavírus estava em seu auge naquele junho de 2020, seu velório na cidade de Ivoti foi restrito a poucos amigos e familiares. Contudo, fui levar o meu último adeus a este ícone da musicalidade rio-grandense cuja carreira acompanhei desde o seu princípio e tivemos diversos trabalhos juntos além de uma forte amizade.
Porca Véia foi o maior representante da música Bertussi e hoje, além do Grupo Cordeona que segue firme os passos de seu líder, muitos conjuntos mantém o estilo Porca Véia de animar fandangos. Ele foi e sempre será o Pai do Gaitaço.
ALELUIA
Ontem estava passando pela avenida João Pessoa, aqui em Porto Alegre, em frente ao histórico colégio Júlio de Castilhos, o Julinho, local aonde começou o tradicionalismo gaúcho, e vi que estavam demolindo o coreto da praça em frente. Uma pena porque os coretos marcaram uma época nostálgica de música, dança, pontos de encontro em quase todas as cidades do nosso interior. Hoje, segundo informações que recebi, servia de abrigo a drogados.
Em contraponto ao que vi em relação ao coreto, bem em frente, no meio da avenida, uma equipe da prefeitura estava limpando para restauração o icônico monumento a Bento Gonçalves, no mesmo local aonde ele teria cruzado ao invadir Porto Alegre via Ponte da Azenha em setembro de 1835.
Tal monumento é uma obra do escultor pelotense Antonio Caringi e constituído para celebrar o centenário da revolução farroupilha em 1935. Foi inaugurado no ano seguinte no Parque Farroupilha (foto acima)e, em 1941, transferido para o atual local.
Esperamos que os cuidados com este patrimônio histórico não fique na limpeza. Que se instale câmaras, luzes, grade de proteção, enfim, que não fique a mercê dos vândalos que, inclusive, levaram as duas placas laterais com mais de 100 quilos, a luz do dia, e até hoje não apareceram. Nem placas nem os graxains autores da proeza.
De toda forma, deve-se cumprimentar o poder público pela iniciativa.
33º RONCO DO BUGIO
ABERTA AS INSCRIÇÕES
Vem aí mais uma edição de
um dos encontros mais tradicionais da música nativista gaúcha, celebrando o
único gênero musical genuinamente nascido no Rio Grande do Sul: o bugio! O
evento acontece em São Francisco de Paula e vai distribuir mais de R$ 23 mil em
prêmios, além de ajuda de custo para as obras selecionadas.
Prepare sua composição
inédita e participe!
Inscrições: 09 de junho a
05 de julho.
Vagas: 16 composições
vocais e 4 instrumentais de gaita (todas inéditas e no ritmo bugio).
Ajuda de custo para as
músicas classificadas ( R$ 4.500) + bônus para finalistas, além de prêmios para
os vencedores!
Data do Evento: 13, 14 e
15 de agosto no Centro de Eventos de São Chico.
Como se inscrever:
Exclusivamente pelo e-mail
roncodobugiosaochico@gmail.com
Edital completo:
bit.ly/edital1242026
Tire suas dúvidas pelo WhatsApp
(54) 99968-6335 (com Maurício).
Leia a matéria completa em
www.saofranciscodepaula.rs.gov.br
Foi lançado terça-feira passada, em Porto Alegre, o Festival da Virada -
Depois das Águas, uma mostra competitiva de canções inéditas promovido pela
Caminha Produções Artísticas Ltda e Pandorga Produtora Cultural em cinco etapas
classificatórias que ocorrerão em localidades atingidas pelas enchentes que
assolaram o Estado entre abril e maio de 2024.
Serão apresentadas 12 (doze) músicas em cada uma das cinco etapas classificatórias, sendo 6 (seis) regionais + 6 (seis) estaduais totalizando sessenta (60) canções cuja nominata será divulgada a partir de 25 de junho de 2026. Em cada fase as comissões avaliadoras elegerão uma canção da região, uma canção estadual e o Melhor Tema Ambiental, para serem reapresentadas na Grande Final, em Porto Alegre.
