RETRATO DA SEMANA


domingo, 14 de junho de 2026

 

A FALSA CARTA DE CAXIAS 


O então Barão de Caxias


Está perto de ser tombado como Patrimônio Nacional o Cerro dos Porongos, em Pinheiro Machado, na região da campanha, local aonde teria acontecido o massacre dos Lanceiros Negros no ano de 1844 durante a Revolução Farroupilha. 

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) está em processo final do tombamento que começou lá em 2000 após iniciativa de movimentos negros apoiados pela Fundação Cultural Palmares. A ideia é levantar um memorial no local.

Pessoalmente concordo com a iniciativa pois acho que os Lanceiros Negros, comandados pelo coronel Joaquim Teixeira Nunes, o Gavião, foram os grande heróis deste decênio épico e são pouco lembrados nos bronzes de praças e livros de história.

O que não concordo, de forma alguma, é com o argumento usado para este tombamento de que os negros que buscavam sua liberdade ao fim do conflito foram traídos pelo general farrapo David Canabarro em conluio com o então Barão de Caxias. 

Se houve traição foi por parte do imperialista Chico Pedro, o Moringue, ambicioso, mau caráter, sem governo, que não respeitou as tratativas de paz então sendo discutidas e atacou o acampamento.

Um dos argumentos dos que defendem a traição de Canabarro seria uma carta escrita por Caxias mandando Moringue atacar os republicanos porque estava tudo acertado entre os comandos. 

Ocorre que esta carta não é verdadeira. Os originais não existem. Procurei-a no Arquivo Histórico e Geográfico aqui em Porto Alegre e pessoas que trabalham lá, há anos, dizem que vários historiadores a procuram mas ninguém encontra tal documento. Da mesma forma tive em mãos, no Rio de Janeiro, toda os anais da vida de Caxias e não encontrei nada a respeito.   

Na verdade tal carta foi escrita após a batalha na cidade de Piratini com o intuito de denegrir a imagem de David Canabarro. 

Vejam o que escreveu o imperialista remanescente da guerra dos farrapos Felix de Azambuja Rangel, no dia 22 de agosto do ano de 1900, na cidade de Rio Pardo: 

"É verdade que o documento que acusa David Canabarro de traidor foi lavrado em minha presença após o combate de Porongos por machinação de Francisco Pedro de Abreu que o mandou escrever por seu major de brigada João Machado de Morais, o que afirmo sem receio de contestação e sendo igualmente verdadeiro tudo quanto diz em seu opusculo o incançavel e ilustre senhor Alfredo Ferreira Rodrigues referente as informações da memoria que lhe mandei. Félix de Azambuja Rangel."   

Que se ergam monumentos aos Lanceiros Negros, que sejam reconhecidas as suas façanhas, mas com argumentos sólidos caso contrário todo este trabalho será posto em dúvidas.

    


   



sábado, 13 de junho de 2026

 


MEU SANTO DE DEVOÇÃO 


Basílica de Santo Antônio - Pádua/Itália


Hoje, 13 de junho, é Dia de Santo Antônio, meu santo de devoção. Em 2024 consegui realizar um sonho, ou seja, conhecer o local aonde ele trabalhou até o final de sua vida na cidade de Pádua, na Itália.

Era um dia chuvoso e nunca senti tanta espiritualidade em minha vida. Nesta basílica está exposta, em perfeito estado de conservação, sua língua (ele era um grande tribuno).

Santo Antônio, ou Santo Antônio de Pádua nasceu em Fernando de Bulhões em Lisboa, Portugal, em 1195, foi frade franciscano discípulo de São Francisco de Assis e Doutor da Igreja. Famoso por sua profunda sabedoria bíblica e caridade, ele é celebrado no mundo todo.

É amplamente invocado como o santo que ajuda a encontrar objetos perdidos além da fama de Santo Casamenteiro devido a sua caridade ao ajudar moças pobres a conseguirem o dote necessário para o casamento. No Brasil, é o primeiro santo celebrado nas tradicionais Festas Juninas.

Iniciou como cônego agostiniano, mas mudou-se para a Ordem Franciscana para viver uma vida de maior simplicidade e pregação. Faleceu em Pádua, na Itália, em 1231, onde hoje se encontra a sua basílica.

Agora, se os leitores me dão licença, vou até a igreja de Santo Antônio do Pão dos Pobres, aqui na capital, fazer minhas orações de agradecimento por tudo que tenho alcançado e pegar meu pãozinho bento.

 


 


CULTURA GAÚCHA EM BRASÍLIA



A Secretaria da Cultura está apoiando a realização da 33ª Expotchê, em Brasília. É o governo do Estado presente na maior feira da cultura gaúcha fora da região Sul. O evento encerra amanhã (14).

