RETRATO DA SEMANA

RETRATO DA SEMANA
Se os Senhores da Guerra mateassem ao pé do fogo, deixando o ódio para tras, antes de lavar a erva o mundo estaria em paz - Silvio Genro

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quarta-feira, 19 de abril de 2017

DIA DO ÍNDIO OU DIA DE ÍNDIO?

 
ANTIGAMENTE ERA ASSIM...


...MAS HOJE EM DIA É ASSIM!
Foto: Léo RS 


Como diz a letra da bela canção interpretada por Gilberto Gil, "todo dia era dia de índio, mas hoje eles só tem o dia 19 de abril".

Realmente, quem primeiro chegou em nossas terras, quem andejava livre, irmãos do vento, filhos das matas, dos poucos que restaram, dizimados pelas doenças do homem branco ou exterminados nas carnificinas como a Guerra Guaranítica, onde Espanha e Portugal uniram-se para banir o povo de Sepé do sul do continente, isto depois de já terem seus hábitos "domesticados" pelos senhores de batina e cruz no peito, pouco restou.

Restou a vergonha de ver mulheres índias, ainda novas, com um monte de filhos, disciplinados, pois passam o dia sentados no mesmo local, sem chorar, sem pedir brinquedos, a clamar, com seu olhar, por uma moeda.

Muitas são as classificações dos povos indígenas que viviam entre o oceano Atlântico e a margem esquerda do rio Uruguai. Apesar da importância de cada uma delas três grandes grupos se destacaram: guaranis, pampeanos e gês.

Antes e mesmo depois da chegada dos europeus, esses grupos indígenas empreenderam movimentos migratórios característicos de seu modo de vida nômade ou semi-sedentário. Migraram também forçados pela presença dos colonizadores e seus descendentes que ocupavam suas terras ou os aprisionavam para escravizá-los.

Os guaranis ocupavam as margens da Laguna dos Patos, o litoral norte do atual Rio Grande do Sul, as bacias dos rios Jacuí e Ibicuí, incluindo a região dos Sete Povos das Missões. Dominaram também a parte central e setentrional entre os rios Uruguai e Paraná, bem como a parte sul da margem direita do rio da Prata e o curso inferior do rio Paraná.

Havia entre os guaranis três subgrupos principais: os tapes (indígenas missioneiros dos Sete Povos), que ocupavam as margens dos rios a oeste do atual território do Rio grande do Sul e o centro da bacia do rio Jacuí; os arachanes ou patos, que viviam às margens do rio Guaíba e na parte ocidental da laguna dos patos; os carijós, que habitavam o litoral, desde o atual município de São José do Norte até Cananéia, ao sul de São Paulo.

Apesar da variedade de dialetos, o tupi-guarani era o tronco lingüístico comum a esses grupos indígenas.

Os pampeanos constituíram um conjunto de tribos que ocupavam o sul e o sudoeste do atual Rio Grande do Sul, a totalidade dos território da República Oriental do Uruguai, os cursos inferiores dos rios Uruguai, Paraná e da Prata. Os subgrupos e tribos mais conhecidos entre eles foram os charruas, guenoas, minuanos, chanás, iarós e mbohanes. Todos falavam a língua guíchua, com poucas variações dialetais.

Os gês possivelmente eram os mais antigos habitantes da banda oriental do Rio Uruguai. É provável que essas tribos começaram a se instalar no atual Rio Grande do Sul por volta do século II a.C. Ocupavam o planalto rio-grandense de leste a oeste e abrangiam vários subgrupos: coroados, ibijaras, gualachos, botocudos, bugres, caaguás, pinarés e guaianás. Estes últimos, no início do primeiro milênio d.c., foram expulsos pelos guaranis da região posteriormente denominada Sete Povos das Missões.

Os gês do atual Rio Grande do Sul foram dizimados pelos bandeirantes, guaranis missioneiros, colonizadores portugueses, brasileiros e ítalo-germânicos. Os grupos que vivem atualmente nas reservas de Nonoai, Iraí, Tenente Portela migraram de São Paulo e Paraná, no século passado, durante a expansão da lavoura cafeeira.

São conhecidos desde 1882 por kaingangs ("kaa" = mato; "ingang" = morador), conforme foram denominados genericamente por Telêmaco Borba (o mais importante estudioso e defensor dos indígneas no século passado).

Apesar das perseguições sofridas no período que habitaram o território gaúcho, os índios cultivaram hábitos que acabaram se perpetuando no cotidiano do povo do Rio Grande do Sul como o chimarrão e o fogo de chão. Além disso, o aipim, a farinha de mandioca, a abóbora, a batata-doce, são ingredientes da culinária indígena que acabaram fazendo parte da alimentação gaúcha, além é claro da língua guarani incorporada ao dialeto do povo do sul.

Resta, neste dia, que nossas autoridades, não só políticas, mas também tradicionalistas, voltem seus olhos para o abandono destes primeiros habitantes do Rio Grande que hoje são castigados pelas doenças, pela fome, pela prostituição.

Andem até o município de Rolante, de Maquiné, pelos beirais das estradas que levam ao sul do Estado, aqui mesmo na volta da capital, no Morro do Osso, e façam alguma coisa pelo que restou de uma raça.