O regulamento completo está disponível no site Festivalvirada.com.br (alguns tópicos estão abaixo) e as inscrições podem ser encaminhadas até o dia 16 de
junho de 2026, através do formulário de inscrição disponível no link:
https://www.festivaldavirada.com.br
DA AJUDA DE CUSTO E
PREMIAÇÃO:
ART.08- As composições
classificadas na pré-seleção, receberão, a título de premiação (ajuda de
custos), direitos de arena e uso de imagem em todas as plataformas, digitais ou
não, o valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), que serão pagos mediante Nota
Fiscal no momento do credenciamento, quando todos os músicos e interpretes
deverão assinar a devida autorização.
As obras classificadas
para a grande final do festival farão jus ao recebimento de ajuda de custo no
valor de R$ 7.000,00 (sete mil reais) cada, destinada a contribuir com despesas
de deslocamento, hospedagem, alimentação e demais custos relacionados à
participação no evento.
ÙNICO: todas despesas de
alimentação, hospedagem e transporte ocorrerão por conta do concorrente.
ART.09 – A comissão
julgadora proclamará, ao final da apresentação das músicas finalistas, os
seguintes prêmios:
Primeiro Lugar: troféu e
R$ 8.000,00
Segundo Lugar: troféu e
R$ 5.000,00
Melhor Tema Ambiental:
troféu e R$ 5.000,00
Melhor Intérprete: troféu
e R$ 2.000,00
Melhor Instrumentista:
troféu e R$ 2.000,00
Melhor Letra: troféu e R$
1.000,00
Melhor Melodia: troféu e R$ 1.000,00
- Etapa Gramado - 08 de julho:
Carlos
Madruga,
Fernanda Lopes,
Léo
Ribeiro de Souza
- Etapa São Leopoldo - 12 de julho:
Lincon
Ramos,
Tatieli
Bueno,
Anomar
Danúbio Vieira
- Etapa Lajeado - 14 de julho:
Bianca
Bergman,
Diego
Machado,
Diego Muller
- Etapa Canoas - 16 de julho:
Charlise
Bandeira,
Flávio
Hanssen,
Mauro
Moraes
- Etapa Sapucaia do Sul - 19 de julho:
Luciano
Maia,
Janaína
Maia,
Martin
César
- Grande Final - Porto Alegre - 22 de julho:
Adriana
Sperandir,
Fabrício
Harden,
João
Bosco Ayala,
Telmo
Jaconi,
Vaine
Darde.
Essa casa, companheiro,
não é a de São Gonçalo
igual aquele terreiro
que pinto manda no galo.
Uma boa semana a todos.
NOVE ANOS DA GAÚCHOS TEMPLÁRIOS
INJUSTIÇAS DOMINICAIS
Este ano, após meio século, parei de assinar e receber na porta do rancho o jornal Zero Hora. Como disse a três ontontes o periódico está mais fino que assovio de papudo, retransmitindo notícias dormidas e com poucos colunistas de real valor.
Desde então, garrei a balda de, ao acordar, recorrer os aguapés para me inteirar do mundo através do celular.
Hoje, domingo (07), abri e fechei o aparelho em seguida. Duas postagens carregadas de injustiças me taparam de nojo.
A primeira foi o embarque da delegação da RBS (a Emissora dos Casais) para a copa do mundo. Gente com pouca ou nenhuma expressão viajando e deixando aqui, no esquecimento, o melhor repórter de todos, ou seja, o José Alberto Andrade. Que baita injustiça.
Dizem que o manda chuva da rede é um mineiro. Não sei quem é mas, com certeza, um grande desconhecedor do que faz além de andejar, possivelmente, pelos caminhos do compadresco.
A segunda grande injustiça, em outro nível é óbvio, foi o julgamento do menino Henry Borel aonde a juíza Elizabeth Machado Louro absolveu a mãe (para mim uma assassina) citando os termos "misogenia" e "cultura patriarcal" para justificar o perdão judicial a Monique Medeiros. Nos tempos modernos digo que isto é lacração sendo usada em âmbito judicial para livrar uma criminosa.
O negócio, para não me irritar já de manhã, foi desligar o celular, virar para o lado e dormir até as 10h para ver a fórmula 1, pois me parece que está surgindo um Airton Senna italiano.