A pasta viabilizou a contratação de atrações artísticas – os grupos musicais Le Farfalle e Família Ortaça, e a Burzum Cia. Circense – e correaliza uma mostra audiovisual sobre os 400 Anos das Missões Jesuíticas Guaranis, temática da Expotchê este ano. Estão sendo exibidos os filmes “Trinta Povos”, “Cantata Sete Povos – Episódios 1 e 2” e “Pará Yxapy”.

Realizado de 4 a 14 de junho, no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade, o evento conta com uma ampla programação, que inclui outras apresentações artísticas, gastronomia típica, artesanato e ações de valorização do Rio Grande do Sul, como um estande inspirado nas ruínas de São Miguel Arcanjo – tudo para levar a cultura gaúcha a visitantes de todas as regiões do país!

Foto: Marcello Candido/Expotchê.



 

"ESTÁTUA VIVA" GANHA EDITAL

PARA REVITALIZAÇÃO DO SÍTIO DO LAÇADOR


 

A "estátua viva" do Laçador, interpretada pelo ator Pablo Espindola, venceu o edital "Sítio do Laçador Vive". Com isso, ele e sua equipe serão oficialmente responsáveis pela gestão, preservação e revitalização do entorno do monumento histórico de Antônio Caringi.O acordo do edital inclui obrigações e novidades para a região:

O grupo é responsável por manter a grama aparada, as pinturas conservadas e garantir a integridade da estátua. O projeto também prevê apresentações culturais caracterizadas, ações de educação patrimonial e fomento à economia criativa.

Nos próximos 12 meses, a área deverá ganhar novas instalações, incluindo banheiros e iluminação aprimorada, além de integração com marcas.




sexta-feira, 12 de junho de 2026

 



SEIS ANOS SEM PORCA VÉIA 

 

Há seis anos nos despedíamos do amigo Porca Véia
Foto: Léo Ribeiro

Hoje, 12 de junho, Dia dos Namorados, fez seis anos que o grande gaiteiro Porca Véia deixou este plano. Seu falecimento ocorreu devido a uma parada cardíaca durante uma hemodiálise. 

Em virtude de que a pandemia do Coronavírus estava em seu auge naquele junho de 2020, seu velório na cidade de Ivoti foi restrito a poucos amigos e familiares. Contudo, fui levar o meu último adeus a este ícone da musicalidade rio-grandense cuja carreira acompanhei desde o seu princípio e tivemos diversos trabalhos juntos além de uma forte amizade. 

Porca Véia foi o maior representante da música Bertussi e hoje, além do Grupo Cordeona que segue firme os passos de seu líder, muitos conjuntos mantém o estilo Porca Véia de animar fandangos. Ele foi e sempre será o Pai do Gaitaço.  





quinta-feira, 11 de junho de 2026

 


ALELUIA

Monumento a Bento Gonçalves então no Parque Farroupilha 
(1936)
Retrato batido por Francisco Allgayer e colorizado por IA
Acervo de seu filho Carlos Allgayer

Ontem estava passando pela avenida João Pessoa, aqui em Porto Alegre, em frente ao histórico colégio Júlio de Castilhos, o Julinho, local aonde começou o tradicionalismo gaúcho, e vi que estavam demolindo o coreto da praça em frente. Uma pena porque os coretos marcaram uma época nostálgica de música, dança, pontos de encontro em quase todas as cidades do nosso interior. Hoje, segundo informações que recebi, servia de abrigo a drogados. 

Em contraponto ao que vi em relação ao coreto, bem em frente, no meio da avenida, uma equipe da prefeitura estava limpando para restauração o icônico monumento a Bento Gonçalves, no mesmo local aonde ele teria cruzado ao invadir Porto Alegre via Ponte da Azenha em setembro de 1835. 

Tal monumento é uma obra do escultor pelotense Antonio Caringi e constituído para celebrar o centenário da revolução farroupilha em 1935. Foi inaugurado no ano seguinte no Parque Farroupilha (foto acima)e, em 1941, transferido para o atual local.

Esperamos que os cuidados com este patrimônio histórico não fique na limpeza. Que se instale câmaras, luzes, grade de proteção, enfim, que não fique a mercê dos vândalos que, inclusive, levaram as duas placas laterais com mais de 100 quilos, a luz do dia, e até hoje não apareceram. Nem placas nem os graxains autores da proeza.

De toda forma, deve-se cumprimentar o poder público pela iniciativa. 


