quinta-feira, 14 de junho de 2012

POEMA PRA UM FIM DE TARDE

 
CHÃO BATIDO (Luiz Menezes)

No chão batido que enrijece a alma
do meu inverno silencioso abrigo,
ouço a saudade em passos lentos, calma
cortando atalhos pra matear comigo....

Os meus cabelos que ao rigor branquearam
o meu cantar que o tempo silenciou,
o meu desejo de seguir em frente
sabem que é tarde: a estrada terminou...

No chão batido que trago na alma
ergui meu rancho pra morada calma
de envelhecer sem mágoas neste fim...

E o Celestial Patrão até foi Bueno.
Deu pra meu canto esse amargo sereno
do verso triste que ainda vive em mim.