UM BELO PROGRAMA PARA ESTA SEMANA
Trilogia sobre guerra gaúcha que mudou o Brasil terá sessões de graça em Porto Alegre. Documentários de Henrique de Freitas Lima sobre a Revolução de 1923 serão exibidos e debatidos na Cinemateca Paulo Amorim nos dias 9, 10 e 11 de junho. Entrada franca.
Henrique de Freitas Lima
tem mais de 40 anos de cinema, e boa parte desse caminho foi dedicada a filmar
o Rio Grande do Sul. Não o Estado de cartão-postal, mas aquele que aparece nos
campos, nos conflitos, nos personagens históricos e nas histórias que muitas
vezes ficam restritas aos arquivos, às famílias e aos municípios onde
aconteceram.
Agora, o cineasta chega a
um dos projetos mais ambiciosos de sua carreira com Ecos de 1923: A Última
Guerra dos Gaúchos.
A programação reúne três
documentários de cerca de 70 minutos sobre a Revolução de 1923, guerra civil
gaúcha que opôs forças ligadas ao governo de Borges de Medeiros e
revolucionários contrários à sua permanência no poder. Para Henrique, reduzir o
episódio a uma disputa regional é perder a dimensão do que estava em jogo.
— Não é um troço de
gaúcho para gaúcho. A gente está fazendo com uma linguagem para o Brasil, para
quem quiser ver, para poder entender esse processo — afirma o diretor, que tem
no currículo Tempo Sem Glória (1984), Lua de Outubro (1998) e Concerto
Campestre (2005).
O projeto nasceu de uma
pesquisa sobre Zeca Netto, caudilho ligado a Camaquã. Henrique havia sido
provocado a escrever um roteiro sobre o personagem, mas logo percebeu que
aquela trajetória abria uma porta maior. Ao mergulhar nas memórias de Zeca
Netto, surgiram Honório Lemes, Assis Brasil, Flores da Cunha, Borges de
Medeiros e outros nomes que atravessaram a política gaúcha na virada do século
19 para o século 20.
A ideia cresceu até se
transformar em Os Caudilhos, projeto dividido em etapas. A primeira resultou em
filmes locais de 30 minutos, produzidos nos municípios participantes. A segunda
aparece agora na mostra Ecos de 1923, com três longas reorganizados para formar
um painel mais amplo do conflito. A próxima será uma série de televisão em
formato de docudrama, com cenas ficcionais de recriação histórica.
— Foi uma costura de
produção absurda. Foram nove municípios diferentes, com produtores locais que
precisei localizar, além de uma parte filmada no Uruguai — conta Henrique.
As filmagens passaram por
Uruguaiana, São Gabriel, Caçapava do Sul, Camaquã, São Francisco de Assis,
Rosário do Sul, Alegrete, Santana do Livramento e Pedras Altas. Também houve
gravações em Porto Alegre e no Uruguai. Segundo o diretor, a circulação pelos
territórios foi decisiva para que os filmes não ficassem presos apenas à fala
dos especialistas.
— Esses filmes mostram
uma realidade muito curiosa, no sentido de ver quem são os guardiões da nossa
história nesses municípios. Algumas vezes, pessoas que estão isoladas, que já
são idosas e que mantêm essa memória — diz.
Um dos achados mais
importantes do projeto é o uso de imagens de Revolução no Rio Grande, longa
filmado em 1923 por Benjamin Camozato, dentista de Cachoeira do Sul que se
aventurou pelo cinema. Do material original, sobreviveram pouco mais de 50
minutos. Para Henrique, a presença dessas imagens muda a relação do espectador
com a história.
Camozato conseguiu
autorização para filmar acampamentos dos dois lados do conflito. Em alguns momentos,
aparecem figuras como Honório Lemes, Zeca Netto e Estácio Azambuja. Não são
atores tentando representar a Revolução: são os próprios personagens históricos
diante da câmera, em um registro feito enquanto a guerra ainda acontecia.
— Foi emocionante ver o
próprio Honório Lemes na tela. Não é um ator, é ele mesmo — enfatiza.