    

quarta-feira, 10 de junho de 2026

 

33º RONCO DO BUGIO

ABERTA AS INSCRIÇÕES



Vem aí mais uma edição de um dos encontros mais tradicionais da música nativista gaúcha, celebrando o único gênero musical genuinamente nascido no Rio Grande do Sul: o bugio! O evento acontece em São Francisco de Paula e vai distribuir mais de R$ 23 mil em prêmios, além de ajuda de custo para as obras selecionadas.

Prepare sua composição inédita e participe!

Inscrições: 09 de junho a 05 de julho.

Vagas: 16 composições vocais e 4 instrumentais de gaita (todas inéditas e no ritmo bugio).

Ajuda de custo para as músicas classificadas ( R$ 4.500) + bônus para finalistas, além de prêmios para os vencedores!

Data do Evento: 13, 14 e 15 de agosto no Centro de Eventos de São Chico.

Como se inscrever: Exclusivamente pelo e-mail

roncodobugiosaochico@gmail.com

Edital completo: bit.ly/edital1242026

Tire suas dúvidas pelo WhatsApp (54) 99968-6335 (com Maurício).

Leia a matéria completa em 

www.saofranciscodepaula.rs.gov.br




terça-feira, 9 de junho de 2026

 



Foi lançado terça-feira passada, em Porto Alegre, o Festival da Virada - Depois das Águas, uma mostra competitiva de canções inéditas promovido pela Caminha Produções Artísticas Ltda e Pandorga Produtora Cultural em cinco etapas classificatórias que ocorrerão em localidades atingidas pelas enchentes que assolaram o Estado entre abril e maio de 2024.

Serão apresentadas 12 (doze) músicas em cada uma das cinco etapas classificatórias, sendo 6 (seis) regionais + 6 (seis) estaduais totalizando sessenta (60) canções cuja nominata será divulgada a partir de 25 de junho de 2026. Em cada fase as comissões avaliadoras elegerão uma  canção da região, uma canção estadual e o Melhor Tema Ambiental, para serem reapresentadas na Grande Final, em Porto Alegre.

O regulamento completo está disponível no site Festivalvirada.com.br (alguns tópicos estão abaixo) e as inscrições podem ser encaminhadas até o dia 16 de junho de 2026, através do formulário de inscrição disponível no link:

 https://www.festivaldavirada.com.br


DA AJUDA DE CUSTO E PREMIAÇÃO:

ART.08- As composições classificadas na pré-seleção, receberão, a título de premiação (ajuda de custos), direitos de arena e uso de imagem em todas as plataformas, digitais ou não, o valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), que serão pagos mediante Nota Fiscal no momento do credenciamento, quando todos os músicos e interpretes deverão assinar a devida autorização.

As obras classificadas para a grande final do festival farão jus ao recebimento de ajuda de custo no valor de R$ 7.000,00 (sete mil reais) cada, destinada a contribuir com despesas de deslocamento, hospedagem, alimentação e demais custos relacionados à participação no evento.

ÙNICO: todas despesas de alimentação, hospedagem e transporte ocorrerão por conta do concorrente.

ART.09 – A comissão julgadora proclamará, ao final da apresentação das músicas finalistas, os seguintes prêmios:

Primeiro Lugar: troféu e R$ 8.000,00

Segundo Lugar: troféu e R$ 5.000,00

Melhor Tema Ambiental: troféu e R$ 5.000,00

Melhor Intérprete: troféu e R$ 2.000,00

Melhor Instrumentista: troféu e R$ 2.000,00

Melhor Letra: troféu e R$ 1.000,00

Melhor Melodia: troféu e R$ 1.000,00




- Etapa Gramado - 08 de julho:

        Carlos Madruga,

        Fernanda Lopes,

        Léo Ribeiro de Souza

- Etapa São Leopoldo - 12 de julho:

        Lincon Ramos,

        Tatieli Bueno,

        Anomar Danúbio Vieira

- Etapa Lajeado - 14 de julho:

        Bianca Bergman,

        Diego Machado,

        Diego Muller

- Etapa Canoas - 16 de julho:

        Charlise Bandeira,

        Flávio Hanssen,

        Mauro Moraes

- Etapa Sapucaia do Sul - 19 de julho:

        Luciano Maia,

        Janaína Maia,

        Martin César

- Grande Final - Porto Alegre - 22 de julho:

        Adriana Sperandir,

        Fabrício Harden,

        João Bosco Ayala,

        Telmo Jaconi,

        Vaine Darde.



segunda-feira, 8 de junho de 2026

 



Essa casa, companheiro, 

não é a de São Gonçalo

igual aquele terreiro

que pinto manda no galo. 


