CAUSAS DA REVOLUÇÃO FARROUPILHA
Econômicas O Rio Grande do Sul, estava esgotado pela sequência de
guerras, a última das quais tinha sido a campanha da Cisplatina, com as
estâncias e charqueadas produzindo pouco, com os rebanhos esgotados e sem que o
império brasileiro pagasse as indenizações de guerra, apesar de locupletar-se
com as exportações de café e açúcar do centro do País. Os impostos sobre o gado
em pé e sobre a arroba de charque - principais produtos da Província - eram
escorchantes. Todos os produtos da pecuária pagavam dízimo. Cada arroba
exportada pagava 600 réis de taxa e cada légua de campo pagava 100 mil réis de
imposto anual. O pior, porém é que o centro do Brasil preferia comprar o
charque platino ao invés do rio-grandense que era produzido pelo braço escravo
das charqueadas. E, portanto, caro. O charque uruguaio ou argentino, fruto do
braço assalariado nos intervalos das infindáveis guerras e revoluções do Prata,
era vendido no Rio de Janeiro e São Paulo bem mais barato que o charque
rio-grandense.
Sociais O Rio Grande do Sul tinha 14 municípios e cidades com suas
vilas respectivas, uma população de aproximadamente 150 mil pessoas entre brancos,
escravos e índios. Não havia uma escola pública, uma ponte construída ou uma
estrada em boas condições. Apesar do seu continuado sacrifício nas guerras de
fronteiras e apesar da riqueza que o café acumulava na Corte, apesar da sangria
na sua população masculina dizimada pelas guerras, apesar do luto constante das
mulheres gaúchas, o Rio Grande do Sul não merecia qualquer atenção ou
reconhecimento por parte do império. O descontentamento era geral.
Políticas O movimento farroupilha foi um dos muitos movimentos
liberais que sacudiram a Regência na 1ª metade do século XIX, na década de 30,
e alcançou de fato ser a primeira experiência republicana em território do
Brasil.
Exaltados pela independência, os brasileiros se dividiam
entre Liberais e Conservadores, havendo nas duas grandes facções subfacções de
orientação diversa.
Os liberais não apenas no Rio Grande do Sul eram chamados
"farroupilhas", palavra do português castiço para designar
esfarrapados. No Rio Grande do Sul os gaúchos abrasileiraram o termo, usando
mais frequemtemente a expressão "farrapos". De uma maneira geral os
maçons dominaram o Partido Liberal no Rio Grande do Sul, adeptos da maçonaria
francesa, de inspiração republicana, que prejugava a independência dos três
poderes: o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. Dizia-se que todas as
decisões tomadas de público pelos liberais já tinham sido em segredo tomadas no
recesso das "Lojas" maçônicas, a mais prestigiosa das quais tinha por
nome "Fidelidade e Firmeza".
Próceres liberais mantinham um estreito contato com maçons
de idêntica orientação no Uruguai e na Argentina, sendo famosa a amizade entre
Bento Gonçalves da Silva e Juan Antonio Lavalleja, prestigioso caudilho
uruguaio.
Na efervescência política da Independência os rio-grandenses
efetivamente - pelo menos os líderes liberais - não viam com maus olhos a
organização do Uruguai como um Estado independente e soberano entre Argentina e
Brasil.
As causas políticas que levaram à revolução foram muitas,
sobretudo graças a inabilidade do presidente da Província, Dr. Antonio
Rodrigues Fernandes Braga, primeiro rio-grandense a ocupar tão alto posto.
Fernandes Braga denunciou Bento Gonçalves da Silva como conspirador e a recém
empossada Assembléia Provincial (20 de Abril de 1835), substituta do antigo
Conselho Geral da Província e onde o Partido Liberal tinha maioria, exigiu que
o presidente Fernandes Braga apresentasse provas e este, em sessão secreta não
pode fazê-lo. Bento Gonçalves consolidava assim sua posição de líder liberal.
Funcionando durante pouco mais de mês, a Assembléia
Provincial, foi sempre um caldeirão fervente. E a imprensa exaltada da época
contribuía para maior agitação: quando os conservadores criaram um jornal
chamado "A Idade de Ouro", os liberais responderam fundando "A
Idade de Pau"... Entre as causas políticas deve ser mencionada também a
ligação dos liberais com experimentados agitadores italianos, como o conde
Lívio Zambecari.
Militares A autoridade militar maior da província era o Comandante das
Armas, Mal.Sebastião Barreto Pinto, conservador ferrenho e feroz inimigo de
Bento Gonçalves, que fora comandante de fronteira em Jaguarão.
Bento Gonçalves da Silva não era oficial do Exército, mas
guerrilheiro das milícias e depois da Guarda Nacional, forjado e experimentado
no campo de batalha, comandante de gaúchos que apenas se fardavam - quando
recebiam farda - nos períodos de guerra. Sua brilhante carreira de armas desde
soldado raso até coronel da Guarda Nacional era causa do ciúme do velho
marechal Sebastião Barreto Pinto e pelos grandes do
Império.