Henrique lembra que o
material também servirá para a futura etapa ficcional do projeto. A equipe pretende
usar as imagens para observar roupas, armas e modos de organização das colunas
revolucionárias.
— A gente convive com o
projeto hoje em cada detalhe. É incrível, porque vai ser muito útil também
agora na recriação, na parte de ficção, para ver como é que os caras se
vestiam, as armas que usavam, aquela coisa toda — diz.
A mostra foi organizada
em três movimentos. O primeiro documentário apresenta o contexto da Revolução e
passa por Uruguaiana, São Gabriel e Caçapava do Sul. O segundo entra no trecho
mais duro da guerra, com Camaquã, São Francisco de Assis e Rosário do Sul. O
terceiro observa a permanência dessa história em Alegrete, Santana do
Livramento e Pedras Altas.
Henrique resume de forma
simples:
— O primeiro é um pouco
mais contemplativo. O segundo é pau puro, porque é guerra mesmo. E o terceiro
aponta para a permanência desse universo.
A parte sobre São
Francisco de Assis é uma das que mais impressionaram o diretor durante o
processo. Em 1923, a cidade foi palco de um combate urbano que, segundo relatos
recuperados pelo filme, deixou quase cem mortos no centro do município. Mais de
um século depois, as marcas ainda aparecem na paisagem e na memória local.
— Dizem que morreram
quase cem pessoas no centro, na praça da cidade, que eram parentes entre elas.
Isso causou um trauma nessa comunidade que existe até hoje. Tu vai lá e ainda
tem buraco de bala nas árvores, na prefeitura — relata.
O encerramento em Pedras
Altas tem outro tom. Foi na residência de Assis Brasil que o pacto responsável
pelo fim do conflito foi assinado. O castelo, hoje em processo de restauração,
aparece como símbolo de uma memória que tenta sair da ruína. Para Henrique,
esse desfecho permite que a mostra não termine apenas olhando para trás.
A importância do Pacto de
Pedras Altas vai além do fim da guerra. O diretor lembra que ali surgiram bases
para mudanças que ajudariam a moldar o sistema eleitoral brasileiro. A Justiça
Eleitoral só seria criada em 1932, mas a necessidade de uma instituição capaz
de cuidar das eleições já aparece naquele contexto.
— São histórias
desconhecidas, que são chave para entender o Brasil moderno — diz Henrique.
Para o cineasta, os 10
meses da Revolução de 1923 ajudam a explicar a crise da República Velha e
preparam o caminho para a Revolução de 1930. O conflito não terminou com uma
vitória militar dos revolucionários, mas enfraqueceu a permanência de Borges de
Medeiros no poder e abriu espaço para a ascensão de Getúlio Vargas.
— Eles não ganharam a
revolução, porque houve paz, porque o governo federal resolveu finalmente
intervir, mandou um pacificador. Mas eles mudaram o Brasil — afirma.
A dimensão
cinematográfica da história também passa pelos detalhes concretos da guerra.
Henrique cita as colunas em deslocamento, a alimentação improvisada, o frio e a
precariedade dos combatentes. Em determinado momento da pesquisa, uma pergunta
aparentemente banal ajudou a dar corpo ao passado. Como alimentar centenas de
homens em movimento?
— Vocês sabem como é que
essa coluna se alimentava? Precisava de seis bois por dia. Tinha que matar seis
bois por dia, carnear, dividir a carne, assar o churrasco. Imagina a coluna do
Honório, que tinha 2 mil. Quantos bois por dia, quando dava para comer, quando
eles não estavam fugindo dos outros? — especula o diretor.
Essa atenção à matéria
bruta da história, para Henrique, é o que permite ao cinema tirar 1923 do
resumo escolar. Os filmes combinam entrevistas, arquivos, imagens de paisagens,
cemitérios, estâncias, documentos e cenas preservadas do longa de Camozato. O
diretor destaca ainda o trabalho gráfico aplicado ao material de época e a
trilha de Sérgio Rojas, parceiro de longa data.
Embora reconheça que a
história do Rio Grande do Sul muitas vezes fica confinada ao próprio Estado,
Henrique rejeita a ideia de que um filme ambientado no universo gaúcho precise
nascer condenado ao nicho. Para ele, a oposição entre regional e universal
empobrece a discussão.