Uma boa semana a todos.

domingo, 7 de junho de 2026

 


NOVE ANOS DA GAÚCHOS TEMPLÁRIOS 


1ª Sessão da Gaúchos Templários

Hoje, dia 7 de junho, faz exatos 9 anos que um sonho começou a tornar-se realidade. Foi nesta data que foi fundada a única Loja Maçônica Temática do Brasil. A ideia era mesclar os ensinamentos apregoados na Arte Real (Maçonaria) com o culto às tradições do gaúcho. 

Muitos acharam que tal novidade teria vida curtíssima. Alguns até torciam para que isto acontecesse mas, com trabalhos brilhantes, dedicação profunda, pesquisas de fundamento, atravessamos os tempos zebrunos da pandemia e da enchente que assolou o Estado e nos mantivemos firmes em nossos propósitos e na união da irmandade que nos identifica. Hoje somos reconhecidos e admirados nas plagas mais distantes desta Pátria Brasileira e, inclusive, fora dela.   

Não somos melhores nem piores do que ninguém, somos diferentes na maneira de cultivar os costumes sulinos sem nos afastarmos um milímetro do que é preconizado em nossos rituais maçônicos.

Parabéns àqueles que, de uma forma ou de outra, fizeram e fazem parte deste processo. 

Que venham mais 9, ou melhor, 90 anos de honras e glórias à Gaúchos Templários.  

  


 


INJUSTIÇAS DOMINICAIS


Este ano, após meio século, parei de assinar e receber na porta do rancho o jornal Zero Hora. Como disse a três ontontes o periódico está mais fino que assovio de papudo, retransmitindo notícias dormidas e com poucos colunistas de real valor. 

Desde então, garrei a balda de, ao acordar, recorrer os aguapés para me inteirar do mundo através do celular.  

Hoje, domingo (07), abri e fechei o aparelho em seguida. Duas postagens carregadas de injustiças me taparam de nojo.

A primeira foi o embarque da delegação da RBS (a Emissora dos Casais) para a copa do mundo. Gente com pouca ou nenhuma expressão viajando e deixando aqui, no esquecimento, o melhor repórter de todos, ou seja, o José Alberto Andrade. Que baita injustiça.

Dizem que o manda chuva da rede é um mineiro. Não sei quem é mas, com certeza, um grande desconhecedor do que faz além de andejar, possivelmente, pelos caminhos do compadresco. 

A segunda grande injustiça, em outro nível é óbvio, foi o julgamento do menino Henry Borel aonde a juíza Elizabeth Machado Louro absolveu a mãe (para mim uma assassina) citando os termos "misogenia" e "cultura patriarcal" para justificar o perdão judicial a Monique Medeiros. Nos tempos modernos digo que isto é lacração sendo usada em âmbito judicial para livrar uma criminosa.  

O negócio, para não me irritar já de manhã, foi desligar o celular, virar para o lado e dormir até as 10h para ver a fórmula 1, pois me parece que está surgindo um Airton Senna italiano. 




sábado, 6 de junho de 2026

 

UM BELO PROGRAMA PARA ESTA SEMANA

Ecos de 1923: A Última Guerra dos Gaúchos

Honóerio Lemes, o Leão do Caverá, e sua coluna revolucionária


João Vítor Debiasi - *Sob supervisão do jornalista Ticiano Osório

Trilogia sobre guerra gaúcha que mudou o Brasil terá sessões de graça em Porto Alegre. Documentários de Henrique de Freitas Lima sobre a Revolução de 1923 serão exibidos e debatidos na Cinemateca Paulo Amorim nos dias 9, 10 e 11 de junho. Entrada franca.

Henrique de Freitas Lima tem mais de 40 anos de cinema, e boa parte desse caminho foi dedicada a filmar o Rio Grande do Sul. Não o Estado de cartão-postal, mas aquele que aparece nos campos, nos conflitos, nos personagens históricos e nas histórias que muitas vezes ficam restritas aos arquivos, às famílias e aos municípios onde aconteceram.

Agora, o cineasta chega a um dos projetos mais ambiciosos de sua carreira com Ecos de 1923: A Última Guerra dos Gaúchos.

A programação reúne três documentários de cerca de 70 minutos sobre a Revolução de 1923, guerra civil gaúcha que opôs forças ligadas ao governo de Borges de Medeiros e revolucionários contrários à sua permanência no poder. Para Henrique, reduzir o episódio a uma disputa regional é perder a dimensão do que estava em jogo.

— Não é um troço de gaúcho para gaúcho. A gente está fazendo com uma linguagem para o Brasil, para quem quiser ver, para poder entender esse processo — afirma o diretor, que tem no currículo Tempo Sem Glória (1984), Lua de Outubro (1998) e Concerto Campestre (2005).

O projeto nasceu de uma pesquisa sobre Zeca Netto, caudilho ligado a Camaquã. Henrique havia sido provocado a escrever um roteiro sobre o personagem, mas logo percebeu que aquela trajetória abria uma porta maior. Ao mergulhar nas memórias de Zeca Netto, surgiram Honório Lemes, Assis Brasil, Flores da Cunha, Borges de Medeiros e outros nomes que atravessaram a política gaúcha na virada do século 19 para o século 20.

A ideia cresceu até se transformar em Os Caudilhos, projeto dividido em etapas. A primeira resultou em filmes locais de 30 minutos, produzidos nos municípios participantes. A segunda aparece agora na mostra Ecos de 1923, com três longas reorganizados para formar um painel mais amplo do conflito. A próxima será uma série de televisão em formato de docudrama, com cenas ficcionais de recriação histórica.

— Foi uma costura de produção absurda. Foram nove municípios diferentes, com produtores locais que precisei localizar, além de uma parte filmada no Uruguai — conta Henrique.

As filmagens passaram por Uruguaiana, São Gabriel, Caçapava do Sul, Camaquã, São Francisco de Assis, Rosário do Sul, Alegrete, Santana do Livramento e Pedras Altas. Também houve gravações em Porto Alegre e no Uruguai. Segundo o diretor, a circulação pelos territórios foi decisiva para que os filmes não ficassem presos apenas à fala dos especialistas.

— Esses filmes mostram uma realidade muito curiosa, no sentido de ver quem são os guardiões da nossa história nesses municípios. Algumas vezes, pessoas que estão isoladas, que já são idosas e que mantêm essa memória — diz.

Um dos achados mais importantes do projeto é o uso de imagens de Revolução no Rio Grande, longa filmado em 1923 por Benjamin Camozato, dentista de Cachoeira do Sul que se aventurou pelo cinema. Do material original, sobreviveram pouco mais de 50 minutos. Para Henrique, a presença dessas imagens muda a relação do espectador com a história.

Camozato conseguiu autorização para filmar acampamentos dos dois lados do conflito. Em alguns momentos, aparecem figuras como Honório Lemes, Zeca Netto e Estácio Azambuja. Não são atores tentando representar a Revolução: são os próprios personagens históricos diante da câmera, em um registro feito enquanto a guerra ainda acontecia.

— Foi emocionante ver o próprio Honório Lemes na tela. Não é um ator, é ele mesmo — enfatiza.

Henrique lembra que o material também servirá para a futura etapa ficcional do projeto. A equipe pretende usar as imagens para observar roupas, armas e modos de organização das colunas revolucionárias.

— A gente convive com o projeto hoje em cada detalhe. É incrível, porque vai ser muito útil também agora na recriação, na parte de ficção, para ver como é que os caras se vestiam, as armas que usavam, aquela coisa toda — diz.

A mostra foi organizada em três movimentos. O primeiro documentário apresenta o contexto da Revolução e passa por Uruguaiana, São Gabriel e Caçapava do Sul. O segundo entra no trecho mais duro da guerra, com Camaquã, São Francisco de Assis e Rosário do Sul. O terceiro observa a permanência dessa história em Alegrete, Santana do Livramento e Pedras Altas.

Henrique resume de forma simples:

— O primeiro é um pouco mais contemplativo. O segundo é pau puro, porque é guerra mesmo. E o terceiro aponta para a permanência desse universo.

A parte sobre São Francisco de Assis é uma das que mais impressionaram o diretor durante o processo. Em 1923, a cidade foi palco de um combate urbano que, segundo relatos recuperados pelo filme, deixou quase cem mortos no centro do município. Mais de um século depois, as marcas ainda aparecem na paisagem e na memória local.

— Dizem que morreram quase cem pessoas no centro, na praça da cidade, que eram parentes entre elas. Isso causou um trauma nessa comunidade que existe até hoje. Tu vai lá e ainda tem buraco de bala nas árvores, na prefeitura — relata.

O encerramento em Pedras Altas tem outro tom. Foi na residência de Assis Brasil que o pacto responsável pelo fim do conflito foi assinado. O castelo, hoje em processo de restauração, aparece como símbolo de uma memória que tenta sair da ruína. Para Henrique, esse desfecho permite que a mostra não termine apenas olhando para trás.

A importância do Pacto de Pedras Altas vai além do fim da guerra. O diretor lembra que ali surgiram bases para mudanças que ajudariam a moldar o sistema eleitoral brasileiro. A Justiça Eleitoral só seria criada em 1932, mas a necessidade de uma instituição capaz de cuidar das eleições já aparece naquele contexto.

— São histórias desconhecidas, que são chave para entender o Brasil moderno — diz Henrique.