— Não tem nada que seja
regional nem universal. O que importa é contar uma história boa com um ponto de
vista original — diz.
O diretor compara o
potencial dramático da história gaúcha ao que os Estados Unidos fizeram com o
faroeste. A diferença, para ele, é que o Rio Grande do Sul ainda explorou pouco
esse repertório no cinema.
— Os americanos
reconstruíram a história deles a partir da dramaturgia, do cinema. Nós não
precisamos nem reescrever a nossa, porque ela está aí. É só adaptar.
Depois da mostra, a ideia
é que os três filmes sigam carreira em plataforma de streaming. Antes disso,
Henrique quer ver o público reunido na Casa de Cultura Mario Quintana para
assistir aos documentários e participar dos debates.
— Vai ser uma confraria
de quem ama a história do Rio Grande do Sul.
Programação da mostra
"Ecos de 1923"
9 de junho, terça-feira,
às 19h
A deflagração do
conflito: contexto, adesão e consciência política
Debate com Miguel do
Espírito Santo e João Aloísio Degrazia
10 de junho,
quarta-feira, às 19h
O corpo da guerra:
trauma, violência, cicatriz
Debate com Coralio Cabeda
e Fernando Azambuja
11 de junho,
quinta-feira, às 19h
Elaboração simbólica:
memória, política, conciliação e legado
Debate com Marcos
Hernandez e Rodrigo Aguiar
TEMPOS DIFÍCEIS
O mundo passa por uma instabilidade preocupante. Cruzamos tempos difíceis. Talvez agora comece a surgir uma safra de seres humanos fortes. Minha esperança se debruça no pensamento do escritor norte-americano G. Michael Hopf publicado em seu livro de ficção pós-apocalíptica "Those Who Remain", de 2016 no qual expressa o seguinte:
Homens fortes criam tempos fáceis. Tempos fáceis geram homens fracos. Homens fracos criam tempos difíceis. E tempos difíceis, por sua vez, formam homens fortes.
Traduzindo para o nosso Rio Grande velho (e Brasil como um todo) eu diria que os tempos difíceis das revoluções formaram uma geração de homens virtuosos. Com o fim destas (revoluções) criou-se uma geração de homens de gabinetes, incapazes, que entre corrupções e protecionismos levaram nossos poderes constituídos a uma situação vexatória criando, como disse, tempos difíceis para todos nós. Por isso, quem sabe agora, não apareça um plantel de homens fortes novamente.
Corpus Christi (expressão latina que significa Corpo de Cristo) é uma festa que celebra a presença real e substancial de Cristo na Eucaristia.
É realizada na quinta-feira seguinte ao domingo da Santíssima Trindade que, por sua vez, acontece no domingo seguinte ao de Pentecostes. É uma festa de 'preceito', isto é, para os católicos é obrigatório participar da Missa neste dia, na forma estabelecida pela Conferência Episcopal do país respectivo.
A procissão pelas vias públicas, quando é feita, atende a uma recomendação do Código de Direito canônico (cân. 944) que determina ao Bispo diocesano que a providencie, onde for possível, "para testemunhar publicamente a veneração para com a santíssima Eucaristia, principalmente na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo." É recomendado que nestas datas, a não ser por causa grave e urgente, o bispo não se ausente da diocese (cân. 395).
No Rio Grande do Sul, principalmente na região serrana, de colonização italiana, como Flores da Cunha, a comunidade se une na confecção de tapetes de serragem por onde passará, em procissão, o sacerdote conduzindo o Santíssimo Sacramento.
INJUSTIÇA OU INGRATIDÃO?
(OU AS DUAS COISAS?)
NAS COXAS
"Nas coxas" é uma terminologia popular brasileira que significa algo mal feito, sem capricho, sem esmero.
Tal dito tem origem do tempo da escravatura aonde os negros faziam telhas moldando o barro nas pernas. Como as coxas dos escravos eram diferentes umas das outras, maiores, mais magras, mais grossas... as telhas também não ficavam harmônicas.