Para o cineasta, os 10 meses da Revolução de 1923 ajudam a explicar a crise da República Velha e preparam o caminho para a Revolução de 1930. O conflito não terminou com uma vitória militar dos revolucionários, mas enfraqueceu a permanência de Borges de Medeiros no poder e abriu espaço para a ascensão de Getúlio Vargas.

— Eles não ganharam a revolução, porque houve paz, porque o governo federal resolveu finalmente intervir, mandou um pacificador. Mas eles mudaram o Brasil — afirma.

A dimensão cinematográfica da história também passa pelos detalhes concretos da guerra. Henrique cita as colunas em deslocamento, a alimentação improvisada, o frio e a precariedade dos combatentes. Em determinado momento da pesquisa, uma pergunta aparentemente banal ajudou a dar corpo ao passado. Como alimentar centenas de homens em movimento?

— Vocês sabem como é que essa coluna se alimentava? Precisava de seis bois por dia. Tinha que matar seis bois por dia, carnear, dividir a carne, assar o churrasco. Imagina a coluna do Honório, que tinha 2 mil. Quantos bois por dia, quando dava para comer, quando eles não estavam fugindo dos outros? — especula o diretor.

Essa atenção à matéria bruta da história, para Henrique, é o que permite ao cinema tirar 1923 do resumo escolar. Os filmes combinam entrevistas, arquivos, imagens de paisagens, cemitérios, estâncias, documentos e cenas preservadas do longa de Camozato. O diretor destaca ainda o trabalho gráfico aplicado ao material de época e a trilha de Sérgio Rojas, parceiro de longa data.

Embora reconheça que a história do Rio Grande do Sul muitas vezes fica confinada ao próprio Estado, Henrique rejeita a ideia de que um filme ambientado no universo gaúcho precise nascer condenado ao nicho. Para ele, a oposição entre regional e universal empobrece a discussão.

— Não tem nada que seja regional nem universal. O que importa é contar uma história boa com um ponto de vista original — diz.

O diretor compara o potencial dramático da história gaúcha ao que os Estados Unidos fizeram com o faroeste. A diferença, para ele, é que o Rio Grande do Sul ainda explorou pouco esse repertório no cinema.

— Os americanos reconstruíram a história deles a partir da dramaturgia, do cinema. Nós não precisamos nem reescrever a nossa, porque ela está aí. É só adaptar.

Depois da mostra, a ideia é que os três filmes sigam carreira em plataforma de streaming. Antes disso, Henrique quer ver o público reunido na Casa de Cultura Mario Quintana para assistir aos documentários e participar dos debates.

— Vai ser uma confraria de quem ama a história do Rio Grande do Sul.

Programação da mostra "Ecos de 1923"

9 de junho, terça-feira, às 19h

A deflagração do conflito: contexto, adesão e consciência política

Debate com Miguel do Espírito Santo e João Aloísio Degrazia

 

10 de junho, quarta-feira, às 19h

O corpo da guerra: trauma, violência, cicatriz

Debate com Coralio Cabeda e Fernando Azambuja

 

11 de junho, quinta-feira, às 19h

Elaboração simbólica: memória, política, conciliação e legado

Debate com Marcos Hernandez e Rodrigo Aguiar

 

 


sexta-feira, 5 de junho de 2026

 

TEMPOS DIFÍCEIS


O mundo passa por uma instabilidade preocupante. Cruzamos tempos difíceis. Talvez agora comece a surgir uma safra de seres humanos fortes. Minha esperança se debruça no pensamento do escritor norte-americano G. Michael Hopf publicado em seu livro de ficção pós-apocalíptica "Those Who Remain", de 2016 no qual expressa o seguinte: 

Homens fortes criam tempos fáceis. Tempos fáceis geram homens fracos. Homens fracos criam tempos difíceis. E tempos difíceis, por sua vez, formam homens fortes.

Traduzindo para o nosso Rio Grande velho (e Brasil como um todo) eu diria que os tempos difíceis das revoluções formaram uma geração de homens virtuosos. Com o fim destas (revoluções) criou-se uma geração de homens de gabinetes, incapazes, que entre corrupções e protecionismos levaram nossos poderes constituídos a uma situação vexatória criando, como disse, tempos difíceis para todos nós. Por isso, quem sabe agora, não apareça um plantel de homens fortes novamente. 


 


quinta-feira, 4 de junho de 2026

 



CORPUS CHRISTI - O CORPO DE CRISTO

 

tapete de serragem


Corpus Christi (expressão latina que significa Corpo de Cristo) é uma festa que celebra a presença real e substancial de Cristo na Eucaristia.

É realizada na quinta-feira seguinte ao domingo da Santíssima Trindade que, por sua vez, acontece no domingo seguinte ao de Pentecostes. É uma festa de 'preceito', isto é, para os católicos é obrigatório participar da Missa neste dia, na forma estabelecida pela Conferência Episcopal do país respectivo.

A procissão pelas vias públicas, quando é feita, atende a uma recomendação do Código de Direito canônico (cân. 944) que determina ao Bispo diocesano que a providencie, onde for possível, "para testemunhar publicamente a veneração para com a santíssima Eucaristia, principalmente na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo." É recomendado que nestas datas, a não ser por causa grave e urgente, o bispo não se ausente da diocese (cân. 395).

No Rio Grande do Sul, principalmente na região serrana, de colonização italiana, como Flores da Cunha, a comunidade se une na confecção de tapetes de serragem por onde passará, em procissão, o sacerdote conduzindo o Santíssimo Sacramento.



quarta-feira, 3 de junho de 2026

 


FESTA JUNINA OU FESTA CAIPIRA?

 



Estamos começando o ciclo das festas juninas que vão do dia 13 até o dia 29 de junho. Ela se manifesta no folclore de quase todo o solo brasileiro e engloba os folguedos de Santo Antônio, São João, São Pedro e São Paulo.
 
Por ser uma tradição que, como sabemos, ocorre em vários estados, cada qual deveria ter sua característica própria, o que não acontece, pois há uma tendência caipira nas comemorações.
 
A origem destes festejos, está nas antigas civilizações Greco-romanas, Godas e Celtas que, no verão europeu (junho e julho), homenageavam os Deuses da Colheita com cantigas e danças ao redor de uma fogueira.
 
Foi por intermédio dos colonizadores portugueses, entre 1580 e 1590, que estas manifestações chegaram ao Brasil sendo que os originários santos pagãos foram substituídos pelos santos católicos acima citados.
 
Mesclando ritos cristãos e pagãos, são muitas as formas de homenagear os santos favoritos, as quais podemos destacar: novenas, procissões, fogueiras, fogos de artifícios, quermesse, bailes, presságios, brincadeiras como casamento na roça, dança da quadrilha, pau-de-cebo e outros.
 
O que não se entende é a unificação na forma das comemorações. Cada estado deveria festejar o ciclo junino dentro de suas características, de suas tradições, de sua cultura própria. Ex: no Rio Grande do Sul não deveria ocorrer a incidência de chapéus-de-palha, camisas estampadas, calças remendadas, etc. Seria interessante o MTG esclarecer estas circunstâncias através de cartilhas sobre o assunto. É comum alguns professores pintarem com rolha queimada bigodinhos e costeletas na piazada, no melhor estilo Mazaropi.


terça-feira, 2 de junho de 2026

 


INJUSTIÇA OU INGRATIDÃO?

(OU AS DUAS COISAS?)


José Alberto Andrade


Falando em copa do mundo, aonde já arrancamos com uma fiasqueira medonha na cantoria do Hino Nacional no domingo, nossa terrinha gaúcha não poderia ficar de fora destas ações que só alimentam chacotas, deboches e zombarias na internet.

Acreditem se quiserem mas a gloriosa RBS deixou de fora de sua equipe que vai a copa o melhor repórter da empresa, ou seja, José Alberto Andrade, e entupiram de gente sem expressão alguma dentro do mundo esportivo. O que farão lá, por exemplo, dois comentaristas identificados com Grêmio e Inter que só o que fazem é se contraporem de modo duvidoso no programa Sala de Redação?  

Usando a linguagem futebolística José Alberto Andrade é o tipo de profissional que bate o escanteio e ainda vai cabecear na área. Sua vida é a Rádio Gaúcha. Penso até que ele carrega um colchonete embaixo do braço e dorme nos estúdios pois sempre que ligo na 93.7 ele está lá, falando com propriedade em assuntos que andejam da musicalidade regionalista até o carnaval, passando (e dando de relho) pelo futebol. 

Tem uma memória privilegiada pois lembra de fatos e datas das temáticas mais variadas. E o que resultou disto? A ingratidão, consolidando uma das maiores injustiças de um empregador com seu funcionário.

Tudo isso serviu para eu abandonar quase de vez a RBS. Já parei de assinar o Jornal Zero Hora, periódico que me acompanhava há quase meio século, pois anda mais fino que assovio de papudo. Digo que abandonarei "quase de vez" pois um dos poucos programas que ainda me fazem levar o radinho para a cabeceira do catre é o Galpão da Gaúcha, apresentado pelo grande JOSÉ ALBERTO ANDRADE. 

        


segunda-feira, 1 de junho de 2026

 


NAS COXAS 


"Nas coxas" é uma terminologia popular brasileira que significa algo mal feito, sem capricho, sem esmero.