Um exemplo de uma atividade feita nas coxas aconteceu no fim da tarde de ontem (31), antes da partida da seleção quando da interpretação do hino brasileiro pela cantora Alcione e pelo cantor Belo.
Faltou harmonia com a música (da metade em diante retiraram a música e ficou a capela), desencontro ente os cantores, e até a letra deste símbolo nacional conseguiram errar. Parecia algo sem ensaio, tudo no improviso. Um constrangimento ao vivo transmitido pela Globo.
DESTAQUES DO 39º CARIJO DA CANÇÃO GAÚCHA
Neste domingo meio carrancudo aqui pela capital vamos compartilhar a postagem do blog Ronda dos Festivais do meu amigo Jairo Reis, um abnegado em divulgar as atividades musicais do Estado e que hoje nos traz os destaques do 39º Carijo da Canção Gaúcha, de Palmeira das Missões, ocorrido neste final de semana, festividade que já tive a honra de ser avaliador em duas ocasiões.
Pessoalmente considero o Carijo o maior festival nativista do Rio Grande do Sul (e fora dele). É algo impressionante. A cidade abraça o evento como em nenhum outro lugar. Palmeira das Missões simplesmente se muda de mala e cuia para o Parque de Exposições aonde o festival acontece. É uma semana de pura cultura que andeja da poesia à musicalidade num manancial de puro nativismo.
O resultado foi o seguinte:
Primeiro Lugar: NA CASA DO MATE
Letra: Sabani Felipe de Souza
Melodia: Pedro Flores
Interpretação: Nilton Ferreira
Segundo Lugar: GOSTO DE FALAR DE CAMPO
Letra: Ramires Monteiro
Melodia: Ramires Monteiro
Interpretação: Igor Tadielo
Terceiro Lugar: A VOZ DA PALMEIRA
Ritmo: Milongão
Letra: Ramiro Grethe
Melodia: Marcelo Grethe
Interpretação: Cristiano Sonntag e Edu Dall'Osto
Recitado: Ramiro Grethe
Melhor Intérprete: TAINE SCHETTERT
Música: No Carijo da Alma
Melhor Instrumentista: RONISON BORBA
Música: A Casas do Mate
Instrumento: Acordeon
Melhor Arranjo Instrumental: NA CASA DO MATE
Letra: Sabani Felipe de Souza
Melodia: Pedro Flores
Interpretação: Nilton Ferreira
Arranjo: Ronison Borba
Melhor Arranjo Vocal: TEMPERANÇA
Ritmo: Vaneira
Letra: Alixandre Lima
Melodia: Gabriel Gariba
Interpretação: Gabriel Nascimento, Roberta Soarez e
Cristiano Sonntag
Melhor Melodia: HOJE
Autor: Felipe Goulart
Melhor Trabalho Poético: O CAMPO NÃO É UMA ESTRADA
Autor: Rômulo Chaves
Melhor Tema Ecológico: LIÇÕES DA TERRA E DO MATE
Letra: Luís Fernando Gastaldo
Melodia: Arison Martins
Interpretação: Maria Alice
Música Mais Popular:
VELHA PALMEIRA
Letra: José Ricardo Nerling/José Arthur Nerling
Melodia: José Ricardo Nerling
Interpretação: José Ricardo Nerling e João Quintana
Melhor Composição Sobre Erva-Mate: DOS MATES QUE A VIDA
SERVE
Ritmo: Milonga Canção
Letra: José Ricardo Nerling
Melodia: José Ricardo Nerling
Interpretação: José Ricardo Nerling
Melhor Trabalho Sobre Palmeira das Missões: A VOZ DA PALMEIR
Ritmo: Milongão
Letra: Ramiro Grethe
Melodia: Marcelo Grethe
Interpretação: Cristiano Sonntag e Edu Dall'Osto
Recitado: Ramiro Grethe
Destaque Feminino:
ANA CLÁUDIA RIZZATO
Música: Na Casas do Mate
Instrumento: Flauta
Melhor Trabalhos Sobre Os 400 Anos das Missões: PELA MÃO DO
JESUÍTA
Letra: José Augusto Fiorin
Melodia: José Augusto Fiorin
Interpretação: Vinícius Bala
Recitado: Jarbas Nadal