Tal dito tem origem do tempo da escravatura aonde os negros faziam telhas moldando o barro nas pernas. Como as coxas dos escravos eram diferentes umas das outras, maiores, mais magras, mais grossas... as telhas também não ficavam harmônicas.

Um exemplo de uma atividade feita nas coxas aconteceu no fim da tarde de ontem (31), antes da partida da seleção quando da interpretação do hino brasileiro pela cantora Alcione e pelo cantor Belo. 

Faltou harmonia com a música (da metade em diante retiraram a música e ficou a capela), desencontro ente os cantores, e até a letra deste símbolo nacional conseguiram errar. Parecia algo sem ensaio, tudo no improviso. Um constrangimento ao vivo transmitido pela Globo.



 





O teu rancho é de sapê, 
chão batido, poucos bens?
Te visito é por você
não por aquilo que tens. 


Uma boa semana a todos  



domingo, 31 de maio de 2026

 

DESTAQUES DO 39º CARIJO DA CANÇÃO GAÚCHA


Neste domingo meio carrancudo aqui pela capital vamos compartilhar a postagem do blog Ronda dos Festivais do meu amigo Jairo Reis, um abnegado em divulgar as atividades musicais do Estado e que hoje nos traz os destaques do 39º Carijo da Canção Gaúcha, de Palmeira das Missões, ocorrido neste final de semana, festividade que já tive a honra de ser avaliador em duas ocasiões. 

Pessoalmente considero o Carijo o maior festival nativista do Rio Grande do Sul (e fora dele). É algo impressionante. A cidade abraça o evento como em nenhum outro lugar. Palmeira das Missões simplesmente se muda de mala e cuia para o Parque de Exposições aonde o festival acontece. É uma semana de pura cultura que andeja da poesia à musicalidade num manancial de puro nativismo.  

O resultado foi o seguinte: 


Primeiro Lugar: NA CASA DO MATE

Letra: Sabani Felipe de Souza

Melodia: Pedro Flores

Interpretação: Nilton Ferreira

 

Segundo Lugar: GOSTO DE FALAR DE CAMPO

Letra: Ramires Monteiro

Melodia: Ramires Monteiro

Interpretação: Igor Tadielo

 

Terceiro Lugar: A VOZ DA PALMEIRA

Ritmo: Milongão

Letra: Ramiro Grethe

Melodia: Marcelo Grethe

Interpretação: Cristiano Sonntag e Edu Dall'Osto

Recitado: Ramiro Grethe

 

Melhor Intérprete: TAINE SCHETTERT

Música: No Carijo da Alma

 

Melhor Instrumentista: RONISON BORBA 

Música: A Casas do Mate

Instrumento: Acordeon 

 

Melhor Arranjo Instrumental: NA CASA DO MATE

Letra: Sabani Felipe de Souza

Melodia: Pedro Flores

Interpretação: Nilton Ferreira

Arranjo: Ronison Borba

 

Melhor Arranjo Vocal: TEMPERANÇA

Ritmo: Vaneira

Letra: Alixandre Lima

Melodia: Gabriel Gariba

Interpretação: Gabriel Nascimento, Roberta Soarez e Cristiano Sonntag

 

Melhor Melodia: HOJE

Autor: Felipe Goulart

 

Melhor Trabalho Poético: O CAMPO NÃO É UMA ESTRADA

Autor: Rômulo Chaves

 

Melhor Tema Ecológico: LIÇÕES DA TERRA E DO MATE

Letra: Luís Fernando Gastaldo

Melodia: Arison Martins

Interpretação: Maria Alice

 

Música Mais Popular:  VELHA PALMEIRA

Letra: José Ricardo Nerling/José Arthur Nerling

Melodia: José Ricardo Nerling

Interpretação: José Ricardo Nerling e João Quintana

 

Melhor Composição Sobre Erva-Mate: DOS MATES QUE A VIDA SERVE

Ritmo: Milonga Canção

Letra: José Ricardo Nerling

Melodia: José Ricardo Nerling

Interpretação: José Ricardo Nerling

 

Melhor Trabalho Sobre Palmeira das Missões:  A VOZ DA PALMEIR

Ritmo: Milongão

Letra: Ramiro Grethe

Melodia: Marcelo Grethe

Interpretação: Cristiano Sonntag e Edu Dall'Osto

Recitado: Ramiro Grethe

 

Destaque Feminino:  ANA CLÁUDIA RIZZATO

Música: Na Casas do Mate

Instrumento: Flauta

 

Melhor Trabalhos Sobre Os 400 Anos das Missões: PELA MÃO DO JESUÍTA

Letra: José Augusto Fiorin

Melodia: José Augusto Fiorin

Interpretação: Vinícius Bala

Recitado: Jarbas Nadal